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sexta-feira, abril 27, 2012

Isso é bom ou mau?

"O que é que as pessoas mais vêm pedir à Câmara?

Há ainda uma preocupação em relação a questões básicas. As obras, o caminho, a rua, a limpeza, etc. Mas hoje, as pessoas estão com um índice de tolerância muito maior"
- Entrevista do presidente da Câmara de Vouzela ao Jornal do Centro

quarta-feira, agosto 25, 2010

Balanços de fim de Verão


"O rural faz parte da nossa matriz e não podemos continuar a ignorar este aspecto fundamental"- Telmo Antunes, presidente da Câmara Municipal de Vouzela, "Notícias de Vouzela", 29 de Julho de 2010.

O pior foram os fogos que não deram tréguas em Agosto- de resto, o Verão não tem corrido nada mal na região. Para além de um conjunto de iniciativas bem organizadas e com ampla participação popular, pudemos ouvir declarações muito interessantes a responsáveis locais. Desta vez, a "silly season" deu-se mal com a dureza do granito das encostas do Caramulo. Ainda bem.

Será que ainda vai a tempo?

Logo em Julho, tivemos a agradabilíssima surpresa de ver chegar o presidente da Câmara de Vouzela ao "clube" dos que defendem que só o respeito pelas características regionais pode ser o alicerce de qualquer programa de desenvolvimento. Em declarações ao "Notícias de Vouzela", realçou os pontos fortes do Concelho, destacando as facilidades de acesso, o património natural e edificado, a gastronomia e a importância das actividades rurais. Logo de seguida, defendeu a certificação de produtos locais- com destaque para os pasteis de Vouzela- anunciou um estudo para avaliar a situação dos produtores de vitela e, por fim, mas não menos importante, reconheceu a situação insatisfatória no que diz respeito ao abastecimento de água ao domicilio e ao saneamento. Uf! Abençoada fartura.

Na verdade, as conclusões do autarca vouzelense estão de acordo com estudos feitos há já algum tempo, coincidentes com informações ainda mais antigas (aqui, só como exemplo) e já nem vale a pena citar o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles que há mais de quarenta anos chama a atenção para estas coisas. Como se costuma dizer, "mais vale tarde do que nunca". Regista-se e aplaude-se o afastamento do dr. Telmo Antunes do "plano de obras" por si anunciado em 2004 e fazemos votos para que, nos três aninhos que lhe faltam para completar o mandato, consiga fazer o que o que já podia ter começado nos anteriores. Se quiser acrescentar medidas que dinamizem um programa de reabilitação e restauro, teremos um final em beleza. Os problemas com o abastecimento de água e com a cobertura do saneamento é que terão que esperar por... nova leva de "fundos".

Preocupações de todo o ano

Também o presidente da Câmara de São Pedro do Sul pôs o dedo na ferida, quando desabafou perante a imagem desoladora das chamas deste Verão: "Esta serra não aguenta este peso de uma mata contínua de pinheiro e eucalipto. É um barril de pólvora". É, sim senhor! Mas um "barril de pólvora" que foi estimulado pelo desprezo a que se condenou a agricultura e a pastorícia e pela indiferença que se continua a sentir perante a destruição das espécies "autóctones" de crescimento mais lento, mas com um papel regulador de valor incalculável.

É verdade que o problema é complexo e ultrapassa a área de influência das autarquias locais. Mas o melhor que estas podem fazer, é pressionar. Impedir que o assunto saia das "agendas" com as primeiras chuvas. Depois, também ajuda ter uma noção mais ampla de ordenamento do território, percebendo que as acanhadas fronteiras inventadas pelos homens, pouco têm que ver com os desafios que, cada vez mais, teremos que enfrentar.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Triste sina...

A propósito da abertura da área de serviço de Vouzela na A25, o Presidente da Câmara afirmou: “a partir de agora, Vouzela passa a ter o seu nome ainda mais divulgado na A25 e todos os automobilistas que utilizam esta via vão ter o nome do concelho sempre presente”. Consta que também prometeu usar o espaço para divulgar produtos regionais e actividades turísticas.

Triste sina a de uma terra com séculos de História e um invejável património natural e edificado, ter a sua divulgação dependente dos croquetes e panados que levem os apressados automobilistas a uma área de serviço. Mas, significativo, também, quanto ao conceito de turismo defendido pelo mais alto responsável pelo concelho: se a estrada não traz gente a/ para Vouzela, leva-se Vouzela à estrada. Espera-se que não seja atropelada.

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PS1: Quase jurava que as declarações do presidente Telmo Antunes, estiveram em destaque na página da Câmara Municipal de Vouzela. Depois... desapareceram. Alguém se apercebeu de que há alturas em que o melhor a fazer, é mesmo ficar calado?

PS2: O mais importante nesta área de serviço é o sistema “vapor saver” que aí vai ser testado e que permitirá “reaproveitar os vapores provenientes do abastecimento das viaturas em novo combustível”. Não sabemos como funciona, mas soa bem. Voltaremos ao assunto.

terça-feira, julho 31, 2007

RSI ou o preço da indiferença

Nos últimos dias têm sido divulgados números sobre o Rendimento Social de Inserção (RSI) que representam sinais de alarme sobre a sociedade que estamos a construir(1). De facto, para além das muitas deficiências detectadas no apoio aos cidadãos mais carenciados, corre-se o risco de uma medida pensada como apoio transitório, ser transformada em modo de vida. A nossa região, não é excepção à regra.

Num total nacional de 106570 famílias abrangidas pelo RSI, o distrito de Viseu contribui com 6157 famílias, depois de, em 2002, terem sido apoiadas 8598. Na lista de candidaturas apresentadas no primeiro semestre de 2007, Viseu aparece em oitavo lugar com 1004 pedidos, apenas sendo ultrapassado pelos distritos do Porto (top nacional), Setúbal, Lisboa, Aveiro, Coimbra, Braga e Faro.

Mesmo o facto do nosso distrito incluir o grupo restrito dos que revelaram evolução positiva entre 2002 e 2007, só por demagogia pode ser entendido com optimismo. Na verdade, a desertificação progressiva e o envelhecimento da população que se têm feito sentir, mais do que quaisquer medidas de integração que tenham sido tomadas, devem explicar a diferença. De qualquer modo, os números mantêm-se muito altos.

Não é difícil perceber que estamos a assistir às consequências do desprezo pelas actividades tradicionais (agricultura, pecuária, etc.), que não só não foram reorganizadas, como ainda não viram surgir alternativas. Mesmo que queiramos olhar o problema com “espírito positivo”, dizendo que o RSI é capaz de ser superior ao rendimento conseguido, antigamente, no trabalho da terra, a desculpa não pega. Se já é difícil compreender que nenhum esforço tenha sido feito na reconversão da agricultura tradicional, tendo em conta o seu valor social e ambiental, mais difícil é aceitar que se pague para que pessoas esperem pela morte, desprezando os seus conhecimentos e recusando-lhes o direito de se sentirem socialmente úteis. Talvez daqui a uns anos venhamos a lamentar a adaptação portuguesa de uma piada dos tempos do “Muro de Berlim”, quando se dizia que a maior aspiração dos jovens da Alemanha de Leste, era serem desempregados na República Federal Alemã. O RSI corre o risco de se tornar modo de vida, para descanso de algumas consciências.

Quando vemos o Presidente da Câmara Municipal de Vouzela, (na apresentação do “Diagnóstico da Necessidades de Qualificação de Recursos Humanos na Região de Lafões”) colocar o acento tónico na inventariação das “necessidades de qualificação ao nível da educação e formação e conduzir a um ajustamento entre a oferta de formação e as necessidades do sector empresarial”, percebemos que poucas lições se têm tirado do estado a que chegamos. Diga o senhor Presidente que empregos tem para oferecer, que as habilitações são o mais fácil de conseguir. O problema, é que não tem. Nem vai ter, enquanto os responsáveis locais acreditarem que as “empresas de ponta” desse mundo inteiro, vão acorrer a montar unidades na região, bastando para tal que se lhes mostre as elevadas competências do indígena (2), a Matemática e a mais não sei o quê. Enquanto assim for, restam os estudos para fingir que se faz alguma coisa e o RSI, para pagar a indiferença.
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(1)- Fonte: "Público" de 30 e 31 de Julho de 2007.
(2)- Indígena: natural da região que habita.