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quinta-feira, setembro 22, 2011

É importante participar!


É já amanhã que vai ser apresentado o projecto de requalificação urbana da vila de Vouzela (pelas 21.30 horas no auditório Municipal). Consciente de que os únicos agentes da mudança são os cidadãos, a Câmara Municipal apelou a uma ampla participação. Fez bem. Pelo que nos diz respeito, lá estaremos.

Ao longo dos anos, este foi um dos assuntos a que o "Pastel de Vouzela" deu maior atenção. Apesar de continuarmos a ser reconhecidos como os que melhor preservaram o equilíbrio entre o natural e o edificado, não só não podemos esconder muitas feridas desnecessárias, como nunca rentabilizamos eficazmente essa imagem que todos os estudos mostram ser o "produto" com maior procura, a par dos pasteis. Mais: não esquecemos que, em tempo de "vacas gordas", muito disparate esteve projectado, numa ânsia de obra nova que, a concretizar-se, nos teria transformado noutra coisa qualquer, igual a tantas outras que por esse país fora são, hoje, a imagem do desperdício e do desleixo. Águas passadas? Assim esperamos.

Porque o nosso objectivo sempre foi dinamizar o debate e despertar o contraditório, aqui deixamos algumas modestas propostas que, sobre o assunto, fomos fazendo:

. Sobre o alargamento da Avenida João de Melo (aqui).
. Sobre a "Casa das Ameias" (aqui, aqui, aqui, aqui).
. Sobre a imagem da vila (aqui).
. Sobre a proteção das construções em pedra (aqui, aqui).
. Sobre o mito da necessidade de construção nova (aqui).
. Sobre "política de mobilidade" (aqui)

Simples ideias a custo zero, de quem deseja que a ferida que do Castelo se vê no Monte Cavalo, sirva de exemplo sobre o que não mais se pode fazer.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Marcas da nossa identidade

Retirado do Visoeu

Há quem não aprenda. Há quem insista em confundir desenvolvimento com crescimento, ou, mais correctamente, com espaço ocupado, continuando a afirmar que construção civil activa é garantia de progresso certo. Não é. O que se passa é que, pela mão-de-obra que tem dependente e pelo conjunto de actividades que lhe estão associadas, a crise no sector da construção tem um efeito dominó, tanto mais grave quanto maior o seu peso. Infelizmente, a crise que estamos a viver veio provar o que há muito muitos denunciavam: tem peso a mais.

Numa região como a nossa, onde a população não tem aumentado (muito pelo contrário), desenvolveram-se alguns mitos relacionados com a falta de habitação e com a necessidade de aumentar a construção nos centros. A parte sincera desta preocupação, reflectia a desorganização que temos sentido, quer nas actividades económicas, quer nos serviços de apoio. De facto, com a crise da agricultura e da pecuária, e com a consequente limitação da oferta de emprego aos sectores secundário e, sobretudo, terciário, muitas pessoas tentaram organizar a sua residência junto dos locais de trabalho. Isto deu origem a um aumento da procura de habitação nas sedes dos concelhos, mas deu também origem, a um significativo abandono de habitações em zonas rurais. A total ausência de um serviço organizado de transportes, fez o resto.

No Visoeu, J. M. Duarte Figueiredo tem publicado um vasto conjunto de exemplos desse património rural que, um pouco por todo o país, está votado ao abandono. São paredes que resistem, marcas de um tempo em que as habitações estavam associadas às actividades económicas dominantes e em que os materiais de construção se limitavam aos recursos do meio. Mais do que isso, são a imagem da especificidade das regiões, a que poucos poderes deram a importância devida.

Exemplos como o que ilustra este texto, podem ser encontrados um pouco por toda a nossa região. Com a orientação técnica adequada, podem ser transformadas em excelentes habitações. Há quem, conhecedor, as procure com esse objectivo. Pena foi, que ninguém tenha informado disso os seus proprietários, tendo muitos deles acabado por gastar inutilmente capitais em construções que não têm, nem de perto nem de longe, o potencial destas.

Claro que de acordo com o credo ainda dominante no nosso poder local, isso seria uma “inadmissível interferência com o normal funcionamento do mercado”. Hoje, o mundo inteiro lamenta que ninguém tenha interferido com tal “normalidade”.

aqui chamámos a atenção para a importância de proteger marcas da nossa identidade com impacto paisagístico, como os muros e outras construções de pedra (também aqui). Promover a divulgação deste património, deste “roteiro do abandono” de modo a revitalizá-lo, pode ser mais um contributo para colocar alguma ordem num território que, só por ter sido amplamente bafejado pela “Mãe Natureza”, consegue ainda resistir a tanta asneira. E ele é o nosso principal trunfo económico.

segunda-feira, maio 12, 2008

Regulamento de Edificações Urbanas: proteger as marcas da nossa identidade

O Regulamento de Edificações Urbanas está em período de discussão pública. Convém dizer que o fundamental da questão não depende das opções locais e quem quiser encontrar o fio da meada legislativa, tem que se fazer acompanhar de guia e de uma boa dose de paciência. Partindo de um Decreto-Lei de 1951, a coisa desenrola-se por uma série de regulamentações parcelares, de alterações e de alterações às alterações, naquele jeito de complicar as coisas simples que deixa ao cidadão a ideia de que o querem afastar da compreensão do assunto.

No entanto, devemos tentar. Sobretudo, devemos fazer sentir aos responsáveis locais que há uma opinião pública atenta, sensível à necessidade de preservarmos o equilíbrio da nossa paisagem e a defesa do nosso património.

Com esse objectivo, parece-nos importante que se preveja a defesa das edificações em pedra. Já aqui falámos na preservação dos muros, “causa” que contou com uma feliz iniciativa do “Burro quando foge” e que urge apoiar para travar os erros que estão a ser cometidos. Propomos agora que se alargue a todas as edificações em pedra, elemento determinante nas características da nossa paisagem e marcas da nossa História. Reflectem técnicas de construção, organização económica, conceitos de habitar.

A legislação permite-o, dando, no entanto, ampla liberdade às autarquias. Na interpretação e na estratégia. Depende, pois, da sua sensibilidade e vontade. Que tal darmos uma ajuda?