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quarta-feira, agosto 21, 2013

"Olhe para as plantas e para as árvores e começará a compreender este país"

Foto retirada do Público

A citação que usamos como título é de Roberto Bolaño (1) e qualquer especialista na matéria confirmará que tem um alcance universal. Pelos piores motivos, percebemos o seu significado sobretudo no verão, quando as chamas cobrem o país. Nessa altura, opinamos como se todos fôssemos experientes bombeiros e competentes gestores florestais. Depois... passa-nos. Diz quem sabe que os fogos evitam-se, dificilmente se combatem. Conhecer o que estamos a fazer com a nossa floresta, talvez ajude. Promover a criação de gado, também.
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(1)- Roberto  Bolaño, Os Dissabores do Verdadeiro Polícia, Quetzal, 2011

sábado, fevereiro 18, 2012

Fogos de inverno

A propósito dos fogos que se têm verificado este inverno e das suas consequências, vale a pena refletir no que Henrique Pereira dos Santos vem dizendo desde há muito. De facto, neste como noutros assuntos, não basta ter dinheiro para resolver os problemas.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Balanços de fim de Verão


"O rural faz parte da nossa matriz e não podemos continuar a ignorar este aspecto fundamental"- Telmo Antunes, presidente da Câmara Municipal de Vouzela, "Notícias de Vouzela", 29 de Julho de 2010.

O pior foram os fogos que não deram tréguas em Agosto- de resto, o Verão não tem corrido nada mal na região. Para além de um conjunto de iniciativas bem organizadas e com ampla participação popular, pudemos ouvir declarações muito interessantes a responsáveis locais. Desta vez, a "silly season" deu-se mal com a dureza do granito das encostas do Caramulo. Ainda bem.

Será que ainda vai a tempo?

Logo em Julho, tivemos a agradabilíssima surpresa de ver chegar o presidente da Câmara de Vouzela ao "clube" dos que defendem que só o respeito pelas características regionais pode ser o alicerce de qualquer programa de desenvolvimento. Em declarações ao "Notícias de Vouzela", realçou os pontos fortes do Concelho, destacando as facilidades de acesso, o património natural e edificado, a gastronomia e a importância das actividades rurais. Logo de seguida, defendeu a certificação de produtos locais- com destaque para os pasteis de Vouzela- anunciou um estudo para avaliar a situação dos produtores de vitela e, por fim, mas não menos importante, reconheceu a situação insatisfatória no que diz respeito ao abastecimento de água ao domicilio e ao saneamento. Uf! Abençoada fartura.

Na verdade, as conclusões do autarca vouzelense estão de acordo com estudos feitos há já algum tempo, coincidentes com informações ainda mais antigas (aqui, só como exemplo) e já nem vale a pena citar o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles que há mais de quarenta anos chama a atenção para estas coisas. Como se costuma dizer, "mais vale tarde do que nunca". Regista-se e aplaude-se o afastamento do dr. Telmo Antunes do "plano de obras" por si anunciado em 2004 e fazemos votos para que, nos três aninhos que lhe faltam para completar o mandato, consiga fazer o que o que já podia ter começado nos anteriores. Se quiser acrescentar medidas que dinamizem um programa de reabilitação e restauro, teremos um final em beleza. Os problemas com o abastecimento de água e com a cobertura do saneamento é que terão que esperar por... nova leva de "fundos".

Preocupações de todo o ano

Também o presidente da Câmara de São Pedro do Sul pôs o dedo na ferida, quando desabafou perante a imagem desoladora das chamas deste Verão: "Esta serra não aguenta este peso de uma mata contínua de pinheiro e eucalipto. É um barril de pólvora". É, sim senhor! Mas um "barril de pólvora" que foi estimulado pelo desprezo a que se condenou a agricultura e a pastorícia e pela indiferença que se continua a sentir perante a destruição das espécies "autóctones" de crescimento mais lento, mas com um papel regulador de valor incalculável.

É verdade que o problema é complexo e ultrapassa a área de influência das autarquias locais. Mas o melhor que estas podem fazer, é pressionar. Impedir que o assunto saia das "agendas" com as primeiras chuvas. Depois, também ajuda ter uma noção mais ampla de ordenamento do território, percebendo que as acanhadas fronteiras inventadas pelos homens, pouco têm que ver com os desafios que, cada vez mais, teremos que enfrentar.

quinta-feira, agosto 19, 2010

A propósito de fogos-III

"(...) o Governo que considera dispensável a defesa da infra-estrutura produtiva do mundo rural, nomeadamente os solos férteis (convém lembrar o inacreditável assassinato da Reserva Agrícola às mãos deste Governo, com o argumento de que a agricultura em Portugal é inviável), é o mesmo que se queixa das condições de combate aos fogos serem muito duras"-Ambio.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Esperamos que no Inverno ainda se lembrem de tão sábias palavras

"Esta serra não aguenta este peso de uma mata contínua de pinheiro e eucalipto. É um barril de pólvora"- Presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, i, 10/08/2010 (via, O Caricas).

domingo, agosto 08, 2010

A propósito de fogos-II

"Não gerir combustíveis apostando na eficiência do combate cria condições para o desastre. A opção de apostar tudo nos fogos nascentes e na chegada aos fogos o mais cedo possível é uma opção errada, não porque seja errado apagar os fogos o mais cedo possível, mas simplesmente porque é uma opção irrealista, como se vê nestes quatro dias. Os pequenos ruminantes, mesmo que fossem totalmente subsidiados pelo Estado como são os sapadores florestais e os gabinetes técnicos florestais (qual é o seu efeito real, santo Deus?) seriam incomparavelmente mais eficientes na gestão da única coisa que pode tornar estas situações geríveis: o material combustível"- Ambio

sexta-feira, julho 30, 2010

A propósito de fogos

"Já agora, o pessoal antiquado e medieval dessa empresa caduca chamada Google decidiu usar rebanhos para gerir os mais de cem hectares dos espaços exteriores da sua sede. Dizem eles que uma empresa que olha para o futuro como a Google tem de perceber a sua responsabilidade para com a terra e a sociedade e diminuir a sua pegada de carbono, e pela avaliaçäo que fizeram substituir outros métodos de corte da vegetaçäo por gado miúdo era a mais eficiente maneira de obter o mesmo resultado com menor impacto ambiental.
Adenda: actualizaçäo sobre o uso de cabras pela Google. Pode ser que ao associar as cabras à Google eu consiga finalmente convencer alguém de que estou a falar do futuro, e näo do passado"-
Henrique Pereira dos Santos, in Ambio (mais reflexões sobre este tema)

sábado, março 28, 2009

Orelhas a arder

Para além do espectáculo mediático e do "parece-me que", Henrique Pereira dos Santos reflecte sobre os fogos, aqui.

Perguntem ao Ministério da Agricultura por que razão o PRODER afunda 11% do seu orçamento em Alqueva e deixa no mato sem cão os pastores e o mundo rural das serras e das áreas marginais de produção. Perguntem porque apoia mais a produção intensiva de azeite que a produção de biodiversidade. Perguntem por que razão impuseram as alterações que impuseram ao Plano Sectorial da Rede Natura, incluindo o desaparecimento de todas as referências ao seu financiamento, que já eram o mínimo dos mínimos: a transcrição do que está nos regulamentos comunitários.
Não gostam de fogos, de todos os fogos? Eu não estou de acordo, mas se não gostam e querem arranjar responsáveis para a sua existência (para além de S. Pedro) então por favor dirijam-se ao Ministério da Agricultura, às políticas para o mundo rural (...)

quarta-feira, maio 16, 2007

Estes fogos que nos consomem

São dois textos publicados no início deste mês, dois textos que de algum modo nos mostram duas faces do mesmo problema. Ambos se referem ao desconforto que foi dominando as nossas cidades, à apropriação que se foi fazendo do espaço, sem rosto e sem alma, despromovendo o cidadão para a categoria de simples meio ao serviço de mesquinhos fins. Claro que temos que levar em linha de conta as particularidades que transformaram a especulação imobiliária na actividade económica de “excelência” do Portugal contemporâneo. Claro que temos de considerar as limitações existentes nas relações familiares, na educação... no que quiserem. Mas, se reconhecemos a importância do espaço em que vivemos na evolução do indivíduo, então as cidades, o “urbanismo” que temos, são o primeiro factor de perigo com que se confrontam as nossas crianças e jovens. Seguem-se os textos pela ordem da sua publicação (é só "clicar"):

- O J. foi baleado
- A paisagem global 1

De há uns anos a esta parte, quase adquiriu o estatuto de ritual. É daqueles acontecimentos com data certa, como o início da época balnear- é a “época dos fogos”. Repetem-se imagens e explicações. Denuncia-se o desleixo, reflecte-se sobre as particularidades do clima, lamenta-se o abandono dos campos. Uma vez por ano. Poucos se atrevem a reconhecer que uma floresta monocultural de resinosas e eucaliptos (perto de metade da floresta portuguesa), só serve para arder. Pela minha parte, todos os anos, por esta altura, penso no velho comboio do Vale do Vouga, durante muito tempo acusado de ser o incendiário da região. Foi-se o comboio, ficou o fogo e a estupidez dos homens. Mas também a lucidez de alguns que, como o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, deu à revista “Visão”, entrevista que se segue. Em 2003. Nada mais actual.

- Entrevista com Gonçalo Ribeiro Telles