Iniciativas
Cerca de setenta anos separam estas duas publicações. A primeira, elaborada pela Comissão de Iniciativa que, por volta dos anos 30, tentou sacudir o marasmo e dar um pontapé na sorte ou, melhor dizendo, na falta dela. Como já aqui escrevemos, vivia-se então a crise provocada pela encerramento da Comarca. Das fraquezas surgiram forças que arrancaram com uma série de melhoramentos e com um trabalho de divulgação das belezas de Vouzela. Essa publicação, elaborada de modo a abarcar não só as questões geográficas e históricas, mas também os diversos serviços então disponíveis, foi ponto importante nessa estratégia.
Hoje, setenta anos depois, surge nova publicação, promovida pela Câmara Municipal e pela AGU- Agência de Desenvolvimento- mais uma vez, num contexto problemático para a região e para o País. Pensada para servir de guia a quem nos visita, fornece um conjunto de informações sobre parte significativa do património edificado da vila, num interessante percurso... com História.
Divulgar o património cultural é, sem dúvida, condição importante para o preservar. Haja quem saiba aproveitar o trabalho, de modo a que não se limite às prateleiras de uma qualquer estante.
Divulgar o património cultural é, sem dúvida, condição importante para o preservar. Haja quem saiba aproveitar o trabalho, de modo a que não se limite às prateleiras de uma qualquer estante.
Memória vivida
Têm sido apontadas algumas imprecisões aos textos que compõem estes "Circuitos com História". Existem, de facto, embora pouco significativas para o público a que se dirige. No entanto, esta atenção prestada por muitos vouzelenses a tudo o que fale da nossa História, leva-nos a alertar os responsáveis pela cultura (vereação, direcção do Museu, escolas etc.), para a importância de se registar o conhecimento vivido e aprendido de muita gente interessada, com documentação importante na sua posse e muita pesquisa feita. Nalguns casos, estamos a falar de gente que já ultrapassou as oito décadas de vida o que, por si só, faz dela "documentos" vivos. Quem conhece os objectivos iniciais da Associação de Futebol "Os Vouzelenses", bem expressos nos seus primeiros estatutos? Quem está apto a interpretar muita da toponímia do concelho, ou a fazer propostas significativas nessa área? Quem ainda tem a memória das coisas, por tê-las vivido, conseguindo interpretações mais rigorosas do que as aparências forjadas pelo tempo? Essas mulheres e esses homens são, também, elementos importantes do nosso património colectivo. Preservar a sua memória é, pois, uma prioridade.

Outro problema que nem sempre foi evitado, resultou da transformação do conjunto/monumento intervencionado num “elefante branco”, com custos de manutenção elevados e ousados projectos de dinamização, dificilmente suportáveis por muito tempo. No caso concreto da Torre de Vilharigues, para além do aspecto positivo já realçado, há dúvidas que convém esclarecer. De facto, não sabemos o que está previsto na relação do monumento com a localidade, nem o modo como se pensa enquadrar e dinamizar toda a obra prevista para o espaço exterior (palco, “zona de lazer e merendas”, arrumos, churrasqueira, cozinha, etc.). Também seria interessante saber de que modo se pensa usar o piso de entrada, já que parece ser o único acessível a visitantes com limitações motoras, apesar da bem intencionada rampa que se vai acrescentar ao monumento. Por último, se os números publicados no Boletim Municipal estão certos, prevê-se gastar 170 mil euros com as obras na Torre e 180 mil no espaço exterior e construções de apoio. Podemos estar errados, mas parece-nos haver aqui qualquer coisa que não soa bem...




