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quarta-feira, janeiro 30, 2013

Foto grafias

Foto de Guilherme Figueiredo, 2012

Nunca faltaram fotógrafos por estas paragens e talvez não seja por acaso. Homem e natureza juntaram-se, durante séculos, criando uma paisagem tão rica de pormenores que nos leva a entender cada momento como único e irrepetível. Por isso, somos tentados a guardá-lo. São ângulos para que se olha mil vezes e mil vezes nos apresentam algo de novo. Guardemo-lo, pois. Mais uma vez.


quinta-feira, junho 16, 2011

Para quando a borrasca amainar

Foto de Guilherme Figueiredo

É o costume: ultrapassada a "fase de graça" dos que entram, vamos concluir que, afinal, mais do que o problema da dívida, temos que resolver o da falta de meios para a pagar, o que só é possível com uma economia que funcione. Mas, haja esperança. Depois da reconversão do Professor Cavaco às maravilhas da agricultura, vai ser um fartar de couves nos separadores das auto estradas, para compensar a redução das receitas provocadas pelo aumento das portagens e do preço do "gasoil". Em verdade vos digo.

Mas, enquanto as costas largas da dívida justificarem medidas limitadas ao aumento de impostos e à redução de salários, talvez interesse conhecer o que há muito se pensa e estuda sobre como organizar os espaços e racionalizar recursos nos espaços urbanos. Ao fim e ao cabo, o que vamos precisar depois da borrasca amainar (ou quando outra começar). É ver aqui, aqui e aqui, num importante trabalho do 5ª cidade.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Não há memória



Não há memória da neve nos ter visitado duas vezes no mesmo ano. Para sermos rigorosos, também não há de ter caído por aqui em dois anos seguidos. Tudo isso aconteceu. Começou a cair na madrugada de 14 para 15 de Fevereiro e Vouzela acordou branca. Terá sido um ponto de ordem nas fantasias carnavalescas, ou a prova de que essa coisa das alterações climáticas tem nuances que escapam ao preto e branco? Aí ficam as imagens, a cores, pela objectiva de Guilherme Figueiredo. Podem ser vistas mais, aqui.

E ainda...


Do leitor Diogo Neves, a partir do... Parque de Campismo- isso é que é ter amor à Natureza! Ver aqui.
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Mais recentemente, também o leitor Tiago Pereira nos enviou imagens da neve, captadas por sua irmã, Filipa, no bairro da Senra. Ver aqui.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Rankings são rankings, estudos são estudos, autarcas são autarcas

Foto de Guilherme Figueiredo

Já estávamos de saída para férias quando o "Notícias de Vouzela" nos trouxe a reacção do presidente da Câmara, Telmo Antunes, ao tal estudo que, noutras paragens, justificou ameaças de lambada e processos em tribunal. Por aqui o calmo murmúrio do Zela fez predominar algum senso do bom, mas não deixa de valer a pena analisar as palavras do presidente.

Decorria a sessão de Câmara de 7 de Agosto, quando o vereador socialista, Adélio Fonseca, procurou saber a opinião da equipa autárquica. Ao fim e ao cabo, se São Pedro do Sul passeou por esse país fora a mediocridade do seu 261º lugar, Vouzela só lhe ganhou por onze posições, registando um trambulhão de 39 lugares. O Dr. Telmo Antunes parece que começou por dizer que não tinha lido o estudo e que não fazia qualquer avaliação, mas sempre foi adiantando que tinha recebido uma proposta de uma empresa para fazer um por 20 mil euros que, a ser aceite, certamente apresentaria uma excelente imagem do concelho. Quando lhe chamaram a atenção para o facto de se tratar de um trabalho "universitário, independente e com base científica", respondeu que se fosse efectuado um estudo das universidades portuguesas, a da Beira Interior (responsável pelo trabalho) "não estaria em melhores lençóis que o concelho de Vouzela", rematando com um "rankings são rankings, estudos são estudos" e a estranheza pela subida de alguns concelhos em relação às posições de 2007, assim como por haver "concelhos com classificações extraordinárias só que não vive lá ninguém". Enfim, de quem não leu o estudo não se pode exigir muito mais.

Só que a reacção do actual presidente da Câmara de Vouzela insere-se numa característica que começa a fazer escola entre os autarcas portugueses: a recusa em discutir política local. De facto, também nós manifestámos dúvidas sobre a importância de algumas variáveis avaliadas (por exemplo, sobre a relação entre construção nova, desenvolvimento e bem- estar). No entanto, são avaliadas outras, bem objectivas, como infra-estruturas básicas exstentes, investimento em gestão de águas residuais, tratamento de resíduos, protecção da biodiversidade e da paisagem, cultura, lazer, desporto, etc., etc., etc. Ao fim e ao cabo, aquelas "coisinhas" que não dão para botar lápide com nome, mas que a nós, simples cidadãos, dizem tudo sobre as condições que nos proporcionam. Será que o presidente da Câmara de Vouzela consegue provar haver saldo positivo em todas elas? Sem pagar 20 mil euros?

O estudo da responsabilidade de José Pires Manso (Professor catedrático da Universidade da Beira Interior e responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social) e de Nuno Miguel Simões (Técnico Superior Economista), compara dados com um outro publicado em 2007. É em relação a ele que são definidas as subidas e descidas- Vouzela desceu. Há erros? Denunciem-se. Mas se, em pleno período de eleições autárquicas, não vão discutir estes assuntos, vão discutir o quê?
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Convém esclarecer que rankings das universidades portuguesas é coisa que não falta. Há para todos os gostos, alguns até fazem comparações internacionais, só não sabemos se custaram 20 mil euros. De qualquer modo e a bem do rigor, devemos dizer que a Universidade da Beira Interior aparece em posição bem melhor do que Vouzela no conjunto dos concelhos nacionais.

sábado, junho 06, 2009

Esperança

Foto de Guilherme Figueiredo

quinta-feira, abril 09, 2009

Ao Morais

Foto: Guilherme Figueiredo

Não costumamos fazer homenagens, porque outros as fazem melhor. Mas não deixamos de dar um último abraço a um amigo- é apenas isso. Era o "nosso" alfaiate, o Morais da "Praça do outro" (Morais de Carvalho), um dos melhores contadores de histórias de que há memória. Usava perante a vida a mesma firmeza de corte com que atacava os tecidos. Pousou a tesoura e partiu.

sexta-feira, março 13, 2009

Todas as cores a preto e branco


Retirado do Açores 2010, fotografias do Guilherme Figueiredo. É de Vouzela e dispensa apresentações. Das suas fotografias sobressai a cumplicidade e o contraste; o seu preto e branco tem todas as cores do mundo. Para ver e rever. Aqui.
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O Pastel de Vouzela tem publicados vários trabalhos do Guilherme.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Os leitores lançam as mãos à massa-IV

Reflectir sobre Vouzela é a razão de ser deste espaço. Por isso, agradecemos quando os leitores nos alertam, propõem temas, contribuem para as polémicas que lançamos. Isso mesmo fez o autor do comentário/ proposta que publicamos de seguida. A propósito do projectado prolongamento da Avenida João de Melo.

A obra da Câmara vai criar mais problemas do que resolvê-los

Manhã de Domingo. Foto de Guilherme Figueiredo

Cá para mim, era satisfatório, para não dizer bom, fazer descer o trânsito em sentido único pela Morais de Carvalho e alargar os passeios para cerca de dois metros, à custa do espaço sobejante da estrada. A entrada na vila, do lado Nascente, continuava igual, passando a ser a principal entrada (com 2 possibilidades: saída Centro de Vila e Poente, e saída Sul-Penoita e Caramulo).
Do lado Poente passava a ser obrigatório desviar para a "zona nova" da vila, junto à sede dos "Vouzelenses", para quem para lá quiser ir. Para quem quiser ir para o Centro da Vila, vindo de poente, vai ter que entrar por Nascente, obrigando-se a fazer a radial a Vouzela e entrar pelo Cabo de Vila. Na Praça da República, talvez seja interessante limitar a possibilidade de virar à esquerda para a João de Melo e, assim, criar uma circular interna de sentido único, com a Rua do Rego (Ayres de Gouveia). Estas alterações são possíveis de imediato (...). A obra pensada pela Câmara, é praticamente inútil e vai criar mais problemas do que resolvê-los, estou certo.

Lizardo

quarta-feira, junho 11, 2008

Pela estrada fora

Foto: Guilherme Figueiredo

Como se já não bastasse o que nos custa encher o depósito do automóvel, a luta das transportadoras ameaça impedir-nos de o fazer. É em momentos destes que trocávamos uns bons quilómetros de auto-estradas, por uma rede bem estruturada de caminho-de-ferro. Os cientistas fartaram-se de avisar, os ambientalistas (esses lunáticos!!!) também- de nada valeu, nem vai valer. Mal termine o protesto e seja normalizada a oferta de combustível, aí estão mais não sei quantos quilómetros de alcatrão como grande projecto nacional. Da mais modesta freguesia, até ao centro mais populoso, desenvolvimento é sinónimo de cimento e alcatrão. Até à próxima, ou, melhor dizendo, às próximas.

Aliás, essa é das poucas certezas que podemos ter: vão surgir novas dificuldades em encher o depósito do carrinho, seja por causa do preço, seja por limites ao seu consumo. Não é a primeira vez que acontece. Já em 1973 houve restrições à circulação automóvel e já nessa altura se sabia que outras “crises” viriam. Entretanto, uns esqueceram-se, outros fizeram-se esquecidos.

Mas este protesto pode clarificar o conceito de diálogo social do nosso governo. Os professores desceram à rua numa manifestação com 100 mil participantes. Resultado: o governo manobrou com alguns sindicatos e quase tudo ficou na mesma. A CGTP reuniu 200 mil manifestantes protestando contra a precariedade e as alterações na legislação laboral. Resultado: o primeiro-ministro afirmou que os números não o impressionavam. Se houver cedências significativas às transportadoras, a lição só pode ser uma: não chega protestar; é preciso bater forte. Onde dói!

segunda-feira, março 10, 2008

Morremos à espera que nasça o “homem novo”

A propósito do diagnóstico de necessidades de qualificação na região de Lafões

Foto: Guilherme Figueiredo

“70% das empresas desvalorizam a certificação escolar dos seus trabalhadores, valorizando as competências profissionais”.

Esta foi uma das conclusões do “Diagnóstico de Necessidades de Qualificação de Recursos Humanos”, estudo que visou identificar as carências de qualificação na região de Lafões. Também se ficou a saber que apenas 30% das empresas contactadas, admitiram a possibilidade de virem a organizar um plano de formação profissional.

Claro que a região de Lafões é excessivamente pequena para que se possam generalizar as conclusões ao todo nacional (embora estejamos convencidos de que os resultados não devem andar longe destes). No entanto, este trabalho põe a nu alguns dos erros das políticas educativas que temos tido e mostra como é perigoso, a nível local, ficarmos à espera que a iniciativa privada tome a dianteira de um processo de mudança.

Adaptar a realidade aos desejos

Não é a primeira vez que, na História de Portugal, se alimenta a ilusão de alterar as limitações da sociedade e da economia, através da educação. Assim como quem tenta adaptar a realidade aos seus desejos, procurando criar um “homem novo”, culto, letrado, para servir de alicerce às mudanças desejadas. Tentámos isso, pelo menos, desde os tempos do Marquês de Pombal, altura em que já se reclamava pela “modernização da máquina administrativa”, tentando pôr cobro à “falta de elasticidade das organizações dependentes do Estado” que permitia “que à sua sombra se desenvolvessem escandalosamente fraudes de toda a espécie, abusos e especulações de toda a ordem” (1). Pois é. Como se vê é grande a nossa experiência nestas coisas, mas o modo como se respondeu teve sempre o mesmo resultado: o fracasso.

O aumento das habilitações académicas, da escolarização da população, não chega, por si só, para alterar seja o que for. Quando muito serve para melhorar o ambiente nos centros de emprego e em alguns locais de trabalho. Isso é evidente nos números de desempregados com licenciatura que têm sido divulgados e nas ocupações que, em desespero de causa, acabam por aceitar.

Para que o aumento das habilitações académicas se traduza em mudanças significativas na economia, é necessário que elas respondam a necessidades sentidas por esta última. Ou seja, devem ser a economia e a sociedade a fazerem exigências à escola e não o contrário. Se assim não for, não há qualquer garantia de que esse aumento de conhecimentos entre no mundo empresarial, correndo-se até o risco de, por ser ignorado, tornar incompreensível o aumento de escolarização exigido pelo Estado. É isto que os números do abandono escolar em Portugal mostram.

Claro que homens como os que administram empresas como a YDREAMS e outras de elevado valor acrescentado, têm consciência da relação existente entre a chamada cultura geral dos profissionais e a sua criatividade. Mas, infelizmente, estamos a falar de excepções e não da regra aplicável ao todo ou, sequer, à maioria do nosso tecido empresarial. Foi isso mesmo que concluiu o estudo feito na região de Lafões.

Assim sendo, esperar que uma iniciativa privada, maioritariamente insensível à importância da educação, contribua para alterar o actual estado das coisas, é quase como acreditar no Pai Natal. A experiência tem mostrado que mais depressa encerram as empresas.

A nossa realidade...

Concentremo-nos nos números, cruzando-os com os divulgados pelo Director do Centro de Emprego de São Pedro do Sul (em entrevista concedida ao Notícias de Vouzela, publicada em 21 de Fevereiro último). 60% da população de Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul, limita as suas habilitações académicas ao 1º Ciclo. É precisamente este grupo o mais afectado pelo desemprego que, em Vouzela, no final de 2007, se traduzia em 344 inscritos no Centro de Emprego (61,3% do sexo feminino). Os dados disponíveis para Vouzela mostram ainda que o sector do comércio e dos serviços é o que mais contribui para o número de desempregados que, por sua vez, se distribuem maioritariamente pelos grupos etários dos 35-54 anos (47,6%) e superior aos 55 anos (26,4%). O sector primário não parece ter presença significativa. Quanto às empresas, 78% ignora qual a oferta formativa existente na região, ou considera-a desajustada. E se 70% dá mais importância às competências profissionais dos seus trabalhadores do que às suas habilitações académicas, a verdade é que apenas 30% admite vir a ter um plano de formação profissional. Os sectores em que a oferta de emprego é mais difícil de satisfazer, são os da metalurgia e metalomecânica, da construção civil, hotelaria e operadores de máquinas.

...que não se encaixa nos nossos desejos

Embora com todas as cautelas (por estarmos a usar informações com origens diferentes, relativas a cenários diferentes), parece-nos ser possível concluir estarmos perante uma grande maioria de desempregados pouco ou nada qualificada, a entrar numa faixa etária crítica do ponto de vista da formação/reconversão profissional e muitíssimo crítica do ponto de vista do aumento das suas habilitações académicas. O facto de mais de 60% ser constituída por mulheres e tendo em conta as características da nossa sociedade, permite antever alguns desajustamentos face à oferta de emprego existente, quer pelas áreas técnicas em questão, quer pelos horários de trabalho pretendidos.

Para responder a isto, temos uma maioria de empresas que privilegiam as competências específicas (profissionais) dos seus trabalhadores, às gerais (escolares), mas que não pensa tomar a iniciativa de promover a necessária formação. Seria interessante saber quais as expectativas destas empresas quanto à evolução qualitativa da oferta dos seus serviços e quantas admitem, a médio prazo, terem que alterar os seus procedimentos técnicos e, até, a sua área de intervenção.

Neste contexto, faz todo o sentido criar um Centro de Qualificações intermunicipal, tal como foi anunciado, de modo a ajudar os cidadãos e as empresas. Mas também faz, perder ilusões na capacidade da iniciativa privada, por si só, conseguir alterar a situação em que nos encontramos.

Os poderes públicos, nomeadamente os locais, têm que aumentar a sua intervenção, avaliando os recursos disponíveis (reais e não os desejáveis), identificando áreas de potencial interesse e, através da discriminação positiva, contribuir para a criação de serviços que não existem e para a evolução qualitativa dos restantes. Não faz qualquer sentido dizer que “o que falha é uma iniciativa privada forte” (ver nos comentários a este post) e depois limitarmo-nos, tal como na peça de Beckett, à espera de um Godot que nunca mais chega.

Se assim não for, acabaremos por morrer (enquanto comunidade) muito antes do tal “homem novo” ver a luz do dia.
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(1)- História do Ensino em Portugal, Rómulo de Carvalho, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1986

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Tempos de pesca

Pescadores de Domingo, Guilherme Figueiredo

Quando vemos o líder do maior partido da oposição reivindicar, a sério, a partilha dos comentadores da televisão entre o PS e o PSD; quando, tempos antes, o vimos fazer a mesma exigência para as direcções das instituições financeiras, temos de concluir que se passa algo mais do que a total perda do sentido do ridículo. Os dois maiores partidos lançam as redes que lhes garantam a perpetuação no poder, e a nova Lei Eleitoral para as autárquicas é apenas o princípio de um ataque aos mais elementares princípios democráticos. Tempos de crise económica ajudam a acalmar as águas da contestação social, facilitando... a pesca.
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Confirma-se que São Pedro do Sul vai ter um Serviço de Urgência Básico. Valeu a pena termos agitado as águas.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Estamos feitos

(Foto: Guilherme Figueiredo)

. Ainda o encontro de Bali estava para arrancar e já se divulgava que Portugal não vai cumprir as metas definidas por Quioto. Claro que o nosso ministro que-se-não-existisse-tinha-que-ser-inventado, vê o problema por outro ângulo: Portugal vai cumprir, mesmo que para isso tenha que comprar direitos de poluição ao estrangeiro. É mais ou menos como quem compra as respostas de um exame para não ter que estudar. Pois...

. Analisada a situação nos diversos sectores, fica claro que entre 1990 e 2005 Portugal aumentou- e muito- as emissões de gases com efeito de estufa. Apenas duas excepções: agricultura e resíduos. A primeira porque quase não existe, os segundos porque, possivelmente, se produz e consome menos. Se nos recordarmos da publicidade que se deu ao menor número de fogos deste último Verão- quando, na realidade, isso só foi conseguido por ter sido excepcionalmente chuvoso- talvez consigamos encontrar a chave da estratégia ambiental de quem nos governa.

. Mas nem tudo é mau na avaliação do Plano Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC). De acordo com o "Público" (3 de Dezembro), 11 dos relatórios recebidos no Ministério do Ambiente são considerados bons. É verdade que das 41 medidas previstas no PNAC, apenas receberam relatórios sobre 28, mas também não sejamos tão exigentes. Até porque, como disse o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosas, “(...) o Governo tem andado muito ocupado com a presidência da União Europeia”.

. Uma das áreas onde as coisas estão a correr melhor, é a da energia. A electricidade produzida a partir de fontes renováveis atinge já os 37% e o objectivo para 2010 é chegar aos 45%.

. Directamente relacionado com isto, está o Programa Nacional de Barragens recentemente aprovado, que inclui a do “nosso” Pinhosão. Vale a pena conhecer os relatórios que o fundamentaram. E vale muito a pena ler o comentário publicado no “ambio” sobre esses relatórios (consultar aqui relatórios e comentário). Não ter em conta as consequências das alterações climáticas na disponibilidade hídrica futura, muito mais do que incompetência, pode indiciar que o Programa visou, sobretudo, objectivos da área da construção civil.
. É preciso estar atento aos estudos de impacto ambiental que venham a ser publicados e contrariar a tendência para a aprovação acrítica destas medidas ((atenção, a este respeito, à campanha que se anuncia de divulgação do País). Se assim não for, é fatal como o destino: estamos feitos!

segunda-feira, outubro 01, 2007

Linha do Vale do Vouga:uma viagem ao que resta

Aproximava-se o fim. A poucos metros do local de onde foi conseguida esta imagem, está hoje um prédio
(foto de Guilherme Figueiredo)

Não vale a pena perder muito tempo com o assunto: o encerramento da linha do Vale do Vouga foi, na hipótese mais suave, uma tremenda irresponsabilidade; na mais dura, uma vigarice, cuja história há-de ser contada sem poupar nos pormenores sórdidos. Ponto final. O que nos parece ser de realçar é o modo como muitos trabalham para manter a memória viva, publicando estudos, organizando arquivos de imagens e até divulgando petições pela sua reactivação. Todos, lá bem no íntimo, mantêm viva a esperança de que a asneira não seja irreversível. Ao fim e ao cabo, para além do recurso turístico que podia ter sido, o comboio é a melhor alternativa a uma circulação automóvel que o futuro, inevitavelmente, irá limitar.

A construção da linha do Vale do Vouga sucedeu ao projecto de tornar o rio navegável desde Aveiro até São Pedro do Sul. Não tivessem as tropas de Junot invadido o país e talvez a obra fosse concretizada (1).

A verdade é que, depois de muita polémica a propósito do melhor traçado, a data oficial de inauguração da via férrea que nos havia de ligar ao litoral fixou-se a 23 de Novembro de 1908 (troço entre Espinho e Oliveira de Azeméis). Já depois da instauração da República, foi feita a ligação entre Aveiro e a Sernada (Setembro de 1911) e, finalmente, em 5 de Fevereiro de 1914, até Viseu.

A velha linha resistiu às dificuldades de duas guerras mundiais, mas não conseguiu enfrentar o “boom” do automóvel em Portugal (e das empresas de camionagem), nem as exigências de maior velocidade e comodidade. Na verdade, sendo uma linha de via estreita, nunca beneficiou de modernizações significativas e a tentativa de aumentar a velocidade de circulação através de automotoras, revelou-se pouco satisfatória.

Foi isso que deu força à ofensiva favorável ao encerramento, que teve o seu auge nos anos 70. Do mesmo lado da barricada, misturaram-se os argumentos dos que defendiam investimentos para a melhorar e dos que preferiam acabar com ela: que não justificava as despesas, que havia meios de transporte alternativos, que... causava fogos. Em 1972, o comboio era substituído por camionetas da CP, embora isso não fosse assumido como definitivo. A verdade é que, dois anos depois, a 10 de Janeiro de 1974, o Notícias de Vouzela publicava, na sua primeira página, o seguinte desabafo, ilustrado por uma fotografia da estação: “O que irá ser um dia, este terreno enorme, no centro da vila, que foi, durante sessenta anos, estação do caminho de ferro? Porque já não acreditamos que o comboio regresse (...)".

A população nunca se resignou. Logo após o 25 de Abril, há registo de diversas tomadas de posição que obrigaram os governantes a prometerem não só o regresso do comboio como, também, a melhoria das suas condições. Ele voltou, mas nunca melhorou. E íam começar os tempos dourados da construção civil.

A 27 de Dezembro de 1983, setenta e cinco anos, um mês e quatro dias depois da inauguração do primeiro troço da linha, o Vale do Vouga assistiu à última viagem do seu combóio. Na sua obra “Memórias do Vale do Vouga”, o médico Manuel Castro Pereira antecipou: “Novos e difíceis tempos virão, onde a ferrovia tem de desempenhar um papel decisivo de alternativa de transporte de pessoas e bens”. Esses tempos aí estão, apesar dos nossos governantes, nacionais e locais, assobiarem para o lado, na tentativa desesperada de que não nos lembremos de lhes pedir responsabilidades.

Depois de já termos divulgado páginas de fotografias recordando a linha no seu auge, propomos agora uma viagem pelo que existe. São imagens de abandono, de desleixo, da pressa com que alguns “urbanizaram” o espaço. Nós próprios, apesar de termos limitado o estrago, não evitámos construir lá um prédio (erro já assumido pela Câmara Municipal de Vouzela). Mas, numa altura em que alguns discutem o que fazer com as pontes que eram usadas pelo comboio, esta viagem que propomos à estupidez e ao desperdício, é o nosso contributo para que não se agrave a asneira. E para que ela não seja irreversível. Porque, mais cedo ou mais tarde, o comboio vai regressar.

Que a viagem comece (basta "clicar")
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(1)- As referências históricas foram retiradas da obra Vouzela- A Terra, os Homens e a Alma, Vouzela, 2001.

segunda-feira, junho 11, 2007

Começou o "assalto" à Avenida João de Melo

O edifício que se prevê sacrificar, em três épocas diferentes
(Imagens cedidas por Vasco Coutinho e Guilherme Figueiredo)

De acordo com o Notícias de Vouzela (08/06/2007), a reunião do executivo vouzelense do passado dia 1 de Junho, aprovou alterações às Grandes Opções do Plano, prevendo, entre outras coisas, a “aquisição da casa para o prolongamento da Avenida João de Melo”.

Já em Março deste ano, tínhamos chamado a atenção para o absurdo do projecto e para algumas possíveis justificações que o fundamentam. Não vale a pena repetir (quem quiser recordar, basta “clicar” aqui). O que vale a pena, é saber (e denunciar) se estamos perante mais um caso em que interesses privados vão beneficiar com investimento público. A história recente do poder autárquico está, infelizmente, cheia de exemplos (consulte-se, a este respeito, todo o processo da Moita, aqui, aqui e aqui). Mas a Polícia Judiciária também está cheia de trabalho a investigá-los...

terça-feira, março 13, 2007

Ampliação da Avenida João de Melo? Por favor, estejam quietos

Foto 1: Manhã de Domingo no limite da Avenida João de Melo
e no início da Praça da República.
À esquerda, a casa da "discórdia" (foto de Guilherme Figueiredo)

A Câmara Municipal de Vouzela vai “voltar à carga” com a ampliação da Avenida João de Melo. Já anunciada em 2004, a “obra” parecia ter sido abandonada por falta de verba. Afinal, talvez animados com os últimos “cêntimos” que se esperam da Europa, tudo indica que os responsáveis autárquicos voltem a colocar o projecto na ordem do dia.

Diga-se, desde já, que não faz qualquer sentido: não contribui para “arrumar” a imagem de uma zona central (e cada vez mais desleixada) da vila, não melhora a circulação e não parece ter outra justificação que não seja apoiar jogadas de especulação imobiliária. Mais uma vez, comete-se o erro de confundir “desenvolvimento” com construção, sem qualquer ideia sólida que motive a permanência das pessoas no Concelho. Se a população diminui e existe (se é que existe...) falta de habitação, é porque se estão a abandonar outros edifícios que justificavam restauro, com consequências inevitáveis na ocupação do solo e na descaracterização da paisagem. De acordo com os dados do último censos (cobrindo o período que vai de 1991 a 2001), a população de Vouzela diminuiu de 12240 habitantes para 11916 (11879 em 2006), enquanto, no mesmo período, se construíram mais 1199 edifícios, a maioria dos quais para habitação. Mas, vamos por partes.

Foto 2: A casa por onde se pensa "furar" a ampliação da avenida

(ver aqui as imagens originais)

O que se diz querer

Concretamente, pretende-se aumentar a Avenida João de Melo, abrindo uma passagem pelo espaço da casa (ver Foto 2)) onde durante anos esteve o fotógrafo, a sede do PSD e, actualmente, está uma “loja chinesa”. Quando a ideia foi apresentada, falou-se na necessidade de dar outra “dignidade” à Igreja da Misericórdia, o que, pelo que parece, seria conseguido com a abertura de uma rua ao seu lado. Mas também se foi dizendo, embora sem grandes pormenores (veja-se o “Notícias de Vouzela” de 12 de Março de 2004), que era preciso aumentar a construção no centro da vila... Na altura, o Presidente da Câmara, Telmo Antunes, anunciava o seu plano de acção, “ameaçando” deixar marca para os vindouros: “(...) quaisquer que sejam os protagonistas políticos no município de Vouzela, vão ter que seguir a minha estratégia, pois penso que é a mais adequada e concertada para o desenvolvimento harmonioso do concelho”.

Foto 3: Assinalado com o nº 1, está o prédio do "Notícias de Vouzela".

Com o nº 2, um edifício que, apesar de dominante, se encontra, hoje, em acentuada degradação

O que se não quer dizer

Ora, salvo melhor opinião, nem “dignidade”, nem “harmonia”, nem utilidade, são características deste projecto. Desde logo, porque será uma rua para “parte alguma” o que, independentemente da carga poética que possa ter, só pode ser justificado com o interesse, pouco poético e nunca assumido, de urbanizar terrenos na continuação da Av. João de Melo, até à variante, acabando, de vez, com qualquer hipótese de recuperação do Largo do Convento e até com a justificação do nome (já não tinha memória do convento e deixa de ser “largo”). Depois, porque se aceitarmos como verdadeiro o propósito de dar maior destaque ao monumento, a medida faz quase tanto sentido como mandar demolir o último piso do prédio do “Notícias de Vouzela”, esse sim, com impacto evidente (ver Foto 3, ponto 1). Aliás, se querem obra “digna”, resolvam de uma vez por todas o problema em torno da casa que foi do Dr. Gil (Foto 3, ponto 2), cada vez mais degradada e que muito contribui para o ar de abandono, de desleixo, que actualmente caracteriza a Praça.

O que pode acontecer

Numa época de grande “fé” em “desenvolvimentos”, alterou-se o arranjo da Praça da República, retirando o separador arborizado que ali existia. A circulação automóvel ainda não tinha atingido o caos actual e não era imaginável que alguma vez atingisse, mas aí começou a morte de uma “praça”. Hoje, um dos maiores problemas daquela área e de todo o centro apelidado de “histórico” é, precisamente, a completa desorganização da circulação e do estacionamento automóvel que urge disciplinar com alternativas credíveis, talvez limitando a Rua Conselheiro Morais Carvalho a um único sentido (ascendente) e melhorando a oferta de transporte público para a ligação entre as freguesias (e, desse modo, ganhar argumentos para outras medidas mais restritivas). Claro que sobre isto ninguém fala e, quando falarem, à laia de faz de conta, será muito mais fácil penalizar o “elo mais fraco”, espalhando parquímetros a granel, até porque, segundo consta, os cofres da Câmara andam algo vazios...

A ampliação da Avenida João de Melo, longe de contribuir para a resolução deste problema, vai agravá-lo. Se a nova artéria tiver dois sentidos, cria-se um cruzamento absurdo, e um significativo aumento do trânsito naquela área. Em antevisão, já se pode imaginar, daqui a uns tempos, haver necessidade de controlar o caos através do recurso à tradicional rotunda que, propõe-se, deve ser baptizada com o nome do actual Presidente da Câmara. Para que ninguém esqueça...

Mas, admitindo que o previsto acrescento vai ter sentido único, então o seu o objectivo é claro: facilitar o acesso a novas zonas que se pretende tornar urbanizáveis, até à variante. Ora, continuar a construir naquela área, para além dos problemas inevitáveis com o aumento do índice de ocupação, vai alterar toda a organização dos espaços que, curiosamente, até estão classificados como “históricos”. Só que tal classificação não deve estar relacionada, apenas, com a idade dos edifícios. Tão importante quanto isso, é o modo como se foi desenhando o crescimento da localidade, reflectindo a organização e o modo de vida das pessoas ao longo dos tempos. O desenho em que Vouzela baseou o seu crescimento, caracterizava-se pela existência de praças, largos, terreiros, como pontos de confluência das diversas artérias. Eram os “centros económicos”, elementos reguladores da relação com as áreas rurais envolventes, normalmente associados à realização dos mercados e, consequentemente, locais privilegiados de convívio. Claro que nada disto faz sentido na perspectiva da especulação imobiliária, muito mais interessada na rua contínua e na desvalorização do espaço público. É isto que vai acontecer com a ampliação, é isto que importa denunciar.


Tem havido uma relação difícil entre o poder autárquico e aqueles que são os principais recursos do Concelho, nomeadamente a paisagem. Optou-se por embarcar na tendência nacional da “política do cimento”, até agora estimulada pela Lei das Finanças Locais e de que apenas resultou uma ocupação desordenada dos solos, o agravamento da deterioração dos recursos hídricos e a constante ameaça da descaracterização da paisagem que, apesar de rica, começa a apresentar “brechas” perante a dimensão dos ataques. Contam-se pelos dedos de uma só mão (sejamos optimistas...), as obras que souberam integrar-se e acrescentar algo ao que já existia. Perante isto, começa a ser tempo de mostrar aos “responsáveis” que há uma “opinião pública”, que há uma consciência sobre a importância do património colectivo e que, perante a falta de ideias que os caracteriza, o melhor que têm a fazer... é estarem quietos.

segunda-feira, março 05, 2007

Praça da República: curta história em imagens

(Imagem retirada de "Vouzela- A Terra, os Homens e a Alma", Vouzela, 2001)

Desconhecemos a data desta imagem, embora talvez seja do princípio do século XX. São visíveis os edifícios ainda hoje existentes, sobretudo no sentido da Rua Conselheiro Morais Carvalho.

(Imagem retirada de "Vouzela antiga Capital de Lafões e seus Arredores", Edição da Comissão de Iniciativa, sem data)

Do ângulo oposto, ainda sem o Pelourinho, sem passeios e sem... pavimento. O actual arranjo da Praça, seria posterior.

(Postal, edição Lifer- Porto)

Imagem dos anos 60, já com o actual arranjo, mas ainda com o separador arborizado.

(Foto, Guilherme Figueiredo)

No princípio dos anos 70, outro desenho do separador.

(Foto, Guilherme Figueiredo)

Típica cena das manhãs de Domingo, captada da Avenida João de Melo. O separador tinha saído pouco após o 25 de Abril, mas o automóvel ainda não dominava o espaço.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Privilegiar a recuperação e protecção dos recursos hídricos

(Rio Vouga, Guilherme Figueiredo)

Começou por ser “coisa de cientistas”, tema que nos fazia suspirar, aceitando perder breves segundos a imaginar um futuro difícil que remetíamos lá para os bisnetos. Afinal de contas, a redução das reservas de água potável no Planeta é uma realidade imediata e não tardará muito para que os portugueses percebam que, apesar de tudo, também fazem parte... do Planeta. Depois, como dizia o outro, “quando a água faltar nas torneiras e o ar custar a entrar nos pulmões, todos seremos ecologistas”.

Estudos hoje apresentados no Instituto Superior Técnico, demonstram que as alterações climáticas que estamos a viver, vão ter rápidas consequências nas reservas de água, acelerando a tendência para a desertificação do Sul do país (mas também com impactos significativos a Norte) e aumentando os riscos de contaminação dos lençóis freáticos, com a consequente degradação dos ecossistemas. De acordo com os cientistas, a tendência imediata será para o surgimento de situações de catástrofe, quer com o aumento do risco de cheias, quer com prolongados períodos de seca, a que se junta a ameaça de surgimento de “doenças tropicais”, como a malária.

Perante isto, não pode haver qualquer dúvida quanto à necessidade de se privilegiarem as medidas de recuperação e protecção dos recursos hídricos, impondo-se uma “opinião pública” forte que acelere a sensibilização dos responsáveis nacionais e locais. De facto, apesar da região de Lafões ter abundantes reservas de água, a sua degradação tem sido uma constante, à custa de falta de planeamento dos esgotos domésticos e industriais. Avaliar cada uma das situações e definir uma estratégia e um calendário de intervenção, deve ser a prioridade das autarquias. Já não é de prevenção que se trata, mas sim de acorrer a “fogos reais” que estão aí. Resta saber o quanto nos vão "queimar"...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Do Castelo às águas do Vouga

Foto: Guilherme Figueiredo

1. No âmbito do projecto ProNatura e através de um protocolo assinado com diversas entidades, a Câmara Municipal de Vouzela vai reordenar a floresta do Monte da Sra. do Castelo. Prevê-se a plantação de 5500 carvalhos, 1300 castanheiros, 4000 ciprestes, 1000 sobreiros e 200 bétulas, de modo a reduzir-se o risco de propagação de incêndios naquela zona. Se a medida nos parece merecer total apoio, não podemos deixar de lamentar que não se tenha evitado, há não muito tempo, um corte de carvalhos, na encosta poente do Castelo, por parte de um particular. Já agora, fazemos votos para que idêntica preocupação se estenda ao Monte Cavalo, onde as clareiras abertas para a construção dos pavilhões da zona industrial, transformaram a principal entrada na vila, num “monumento” ao desleixo.

2. O “esvaziamento” do Centro de Saúde de Vouzela, em proveito das recentemente criadas Unidades de Saúde Familiar, é uma medida difícil de compreender, seja qual for o ângulo por que a analisemos. Na verdade, fica a ideia de que apenas se procuram reduzir despesas imediatas, “atacando” uma terra que se pensa ter reduzido poder reivindicativo, devido ao progressivo decréscimo da sua população. No entanto, também deve ser uma lição, mostrando que é tempo de pensar os equipamentos a uma escala mais alargada, ultrapassando tacanhas fronteiras de “bairro” e encarando a região de Lafões como Amorim Girão a definia: “um todo homogéneo e correspondendo (...) a uma verdadeira região natural”. O ordenamento do território agradece e as vozes das nossas gentes serão mais rápidas a atingir...o coração dos decisores.

3. Aliás, vão neste sentido as exigências feitas para as candidaturas à última grande transferência de fundos europeus. Fazendo uma avaliação negativa da anterior gestão da responsabilidade de cada autarquia, o actual governo exige “escala” aos projectos apresentados, convidando os municípios vizinhos a uma maior colaboração recíproca. Na verdade, se pensarmos nos recursos que faltam ou que necessitam de recuperação urgente, facilmente concluímos que os limites dos concelhos são estreitos. O Vouga aí está para o provar. Ou... mais uma vez, vai ser esquecido?