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terça-feira, novembro 20, 2012

Por acaso, António Liz Dias é de Vouzela

"Por acaso", é. É de Vouzela. "Por acaso" teve uma experiência internacional única, já que dirigiu a delegação do Fundo de Fomento de Exportação em Madrid, foi Adido Comercial da Embaixada de Portugal, Director da representação em Espanha do Banco de Fomento Exterior, responsável pelo Gabinete de Apoio Empresarial do Grupo Caixa Geral de Depósitos em Espanha, assessor do Banco EFISA, membro do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas... "Por acaso", nunca se cansou de colocar esta sua terra "no mapa", aqui trazendo embaixadores, jornalistas, intelectuais nacionais e estrangeiros. Por acaso, ou talvez não, sempre foi "olimpicamente" ignorado pela maioria dos responsáveis locais. Em contrapartida, os espanhois reconhecem-lhe o valor:

"Después de várias décadas en España, apoyando con incansable empeño el
desarrollo de las empresas ibéricas y la colaboración comercial entre los
dos países, nuestro gran amigo Antonio Liz Dias regresa a Portugal a
disfrutar de un más que merecido descanso.

El Círculo de Empresarios y Gestores Españoles y Portugueses - CEGEP -, que

de ninguna manera existiría sin el impulso y consejos de Antonio, vamos a
aprovechar la III Edición de la Entrega de Premios Excelencia a las Empresas
Españolas con Capital Portugués para realizar un homenage a nuestro mentor".


António Liz Dias prepara-se para regressar a Portugal e a Vouzela, fazendo de sua casa um centro dos trabalhos da pintora Helena Liz, com quem é casado. Talvez seja altura de lhe mostrarmos o orgulho que sentimos em o ter entre nós. Numa altura em que por aqui se fala de recursos desaproveitados e de portas fechadas que não conseguimos abrir, talvez seja, também, de lhe pedir conselho. Viu demasiado mundo para se impressionar com invejas mesquinhas e querelas de paróquia. Gosta demasiado de Vouzela para recusar uma ajuda. Por acaso.

quinta-feira, abril 29, 2010

Sei lá que título hei-de dar a isto

São de Lafões e certificadas. Chamamo-las pelos nomes.

Alguém quer que entremos em pânico. O modo como se tem abordado o problema da dívida sem apresentar uma única alternativa para o funcionamento da economia; o modo como se promove a "salvadores" os que há mais de vinte anos nos empurram para os problemas, só pode ter um significado: reduzir a acção reivindicativa das populações e reforçar o poder dos que já o têm. Deixemo-nos de tretas. O (curto) crescimento que tivemos baseou-se quase exclusivamente no mercado interno, através de uma especulação imobiliária que abusou de um recurso limitado (o território), que agradou aos "financeiros", mas endividou a população. Os principais grupos económicos nacionais viraram-se para os serviços e não produzem um alfinete. Mais: houve quem tivesse sido pago para não produzir! Querem culpados? Tentem todos os governos que tivemos desde que começaram a chegar os fundos europeus- é preciso chamar os bois (e as vacas) pelos nomes e disso percebemos nós.

"Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril", costuma repetir um vizinho meu que à data nem sequer tinha nascido, militante cartonado dum partido que eu cá sei. Ainda bem que o "fizemos" e que o comemorámos, este ano, com uma iniciativa que permitiu rever amigos- eles são a fonte inspiradora que nos permite encontrar caminho no meio da confusão. Claro que 36 anos fazem mossa e quando os "Vozes da Terra" atacaram os primeiros versos do "Venham mais cinco", muitos viraram-se para a figura do Cardoso numa altura em que o Benfica ainda só tinha marcado quatro...

Antes disso, já o presidente da Câmara tinha arrancado com um discurso de acordo com os tempos: números. A obra do poder local, traduzida em milhões de investimento e de gente mobilizada. Compreende-se. Para quem, há apenas 36 anos, mal conhecia os benefícios do saneamento básico e da água canalizada, faz todo o sentido ouvir os montantes do investimento. É um pouco como aqueles nossos velhos emigrantes que ostentavam o seu sucesso através de enormes casas cobertas de garridos azulejos. Na maior parte das vezes, as casas estavam mal concebidas e acabavam por provocar grandes despesas. Os números também. Sobretudo quando percebemos que, apesar deles, muitos dos problemas de há 36 anos, estão longe de serem resolvidos.

Mas, numa coisa tem o presidente da Câmara razão: não houve falta de dinheiro nem de recursos. Apenas foram desperdiçados.

Os anos têm-nos treinado e identificamos uma oportunidade perdida, um recurso desperdiçado à légua! Por isso, ao olhar para a mesa da sessão, ao ver a figura de homem simples daquele que a dinamizou e moderou, não pude deixar de me interrogar como tem sido possível desperdiçar o seu conhecimento. Entre tantas outras coisas, dirigiu a delegação do Fundo de Fomento de Exportação em Madrid, foi Adido Comercial da Embaixada de Portugal, Director da representação em Espanha do Banco de Fomento Exterior, responsável pelo Gabinete de Apoio Empresarial do Grupo Caixa Geral de Depósitos em Espanha, assessor do Banco EFISA... e é de Vouzela. Pois António Liz Dias tem sido "olimpicamente" ignorado pela maioria dos responsáveis locais. Há quem garanta que é por medo e inveja. Penso que é por ignorância. É a tal lição da "Alice": para perguntar, é preciso saber onde se quer ir. Na verdade, poucos têm sabido, para além de eventuais projectos pessoais.

Já à noite, dizia-me um investidor local que Vouzela tem procura, sobretudo as suas ofertas de maior qualidade- sempre assim foi. Recursos não faltam. Basta que não os desperdicemos e tenhamos a humildade de perguntar. Nada de entrar em pânico.