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quarta-feira, julho 15, 2009

Boas notícias-II

É disso mesmo que precisamos: boas notícias. Sobretudo as que referem o sucesso de orientações estratégicas inovadoras, relacionadas com actividades económicas de uma região que, se não está deprimida, está à beira de um ataque de nervos.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Estudos Regionais e Urbanos da Universidade de Coimbra (ver no Notícias de Vouzela), tem aumentado significativamente a comercialização da carne certificada da vitela de Lafões. Melhor ainda: não só é previsível que o aumento continue, como se reconhece que a nossa vitela pode constituir pólo dinamizador de outras actividades que com ela organizem planos integrados (fileiras).

Ao fim e ao cabo, as notícias que agora chegam, apenas confirmam estudos anteriores já aqui divulgados e comentados, sempre com a mesma conclusão: a melhor "marca" que temos, o "produto" com maior capacidade para conquistar mercado, é a própria região com as suas especificidades (paisagísticas, gastronómicas, artesanais, etc., etc., etc.). Ninguém nos procura para encontrar o que pode ter noutro sítio qualquer.

Há um longo caminho a percorrer, cheio de obstáculos, desde a sensibilização dos agentes económicos, passando pela formação, até à reconversão e certificação de outras actividades e produtos. No entanto, pequenos passos podem ser dados, desde já, sem grandes encargos financeiros. Por exemplo, se é positiva a avaliação dos percursos pedestres promovidos por todas as autarquias, talvez seja de alargar o seu âmbito, organizando propostas em torno de produtos de referência, como é o caso da vitela certificada. É a partir de experiências bem sucedidas que mais facilmente se conquista a população para as reformas necessárias.

Nota final: Carmo Bica, na qualidade de presidente da Cooperativa Três Serras de Lafões, comentou as conclusões apresentadas pelo Instituto de Estudos Regionais e Urbanos, chamando a atenção para as potencialidades da "fileira da vitela", para algumas alterações necessárias (melhoria das condições de vida e de trabalho dos produtores, conquista dos mais jovens para a actividade, aumento da formação, criação de estruturas comunitárias, articulação com a investigação, etc.) e para a importância dos autarcas não se alhearem do processo. Enquanto candidata à Câmara Municipal de Vouzela, esperamos ver estas preocupações no programa do partido por que concorre. São "obras" dessas que o concelho necessita.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fatalidades

Estas, foram apanhadas aqui

A coisa é sempre a mesma: somos óptimas pessoas, temos excelentes condições, imensas potencialidades, gostam imenso de nós, mas... a malta está ficar velha e tem pouca formação. Perante isto, batatas. Ou há um surto de iluminados rebentos, ou mais vale fechar para obras.

Agora o problema é com a vitela certificada. Os produtores queixam-se dos preços praticados que não compensam. As tentativas de colocar o produto em grandes superfícies, para aumentar as vendas, fracassaram porque... a produção é pouca. E quando tentamos encontrar a saída do círculo vicioso, lá voltamos nós ao mesmo: quem trabalha no sector anda maioritariamente pelos 60 anos e raramente vem abaixo dos 40, tem pouca instrução, fracos níveis de rendimento. Quase apetece dizer que tudo estaria no melhor dos mundos, se não fôssemos quem somos...

Mas, como nem tudo é o que parece, nem as realidades complexas se resolvem com chavões, os estudos(1) parecem revelar outro tipo de fragilidades: a dificuldade em criar a organização necessária para que os produtores beneficiem, também, com a distribuição do produto; a incapacidade em pensar a região como um todo. A primeira é, de facto, tarefa difícil, a exigir novas mentalidades e dinheiro. Mas, a segunda, só depende da iniciativa daqueles que, com a escola toda e não muita idade, têm dirigido os nossos destinos. Ou, afinal, o problema não é esse?
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(1)- Convém esclarecer que os dados de que falamos (retirados do Notícias de Vouzela de 25 de Setembro de 2008), foram apresentados no seminário “Complexidade e território”, onde se debateu um estudo sobre a vitela de Lafões, da responsabilidade do Instituto de Estudos Regionais e Urbanos da Universidade de Coimbra (IERU). Esta entidade já anteriormente se tinha debruçado sobre potencialidades e os pontos fracos da região, chamando a atenção para uma série de recursos que podem constituir alicerces para uma estratégia de desenvolvimento.

quarta-feira, junho 25, 2008

Guardadores de vacas sem direito a sonhos

"É preciso acarinhar quem aposta nesta actividade e mostrar aos jovens que até pode valer a pena. Quanto mais não seja como complemento"- César Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Queirã, JN, a partir daqui.

A afirmação foi proferida durante a 10ª Feira e Concurso Pecuário da Vitela de Lafões que, durante dez dias, se realizou na Giesteira. O objectivo era dar algum ânimo aos criadores, cada vez mais enredados no aumento dos preços de tudo e sem conseguirem encontrar meios para aumentarem o rendimento da actividade. A vitela, apesar de ser um dos nossos produtos de referência, teve uma quebra de produção de cerca de 50%.

O problema não é diferente de muitos outros que afectam o nosso mundo rural. Mas é nosso. A única "reforma agrária" que vingou em Portugal, foi a que resultou dos fundos europeus. Uns conseguiram-nos, outros não. Tudo ficou dependente do "engenho e da arte" de cada um, do seu dinamismo, organização e conhecimento dos "atalhos". Ter os amigos certos, também ajudou. Logo, foram beneficiados os que menos necessitavam de ajuda. Os outros, foram abandonados à sorte e à capacidade de resistência.

Com um conjunto de actividades de reduzida dimensão, muito viradas para a auto- subsistência, Portugal viu grande parte dos seus agricultores e criadores serem condenados ao abandono, muito mais do que à reformulação de procedimentos. Em grande parte do território (quase todo onde predomina o minifúndio), a única "reforma" foi a que resultou do êxodo. Os custos ambientais e sociais de tudo isto, nunca foram contabilizados, por isso, o resultado final tem sido apresentado como positivo.

Hoje, o ministro da Agricultura diz que não faltaram apoios. Só não diz quem os recebeu. Sobretudo, não diz- porque é um homem crente nas razões de Bruxelas e na infalibilidade do mercado- como teria sido importante que as autoridades nacionais e locais tivessem ajudado a um maior equilíbrio na sua distribuição, procurando alterar práticas e privilegiando objectivos de ordenamento do território.

Mas, é muito mais fácil carpir mágoas pelos diplomas universitários que não temos, por um povo que não somos e relegar para um futuro incerto a avaliação dos resultados. Só que o desespero das nossas gentes é sentido hoje, assim como as consequências do desordenamento e dos desequilíbrios na produção alimentar.

Por tudo isto, estamos com o presidente da Junta de Queirã no seu apelo à juventude. Resta saber se ela ainda por aqui anda, de modo a ouvi-lo...