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sexta-feira, maio 14, 2010

Outros Maios, os mesmos desejos


A foto regista um momento das comemorações do 1º de Maio de 1974 em São Pedro do Sul. Foi-nos gentilmente cedida por Vasco Coutinho e faz parte de um conjunto exposto no Espaço do Cénico- Grupo de Teatro Popular (Solar da Lapa-São Pedro do Sul).

quinta-feira, abril 29, 2010

Sei lá que título hei-de dar a isto

São de Lafões e certificadas. Chamamo-las pelos nomes.

Alguém quer que entremos em pânico. O modo como se tem abordado o problema da dívida sem apresentar uma única alternativa para o funcionamento da economia; o modo como se promove a "salvadores" os que há mais de vinte anos nos empurram para os problemas, só pode ter um significado: reduzir a acção reivindicativa das populações e reforçar o poder dos que já o têm. Deixemo-nos de tretas. O (curto) crescimento que tivemos baseou-se quase exclusivamente no mercado interno, através de uma especulação imobiliária que abusou de um recurso limitado (o território), que agradou aos "financeiros", mas endividou a população. Os principais grupos económicos nacionais viraram-se para os serviços e não produzem um alfinete. Mais: houve quem tivesse sido pago para não produzir! Querem culpados? Tentem todos os governos que tivemos desde que começaram a chegar os fundos europeus- é preciso chamar os bois (e as vacas) pelos nomes e disso percebemos nós.

"Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril", costuma repetir um vizinho meu que à data nem sequer tinha nascido, militante cartonado dum partido que eu cá sei. Ainda bem que o "fizemos" e que o comemorámos, este ano, com uma iniciativa que permitiu rever amigos- eles são a fonte inspiradora que nos permite encontrar caminho no meio da confusão. Claro que 36 anos fazem mossa e quando os "Vozes da Terra" atacaram os primeiros versos do "Venham mais cinco", muitos viraram-se para a figura do Cardoso numa altura em que o Benfica ainda só tinha marcado quatro...

Antes disso, já o presidente da Câmara tinha arrancado com um discurso de acordo com os tempos: números. A obra do poder local, traduzida em milhões de investimento e de gente mobilizada. Compreende-se. Para quem, há apenas 36 anos, mal conhecia os benefícios do saneamento básico e da água canalizada, faz todo o sentido ouvir os montantes do investimento. É um pouco como aqueles nossos velhos emigrantes que ostentavam o seu sucesso através de enormes casas cobertas de garridos azulejos. Na maior parte das vezes, as casas estavam mal concebidas e acabavam por provocar grandes despesas. Os números também. Sobretudo quando percebemos que, apesar deles, muitos dos problemas de há 36 anos, estão longe de serem resolvidos.

Mas, numa coisa tem o presidente da Câmara razão: não houve falta de dinheiro nem de recursos. Apenas foram desperdiçados.

Os anos têm-nos treinado e identificamos uma oportunidade perdida, um recurso desperdiçado à légua! Por isso, ao olhar para a mesa da sessão, ao ver a figura de homem simples daquele que a dinamizou e moderou, não pude deixar de me interrogar como tem sido possível desperdiçar o seu conhecimento. Entre tantas outras coisas, dirigiu a delegação do Fundo de Fomento de Exportação em Madrid, foi Adido Comercial da Embaixada de Portugal, Director da representação em Espanha do Banco de Fomento Exterior, responsável pelo Gabinete de Apoio Empresarial do Grupo Caixa Geral de Depósitos em Espanha, assessor do Banco EFISA... e é de Vouzela. Pois António Liz Dias tem sido "olimpicamente" ignorado pela maioria dos responsáveis locais. Há quem garanta que é por medo e inveja. Penso que é por ignorância. É a tal lição da "Alice": para perguntar, é preciso saber onde se quer ir. Na verdade, poucos têm sabido, para além de eventuais projectos pessoais.

Já à noite, dizia-me um investidor local que Vouzela tem procura, sobretudo as suas ofertas de maior qualidade- sempre assim foi. Recursos não faltam. Basta que não os desperdicemos e tenhamos a humildade de perguntar. Nada de entrar em pânico.

domingo, abril 25, 2010

Foi há 36 anos

(Clique nas imagens para ampliar)

Era habitual as notícias da manhã chegarem à tarde e, às vezes, nem chegarem. As de cá, chegavam de 15 em 15 dias. Daí, as do 25 de Abril terem chegado no 1º de Maio que, por sua vez, arrancou quatro dias depois...


Vouzela adaptava-se aos novos tempos, acorrendo a ouvir muitos dos que, nos antigos, nunca admitiram que os calassem. Foi há 36 anos.

quinta-feira, abril 22, 2010

A Revolução... dos desejos

Em semana do 25 de Abril, justifica-se recordar o tempo em que a Associação de Futebol "Os Vouzelenses" tentou impulsionar uma renovação de valores no futebol local. Apontaram-se caminhos para uma revolução de práticas. Como em muitas outras áreas aconteceu, ficou-se pela revolução... dos desejos. É mais um episódio dos 80 anos que se comemoram.

Em Setembro de 1974 foi divulgada uma proposta, assinada por Bandeira Pinho, que cortava com princípios organizativos anteriores. Privilegiava a prática desportiva saudável que pretendia massificar, desvalorizava os resultados, substituía a figura do presidente por uma comissão directiva, transferia para os jogadores as decisões sobre equipas e tácticas, impunha a publicação trimestral de todas as receitas e despesas.

Pouco depois, houve eleições para os corpos directivos da Associação. A única lista candidata, de que faziam parte todos os jogadores seniores, adoptou o documento como programa- foi eleita por aclamação. Logo a seguir, enviaram a seguinte circular a todos os clubes do distrito de Viseu:

“(…)
A Direcção de ‘Os Vouzelenses’, composta por todos os jogadores e alguns dos muitos amigos do nosso clube (…) está decididamente disposta a colaborar na dignificação do desporto nacional.

A Direcção de ‘Os Vouzelenses’ quer afirmar a esse simpático clube que está disposta a lutar pela melhoria do comportamento em todos os campos de futebol.

‘Os Vouzelenses’ afirmam, desde já, que estão dispostos a ser dignos adversários.

‘Os Vouzelenses’ saberão lutar pela conquista da paz nos campos por onde passarem.

‘Os Vouzelenses’ estão dispostos a ajudar à instauração da disciplina, da amizade e camaradagem entre todos os clubes.

‘Os Vouzelenses’ dão as mãos ao vosso clube.

Juntos saberemos lutar por um desporto melhor.

(…)”

Se terminasse aqui, a história teria final feliz. Mas não terminou e a continuação não teve tão nobres princípios. Os novos dirigentes recusaram participar no que consideraram "uma manobra para manter no poder a direcção da Associação de Futebol de Viseu". Coincidência ou não, "Os Vouzelenses" foram alvo de uma chuva de castigos, viram as Chãs interditadas e a permanência na 1ª Divisão Distrital só foi garantida na última jornada. Pelo meio, houve invasões de campo e pancadaria de criar bicho. A "conquista da paz" ficou adiada...

Mas, o que interessa é a intenção e nem sempre a realidade acompanha o passo dos desejos. Além do mais, como por aí se ouve, o 25 de Abril ainda não chegou ao futebol.

sábado, abril 25, 2009

Memórias de um tempo-II


Era um tempo de afirmação da palavra, de gritar sofregamente o que durante tanto tempo tinha sido calado. Por toda a parte surgiram novos periódicos, numa tentativa militante de que nada ficasse por dizer. Foi o caso do "Vouga Livre". Dirigido por José Oliveira Barata, tinha um Conselho de Redacção constituído por António Alexandrino Matos, António Bica, Georgete Horta, Jaime Gralheiro, José Carlos Almeida, José Carreto Lages, Manuel Martins da Costa e Telmo Teixeira de Figueiredo (impresso na Gráfica Vouzelense). Pelas suas páginas passou Michel Giacometti, discutiu-se a reformulação da linha do Vale do Vouga, defendeu-se o investimento na alfabetização. Em Lafões ao estilo do tempo. Há 35 anos.

sexta-feira, abril 25, 2008

Memórias de um tempo

Grupo de Intervenção Democrática- A Luta Continua, criado em Fevereiro de 1975, ali para os lados do Cabo de Vila- o país aquecia e Vouzela acompanhava os tempos. Como objectivos, nada menos do que mudar o mundo. Não consta que o tenha conseguido. Mas, rezam as crónicas que deu muito gozo aos que nele participaram. Cumpriu, pois, a sua função.

sábado, abril 19, 2008

Laranja descascada

(Estas nasceram em árvore jovem- 2 anos. Cresceram, cresceram, até que a geada as matou)

Laranjas, só da época. Mesmo os ditos alertas, só nos interessam os que dizem respeito ao estado do tempo. Quer isto dizer que não temos a intenção de gastar uma linha que seja com a crise do PSD. No entanto, interessa-nos o modo como está a ser analisada e que nos parece dizer algo sobre outra crise bem mais importante: a da democracia.

Basta passar os olhos pelos principais jornais, “clicar” nos blogues de referência e o diagnóstico é fácil de fazer. Comenta-se a forma, ignora-se o conteúdo. Nem uma ideia sobre a política económica, o ordenamento do território, a nossa posição na Europa, a Cultura, a Educação… o que quer que seja. Os candidatos distinguem-se pela estrutura do discurso, a “família” a que pertencem, o apoio do “aparelho”, a táctica. “Barão ou baronete, cuida da gravata ou tem voz de falsete?”

Olha-se para os partidos de poder como se fossem um fim em si mesmos. E se calhar, são.

Não é, pois, de estranhar, que o ministro do Ambiente passe pela Assembleia da República, tropece na nomeação dos PIN com impactos na Reserva Ecológica Nacional e daí não surja qualquer crítica visível- estivessem lá “os outros” e fariam exactamente o mesmo, já que o Ambiente faz parte da táctica e não da estratégia.

Não é, também, de estranhar, que os dois maiores partidos portugueses cozinhem um tremendo atentado à democracia na forma de Lei Eleitoral para as autarquias e nada mais mereça do que meia-dúzia de “comentários técnicos” e o silêncio dos órgãos de soberania.

Não se estranha, ainda, que a única ideia para o relançamento da economia repita os erros dos tempos da “política do betão” e se admita que a coisa seja apresentada como a descoberta da pólvora.

Assista-se, pois, às delícias do manobrismo em torno da crise do PSD. Eleja-se o melhor nó de gravata, o melhor movimento de mãos, o tom de voz mais cristalino. Quanto a nós, preferimos a laranja descascada. Da época. E já lá vão 34 anos desde o 25 de Abril.

quarta-feira, abril 25, 2007

A imagem do tempo

Foto dos arquivos do "Notícias de Vouzela"
Curiosa imagem que regista o muito que passou, nestes 33 anos que passam. Sobressai o ar grave dos rostos, os trajes cerimoniosos, o número de presentes. Numa observação mais atenta, torna-se evidente o predomínio dos homens. De chapéu. O local, era a Alameda D. Duarte de Almeida e o 25 de Abril já mexia no País há uns dias. Estava-se a 5 de Maio de 1974 e realizava-se a primeira manifestação em Vouzela, convocada pelo Movimento Democrático. O “Notícias de Vouzela” descreveu o programa: “Cerca das 15.30, o Hino Nacional cantado em coro, deu condigna abertura à manifestação. Ao microfone, um grupo de jovens vouzelenses apresentou algumas canções, entra as quais a já histórica Grândola Vila Morena”.

Seguiram-se discursos, de que se registam os oradores: Dr. Telmo Teixeira de Figueiredo, Dr. José Pinheiro Lopes de Almeida, Dr. António Alexandrino Figueiredo Matos, Escultora Georgete Horta, Graciano Luís Teixeira, Franklin Dias, Professor José Mendes da Silva, Alberto de Carvalho Correia e Dr. António Pereira Bica. Depois, “de braços levantados” e feita a “contra-prova das votações”, foi eleita a Comissão Directiva Municipal, a partir de uma lista constituída por nove nomes: António Alexandrino Matos, Graciano Luís Teixeira, João Ribeiro, José Maria Ferreira, José Mendes da Silva, Manuel Almeida Neves, Maria Isabel Coutinho, Maria Otília Bica, Maria Teresa Fernandes. Aprovado o tradicional telegrama de saudação à Junta de Salvação Nacional, a iniciativa encerrava com a “Grândola” e com o Hino. Vouzela punha-se a par com os tempos.

Mas, como registo do que então se iniciava, mais do que do que então se fez, nada melhor do que a imagem que se diz valer mil palavras, mas que, neste caso, regista mudanças que não se acredita que caibam no tempo que passou.
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Imagem e informações retiradas de Vouzela- A Terra, os Homens e a Alma, Vouzela, 2001.