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quinta-feira, novembro 28, 2013

Mais uma vez sobre a o Decreto-Lei 96/2013: Facilita-se a plantação de eucaliptos, dificulta-se a plantação de espécies florestais autóctones

"Mas a "Lei do Eucalipto Livre" tem exclusivamente que ver com eucaliptos e com a liberalização da sua plantação. Senão vejamos: esta lei simplifica plantações de eucaliptos, mas complica a plantação de espécies florestais autóctones como o sobreiro, o castanheiro, o carvalho ou a azinheira, que passa a ter que ser comunicada. Que simplificação da burocracia é esta, quando passa a ter que ser comunicada, por exemplo, a plantação de sobreiros no meio do montado alentejano ou de carvalhos no Douro"? -João Camargo, Visão (Ler mais )

quinta-feira, outubro 10, 2013

"Portugal tem a maior área de eucalipto plantado de toda a Europa"

"Se considerarmos além disto que a previsão atual é de que a temperatura no país possa subir até 10ºC nos próximos 75 anos e que o mercado mundial do papel está em declínio, ficam perguntas: qual é o objetivo de tudo isto? Porquê um eucaliptugal, um portugalipto? Quem ganha com este ecocídio ? E quando é que vamos deixar de vez de aceitar que espezinhem o nosso direito universal a um ambiente saudável? Quando já não houver?", João Camargo, Visão (ler mais).

sexta-feira, junho 03, 2011

Nem árvore, quanto mais floresta...

Na nossa região existe, apesar de tudo, uma variedade que urge preservar

Até podemos entender a coisa como uma metáfora, mas não queremos entrar por aí. A verdade é que, ganhe o PS ou o PSD, a floresta portuguesa só pode ter uma certeza: vai aumentar a mancha de eucalipto.

Se procurarmos no programa eleitoral do Partido Socialista, lá encontramos uma estranha associação entre "zonas de regadio" e "pasta de papel" (1): " apostar na floresta irrigada em zonas de regadio subaproveitadas, para a garantia do aumento da matéria-prima para a indústria da madeira e da pasta de papel"- alínea b) do ponto 5. Mas, como de costume, o Partido Social Democrata (ponto 2- "Pilar Económico-Financeiro") não quer ficar atrás e destaca a "dinamização do cluster da pasta de papel (...)". Por aí se fica, mais uma referência aos biocombustíveis. Está visto que por cá continuaremos a ver a selvajaria do eucalipto a dominar os espaços, enquanto, ciclicamente, se vertem lágrimas pela desgraça dos fogos e a destruição dos recursos hídricos.

Quanto às outras espécies, aquelas que interessa proteger, mas que há muito sabemos serem ignoradas, nem uma palavra. Convém que se saiba que, no concelho de Vouzela, só estão protegidas a área da Reserva de Cambarinho, a mata da Senhora do Castelo e a magnólia da Quinta da Capela em Campia (consultar aqui). O resto, depende do conhecimento e do bom senso dos proprietários.
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(1)- A este respeito aconselhamos a leitura deste texto de Henrique Pereira dos Santos.

quinta-feira, novembro 01, 2007

O "verde sujo" dos eucaliptos

(Cartaz brasileiro para campanha contra a desertificação)

“A Comissão não pode, por um lado, encorajar a aposta nos biocombustíveis e biomassa e, por outro, ser completamente contrária às espécies de crescimento rápido”.

A “pérola” é da autoria de Jaime Silva, ministro da agricultura (ainda) em exercício, comentando a recusa de Bruxelas em aprovar o Plano de Desenvolvimento Rural português (PDR), enquanto nele estivesse previsto o apoio em 30 por cento a novas plantações de eucalipto (Público, 25/10/2007). Já não está devido à pressa em deitar a mão aos milhões que nos hão-de amparar até 2013, mas o ministro promete voltar à carga. Acrescente-se que outra questão polémica do nosso PDR era a aposta no regadio.

Dificilmente se voltará a encontrar uma declaração que mostre tão claramente os fundamentos da política ambiental deste governo. Sim ao “verde”, desde que seja área de negócio. Melhor: desde que não ponha em causa um qualquer negócio. Preferencialmente de "crescimento rápido". Como os eucaliptos.

Repare-se que o financiamento não estava pensado para reconverter e limitar a mancha de eucaliptal, completamente desordenada, que vai dominando o território. O objectivo era criar novos eucaliptais o que, segundo o ministro, será apoiado de qualquer maneira. Falta saber se ainda vai sobrar dinheiro para pagar a conta da água, já que a única que se prevê subsidiada é para o regadio. E quando falamos em regadio, devemos pensar nas margens do Alqueva e naqueles tapetes verdes com buracos, onde se enfiam umas bolinhas brancas...
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PS: Vêm aí os últimos fundos. Todos às trincheiras e olhos bem abertos!

quarta-feira, maio 16, 2007

Estes fogos que nos consomem

São dois textos publicados no início deste mês, dois textos que de algum modo nos mostram duas faces do mesmo problema. Ambos se referem ao desconforto que foi dominando as nossas cidades, à apropriação que se foi fazendo do espaço, sem rosto e sem alma, despromovendo o cidadão para a categoria de simples meio ao serviço de mesquinhos fins. Claro que temos que levar em linha de conta as particularidades que transformaram a especulação imobiliária na actividade económica de “excelência” do Portugal contemporâneo. Claro que temos de considerar as limitações existentes nas relações familiares, na educação... no que quiserem. Mas, se reconhecemos a importância do espaço em que vivemos na evolução do indivíduo, então as cidades, o “urbanismo” que temos, são o primeiro factor de perigo com que se confrontam as nossas crianças e jovens. Seguem-se os textos pela ordem da sua publicação (é só "clicar"):

- O J. foi baleado
- A paisagem global 1

De há uns anos a esta parte, quase adquiriu o estatuto de ritual. É daqueles acontecimentos com data certa, como o início da época balnear- é a “época dos fogos”. Repetem-se imagens e explicações. Denuncia-se o desleixo, reflecte-se sobre as particularidades do clima, lamenta-se o abandono dos campos. Uma vez por ano. Poucos se atrevem a reconhecer que uma floresta monocultural de resinosas e eucaliptos (perto de metade da floresta portuguesa), só serve para arder. Pela minha parte, todos os anos, por esta altura, penso no velho comboio do Vale do Vouga, durante muito tempo acusado de ser o incendiário da região. Foi-se o comboio, ficou o fogo e a estupidez dos homens. Mas também a lucidez de alguns que, como o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, deu à revista “Visão”, entrevista que se segue. Em 2003. Nada mais actual.

- Entrevista com Gonçalo Ribeiro Telles