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segunda-feira, dezembro 16, 2013

Boas Festas, boas novas

Foto de Paulo Mota, em Vouzela 

Tendo em conta tudo o que temos vivido e a época que se aproxima, pensamos que as boas notícias são a melhor prenda que se pode dar aos vouzelenses e a todos os portugueses. Para os segundos ainda nada temos, mas para os primeiros decidimos partilhar algumas boas novas que nos "sopraram". A primeira, pode ser um importante passo para a preservação e valorização da nossa floresta, no que à defesa das espécies autóctones diz respeito. A segunda, a confirmar-se, vai acabar com uma das feridas que desde há muito fragilizam a imagem da vila de Vouzela.

Proprietários de terrenos incluídos em área protegida de gestão local podem ter benefícios

Foi uma das bandeiras da campanha eleitoral do atual presidente da Câmara, Rui Ladeira, apoiada por todas as listas concorrentes: Vouzela vai ter uma área protegida de gestão local que, de acordo com as palavras do proponente, "visa a promoção e a preservação do património natural aliada à criação de valor"(1).

Deixemo-nos de rodeios. Quando se fala da beleza da região, aquela que foi cantada ao longo de séculos, referimo-nos à diversidade das espécies (ainda) existente. Amorim Girão, no Guia de Portugal,  descrevia-a do seguinte modo: “(...) a paisagem da região lafonense, de tão acentuada beleza policrómica (...) pode distingui-la das regiões vizinhas. Os seus campos de cultura, xadrezados pelos comoros de divisão da propriedade, onde a vinha se abraça às árvores de fruto, e emoldurados ainda pelas matas de pinheiros, carvalhos e castanheiros que revestem as maiores elevações do terreno, oferecem, com efeito, ao turista um espectáculo sem dúvida interessante: um pequeno retalho do Minho perdido em plena região montanhosa da Beira Central”. É isto que é procurado por quem nos visita; é isto que tem que servir de suporte a qualquer projeto turístico; é isto que nos pode permitir criar um calendário atrativo de ano inteiro: a tal variedade policromática, aliada aos traços mais característicos da orografia, do património edificado e, claro está, á riqueza humana das nossas gentes.

Mas, cuidado! Já na edição do Círculo de Leitores, Portugal Património (2007), descrevia-se assim o território entre Oliveira de Frades e Sever do Vouga: “O coberto vegetal, quer nas áreas baixas que se desenvolvem a oeste, quer nas faldas da serra, tem sido progressivamente tomado pela plantação extensiva de eucalipto, que se impõe na paisagem, tornando-a monótona". Pois é... A monotonia é a negação do turismo. Ora, o absurdo Decreto-Lei 96/2013 de 19 de Julho (pode ler, aqui, o texto integral) mais não faz do que regulamentar a ditadura do monótono. Daí a importância de iniciativas como a da área protegida que, se não o travam, pelo menos podem reduzir-lhe os estragos. Falta uma coisa: compensar, pelo serviço público prestado, os proprietários dos terrenos abrangidos, convencendo-os a não destruir carvalhais e soutos, recusando a facilidade imediatista da monocultura "eucalíptica". E a boa notícia é essa: pelo que nos confidenciaram, a Câmara Municipal de Vouzela estuda já benefícios a conceder a todos quantos venham a integrar a área protegida de gestão local.
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(1)- Gazeta da Beira, 12 dezembro 2013, pág. 17

É desta?

Não somos supersticiosos, mas até temos receio de nomear a segunda boa nova que temos para dar, tantas e tão longas foram as trapalhadas em que já esteve envolvida. Referimo-nos à... "Casa das Ameias". Garantiram-nos que, finalmente, tudo se encaminha para a resolução total do imbróglio. Será? Isso é que era uma rica prenda para o sapatinho dos vouzelenses! A propósito: feliz Natal.

domingo, outubro 14, 2012

Felizmente as paredes são fortes

Postal da coleção particular de Carlos Pereira
"Então, agora que a Câmara vai ficar com a Casa das Ameias, vocês não falam no assunto"? Nada de confusões! A Câmara Municipal de Vouzela vai tomar "posse administrativa" do edifício, o que significa que vai avançar com obras coercivas, após o que terminará a tal "posse". A medida é aplicada de acordo com o previsto no nº 2 do artigo 89º e no artigo 91º do  Decreto-Lei nº 555/99 de 16 de Dezembro. O que eventualmente pode acontecer é, perante uma hipotética recusa dos atuais proprietários em pagar os trabalhos, as quantias terem que ser "cobradas judicialmente em processo de execução fiscal" ( número 2 do artigo 108º do mesmo diploma) que ajude a resolver as complicações deixadas pelo testamento do dr. Gil Cabral.

Por tudo isto e apesar de nada nos dar maior prazer do que reconhecer razão a quem nos fez a observação inicial, a "saga" está para durar. Resta-nos depositar esperanças na robustez das paredes daquela casa porque, no que diz respeito à vontade dos homens... estamos conversados.

segunda-feira, abril 09, 2012

A lindíssima "Casa das Ameias"

1950's...

quinta-feira, março 29, 2012

Sempre a propósito da Casa das Ameias: "não pode continuar assim"

"Ao olharmos em redor e logo na nossa frente, entristece-nos verificar que a Casa das Ameias (...) continua a cair de velho e a sucumbir ao peso dos anos, que lhe levaram a cobertura, lhe sugaram as entranhas, de tal modo que é hoje uma ruína, a exigir medidas urgentes. Sabemos que é vítima de um forte imbróglio jurídico em termos de heranças, mas pensamos, por outro lado, que não pode continuar assim, a mostra-se até um perigo público"- in Notícias de Vouzela (só na edição impressa), Destaques da Semana, 29/03/2012.

quinta-feira, setembro 22, 2011

É importante participar!


É já amanhã que vai ser apresentado o projecto de requalificação urbana da vila de Vouzela (pelas 21.30 horas no auditório Municipal). Consciente de que os únicos agentes da mudança são os cidadãos, a Câmara Municipal apelou a uma ampla participação. Fez bem. Pelo que nos diz respeito, lá estaremos.

Ao longo dos anos, este foi um dos assuntos a que o "Pastel de Vouzela" deu maior atenção. Apesar de continuarmos a ser reconhecidos como os que melhor preservaram o equilíbrio entre o natural e o edificado, não só não podemos esconder muitas feridas desnecessárias, como nunca rentabilizamos eficazmente essa imagem que todos os estudos mostram ser o "produto" com maior procura, a par dos pasteis. Mais: não esquecemos que, em tempo de "vacas gordas", muito disparate esteve projectado, numa ânsia de obra nova que, a concretizar-se, nos teria transformado noutra coisa qualquer, igual a tantas outras que por esse país fora são, hoje, a imagem do desperdício e do desleixo. Águas passadas? Assim esperamos.

Porque o nosso objectivo sempre foi dinamizar o debate e despertar o contraditório, aqui deixamos algumas modestas propostas que, sobre o assunto, fomos fazendo:

. Sobre o alargamento da Avenida João de Melo (aqui).
. Sobre a "Casa das Ameias" (aqui, aqui, aqui, aqui).
. Sobre a imagem da vila (aqui).
. Sobre a proteção das construções em pedra (aqui, aqui).
. Sobre o mito da necessidade de construção nova (aqui).
. Sobre "política de mobilidade" (aqui)

Simples ideias a custo zero, de quem deseja que a ferida que do Castelo se vê no Monte Cavalo, sirva de exemplo sobre o que não mais se pode fazer.

quinta-feira, maio 12, 2011

Quem dá uma moedinha para comprar a Casa das Ameias?

A Casa das Ameias volta a ser notícia. Em abril de 2009, após uma vistoria dos serviços técnicos da Câmara, concluiu-se serem necessárias obras "para evitarem a ruína do imóvel". Em 2010, foi elaborado um projeto de intervenção que se previa estar concluída no inverno desse ano. Agora, tudo continua na mesma porque, de acordo com declarações do presidente Telmo Antunes, não conseguem notificar todos os "potenciais interessados na herança", já que... "os herdeiros não (...) fornecem os nomes e as moradas". Bom, deitando mão aquele otimismo tão português a que se recorre nas desgraças, temos que reconhecer que as coisas podiam ser piores. Se os "herdeiros" tivessem dado moradas e números de telefone falsos, lá se fartava a Câmara de gastar dinheiro em selos e chamadas inúteis.

Mas, respondendo ao apelo feito pelo presidente da Câmara para que os munícipes deem ideias que permitam poupar dinheiro, aqui deixamos uma para, de uma vez por todas, se resolver o problema da Casa das Ameias: lançar uma subscrição pública para a sua aquisição (com valor razoável, descontando as obras feitas, claro está). O tradicional espírito solidário dos vouzelenses são garante do sucesso da iniciativa e a resistência demonstrada pelas paredes do edifício garantem-lhe tempo suficiente para a sua concretização. Não há pachorra!

quarta-feira, outubro 20, 2010

Fórum do "Pastel de Vouzela": novo tema para debate

Como não podia deixar de ser, é sobre a "Casa das Ameias", ao fim e ao cabo, o tema que lançou a ideia da criação do fórum. Pois aí está, para que se avancem soluções. Ligação directa a partir daqui.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Casa das Ameias: finalmente!

"A Câmara de Vouzela prevê que, este inverno, estejam concluídas as obras de consolidação da Casa das Ameias, na Rua Teles Loureiro.
O projecto está já a ser elaborado e, apesar do risco de ruína não ser iminente, se continuarem a existir invernos rigorosos, o edifício poderá cair"- Notícias de Vouzela.

sábado, maio 09, 2009

Novos episódios sobre a Casa das Ameias

A avaliação feita pelos técnicos da Câmara Municipal ao estado da Casa das Ameias, confirmou tudo quanto aqui tínhamos dito sobre a necessidade urgente de intervenção. Em declarações ao "Notícias de Vouzela" (30/04/2009), o presidente da Câmara anunciou o próximo início de obras "para evitar a ruína do imóvel", mas reconheceu não ter solução para que, de uma vez por todas, acabe o desleixo que a actual situação do edifício impõe a todo o conjunto. Voltaremos ao assunto.

quinta-feira, março 26, 2009

Ideias não faltam para a Casa das Ameias

Foto de José Campos (adaptada)

Já chega de recolha de opiniões e os resultados não enganam: pode faltar dinheiro, mas ideias não. Na sondagem realizada pelo Pastel de Vouzela sobre o futuro a dar à Casa das Ameias, votaram 51 leitores, a maioria dos quais (28), optou pela hipótese de adaptação do edifício a uma Casa da Cultura. A segunda escolha foi a pousada (15) e ninguém sugeriu outras hipóteses para além das que apresentámos.

Mas os números podem ter outra leitura: 31 leitores escolheram opções que pressupõem a passagem do edifício para o domínio público (Casa da Cultura e Museu Municipal), enquanto os restantes 20 preferiram soluções que exigem investimento privado (pousada e habitação).

Enfim, o exercício vale o que vale, admitimos até ter cometido alguns erros (a opção “Habitação particular” não foi convenientemente explicada), mas fica a experiência e uma conclusão: ninguém pode afirmar que os vouzelenses não sabem o que fazer com a “Casa das Ameias”. Há quem saiba. Assim os oiçam.
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Resultados da sondagem- Pousada: 15 votos; Casa da Cultura: 28 votos; Museu Municipal: 3 votos; Habitação particular: 5 votos; A minha ideia é outra: 0 (zero) votos.

sexta-feira, março 20, 2009

Sondagem sobre o futuro da Casa das Ameias


Somos adeptos do velho método: quem não sabe, pergunta. E perguntamos sobre o futuro desejável para a Casa das Ameias. É a primeira sondagem do Pastel de Vouzela, mas o assunto merece, até porque as opiniões dividem-se entre os que defendem uma atitude mais interveniente por parte da Câmara, e os que consideram que isso é assunto que apenas diz respeito aos proprietários do edifício. Estes, dizem que os vouzelenses não têm a mais peqena ideia sobre o que fazer com a casa; os primeiros, contestam. A ver vamos.

Não pretendemos conseguir valores significativos, nem formar um movimento (para já...). Apenas queremos a sua opinião, deixando agora de lado se a iniciativa deve ser pública ou ptivada.

De todas as hipóteses possíveis, escolhemos as que nos parecem ter maior número de adeptos. Mas, se a sua ideia for outra, pode sempre deixá-la nos comentários a esta mensagem. A sondagem vai ficar lá bem ao alto da coluna da direita, durante os próximos dias. Tem a palavra o leitor.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Um dia a casa vem abaixo

Casa das Ameias, na Praça da República. Há quem defenda que o edifício original remonta ao século XV. O complexo testamento deixado pelo seu último proprietário, Dr. Gil Cabral, tem dificultado a definição da propriedade do imóvel.

“O que gostaríamos era que um particular pegasse e construísse uma unidade hoteleira”- Presidente da Câmara de Vouzela, interrogado sobre a possibilidade da Autarquia avançar para a expropriação da Casa das Ameias, Notícias de Vouzela, 12/02/2009.

Nós também “gostaríamos” de tanta coisa. Por exemplo, que se tivesse percebido que uma zona nobre da vila, como é a Praça da República, nunca devia ter chegado ao nível de desleixo a que chegou, graças ao arrastar do processo em torno da Casa das Ameias. Isto, para já não falar de como “gostaríamos” que se tivesse controlado melhor o fracassado projecto de construção da estalagem que, por um qualquer estranho desígnio, começou por destelhar o edifício, retirando-lhe a sua maior protecção. Tanta coisa de que “gostaríamos”.

Mas, por muito crentes que sejamos, sabemos que ficar a olhar para o céu à espera do milagre, a única coisa que nos garante é... uma dor de pescoço. Neste caso, uma dor de cabeça, enorme, se a casa vem abaixo (hipótese bem provável pelo que nos diz quem destas coisas sabe). Ou será isso mesmo que se pretende, para depois ali se espetar um paralelepípedo de tijolo e cimento, rés-do-chão e 1º andar, direito e esquerdo, com o "douto" argumento de que havia que marcar a fronteira entre a ruína e a “modernidade”?

O complexo testamento do Dr. Gil Cabral (último residente e proprietário da casa) explica alguma coisa sobre a situação a que se chegou, mas não explica tudo. Para além da imagem de um espaço central e da importância histórica do edifício, estão em causa questões de segurança que há muito justificavam intervenção. Ora, é nisto que nós, modestos cidadãos, compreendemos que se gaste dinheiro. E até apoiamos, ao contrário do que sucede com inúteis ampliações de ruas. Se é verdade, como foi noticiado, que os herdeiros estão dispostos a ajudar na resolução do problema, menos se compreende que se continue a adiar .

O título deste texto é pouco original, mas corresponde à mais crua verdade. Vem mesmo abaixo, se continuarmos à espera de um D. Sebastião cheio de notas que ali construa “uma unidade hoteleira” (projecto que nos parece pouco provável, mas disso daremos conta noutra oportunidade). Para já, exige-se a intervenção necessária para que a casa se mantenha de pé e, com ela, a esperança de que conseguiremos fazer mais do que discursos no condicional e esperar por milagres saídos de radiosas manhãs de nevoeiro.