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quinta-feira, dezembro 23, 2010

Um Natal... com memória

Vouzela com neve. Colecção particular de António Liz Dias, sem data.

Aprende-se muito quando mergulhamos nos arquivos do tempo e encontramos, passo a passo, a construção do que hoje temos e somos. Referências importantes, não só para compreender o que nos rodeia, mas também para tomarmos um banho de humildade, porque, ao contrário do que muitos insinuam, outros viveram momentos bem mais difíceis do que os nossos e fizeram muito mais do que nós. Tudo o que de melhor existe no concelho de Vouzela, foi conseguido pelo engenho, pela vontade e pelo espírito solidário dos vouzelenses. Os "poderes" vieram a reboque para passarem as inevitáveis "licenças" e pousarem para a fotografia. Aprende-se muito quando mergulhamos nos arquivos do tempo...

A propósito de arquivos: alguém sabe em que estado se encontra a biblioteca particular de Cristóvão Moreira de Figueiredo, um homem que, ali, na sua casa de Calvos, era visitado por Jaime Cortesão e Aquilino Ribeiro? Alguém sabe em que estado se encontra a doação feita por Egas Moniz à freguesia de Alcofra (de onde consta ter sido natural sua mãe)? Aí estão duas boas prendas que os "poderes" nos podiam oferecer este Natal. Se tiverem dificuldade em encontrar as coordenadas, escusam de criar uma qualquer "comissão"- nós ajudamos à borla. Estamos em tempo(s) de solidariedade. Um feliz Natal.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Aquilino Ribeiro

"Quando comecei a pôr vulto no mundo, meus fidalgos, era a porca da vida outra droga. Todas as semanas contavam dias de guarda e, por cada dia de guarda, armava-se saricoté nos terreiros. Não andaria Nosso Senhor de terra em terra- eu cá nunca me avistei com ele- mas a verdade é que a neve vinha com os Santos e as cerejas quando largam do ovo os perdigotos. Bebia-se o briol por canadões de pau até que bonda. Um homem mesmo com os dias cheios tinha pena de morrer.
Não tenho cataratas nos olhos, ainda que me hajam rodado sobre o cadáver quase dois carros de anos, mas os dias de hoje não os conheço. Ponho-me a cismar e não os conheço. E, quanto mais cismo, mais dou razão ao Miguelão da Cabeça da Ponte, que falava como livro aberto, o grande bruxo. Muitas vezes lhe ouvi dizer quando estava em boa lua, o que nem sempre assucedia:
- Tempos virão em que governarão as terras vãs e os filhos das barregãs".

- O Malhadinhas, 1992

Aquilino Ribeiro, beirão de gema (que frequentemente visitava em Calvos, Fataúnços, o seu amigo Professor Moreira de Figueiredo), entrou hoje para o Panteão Nacional. Muito provavelmente, a cerimónia ser-lhe-ia indiferente. Mas não a justiça do acto.