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quarta-feira, outubro 19, 2011

sábado, abril 10, 2010

Pare, escute, olhe e, por favor, pense!

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.

Já tínhamos falado neste documentário que, entretanto, foi retirado do YouTube. Aí fica nova chamada de atenção, conseguida a partir daqui. Para reflectirmos sobre a noção de território de quem nos governa. Se for sentindo um nó na garganta e a raiva a tomar conta de si, não se preocupe- é sinal de que ainda há esperança.

sexta-feira, maio 29, 2009

Ficam os lamentos


As diversas etapas da realização do anúncio

Quase se pode falar em característica nacional: quando existe um espaço de invulgar beleza, logo surge um qualquer "iluminado" a querer deixar marca. Umas mesinhas para merendas aqui, um parque infantil devidamente delimitado ali, um quiosque para gelados e afins, uma estrada bem alcatroada para facilitar o acesso, parques de estacionamento libertos do empecilho da vegetação e- porque não?- uns lotes para moradias. A beleza do espaço acaba por sucumbir perante tanta "maquilhagem" e... ficam os postais e os lamentos.

Num conhecido anúncio da EDP (muito bem feito, em nossa opinião), usam-se alguns desses espaços para relacionar as barragens com a defesa do ambiente. Mas, como diz o Pedro Almeida Vieira (aqui), quase se pode incluir no lote da publicidade enganosa. De facto, todas as maravilhas naturais que usa para promover as barragens, são precisamente as que elas destroem. Se tivermos em conta que pouco ou nada está a ser feito para reduzir o enorme desperdício de energia que caracteriza o nosso país, mais se justificam os lamentos. Desta vez bem documentados por um belíssimo vídeo.
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PS: A propósito do mesmo tema, vale a pena ler Eduardo Cintra Torres no Jornal de Negócios e reflectir um pouco nesta petição.

quarta-feira, julho 23, 2008

O preço das coisas

Linha do Tua. Foto retirada daqui

Nesta avalancha de coisas ditas para consumo rápido, uma das teorias mais irritantes é a que defende a avaliação de todos os fenómenos da vida pela sua rentabilidade económica. É como se de tudo tivesse que pingar dinheiro e este fosse o único valor a servir de padrão. Para esses teóricos, o aumento da esperança média de vida, longe de ser motivo de orgulho, é um problema; a preocupação com a saúde dos cidadãos, tem apenas que ver com o que se gasta no Serviço Nacional de Saúde; as riquezas naturais, por não estarem cotadas na bolsa, não têm valor.

A aplicação prática destes princípios à gestão do território, tem levado ao uso abusivo de tudo, sem noção aparente do seu carácter finito e dos estragos permanentes que podem ser causados por necessidades de conjuntura. Basta que haja uma área de interesse, uma zona favorecida pela “Mãe Natureza” ou pelos ditames da História e zás! Vai de fazer obra e cobrar bilhete para explorar o filão. Na maior parte dos casos, passada a curiosidade inicial, nem zona de interesse, nem receitas. Apenas custos de manutenção ou o abandono.

Só que as contas destes contabilistas de meia tigela, estão viciadas, a partir do momento em que, nas colunas do “deve” e do “haver”, não incluem o valor cultural e/ou ambiental dos espaços. Foz Côa obedeceu a este raciocínio. Não bastou a importância do achado arqueológico, considerado património da humanidade, que podia ter sido o ponto de partida para uma progressiva rentabilização do espaço. Avançou-se logo para um projecto pouco sustentado, mas que contrapunha uma miragem de “pogresso” a outra idêntica que tinha sido vendida pelos defensores da barragem. Hoje, restam despesas e desânimo.

Pelo mesmo caminho querem empurrar, com dimensões diferentes, Paiva, Tua e Sabor. Desta vez ficam-se pelas barragens, mas a fundamentação dos projectos é a mesma. Mais uma vez, ninguém contabilizou os estragos que irão ser provocados, com a agravante de serem irreversíveis. Mais uma vez, agita-se uma ideia de “pogresso” com milhares de empregos e muito negócio, calando o facto de muito poucas barragens terem dado um tostão a ganhar às populações locais após a fase de construção. Mas fica o estrago, nunca contabilizado nesta fórmula para encontrar o preço das coisas.

"Novas barragens rendem ao Estado mais de 600 milhões de euros". Quanto vamos perder?

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Águas chocas

“As barragens podem ser feitas em mais sítios, mas a linha e o Vale do Tua são únicos”- Presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Público, 7 de Fevereiro

“Um dos aspectos que os jornalistas britânicos compararam entre a realidade inglesa e a portuguesa, foi a rapidez do processo (aprovação do plano de barragens). Este tipo de empreendimentos no Reino Unido costuma merecer uma ampla e minuciosa discussão pública e a morosidade deste tipo de projectos é à partida assumida e aceite por todas as partes envolvidas”-A propósito da presença em Portugal de uma equipa da BBC2 para fazer uma reportagem sobre as metas do governo português para o uso das energias renováveis, Público 6 de Fevereiro.

“(...) o que mais intriga são os atropelos à lei e ao património natural que têm sido protagonizados pela EDP até à data, e a postura patenteada por alguns autarcas que já anunciaram estar disponíveis para, a troco de alguns benefícios económicos (...), permitir a destruição de património natural único, demonstrando que nem consciência têm do tesouro que existe nos seus concelhos”- Professor Alberto Aroso, O grito dos últimos, in Público de 7 de Fevereiro.

E mais esta, para um final (relativamente) feliz.