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sexta-feira, dezembro 14, 2007

Os pasteis do Tratado

Alinhados para a fotografia oficial

Não há cimeira sem croquete, mas algumas têm direito a Pastel. Foi o caso. O Pastel de Belém foi o digno representante da família pasteleira portuguesa por entre os maxilares dos reformadores assinantes do Tratado. Daqui lhe mandamos um caloroso abraço.

Outra história seria contada se, logo no início, os ilustres representantes das nações da Europa tivessem sido presenteados com um cartuchinho de meia-dúzia. Não imaginamos a senhora Merkel, língua a enrolar-se na massa doce, lábios colados pelo folhado, ter ânimo para impor a ditadura do “apfelkuchen” de um extremo ao outro do continente. A cada país os seus pasteis, a cada folhado o seu recheio, a cada tratado… o seu referendo.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Sublinhados nossos

Já devíamos ter falado no assunto que vimos, pela primeira vez, no “A Ilusão da Visão”, mas que tem informação actualizada no “Notícias d’Aldeia”. Trata-se de reivindicar a proibição da caça numa área que tem o estatuto de “Important Bird Area” atribuído pela Birdlife International e pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Se a caça se mantiver, será melhor chamar-lhe “o paraíso do caçador”. Há petição para assinar.

Águas negras

O Instituto Regulador de Águas e Resíduos publicou o relatório sobre a qualidade da água para consumo humano relativo a 2006. Por ele ficamos a saber que ainda existem situações graves de falta de qualidade no abastecimento deste bem essencial à população portuguesa, sobretudo em regiões do Interior. Chamem-nos demagógicos mas, não sei quantos milhões de fundos europeus depois, não sei quantos estádios de futebol e outra tanta obra inútil, é inadmissível este estado das coisas. Vale a pena ler, a este respeito, o “post” do “Estrago da Nação” com o significativo título “Os porcos estão mais protegidos do que alguns portugueses”.

Referendar a cidadania

Já aqui falamos no “Tratado de Lisboa” e na tentativa, assumida mais por uns do que por outros, de não o submeter ao referendo. Multiplicam-se os argumentos a favor e contra, mas, no que nos diz respeito, parece-nos que o assunto tem uma importância particular. Depois das alterações efectuadas na composição dos executivos municipais e do que se ouve a propósito da nova “lei eleitoral”, começa a estar em causa a própria democracia. Não basta calendarizar actos eleitorais- é preciso garantir a submissão dos eleitos aos eleitores. E se os temas são complexos, de leitura difícil, aprendam a apresentá-los com clareza. É por isso que se torna importante conhecer as iniciativas que começam a surgir a favor do referendo (como esta).

Construção alternativa

Há cada vez mais quem pense que arquitectos e engenheiros devem fazer um maior investimento na procura e aconselhamento de novos materiais de construção. Vai acabar por ser inevitável, devido à pressão imposta pela necessidade de reduzir o consumo de energia, mas, para já, o tijolo e o cimento reinam entre nós com custos ambientais significativos. Por isso, pensamos ser de todo o interesse divulgar experiências práticas neste domínio. A que apresentamos, fomos buscá-la ao “Quinta do Sargaçal” (que felizmente não acabou), mas tem um blogue onde se mostra a evolução da obra e se fala nas dificuldades encontradas.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Sinais

Conhecemos os sinais: deixa-se de investir, permite-se a degradação e depois acaba-se com o serviço, argumentando com a falta de comodidade que se provocou e a falta de segurança que não se evitou. Aconteceu com a antiga Linha do Vale do Vouga e tudo indica que se repete a estratégia na Linha do Tua. Pelos vistos, desde 2001 que o acidente estava anunciado e não faltavam medidas que, se aplicadas, podiam ter evitado o desastre. Ninguém ligou. Os cerca de 42 mil passageiros transportados anualmente, não devem ser suficientes para justificar o investimento. E, no entanto, não é difícil prever que, com o agravamento das medidas impostas para combater as alterações climáticas, ainda vamos assistir a muito “ministro” a recordar a falta que faz um qualquer comboio que não rime com TGV. Mas, para já, é certo e sabido que nós, os que pensamos ser para estas coisas que se pagam impostos, somos uns demagogos. Tudo bem. Só gostava que o anunciado “Cartão do Cidadão”, registasse o valor que os “contabilistas do Estado”, atribuem a cada um de nós...

No referendo do passado dia 11, o Concelho de Vouzela manteve-se fiel à abstenção e ao “Não”. Aliás, pode dizer-se que quanto mais vincada foi a opção pelo “Não”, maior foi a tendência para ficar em casa, talvez revelando que há verdades que não passam pelos confessionários... No entanto, é de registar o aumento de votantes comparativamente com 1998. Desta vez, manifestaram posição, através do voto, 4026 cidadãos (38.29%), enquanto no referendo anterior não se tinha ultrapassado os 3262 (31.08%). Este aumento de votantes, teve o seu ponto alto na freguesia de Vouzela, com uma participação de 51,10%. Aí, venceu o “SIM”. Recordando o padre Malagrida (autor do Juizo da verdadeira causa do terremoto que padeceu a corte de Lisboa no 1.º de Novembro de 1755) e na linha de certas peripécias da campanha, não resisto à inofensiva provocação: a terra tremeu no dia seguinte...

PS: O “velho António”, lá foi eleito como o principal responsável pelo estado a que isto chegou. À mesma hora, Jaime Nogueira Pinto esforçava-se, na RTP, por levá-lo à categoria de "melhor". Respeita-se quem tem convicções e dá a cara por elas, mas o contexto internacional com que tentou justificar a acção do ditador, dificilmente explica a promoção do analfabetismo, o isolamento cultural, o Portugal subserviente, tudo aquilo que ainda hoje limita a cidadania ao sarcasmo e ao encolher de ombros. A História não se apaga e Salazar continua entre nós. Pelos piores motivos.