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quinta-feira, julho 28, 2011

Vouzela, doce todo o ano

É já no próximo fim de semana que se vai realizar mais uma "Doce Vouzela", mostra de doçaria regional. Trata-se de uma iniciativa de grande sucesso e com margem de expansão, afirmando-se como um convite, mais um, ao passeio pelas tentações com que, em terra de santo, se conquistam os corações dos homens.

Por um qualquer motivo que desconhecemos, optou-se por realizar a "Doce Vouzela" nos calores de Julho, bem perto das Festas do Castelo. Ora, as características do evento e a sua afirmação, talvez justifiquem que lhe seja atribuída nova data. De facto, se o período de férias garante um número elevado de visitantes, também tem justificado a não participação de muitos dos que, entre nós, melhor deitam as mãos à massa. Por outro lado, quem é atento a estas coisas da gastronomia em geral e da doçaria em particular, sabe que calor não rima com grande parte do que de melhor temos para oferecer (há, até, o hábito, nalguns países e de alguns produtores, suspenderem a venda de certos produtos nos meses mais quentes). Finalmente, mas não menos importante, esta é uma época já bem preenchida de eventos.

Tendo em conta o sucesso das anteriores edições da "Doce Vouzela", arriscamo-nos a dizer que seria bem sucedida em qualquer época do ano, permitindo enriquecer um calendário de iniciativas com qualidade(1). Para todas as estações.
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(1)- Esta ideia foi defendida, já há algum tempo, pelo deputado municipal Fausto Carvalho e, em nossa opinião, merece ser devidamente debatida.

sábado, dezembro 22, 2007

Morcelas doces

Anúncio publicado em 1949

Eram vendidas no Café Gato Preto, logo no início da Rua Morais Carvalho, à esquerda de quem desce. Depois de muito perguntar, concluímos que eram as famosas “Morcelas de Arouca”. Apesar de não ser a nossa especialidade, pode ser uma curiosa experiência, bem de acordo com a época. Para os(as) corajosos(as) que se queiram aventurar, aqui ficam duas receitas: a que constava do “Livro do Padre Brito”, copiado em 1886 e publicado em 1995 pela Fora do Texto (Doces e Manjares do Séc. XIX- O Livro do Padre Brito) e uma outra do século XV, tirada daqui. Boa sorte, bom apetite e... feliz Natal.

Murcellas d’Arouca

A 8 arrateis
(1) d’assucar, 3 ½ de amendo-a, e 4 ½ de pão relado; deita-se no pão uma porção de canella, e 3 ou 4 cravos da India pª. lhe dar aroma; deita-se-lhe 3 ou 3 ½ arrateis de manteiga; depois de bem misturada toda a massa enchem-se as chouriças, depois passão-se por agua a ferver, e enxugão-se.

Morcela de Arouca (receita do século XV)

Com farinha de rosca, pinhões, amêndoas em pedaços, gema de ovo, banha de porco derretida, calda de açúcar, sal, cravo-da-índia, canela em pó e algumas gotas de água-de-flor façam uma massa e encham com ela as tripas. Em seguida lancem estas na água fervente, até ficarem duras. Ao cozerem-nas, dêem-lhes uns piques com um garfo, para não estourarem.
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(1)- Arrátel: peso que, nas receitas editadas, oscila entre 459 e 463 gramas.