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quinta-feira, outubro 28, 2010

Política local

Aqui, ainda era posto da GNR. Foto de José Campos

De acordo com a Vouzela FM (também a partir daqui), os cortes nas transferências previstas no Orçamento do Estado vão obrigar a Câmara Municipal de Vouzela a cortar nos subsídios atribuídos às associações, havendo a hipótese de alguns serviços, como o Posto de Turismo e o Museu, verem reduzido o seu horário de funcionamento. É esta última parte que, por agora, nos interessa.

Mais do que reduzir, talvez seja a altura certa para repensar o horário e até o modelo do Museu Municipal. Com um trabalho de grande qualidade e nem sempre devidamente reconhecido, o nosso museu tem limitações que dificultam o seu aproveitamento pleno. Por exemplo, sendo sábados e domingos os dias de maior procura por parte de quem nos visita, talvez seja aí que interessa estudar a hipótese de alargar o seu horário de funcionamento.

Por outro lado, um museu virado para uma realidade específica, concelhia, mais do que um fim em si mesmo, deve ser um ponto de partida. Partida para centros de interesse da cultura local; partida para a organização de trabalhos de levantamento, inventariação e investigação da História de Vouzela.

Há algum tempo, houve quem por aí escrevesse que o Museu Municipal de Vouzela estava bem instalado. Apesar de gostarmos da localização e do edifício, não concordamos. O espaço está longe de satisfazer as múltiplas funções que tem desempenhado (e que esperamos que continue a desempenhar) e dificilmente conseguirá alargá-las. Mas é possível repensar o seu funcionamento, a exemplo de outras experiências museológicas. Tem à sua frente gente com capacidade para o fazer. Tem a nossa total disponibilidade para ajudar.

Política local- II

Robert Crumb

Na tomada de posse da nova comissão política concelhia do Partido Socialista, Viriato Garcez definiu como principal objectivo a conquista da Câmara nas próximas eleições e anunciou: "Vamos dialogar com os vouzelenses, conhecer as suas preocupações e os seus problemas e também as suas expectativas na saúde, na agricultura, no desenvolvimento rural e florestas, nas questões sociais, no emprego, no ensino, em todas as áreas em que um partido político deve encontrar soluções para o bem- estar dos cidadãos e para o desenvolvimento do nosso concelho" (Notícias de Vouzela, 21/10/2010).

Percebe-se a intenção, mas duvida-se do método. Todos sabemos que nalgumas dessas áreas, a situação é desesperada. Que pode dizer um agricultor a quem, até agora, não foi apresentada qualquer solução, que viu os filhos partir e o desprezo pela actividade crescer, que não seja estar disposto a vender as terras pela melhor oferta? Ainda por cima, quando lhe respondem aos queixumes com essa longínqua "Europa" que em tudo manda e ninguém vê. Talvez este homem ainda esteja disponível para ouvir quem lhe leve alguma esperança, quem mostre ter ideias para promover a reorganização do sector que não se limitem a linhas de crédito a que o desgraçado não sabe aceder, nem consegue pagar.

É isso que se espera dos partidos: que tenham uma noção mais ampla da importância estratégica das diversas actividades e deitem mãos aos recursos que eles sabem existir, mas que não são do conhecimento da maior parte dos cidadãos. Depois, espera-se que tenham coragem para apresentar com clareza as suas propostas e ouvir a reacção dos que sentem a dura realidade. Inverter o processo, não só deve ser missão impossível, como deixa aquela desagradável ideia de se estar disposto a defender qualquer coisinha, a bem da contabilidade eleitoral.

quarta-feira, julho 07, 2010

Em busca de um caminho


A Assembleia Municipal de Vouzela aprovou, por maioria, uma moção de protesto contra a redução da transferência de verbas para as autarquias locais. O deputado municipal Adélio Fonseca (Partido Socialista), chamou a atenção para o facto do poder local ser responsável por uma grossa parcela do descontrolo das contas públicas. Entre a refilice impotente e o conformismo, é preciso encontrar alternativas que mostrem aos cidadãos ainda haver uma réstia de esperança.

Os que nos têm acompanhado, sabem que não morremos de amores pela "obra" que o poder local tem deixado por esse país fora. Sabem que, a respeito de gastos, temos uma opinião muito semelhante à de Adélio Fonseca. Mas, no contexto actual, parece-nos importante dizer que isso é apenas uma parte da verdade.

O mesmo partido que agora "descobriu" que o poder local é esbanjador, deu-lhe poderes imensos na definição dos planos directores municipais, na gestão da Reserva Ecológica Nacional e só não agravou as perversões anti-democráticas do seu funcionamento (ver também aqui), porque o compagnon de route da "tramóia" (o PSD) recuou à última hora. Também convém não esquecer, que uma grossa parcela do "despesismo" de que se acusam os responsáveis locais, se deve ao facto dos aparelhos camarários estarem a funcionar como "almofada" para a queda da oferta de emprego que a iniciativa privada (ou a falta dela...) não consegue inverter. Por isso, deixemo-nos de demagogia: na medida agora tomada pelo governo (a que devemos acrescentar o encerramento de escolas, as alterações nos serviços de Saúde e as portagens na A25), vê-se bem o rabinho do gato escondido.

No momento actual, o que interessa é ouvir opiniões sobre a estratégia para enfrentar o inevitável: vamos ter (ainda) menos dinheiro. Como é que as empresas, as associações, os cidadãos em geral, podem ter esperança de conseguirem algo mais do que fazer as malas e partir? Que ideias tem a Câmara para reformular (e não acabar com) os apoios às colectividades, para dar alento às actividades económicos, para evitar a degradação constante da qualidade de vida dos cidadãos? É sobre isto que queremos muitas intervenções de todos os quadrantes.

Sempre defendemos que se deve entender a região como um produto, para que contribuam todas as actividades e instituições. Os seus pontos fortes estão identificados, já que estudos não faltam e têm sempre as mesmas conclusões: o nosso principal recurso é o património natural e edificado. A isto acrescentamos- da nossa lavra, mas sem o mais pequeno receio de errar- uma gente fantástica que não vira a cara a dificuldades e que nunca recusou colaboração sempre que entendeu o interesse das causas (veja-se o número de vouzelenses envolvidos na vida associativa local). Só não há dinheiro. Por isso é aconselhável que se organizem projectos mobilizadores que dependam mais da vontade do que da conta bancária.

É de acordo com este princípio que defendemos que a Câmara deve organizar e divulgar um conjunto de facilidades à reabilitação urbana (também aqui). Não se trata de gastar dinheiro, mas apenas de facilitar a vida a todos os que se disponham a melhorar o estado de conservação do seu património. Repare-se no estado actual da Rua da Ponte. É uma das principais atracções da vila e, neste momento, apenas transmite um lamentável estado de abandono. Alguém consegue calcular o prejuízo que isso provoca?

Uma medida como esta, pode ser conseguida através de uma redução de taxas, ou numa eventual facilidade na obtenção de licenças. Talvez provoque uma menor colecta temporária de alguns impostos, mas tem evidentes vantagens que, a prazo, rapidamente recuperam o dinheiro "perdido", para além de contribuir para animar a construção civil, na área do restauro.

Quando se fala no apoio das autarquias locais a esta ou aquela actividade, pensa-se, normalmente, em dinheiro. Mesmo a avaliação que as estruturas partidárias locais fazem da gestão camarária, limita-se à "obra visível", obra de "encher o olho". Ora, salvo melhor opinião, tudo isso é errado. Tudo isso esteve na base da espiral despesista que nos empurrou para a situação que hoje vivemos. Do que precisamos é de ideias para potenciar e organizar os recursos que temos; para promover o diálogo entre todos os sectores, de modo a criar uma estratégia de cooperação. Mais do que cópias do vazio discurso político nacional, precisamos de quem, bem ao nosso jeito, agarre na gadanha e ajude a abrir caminho.