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quinta-feira, setembro 22, 2011

É importante participar!


É já amanhã que vai ser apresentado o projecto de requalificação urbana da vila de Vouzela (pelas 21.30 horas no auditório Municipal). Consciente de que os únicos agentes da mudança são os cidadãos, a Câmara Municipal apelou a uma ampla participação. Fez bem. Pelo que nos diz respeito, lá estaremos.

Ao longo dos anos, este foi um dos assuntos a que o "Pastel de Vouzela" deu maior atenção. Apesar de continuarmos a ser reconhecidos como os que melhor preservaram o equilíbrio entre o natural e o edificado, não só não podemos esconder muitas feridas desnecessárias, como nunca rentabilizamos eficazmente essa imagem que todos os estudos mostram ser o "produto" com maior procura, a par dos pasteis. Mais: não esquecemos que, em tempo de "vacas gordas", muito disparate esteve projectado, numa ânsia de obra nova que, a concretizar-se, nos teria transformado noutra coisa qualquer, igual a tantas outras que por esse país fora são, hoje, a imagem do desperdício e do desleixo. Águas passadas? Assim esperamos.

Porque o nosso objectivo sempre foi dinamizar o debate e despertar o contraditório, aqui deixamos algumas modestas propostas que, sobre o assunto, fomos fazendo:

. Sobre o alargamento da Avenida João de Melo (aqui).
. Sobre a "Casa das Ameias" (aqui, aqui, aqui, aqui).
. Sobre a imagem da vila (aqui).
. Sobre a proteção das construções em pedra (aqui, aqui).
. Sobre o mito da necessidade de construção nova (aqui).
. Sobre "política de mobilidade" (aqui)

Simples ideias a custo zero, de quem deseja que a ferida que do Castelo se vê no Monte Cavalo, sirva de exemplo sobre o que não mais se pode fazer.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Vista aérea

Vista aérea do centro da vila, Edição Foto Bela- Colecção de Augusto Matos

Esta fotografia, da autoria do Tenente Morais Carvalho, deve ter sido tirada na mesma altura de uma outra já aqui publicada. Destaque para a Avenida João do Melo, artéria central na imagem. A Igreja da Misericórdia é de fácil identificação, assim como a casa que alguns pretendem "furar". De fácil identificação são, também, os terrenos beneficiados com tal "furo"... Esperamos que o tempo tenha sido bom conselheiro e nos evite este... buraco.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Sobre o projecto de ampliação da Avenida João de Melo

O património paisagístico que herdámos, o equilíbrio entre o natural e o edificado, é demasiadamente precioso para que nele se intervenha sem ampla reflexão. É para isso que procuramos contribuir, a propósito do projecto de ampliação da Avenida João de Melo, em nossa opinião desnecessário e perigoso. Temos argumentos que divulgamos. Estamos abertos ao debate e à colaboração de outros. Como sempre.

4- A obra da Câmara vai criar mais problemas do que resolvê-los- 28 de Novembro de 2008

3- Sobre o prolongamento da Avenida João de Melo: Vamos lá fazer uns bonecos- 26 de Novembro de 2008

2- Lá voltamos nós ao mesmo- a propósito do prolongamento da Avenida João de Melo- 14 de Novembro de 2008

1- Ampliação da Avenida João de Melo? Por favor, estejam quietos- 13 de Março de 2007

segunda-feira, dezembro 15, 2008

A famosa Avenida ... "Pastel de Vouzela"



Muito se tem falado ultimamente neste blog dos projectos para a Avenida João de Melo...esta imagem provavelmente dos anos 20 do século passado dá-nos uma visão não muito usual dos postais da época...habitualmente as fotografias eram tiradas no sentido contrário, a partir da ponte do Caminho de Ferro.

Adivinhamos nesta imagem à direita algum "Pastel de Vouzela" no forno...

sexta-feira, novembro 28, 2008

Os leitores lançam as mãos à massa-IV

Reflectir sobre Vouzela é a razão de ser deste espaço. Por isso, agradecemos quando os leitores nos alertam, propõem temas, contribuem para as polémicas que lançamos. Isso mesmo fez o autor do comentário/ proposta que publicamos de seguida. A propósito do projectado prolongamento da Avenida João de Melo.

A obra da Câmara vai criar mais problemas do que resolvê-los

Manhã de Domingo. Foto de Guilherme Figueiredo

Cá para mim, era satisfatório, para não dizer bom, fazer descer o trânsito em sentido único pela Morais de Carvalho e alargar os passeios para cerca de dois metros, à custa do espaço sobejante da estrada. A entrada na vila, do lado Nascente, continuava igual, passando a ser a principal entrada (com 2 possibilidades: saída Centro de Vila e Poente, e saída Sul-Penoita e Caramulo).
Do lado Poente passava a ser obrigatório desviar para a "zona nova" da vila, junto à sede dos "Vouzelenses", para quem para lá quiser ir. Para quem quiser ir para o Centro da Vila, vindo de poente, vai ter que entrar por Nascente, obrigando-se a fazer a radial a Vouzela e entrar pelo Cabo de Vila. Na Praça da República, talvez seja interessante limitar a possibilidade de virar à esquerda para a João de Melo e, assim, criar uma circular interna de sentido único, com a Rua do Rego (Ayres de Gouveia). Estas alterações são possíveis de imediato (...). A obra pensada pela Câmara, é praticamente inútil e vai criar mais problemas do que resolvê-los, estou certo.

Lizardo

quarta-feira, novembro 26, 2008

Sobre o prolongamento da Avenida João de Melo: Vamos lá fazer uns bonecos

No sentido dos ponteiros do relógio: Casa onde se projecta a passagem, Rua Morais de Carvalho, Largo do Convento, Rua Ayres de Gouveia, Praça Morais de Carvalho.

A propósito do prolongamento da Av. João de Melo, o Presidente da Câmara de Vouzela reconheceu existir ”alguma oposição”, mas afirmou estar convencido de que, “depois de conhecidas as intenções da Câmara, as pessoas compreenderão a importância deste projecto”(1). Vamos lá ver, então, essas “intenções”.

O prolongamento da Avenida será feita através de “uma passagem inferior ao 1º andar do prédio que se encontra entre a Biblioteca Municipal e a Igreja da Misericórdia”. Na Rua Morais de Carvalho, “o trânsito será bastante condicionado, efectuando-se apenas em determinadas horas e para cargas e descargas”. Esta última alteração tem por objectivo dar prioridade aos peões, permitindo-lhes “circular e realizarem as suas compras sem conflito com os automóveis”.

Imaginemos, então, um automobilista pouco conhecedor dos atalhos locais que, vindo de Viseu, entre na Praça da República, com destino à Rua de São Frei Gil. Vira à direita na tal “passagem inferior”, vai pelo Largo do Convento, Bairro da Senra, vira à esquerda para apanhar a Ribeiro Cardoso em direcção à Praça Morais de Carvalho, onde vira à direita para a Rua de São Frei Gil.

Mas se, pelo contrário, vier da A25 com destino à Praça da República, tem duas hipóteses: ou a tal “passagem inferior” tem dois sentidos (pouco provável) e faz o percurso inverso, ou não tem e, chegado à Praça Morais Carvalho, só lhe resta subir a Ayres de Gouveia, virando à esquerda na Avenida João de Melo.

De todas estas simulações há duas conclusões fáceis de tirar: a primeira, é que acaba o Largo do Convento e qualquer hipótese de aproveitamento de uma das mais propícias “zonas de estar” da vila (estivéssemos em Espanha e era vê-lo cheio de esplanadas); a segunda é que se retira o trânsito da Rua Morais de Carvalho, para o aumentar, brutalmente, na Praça com o mesmo nome. Se a obra for avante, não tardará muito para que ressuscite a desgraçada ideia da variante Sul.

No entanto, hoje vamos ficar pelo “boneco”. O nosso objectivo é, apenas, imaginar as alterações que um eventual prolongamento da Avenida João de Melo podem provocar e tentar perceber as vantagens da obra. Sem mais comentários.
_____________
(1)- Todas as citações foram retiradas do Notícias de Vouzela do passado dia 20 de Novembro.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Lá voltamos nós ao mesmo- a propósito do prolongamento da Avenida João de Melo

Praça da República, antes de serem retirados os separadores arborizados. Foto de Guilherme Figueiredo

Pelos vistos, há quem não sinta que estamos em crise. Pelos vistos, não é só José Sócrates que não gosta de ouvir falar em recessão. Os actuais responsáveis pela Câmara Municipal de Vouzela devem cavalgar a mesma onda, projectando gastar dinheiro numa obra tão inútil quanto prejudicial para o ordenamento da vila: o prolongamento da Avenida João de Melo.

De acordo com o que se lê na página da Câmara, esse é um dos projectos que integram a sua candidatura às verbas do QREN, curiosamente apresentada com o objectivo de "requalificar a imagem urbana da vila". Vamos por partes.

A ideia parece ser ligar a Praça da República à Av. Comendador Correia de Oliveira. Se a ideia inicial se mantiver, isso vai ser feito a partir do espaço do edifício que separa a Igreja da Misericórdia da Biblioteca Municipal. Para quê? "Pretende-se com a obra aliviar a sobrecarga de tráfego a que está sujeito o centro histórico, designadamente a Rua Conselheiro Morais de Carvalho”.

Ora, tal como já aqui escrevemos, é difícil conciliar a obra com a ideia. Na prática, vai surgir mais um cruzamento que, das duas uma: ou permite o acesso à Praça- aumentando, inevitavelmente, a confusão- ou tem sentido único no sentido Praça-Av. Comendador Correia de Oliveira e os objectivos podem ser vários, mas nenhum relacionado com “aliviar a sobrecarga de tráfego a que está sujeito o centro histórico, designadamente a Rua Conselheiro Morais de Carvalho”.

“Requalificar”, significa devolver qualidade a algo que dela foi privado. Infelizmente, bem necessitamos disso por aqui. No entanto, para que tal seja conseguido, é necessário não perder de vista o objectivo primeiro de manter as características de Vouzela, com um equilíbrio ainda invejável entre o natural e o edificado. Ao fim e ao cabo, consolidar aquilo que os de fora continuam a procurar e todos os estudos revelam ser o nosso grande trunfo económico- por muito que custe aos “fazedores de obra”, pouco (muito pouco!) há digno de registo, no centro da vila, produzido nos últimos anos.

Intervir em Vouzela é, por tudo isso, difícil e caro (barato teria sido não estragar). Mas também é urgente. Por exemplo, construir alternativas de estacionamento automóvel, obriga a optar por parques subterrâneos que evitem o desleixo dos carros amontoados em qualquer um dos espaços da vila (nomeadamente no Largo do Convento que o projecto da Câmara parece condenar a esse fim). Há condições para o fazer, mas é preciso engenho, arte e...dinheiro. O mesmo se pode dizer sobre a requalificação da Praça da República, do bairro da Senra, sobre um rigoroso planeamento da nova urbanização de Sampaio, sobre a intervenção urgente em vários edifícios da Rua de São Frei Gil ou da Sidónio Pais, sobre a arborização da envolvente da Zona Industrial do Monte Cavalo...

Tanta coisa para fazer que, estranhamente, se ignora. Tanta necessidade de dinheiro. Resta-nos a esperança de que, no prometido período de discussão pública, seja possível evitar um erro perfeitamente escusado.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Os esqueletos do nosso armário

Quando, em 27 de Setembro de 1540, Inácio de Loiola fundou a Companhia de Jesus, tinha a seu lado Simão Rodrigues de Azevedo, natural de Vouzela. Não podíamos deixar de assinalar o facto. É verdade que, mais tarde, o nosso conterrâneo veio a borrar a pintura toda, denunciando Damião de Góis à "Santa" Inquisição por heterodoxia, mas no melhor pano cai a nódoa. Este é o esqueleto do nosso armário e não estamos aqui para enganar ninguém.

O Padre Simão Rodrigues nasceu em 1510, estudou em Paris como bolseiro de D. João III, tendo aí conhecido Inácio López de Loiola. Graduado mestre em artes em 1536, foi para Itália, onde conheceu Damião de Góis de quem foi colega. Participou em acções missionárias na Índia e fundou os colégios jesuítas de Lisboa, Coimbra e Évora. Grande percursor da alma lusa, dedicou-se à formação, não propriamente profissional, mas de missionários. Morreu em Lisboa, em 1579.

Dizem que tinha mau feitio. A verdade é que, não satisfeito com o resultado de uma primeira denúncia de Damião de Góis, feita em 1545, voltou à carga em em 1571, com o lamentável desfecho que se conhece. Ainda hoje não é fácil encontrar “jesuítas” nas pastelarias cá da terra e nem um beco foi baptizado com o nome do homem. Mas, se a teimosia e o desperdício da ampliação da Avenida João de Melo for avante, era um bom nome para lhe dar. Apropriado.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Não acredito

Será verdade que, durante um debate sobre as alterações previstas para a Avenida João de Melo (recordar aqui), um técnico responsável da Câmara Municipal de Vouzela opinou que, “se o problema são os azulejos (da casa que se pretende "furar"), compram-se outros azulejos”? Não acredito... Até porque um “técnico responsável” sabe qual é a idade do edifício. Sabe, por exemplo, que se trata de uma construção já existente na altura em que se edificaram as instalações onde, hoje, arruma a secretária. Também sabe que, apesar de não existirem na região, significativos exemplares que integrem a lista das “sete maravilhas da humanidade”, isso não justifica que se dê largas ao camartelo, ao sabor dos devaneios de um qualquer autarca ou... “técnico responsável”. Até porque a memória dos homens não se faz só de monumentos de significado universal. Mas, de facto, o problema não são os azulejos- e um "técnico responsável" sabe-o.

O que talvez o “técnico responsável” não saiba, é que a nossa desconfiança seria menor, caso os da sua “escola modernizadora” já tivessem mostrado obra de jeito, coisa que, até agora, não fizeram. Nenhum dos mais recentes edifícios de Vouzela vai estar envolvido em qualquer polémica dentro de cem anos, pelo simples motivo de não durar tanto tempo- valha-nos isso! Logo, à falta de inspiração para fazerem melhor... estejam quietinhos. Mas, não deve ser verdade. Pelo menos, eu não acredito.

segunda-feira, junho 11, 2007

Começou o "assalto" à Avenida João de Melo

O edifício que se prevê sacrificar, em três épocas diferentes
(Imagens cedidas por Vasco Coutinho e Guilherme Figueiredo)

De acordo com o Notícias de Vouzela (08/06/2007), a reunião do executivo vouzelense do passado dia 1 de Junho, aprovou alterações às Grandes Opções do Plano, prevendo, entre outras coisas, a “aquisição da casa para o prolongamento da Avenida João de Melo”.

Já em Março deste ano, tínhamos chamado a atenção para o absurdo do projecto e para algumas possíveis justificações que o fundamentam. Não vale a pena repetir (quem quiser recordar, basta “clicar” aqui). O que vale a pena, é saber (e denunciar) se estamos perante mais um caso em que interesses privados vão beneficiar com investimento público. A história recente do poder autárquico está, infelizmente, cheia de exemplos (consulte-se, a este respeito, todo o processo da Moita, aqui, aqui e aqui). Mas a Polícia Judiciária também está cheia de trabalho a investigá-los...

terça-feira, março 13, 2007

Ampliação da Avenida João de Melo? Por favor, estejam quietos

Foto 1: Manhã de Domingo no limite da Avenida João de Melo
e no início da Praça da República.
À esquerda, a casa da "discórdia" (foto de Guilherme Figueiredo)

A Câmara Municipal de Vouzela vai “voltar à carga” com a ampliação da Avenida João de Melo. Já anunciada em 2004, a “obra” parecia ter sido abandonada por falta de verba. Afinal, talvez animados com os últimos “cêntimos” que se esperam da Europa, tudo indica que os responsáveis autárquicos voltem a colocar o projecto na ordem do dia.

Diga-se, desde já, que não faz qualquer sentido: não contribui para “arrumar” a imagem de uma zona central (e cada vez mais desleixada) da vila, não melhora a circulação e não parece ter outra justificação que não seja apoiar jogadas de especulação imobiliária. Mais uma vez, comete-se o erro de confundir “desenvolvimento” com construção, sem qualquer ideia sólida que motive a permanência das pessoas no Concelho. Se a população diminui e existe (se é que existe...) falta de habitação, é porque se estão a abandonar outros edifícios que justificavam restauro, com consequências inevitáveis na ocupação do solo e na descaracterização da paisagem. De acordo com os dados do último censos (cobrindo o período que vai de 1991 a 2001), a população de Vouzela diminuiu de 12240 habitantes para 11916 (11879 em 2006), enquanto, no mesmo período, se construíram mais 1199 edifícios, a maioria dos quais para habitação. Mas, vamos por partes.

Foto 2: A casa por onde se pensa "furar" a ampliação da avenida

(ver aqui as imagens originais)

O que se diz querer

Concretamente, pretende-se aumentar a Avenida João de Melo, abrindo uma passagem pelo espaço da casa (ver Foto 2)) onde durante anos esteve o fotógrafo, a sede do PSD e, actualmente, está uma “loja chinesa”. Quando a ideia foi apresentada, falou-se na necessidade de dar outra “dignidade” à Igreja da Misericórdia, o que, pelo que parece, seria conseguido com a abertura de uma rua ao seu lado. Mas também se foi dizendo, embora sem grandes pormenores (veja-se o “Notícias de Vouzela” de 12 de Março de 2004), que era preciso aumentar a construção no centro da vila... Na altura, o Presidente da Câmara, Telmo Antunes, anunciava o seu plano de acção, “ameaçando” deixar marca para os vindouros: “(...) quaisquer que sejam os protagonistas políticos no município de Vouzela, vão ter que seguir a minha estratégia, pois penso que é a mais adequada e concertada para o desenvolvimento harmonioso do concelho”.

Foto 3: Assinalado com o nº 1, está o prédio do "Notícias de Vouzela".

Com o nº 2, um edifício que, apesar de dominante, se encontra, hoje, em acentuada degradação

O que se não quer dizer

Ora, salvo melhor opinião, nem “dignidade”, nem “harmonia”, nem utilidade, são características deste projecto. Desde logo, porque será uma rua para “parte alguma” o que, independentemente da carga poética que possa ter, só pode ser justificado com o interesse, pouco poético e nunca assumido, de urbanizar terrenos na continuação da Av. João de Melo, até à variante, acabando, de vez, com qualquer hipótese de recuperação do Largo do Convento e até com a justificação do nome (já não tinha memória do convento e deixa de ser “largo”). Depois, porque se aceitarmos como verdadeiro o propósito de dar maior destaque ao monumento, a medida faz quase tanto sentido como mandar demolir o último piso do prédio do “Notícias de Vouzela”, esse sim, com impacto evidente (ver Foto 3, ponto 1). Aliás, se querem obra “digna”, resolvam de uma vez por todas o problema em torno da casa que foi do Dr. Gil (Foto 3, ponto 2), cada vez mais degradada e que muito contribui para o ar de abandono, de desleixo, que actualmente caracteriza a Praça.

O que pode acontecer

Numa época de grande “fé” em “desenvolvimentos”, alterou-se o arranjo da Praça da República, retirando o separador arborizado que ali existia. A circulação automóvel ainda não tinha atingido o caos actual e não era imaginável que alguma vez atingisse, mas aí começou a morte de uma “praça”. Hoje, um dos maiores problemas daquela área e de todo o centro apelidado de “histórico” é, precisamente, a completa desorganização da circulação e do estacionamento automóvel que urge disciplinar com alternativas credíveis, talvez limitando a Rua Conselheiro Morais Carvalho a um único sentido (ascendente) e melhorando a oferta de transporte público para a ligação entre as freguesias (e, desse modo, ganhar argumentos para outras medidas mais restritivas). Claro que sobre isto ninguém fala e, quando falarem, à laia de faz de conta, será muito mais fácil penalizar o “elo mais fraco”, espalhando parquímetros a granel, até porque, segundo consta, os cofres da Câmara andam algo vazios...

A ampliação da Avenida João de Melo, longe de contribuir para a resolução deste problema, vai agravá-lo. Se a nova artéria tiver dois sentidos, cria-se um cruzamento absurdo, e um significativo aumento do trânsito naquela área. Em antevisão, já se pode imaginar, daqui a uns tempos, haver necessidade de controlar o caos através do recurso à tradicional rotunda que, propõe-se, deve ser baptizada com o nome do actual Presidente da Câmara. Para que ninguém esqueça...

Mas, admitindo que o previsto acrescento vai ter sentido único, então o seu o objectivo é claro: facilitar o acesso a novas zonas que se pretende tornar urbanizáveis, até à variante. Ora, continuar a construir naquela área, para além dos problemas inevitáveis com o aumento do índice de ocupação, vai alterar toda a organização dos espaços que, curiosamente, até estão classificados como “históricos”. Só que tal classificação não deve estar relacionada, apenas, com a idade dos edifícios. Tão importante quanto isso, é o modo como se foi desenhando o crescimento da localidade, reflectindo a organização e o modo de vida das pessoas ao longo dos tempos. O desenho em que Vouzela baseou o seu crescimento, caracterizava-se pela existência de praças, largos, terreiros, como pontos de confluência das diversas artérias. Eram os “centros económicos”, elementos reguladores da relação com as áreas rurais envolventes, normalmente associados à realização dos mercados e, consequentemente, locais privilegiados de convívio. Claro que nada disto faz sentido na perspectiva da especulação imobiliária, muito mais interessada na rua contínua e na desvalorização do espaço público. É isto que vai acontecer com a ampliação, é isto que importa denunciar.


Tem havido uma relação difícil entre o poder autárquico e aqueles que são os principais recursos do Concelho, nomeadamente a paisagem. Optou-se por embarcar na tendência nacional da “política do cimento”, até agora estimulada pela Lei das Finanças Locais e de que apenas resultou uma ocupação desordenada dos solos, o agravamento da deterioração dos recursos hídricos e a constante ameaça da descaracterização da paisagem que, apesar de rica, começa a apresentar “brechas” perante a dimensão dos ataques. Contam-se pelos dedos de uma só mão (sejamos optimistas...), as obras que souberam integrar-se e acrescentar algo ao que já existia. Perante isto, começa a ser tempo de mostrar aos “responsáveis” que há uma “opinião pública”, que há uma consciência sobre a importância do património colectivo e que, perante a falta de ideias que os caracteriza, o melhor que têm a fazer... é estarem quietos.