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quarta-feira, junho 01, 2011

Primeira Lei de proteção à infância- 27 de Maio de 1911


Porque se trata de um importante documento histórico; porque nos tempos que correm, as crianças são das que mais sentem na pele tudo o que se passa; porque hoje é o Dia Mundial da Criança; porque tudo isto também tem que ver com Vouzela e Lafões, vale a pena consultar (aqui). Foi há 100 anos.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Os filhos, esse problema...

Doisneau

Albino Almeida é presidente de uma confederação de associações de pais (Confap). É, até, a personagem a que a comunicação social costuma recorrer, sempre que precisa da opinião “dos pais”. E como suposto “presidente dos pais”, Albino Almeida opina a propósito de tudo que envolva “filhos”. É um susto ouvi-lo.

Agora divulgou que tem negociado, com o Ministério da Educação, a brilhante ideia de enfiar na escola as crianças do 1º ciclo, entre as 7h30 e as 19h (Público). O secretário de Estado, Valter Lemos, ainda tentou dizer que não é bem assim, mas o presidente Albino, orgulhoso da sua obra, esclareceu que o assunto já anda há um ano a ser negociado e que o Ministério da Educação deu “luz verde” para avançar com o alargamento de horário. Ora, um pai nunca mente.

O raciocínio de Albino Almeida, está de acordo com uma tendência que tem feito escola entre nós: sempre que há um problema, mais fácil do que resolvê-lo é forçar as pessoas a adaptarem-se a ele. Neste caso há vários problemas, desde a violência de alguns horários de trabalho, até a formas de negligência grave de alguns progenitores. Pelo meio, podemos incluir o preço da vida em subúrbios que afecta grande número das famílias portuguesas. O senhor Albino está-se nas tintas. Em vez de usar a força dos associados que dirige para pressionar mudanças e conseguir melhor qualidade de vida para pais e filhos, trata de ajudar a que tudo fique na mesma. Mas sem filhos.

Pelos vistos, não passa pela cabeça do senhor Albino que um dos problemas das nossas crianças seja viverem excessivamente fechadas, “orientadas”, sem espaços que possam recriar. Não passa pela cabeça da ilustre personagem as consequências que daí podem resultar na sua formação- provavelmente, não é psicólogo, nem pedagogo. Como também não deve ser historiador, não está muito disponível para usar a memória e recordar o bem que fez à sua geração ter espaço livre para usufruir. Não. Ele é presidente “dos pais” e, como tal, só lhe compete afastar os seus problemas. Ou seja, os filhos.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

E as mimosas floriram

Mimosa no Monte do Castelo

. A propósito da anunciada revisão das áreas integradas na Reserva Ecológica Nacional e do maior peso que as autarquias vão ter nesse processo, disse o Dr. Ruas que “ ninguém está mais interessado em preservar os aspectos ecológicos (sic) dos municípios do que os autarcas”. Ora bolas. E andávamos nós convencidos de que todas as grandes tramóias com a alteração do estatuto dos terrenos, tinham sido feitas com a conivência dos autarcas- talvez seja altura de recordar o processo vivido no concelho da Moita e de que demos notícia o ano passado ( aqui e aqui), prestando homenagem a um dos que souberam resistir.

. Falando de autarcas e preocupações ambientais, lê-se no recente relatório publicado pelo INE: "Em 2006, as despesas dos municípios, por habitante, em gestão e protecção do ambiente, diminuíram 4,9%, face ao ano anterior. Os maiores decréscimos verificaram-se nas Regiões do Algarve (-17,5%) e Centro (-13,6%). A Região Autónoma da Madeira com um crescimento de 40,2% passou a ser a Região com o valor médio por habitante mais elevado (129 euros), enquanto a Região Norte registou um valor médio anual de 44 euros, por habitante". Sem comentários.

. Ouvimos um tal presidente de uma tal Confederação Nacional das Associações de Pais, elogiar a decisão da ministra da Educação de alargar a permanência na escola de todos os jovens do 2º Ciclo. Dizia o senhor que a escola actual "empurra os alunos para a rua". Desiludam-se os que pensam que o que falta aos nossos jovens é, precisamente, a possibilidade de usufruírem a rua. Ou por já não haver rua usufruível, ou por não haver pais com possibilidade, disponibilidade ou coragem para o serem... Que tal uma Associação de Filhos?

. Ah, não esquecer: as mimosas estão em flor. Parece que são da família das acácias e, como tal, espécie invasora que importa controlar. Mas veste de tons amarelos as nossas serras, permitindo um espectáculo único. Neste Fevereiro anormalmente quente, um pormenor de beleza que se regista, não ignorando a sabedoria popular: “Fevereiro quente, traz o diabo no ventre”.

quarta-feira, maio 16, 2007

Estes fogos que nos consomem

São dois textos publicados no início deste mês, dois textos que de algum modo nos mostram duas faces do mesmo problema. Ambos se referem ao desconforto que foi dominando as nossas cidades, à apropriação que se foi fazendo do espaço, sem rosto e sem alma, despromovendo o cidadão para a categoria de simples meio ao serviço de mesquinhos fins. Claro que temos que levar em linha de conta as particularidades que transformaram a especulação imobiliária na actividade económica de “excelência” do Portugal contemporâneo. Claro que temos de considerar as limitações existentes nas relações familiares, na educação... no que quiserem. Mas, se reconhecemos a importância do espaço em que vivemos na evolução do indivíduo, então as cidades, o “urbanismo” que temos, são o primeiro factor de perigo com que se confrontam as nossas crianças e jovens. Seguem-se os textos pela ordem da sua publicação (é só "clicar"):

- O J. foi baleado
- A paisagem global 1

De há uns anos a esta parte, quase adquiriu o estatuto de ritual. É daqueles acontecimentos com data certa, como o início da época balnear- é a “época dos fogos”. Repetem-se imagens e explicações. Denuncia-se o desleixo, reflecte-se sobre as particularidades do clima, lamenta-se o abandono dos campos. Uma vez por ano. Poucos se atrevem a reconhecer que uma floresta monocultural de resinosas e eucaliptos (perto de metade da floresta portuguesa), só serve para arder. Pela minha parte, todos os anos, por esta altura, penso no velho comboio do Vale do Vouga, durante muito tempo acusado de ser o incendiário da região. Foi-se o comboio, ficou o fogo e a estupidez dos homens. Mas também a lucidez de alguns que, como o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, deu à revista “Visão”, entrevista que se segue. Em 2003. Nada mais actual.

- Entrevista com Gonçalo Ribeiro Telles