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quarta-feira, abril 11, 2012

Whitedoors

É já no próximo sábado, pelas 21.30 horas, que estreia mais uma exposição da "nossa" Margarida Maia. Registos simultaneamente duros e irónicos dos sinais de uma crise, espaços vazios realçados pela riqueza das paisagens. A não perder em Lisboa, na Ler Devagar- Lx Factory.

quinta-feira, agosto 04, 2011

Os pasteis de Vouzela merecem mais um esforço


A propósito dos pasteis de Vouzela:
"Tenho, entretanto, muitíssima pena que em Vouzela não haja uma confraria ou instituição que, de forma empenhada e efectiva, trate da salvaguarda deste belo património gastronómico regional, como sucede em Tentúgal".

Haver confraria até há e reconhece-se o esforço que tem feito na divulgação da riqueza gastronómica de Lafões. O que não tem havido é o apoio necessário para que alguns obstáculos sejam ultrapassados e a certificação passe a proteger aquela que é, sem qualquer espécie de favor, uma das maravilhas da doçaria portuguesa: os pasteis de Vouzela.

Ainda recentemente, aquando da selecção para o concurso das "7 maravilhas da gastronomia portuguesa", muitos vouzelenses ficaram surpreendidos pelo facto dos seus pasteis não fazerem parte da escolha final. Se tivessem acompanhado o processo de afirmação das restantes opções, o "peso" das personalidades envolvidas e o investimento feito na sua divulgação, facilmente percebiam o que se passou.

Ora, os pasteis de Vouzela são muito mais do que uma mera iguaria regional. São um cartão de visita, um património que nos identifica. Por isso, tudo o que lhes diga respeito deve merecer o máximo esforço e o máximo cuidado. Divulgá-los e certificá-los é uma forma de proteger a sua qualidade (impedindo imitações que, a pouco e pouco, começam a aparecer), mas também é uma forma de impor uma imagem de rigor, de honestidade da nossa região. Daí, justificar a mobilização de todos e não apenas dos "eleitos" que deitam as mãos à massa.

Sabemos que existem receios sobre esse processo. Muitos, infundados (como os que dizem respeito à divulgação do processo de fabrico); outros, facilmente ultrapassáveis (como o trabalho exigido). Nada que uma conversa franca com as pessoas certas não consiga ultrapassar. Os pasteis de Vouzela merecem esse esforço. De todos nós.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Noz

Foto: Margarida Maia

Estamos tristes. A notícia chegou com a surpresa violenta das coisas esperadas que não queremos: a noz partiu. Uma força da natureza com um coração do tamanho do mundo- a noz. Daquelas pessoas que tentam agarrar a vida pelos colarinhos para ver se a estupor acerta o passo, mesmo sabendo que todos perdemos, pelo menos, o último combate. Ao seu espírito inquieto, muito se ficou a dever a criação do "Pastel de Vouzela", cujo grupo fundador integrou. À sua amizade, muito ficamos a dever todos nós. Até sempre, Cristina.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Felizmente, cada vez mais velhos

Margarida Maia, da série "Cambridge".

Alguém que responda: que teria acontecido se mantivéssemos os índices de natalidade do pós guerra, conjuntamente com o aumento da esperança média de vida? Há aquela experiência em que os ratinhos, colocados num local sobrepovoado, se começam a devorar uns aos outros. Pois...

De acordo com dados há tempos divulgados, a taxa de natalidade no conjunto dos países da União Europeia foi, em 2009, de 10,7 nascimentos por cada 1000 habitantes, enquanto em 2008 tinha sido de 10,9. A verdade é que a população europeia aumentou 1,4 milhões de habitantes entre Janeiro de 2009 e Janeiro de 2010. Se a isto acrescentarmos os mais que citados balanços sobre a destruição de recursos naturais, não se percebe muito bem em que mundo estão a pensar os defensores do contínuo aumento da taxa de natalidade.

Bem vistas as coisas, estes "cenários de catástrofe" mais parecem apressadas desculpas para a incapacidade em criar modelos alternativos de segurança social (consulte aqui a posição oficial da União Europeia), situação tanto mais preocupante quanto mais se torna evidente que, sem repensar as actividades associadas aos meios rurais, a Europa dificilmente irá desencantar maneira de conseguir uma ocupação massiva de mão-de-obra. Chega, pois, de lamúrias sobre o que não temos. Quem não consegue gerir os recursos de que dispõe, não merece gerir seja o que for.

Nós por cá...

Vouzela é o concelho da região de Lafões com maior índice de envelhecimento. Com poucas perspectivas de emprego e sentindo as consequências de muitos anos de equívocos sobre a organização das suas actividades económicas, outra coisa não seria de esperar. O que nos parece urgente saber, é se as políticas dirigidas aos cidadãos mais idosos são as que melhor aproveitam os seus conhecimentos e, sobretudo, melhor os respeitam como seres humanos.

Estamos a falar de pessoas com larga experiência de vida, com conhecimentos acumulados que, na maior parte dos casos, apesar de alguma natural limitação física, têm uma lucidez, uma memória e um saber fazer que muito jeito podem dar àqueles que, menos idosos e menos experientes, honestamente se disponham a "abrir caminho". É gente que, no mínimo, devia ser convidada a participar num arquivo, a sério, da memória oral do concelho. É gente que pode colaborar em acções de formação, em estudos sobre produtos de que apenas resta a memória, em oficinas de artes e ofícios tradicionais, no enriquecimento do imaginário dos mais jovens. Haja quem os saiba mobilizar...

O que tem sido feito, não sendo de excluir, parece-nos muito pobre. Encara-se o idoso como um mero consumidor de iniciativas, não lhe sendo dado espaço para se continuar a sentir socialmente útil. Acreditamos que sejam programas de aceitação garantida e massiva assistência, mas também acreditamos que todos os que construiram uma vida não se contentem em ser "arrumados" nos bancos de um autocarro, ou numa qualquer sala de espectáculos, limitados à condição de assistentes, como se nada interessasse o que protagonizaram ao longo da vida que construiram.

Felizmente, conseguimos ficar cada vez mais velhos- importa saber aproveitar essa riqueza.

quarta-feira, maio 27, 2009

Ver para além do olhar


The arts are the science of enjoying life- John Maeda

Muitos olham, mas nem todos vêem. Menos ainda, são os que permitem que outros vejam pelos seus olhos- exige rigor na escolha, capacidade para entender a universalidade de cada pormenor, identificação com o outro e um imenso domínio técnico. Tudo isso tem a "nossa" Margarida Maia para dar e vender, alicerces de uma obra que vai construindo com a solidez que nos habituámos a sentir na terra que pisamos, mas com olhos treinados a ver outros mundos. Alguns dos seus trabalhos mais recentes foram publicados pelo Açores 2010. A não perder. Aqui.

quarta-feira, abril 08, 2009

O pastel de Vouzela e a teoria económica

Foto de Margarida Maia

Já se imaginou a confundir um pastel de Vouzela com uma bola de Berlim? Oliver Sacks descreveu o caso do homem que confundiu a mulher com um chapéu, mas o nosso objectivo é outro. Claro que ninguém confunde um pastel de Vouzela com uma bola de Berlim, nem sequer com um pastel de Tentúgal, depois de os ter provado. E não confunde, porque são produtos diferentes. Pode gostar mais de um do que de outro, pode até comer um a seguir ao outro, mas sabe que são diferentes, recorrendo a técnicas e artes diferentes, apesar de todos partirem de farinha, açúcar e ovos.

Sobre os nossos pasteis, o leitor informado sabe mais: sabe que só os pode adquirir em Vouzela. Isso mesmo. Não se usam truques manhosos, que é como quem diz, nada de conservantes. Por isso, se lhos quiserem vender em qualquer outro lado, mesmo acenando com um preço mais baixo, o mais provável é estar a ser enganado. Quer isto dizer que o pastel de Vouzela não tem concorrência. Façam lá o que quiserem, vão produzi-los à Tailândia, fabriquem-nos em série nas mais modernas indústrias, ofereçam-nos a metade do preço e o resultado é sempre o mesmo: não são pasteis de Vouzela.

Numa altura em que se “descobriu” que tudo importamos e (quase) nada produzimos; em que se dão voltas ao miolo à procura de estratégias que façam os mercados repararem em nós, nada melhor do que... um pastel de Vouzela. Apoiar o que temos de mais característico, de único e que só cá pode ser encontrado, parece ser o caminho a seguir, seja no turismo, na agricultura ou noutro sector qualquer. Só assim será possível evitar concorrentes muito mais poderosos e, como se diz em linguagem futebolística, "jogar no espaço vazio". Mas, não parece ser isso que se está a fazer- dizemos nós, que nada percebemos de economia e apenas sabemos qualquer coisita de... pasteis.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Sim, nós sabemos: pastéis de Vouzela são Património Cultural. Da Humanidade-dizemos nós.

Foto: Margarida Maia

Claro que sabemos. Só os eleitos o sabem fazer, poucos o sabem comer- mas vale a pena tentar. O pastel de Vouzela vai integrar uma lista de produtos "que não se podem perder". Claro. Nem sempre um acto de cultura se desfaz na boca.

domingo, março 02, 2008

Alterações na embalagem-III

Foto: Margarida Maia

O problema de fotografar os pastéis é que, no momento em que tudo está pronto e o artista se prepara para o disparo… já não há pasteis. Comeram-se e apenas resta a caixa. E de tanta caixa observarmos, decidimos usá-la. Dos modelos existentes (dois), optámos por este. Do conjunto da embalagem, seleccionámos as letras. E o resultado aí está, da autoria da Filipa, a partir de uma foto da Margarida. Ponto final (ou talvez não...).