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quinta-feira, setembro 05, 2013

O "Pastel de Vouzela" e as eleições autárquicas

"Por que motivo se mantêm em silêncio quando já se conhecem todos os candidatos"? 

Esta pergunta, que nos foi enviada por uma leitora, resume várias outras que nos têm sido feitas sobre o mesmo assunto e que, nalguns casos, até chegam a pedir indicações de voto. Pois bem, mantemo-nos fiéis a princípios que seguimos desde a primeira hora: o "Pastel de Vouzela" procura debater ideias- e só isso- podendo pronunciar-se sobre propostas concretas associadas a este ou àquele programa eleitoral. Em circunstância alguma discute pessoas; em circunstância alguma entrará na campanha, apoiando uma candidatura específica. Mesmo a aceitação de eventuais convites para debates, está condicionada à presença das diversas correntes candidatas (e da disponibilidade, claro, porque a nossa vida não é esta).

Neste momento, aguardamos pela divulgação de todos os programas, aquela "coisinha" que para muitos é secundária, mas que, na realidade, deve ser o compromisso que separa a nobreza de um serviço público, do mero oportunismo dos interesses de uma qualquer carreira. Depois... veremos.

sexta-feira, julho 26, 2013

Eleições autárquicas, como de costume


Texto publicado na "Gazeta da Beira" de 25 de Julho de 2013:

Para já, o ambiente que antecede as eleições autárquicas está a ser como de costume. Os partidos do costume, a prioridade dada a nomes em vez de ideias, como de costume. Seria importante que a nossa atitude, enquanto eleitores, não fosse a do costume e, para variar, exigíssemos antes de escolher. Avizinham-se tempos ainda mais difíceis que, para quem vive e trabalha no interior, podem atingir requintes de malvadez.

Estamos a viver uma austeridade que nos apresentam como inevitável, autêntica expiação de pecados que sabemos não ter cometido, mas de que somos constantemente acusados.  A pouco e pouco, começamos a perceber tratar-se de uma estratégia que visa  concentrar riqueza nalguns países e nalgumas instituições financeiras, à custa de um completo desinvestimento nos serviços sociais do Estado e de uma redução do preço do trabalho. De facto, não são necessárias muitas contas para percebermos que fica mais barato condenar os cidadãos a viverem amontoados num qualquer subúrbio de uma grande cidade, do que estar a organizar redes de transportes e serviços de proximidade espalhados pelo país. Além do mais, essa concentração, ao criar um aumento da procura de emprego nas zona onde há maior oferta, contribui para reduzir os salários. Pois é. Tudo se passa, como se o cidadão fosse um incómodo ou um mero joguete ao serviço de interesses alheios e não a razão última de qualquer política.  Mas, é com isso que precisamos de saber viver e, sobretudo, é a isso que precisamos conseguir responder.

Perante tais ameaças, o reduzido poder reivindicativo da região de Lafões é um problema. Os 10261 habitantes de Oliveira de Frades, os 10540 de Vouzela, ou os 16851 de São Pedro do Sul representam, isoladamente, um insignificante peso eleitoral e uma reduzida coleta de impostos para convencer os responsáveis pela atual adaptação nacional das diretivas europeias.  Mas, em conjunto, são quase quarenta mil que, ainda por cima, partilham um património natural comum ao longo dos seus quase 688 Km2. Saber rentabilizar essa força, tem que ser a primeira exigência a fazer às diversas candidaturas porque, sem isso, nada mais conseguimos.

Por outro lado, parece-nos importante termos consciência das prioridades e percebermos que,  oitenta e um mil milhões de euros depois de, em 1989, terem chegado os primeiros fundos europeus, somos um país diferente, mas nem sempre pelos melhores motivos. As autoestradas chegam-nos à porta, mas, fora dos grandes centros, não temos um sistema de transportes públicos minimamente satisfatório. Temos piscinas para todos os gostos e feitios, mas é evidente o desleixo de grande parte dos nossos recursos hídricos (o Vouga que o diga) e há inadmissíveis dúvidas sobre a qualidade da água da rede pública de todos os concelhos de Lafões.  Aumentou o espaço construído (raramente com qualidade), enquanto a população diminui a olhos vistos e é grave o desleixo em que se encontra parte significativa do património edificado. Temos "parques industriais" espalhados por todos os cantos, mas faltam empregos e fogem os jovens. Consumimos produtos das mais variadas partes do mundo, importamos enormes quantidades de carne de vaca, mas os produtores de vitela de Lafões estão cada vez mais envelhecidos e grande parte dos nossos produtos agrícolas mais característicos não passam de meras recordações. Bem precisávamos, agora, de alguns desses milhões que a Europa enviou. Não os vamos ter. Contudo, os problemas que sentimos são reais e exigem solução. São necessárias ideias, tanto ou mais do que dinheiro. Os que quiserem merecer o nosso voto têm que provar tê-las.

Por último, mas, talvez, o mais importante, é urgente estreitar a relação entre eleitores e eleitos, criando mecanismos de participação e controlo que não deixem reduzir a cidadania a atos simbólicos de quatro em quatro anos.  Ao contrário do que ele próprio gosta de apregoar, o poder local nunca foi, entre nós, um exemplo de democracia. Com um executivo dominante, debilmente controlado por assembleias municipais sem grandes condições de funcionamento, não admira que tenha sido terreno fértil para os muitos abusos de que há muito suspeitávamos e que, a pouco e pouco,  vão sendo denunciados. Com a fusão de freguesias promovida pela chamada "reforma Relvas", o problema agravou-se, na medida em que afastou os órgãos de decisão dos habitantes e aumentou a complexidade de gestão. As clientelas partidárias talvez agradeçam, mas nós... nem por isso.  É mais do que tempo de se introduzirem formas de democracia participativa que o reduzido número de habitantes das nossas freguesias facilita, conseguindo-se, desse modo, um maior envolvimento nas decisões e um mais eficiente controlo.  Até que ponto os candidatos a eleitos pelo povo têm dele receio?

Para já, o ambiente que antecede as eleições autárquicas está a ser como de costume. Mas não será o do costume aquele que se lhe irá seguir. Nos recursos disponíveis, nas exigências, na impossibilidade de falhar e, sobretudo, na capacidade de mobilização de vontades, tudo vai ser bem diferente. Seja, então, diferente também, o filtro a que submetemos as diversas candidaturas, para que os próximos quatro anos não se reduzam, como de costume, a um longo lamento em torno de oportunidades perdidas.

quinta-feira, abril 11, 2013

E as ideias, senhores?


Hesitamos na escolha: não sabemos se é mais correto dizer que a coisa quase atingiu foros de ciência, se de metodologia de concurso de beleza. A verdade é que houve medições, comparações, quem sabe se pesagens. Talvez, até, avaliações em vestes de cerimónia e em fato de banho. Os candidatos desfilaram e assim... ficamos a conhecer a figura proposta pelo PSD para a presidência da Câmara de Vouzela. O que não conhecemos e, muito provavelmente, continuaremos sem conhecer, são as ideias, esse pormenor, pelos vistos insignificante, que devia ser o ponto de partida de qualquer candidatura e a cuja concretização se devia submeter a escolha dos candidatos. Fazer o contrário, deixa a perigosa sensação de se pretender governar "de ouvido", ao sabor da lista de fundos disponíveis ou de qualquer outra coisa ainda pior.

O PS parece querer trilhar caminho semelhante, apenas com uma metodologia- digamos- menos "científica". Neste caso, tudo se tem passado dentro de portas (mas com as janelas escancaradas), numa espécie de processo autofágico invertido, já que têm sido os "organelos envelhecidos" a eliminar (ou, pelo menos, a tentar) o que de mais jovem e inovador tem aparecido. A verdade é que tudo se tem limitado a nomes, ao jogo de influências, sem qualquer conhecido debate de ideias. Aguarda-se, agora, por uma decisiva intervenção da Distrital de onde irá sair uma cara. Mas, nada mais do que isso.

Claro que é triste concluirmos que as delegações concelhias dos dois maiores partidos nacionais, pouco ou nada aprenderam com o que de pior temos vivido na nossa história recente. Mas,  pior ainda, é sabermos que, ou são afirmadas alternativas à gestão municipal que temos tido, ou será inevitável o agravamento das condições de vida dos que ainda por aqui vivem. Ainda mais!

Vouzela tem, neste momento, os piores indicadores de toda a região de Lafões (que, de um modo geral, também não são famosos). Não consegue atrair investimento, não consegue fixar (e muito menos atrair) população, não tem poder reivindicativo, não tem uma estratégia. Também não tem tido a sorte de encontrar quem consiga estabelecer pontes, de modo a que projetos simples, mas de interessante impacto local, possam avançar.

De facto, seria desejável que, independentemente de quem vença as próximas eleições, tivéssemos a certeza de que iriam avançar projetos que, de uma vez por todas, pusessem a região (toda) nas rotas turísticas; que a riqueza do património natural e edificado seria, sempre, um alicerce fundamental desse projeto e um elemento disciplinador de todos outros, devendo, como tal, ser protegido e recuperado; que seriam pensadas estratégias para atrair investimento, de preferência em articulação com atividades locais ou que as possam enriquecer; que seria estudado o modo de conseguirmos um cuidadoso aproveitamento dos recursos naturais; que seria dada prioridade às respostas sociais, quer para melhorar as existentes, quer para enfrentar o agravamento previsível da situação nacional; que seriam dados passos para que haja diálogo entre as lideranças dos três concelhos. Qualquer destas medidas, pode ser alvo de consenso, porque não interfere com as fraturas ideológicas que justificam os partidos. Apenas resolvem problemas e criam condições para que valha a pena viver aqui.

Claro que, em nossa opinião, outras são necessárias e até urgentes. Por exemplo, repensar regulamentos e impostos locais, de modo a estimular a reabilitação dos espaços; proteger marcas da nossa identidade, como as construções em pedra; garantir que, no ordenamento florestal, são protegidas espécies autóctones; repensar todo o sistema de transportes a uma escala regional; criar mecanismos que permitam uma maior participação dos munícipes nas decisões (orçamento participativo), sobretudo numa altura em que, pela infeliz extinção de algumas freguesias, muitas pessoas sentem serem tratadas como cidadãos de segunda. No entanto, percebemos que, nesta última lista, já muito depende dos princípios ideológicos de cada um e do modo como encara a relação entre poderes públicos e iniciativa privada. Fiquemo-nos, então, pela primeira. Que têm a dizer os candidatos a seu respeito? Não fazemos a mais pequena ideia. Para já, tudo se resume à pose para a fotografia oficial de quem parece pensar que o corte do fato é mais importante do que as ideias; de quem parece pensar que as eleições para as autarquias locais mais não são do que uma "contagem de espingardas" ao serviço dos aparelhos nacionais.
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"Não desistimos de viver aqui" é o lema da primeira candidatura à Câmara de Vouzela, a divulgar o seu manifesto. O facto de, neste texto, não lhe termos feito referência, não quer dizer que lhe atribuamos menor importância, mas apenas que não entra nas "contas" que, aqui, quisemos "ajustar".

quinta-feira, setembro 06, 2012

Eleições locais e "pelouros" de acordo com a reforma de D. João I (1391)

"As rivalidades internas existentes nas autarquias provocavam um desgaste acentuado nas estruturas do governo local. Formavam-se grupos de pressão que se digladiavam com maior ou menor violência. Ia-se ao ponto de se constituirem bandos que, com a cumplicidade de alguns fidalgos, lutavam entre si. As eleições para os cargos municipais originavam fraudes e contendas. Verificou-se com agudeza esta situação até ao ano de 1391, altura em que D. João I ordenou uma profunda reforma no sistema eleitoral.

Assim, em cada concelho eram designadas as pessoas com capacidade para gerirem os negócios municipais. O seu nome era lançado num papel, que por sua vez era introduzido numa bola de cera. As diversas bolas, que tinham a designação de pelouros, eram encerradas em uma arca, que apenas podia ser aberta com duas chaves. No dia das eleições abria-se a arca e tiravam-se os pelouros, os quais eram lançados dentro de um capuz negro. Extraídas as bolas, proclamavam-se à sorte o nome dos autarcas a quem pertencia governar no ano do seu mandato. A lei joanina de 12 de Junho de 1391, que passou a vigorar com algumas alterações posteriores, veio a ser conhecida com a designação de Ordenação dos Pelouros"- Humberto Baquero Moreno, Os Municípios Portugueses nos séculos XIII a XVI- Estudos de História, Lisboa, Editorial Presença, 1986, pág. 82.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Apontamentos sobre as Autárquicas


Agora que já correram as cortinas sobre as Autárquicas, período em que, por momentos, o país foi recordando (vagamente) que existe um Interior, quase apetece dizer que terminaram os nossos quinze dias de fama. Adeus, 60% que vive do lado direito da A1 (para quem desce). Até daqui a quatro anos...

Mas, à laia de conversa doméstica, talvez valha a pena passar os olhos pelos números das nossas decisões (nossas mesmo) e registar três ou quatro apontamentos. Não é que tenham surgido cenários de grande interesse, ou sejamos possuidores de conclusões surpreendentes. Nada disso. Apenas damos o que temos e quem assim faz, a mais não é obrigado.


De todas as interpretações que os resultados permitem, há uma que nos agrada particularmente: os vouzelenses atribuiram grande importância a este acto eleitoral, respondendo massivamente (já o tinham feito há quatro anos). A abstenção limitou-se aos 29,45%, muito abaixo da média nacional (40,9%) e da verificada no distrito de Viseu (37,62%). Se tivermos em conta os números de outras eleições, quer das Legislativas, quer, sobretudo, das Europeias, é impossível desvalorizar este dado. Como também é impossível não lamentar que as campanhas aproveitem tão mal esta impressionante mobilização, para esclarecer os eleitores sobre o que realmente pretendem fazer (se calhar, têm medo que alguém se lembre do que dizem...).

O resultado conseguido pelo PSD (51,16%, a partir de 3821 votos) foi o terceiro melhor de sempre, atrás dos de 2005 e de 1979. No entanto, representou a perda de 381 votos em relação ao conseguido nas anteriores eleições autárquicas, quando conquistou o apoio de 4202 eleitores. Aliás, de todas as listas concorrentes à vereação, a do PSD foi a única que perdeu votos, o que não surpreende se tivermos em conta o desgaste provocado pelas peripécias dos últimos quatro anos de governação. Mesmo assim, manteve o controlo absoluto quer na vereação, quer na Assembleia Municipal, o que lhe dá ampla margem de manobra, mas... não lhe permite desculpas.

Quanto ao Partido Socialista, parece ter iniciado a recuperação da situação difícil a que se viu remetido desde que, há oito anos, perdeu a chefia da Câmara. Os seus 3031 votos, não só representam um aumento em relação ao conseguido em 2005 (2206), como ultrapassam a soma dos então conseguidos por si e pelos independentes "Por Vouzela" que, agora, concorreram integrados nas suas listas. Com 3 vereadores eleitos, mais 8 deputados municipais, mais 5 presidentes de junta, o PS parece reunir todas as condições para construir uma alternativa. Dos actuais resultados já deve ter concluído que vagas insinuações sobre a dívida da Cãmara não levam a lado algum- ou há "fogo", ou não há. Contentar-se com o "fumo", só contribui para turvar a vista...

Dos resultados obtidos pelas restantes listas concorrentes à vereação (CDS-PP e PCP-PEV), parece-nos ser de realçar o facto de todos terem aumentado o número de votos conseguido, comparativamente com as eleições de 2005. Isto é tanto mais significativo, quanto ambos se podem queixar de alguma dinâmica de "voto útil", já que os vouzelenses concentraram nos dois principais partidos as suas escolhas para a Câmara, fazendo uma votação mais "sincera" para a Assembleia Municipal. Tenha-se em conta que PS e PSD tiveram votações mais modestas para este último orgão, enquanto os restantes partidos as viram reforçadas (no caso do CDS, com uma diferença significativa de 284 para 377 votos). Mas, isto também pode querer dizer que os cidadãos compreendem bem as limitações da Assembleia e onde está o verdadeiro poder de decisão das autarquias locais.

A Assembleia Municipal vai passar a ser constituída pelos 11 deputados do PSD (conseguiu 12 em 2005), pelos 9 do PS (8 em 2005), pelo deputado do CDS-PP (nenhum em 2005), por 6 presidentes de juntas ganhas pelo PSD e por 5 de juntas do PS (ainda não é possível saber que partido vai ficar com a presidência de junta que falta, já que houve empate em Carvalhal de Vermilhas). Há, pois, uma evidente bipolarização, sendo pouco provável que, a médio prazo, surja uma alternativa capaz de fazer frente aos dois maiores grupos partidários.

Contudo, o peso de uma ou outra personalidade local pode alterar um pouco as regras deste jogo, como nos parece ser de concluir da votação conseguida pelo Bloco de Esquerda: sem tradição nas refregas locais e com parte dos nomes que lhe são próximos integrados nas listas do Partido Socialista, o BE conseguiu, mesmo assim, 203 votos para a Assembleia (única candidatura que apresentou). Independentemente de poder haver já um núcleo fiel que apoia esse partido em todas as circunstâncias, o prestígio local do cabeça de lista talvez explique algo sobre os resultados conseguidos (o mesmo se passando com a candidatura do PSD e da CDU à Assembleia de Freguesia de Vouzela). Vale a pena reflectir sobre isto, porque pode dar uma ideia da viabilidade de futuras listas de cidadãos com capacidade para romperem com o fatalismo das "ementas" partidárias.

domingo, outubro 11, 2009

Resultados a carecerem de confirmação.

(ACTUALIZADO)
Apesar de não sermos um blogue noticioso, o interesse demonstrado por vários leitores que, por mail, nos têm feito as mais variadas perguntas sobre os resultados eleitorais, levam-nos a avançar os dados de que dispomos e que devem ser confirmados.

O PSD venceu as eleições (*) para a Câmara (embora haja informações de que perdeu um vereador), e para a Assembleia Municipal. Nas freguesias, regista-se a mudança verificada em Fataunços (vitória do PSD) e em Queirã (vitória do PS). Sete foram ganhas pelo PSD e cinco pelo PS.

A abstenção rondou os 29,5%.

Como habitualmente, os resultados serão objecto de análise, logo que confirmados.
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(*)- Na página cuja ligação apresentamos, podem ser confirmados os resultados por freguesia.

Arguididatos

Acabei de votar. Havia filas nas mesas de voto o que não aconteceu há quinze dias, pelo que sou levado a pensar que haverá uma menor abstenção. No final do dia logo se verá.

Voto num dos concelhos onde um dos candidatos tem problemas com a justiça, mas que, tenho de reconhecer tem sido um bom autarca. Ora esta situação deixa-me, e a milhares de outros eleitores, num delicado problema: em quem votar? Num dos partidos do “centrão” que levaram toda a campanha a zurzir no homem mas que não apresentaram nenhuma proposta alternativa coerente ou no tal que, correndo o risco de vir a ser preso, tem obra feita e é reconhecidamente um bom autarca? Ou nos outros partidos que, conscientes de que nunca virão a ganhar as eleições fizeram as mais absurdas e demagógicas promessas, confundindo na maior parte das vezes autárquicas com legislativas?

Não sou partidário do estilo “roubou mas fez”, nem do “não roubou nem fez” e muito menos do “roubou e não fez”. Penso que já seria tempo dos autarcas deixarem de ser vistos como delinquentes encartados, mas receio que tal nunca venha a acontecer em especial nas câmaras com grandes orçamentos, pois eles poderão ser muito sérios, não beneficiarem em nada com o seu poder, mas acima deles estão os partidos que os elegeram mesmo quando se assumem como independentes e que mais dia menos dia vão pressionar, vão pedir ajuda financeira, vão tentar influenciar nesta ou naquela decisão, ou seja irão cobrar o investimento.

Contam-se muitas histórias envolvendo nomes sonantes de grandes partidos, leia-se PS e PSD , de sacos azuis e até da colocação providencial de um juiz no tribunal onde se encontrava um processo contra o autarca e que de mediato foi arquivado por falta de provas. Mas a voz do povo, como a do burro, não chega ao céu, a bagunça veio para ficar.

Restam-me os movimentos de cidadãos independentes, que se criam especificamente para concorrerem às eleições e que se extinguem logo a seguir. Mas é nesses que estão os tais que têm processos e que podem ir acabar o mandato atrás das grades. Por outro lado sou levado a acreditar que dentro ou por detrás desses movimentos estão empresários com interesses no concelho que financiam a campanha e que, quando necessitarem irão cobrar o apoio.Não há almoços de borla.

Assim, não tenho alternativa senão votar em branco ou, se me der na bolha, utilizar o boleteim para chamar nomes às mães e esposas dos ilustres candidatos, o que pouco impacto terá ,dado que só será lido pelos membros da mesa.

Sou agora confrontado com uma noticia na TV, que me diz ter sido morto a tiro por um candidato do PS o marido da candidata do PSD à junta de freguesia de Ermelo no concelho de Vila Real. Poderia ter sido o inverso mas, não sei porquê , não estranho que tenha sido um candidato do PS a cometer tal acto, porque nos últimos tempos aquele partido tem vindo a ter uma postura de intolerância, autoritarismo e caciquismo que, pensava eu, já não devia acontecer na nossa sociedade.

Infelizmente as mentalidades pouco têm mudado e o bairrismo pacóvio convive alegremente com o discurso exaltado e de dedo em riste dos que detêm o poder. As autarquias ,em lugar de se unirem, concorrem entre si e o resultado é bem visível nos investimentos sem qualquer interesse para as populações locais, e cuja razão reside no facto do “vizinho ter feito”. Este é a todos os níveis o grande problema do país: a mentalidade.

Se em 1974 estávamos com um atraso de trinta anos em relação á Europa, neste momento pouco pouco evoluímos, e a justificação só pode estar na educação e na cultura. País iletrado e inculto não vai a lado nenhum por muitas vias rápidas, variantes, travessias inferiores e superiores, jardins, piscinas e passeios a Fátima para idosos que as câmaras possam realizar. não podemos continuar a perder oportunidades.
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NR: Devido ao conteúdo deste post e às exigências da Lei Eleitoral, só o pudemos publicar após as 20 horas- Zé Bonito.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Que seca!

Fonte da Pepina

"Chegou o mau tempo". Mal surgem os primeiros pingos, lá vem a lamúria. Mau tempo? Cada estado de tempo tem o seu tempo e uma função muito para além do justificar da renovação do guarda roupa. Parece que o ideal de alguns é ter uma época balnear permanente, mas o que eu sei é que os supermercados desta minha terra vendem uvas... italianas, sul-americanas e do raio que os parta a todos, os que perderam a memória das coisas. Este tempo é de trabalhar a terra e de água a rodos. Que seca!

Também nas autárquicas tem havido alguma falta de memória e seca de ideias. Afinal de contas está tudo bem, ou há problemas graves a exigirem soluções? O "esvaziamento" que temos sofrido é sinal de alerta, ou os indicadores que revelam estarmos a perder qualidade de vida são apenas manobras de estudos mal intencionados? A verdade é que as listas concorrentes parecem mais apostadas em afirmar a simpatia da cara dos candidatos, do que ideias claras.

No estado em que se encontra o concelho (a região!), endividado, com uma economia deprimida e com os seus melhores recursos num preocupante estado de abandono, fazia todo o sentido que o debate local deixasse claro o que diferencia as diversas candidaturas, o que justifica que concorram separadamente, para além de simpatias pessoais e do mais que discutível espírito de clube: queremos continuar com as suspeitas sobre os gastos da Câmara, ou estamos dispostos a apelar a uma maior participação dos cidadãos na definição das prioridades orçamentais? Aguardamos que o bom senso de cada um prevaleça na recuperação do património edificado, ou tomamos a iniciativa de pensar em programas de recuperação que, inclusivamente, contribuam para aumentar a oferta de emprego? Deixamos o ordenamento do território evoluir de acordo com interesses privados, ou fazemos regulamentos disciplinadores desses interesses? Limitamos a acção da Câmara a obras de "encher o olho" e de resultados garantidos, ou privilegiamos as que desempenhem papeis sociais e ambientais, independentemente dos frutos imediatos? Este são exemplos de temas que talvez valesse a pena debater e que, muito provavelmente, contribuiriam para um melhor esclarecimento. Até agora ninguém o fez e já quase se esgotou o tempo. Que grande seca vai por aí...

quarta-feira, setembro 30, 2009

Manual de sobrevivência para eleições autárquicas

Se algum candidato lhe oferecer pavilhões gimnodesportivos, parques industriais, ou uma expansão urbana capaz de transformar a sua freguesia numa metrópole de sucesso... desconfie! Assim como quem não quer a coisa, pergunte quanto pensam gastar na obra, em que indústrias estão a pensar para o tal parque e onde está essa gentinha toda que vai acorrer à sua terra para encher tanta casa e engarrafar as ruas. Depois, pense no que sabe que existe- mais do que naquilo que gostava que existisse- e tente saber porque não está melhor: porque não tem água canalizada e cada vez tem menos água, porque não beneficia de saneamento básico, porque não consegue vender o que produz a preços que lhe paguem o trabalho, porque ninguém o ajuda a ganhar algum com os tais "fundos" de que tantos falam. Provavelmente vão responder-lhe que a culpa é dos "outros" e tentar calá-lo com com sacos de plástico e fatias de carne assada. Não os corra à pedrada. Pura e simplesmente ignore-os e passe à sessão de esclarecimento seguinte.

quarta-feira, setembro 23, 2009

A ver vamos

Foto de José Campos

"O que arreta o frio, arreta o calor". Assim era a capucha, traje unisexo para miúdos e graúdos, protegia o serrano do frio cortante do Inverno e do calor tórrido do Verão. O segredo estava no modo como era tecida a lã, de forma compacta-não passava nada.

A imagem da capuchinha com suas ovelhas, remete-nos, talvez, para uma Vouzela lá dos confins da memória, do tempo em que era mais fácil encontrar um lobo do que um automóvel a cortar-nos o caminho. Um tempo de trabalho sem idade e sem horário, de luta constante "contra" os ditames de uma natureza que ainda não tinha adquirido estatuto nem letra maiúscula. Talvez algures pelos finais do século XIX ou princípios do século XX... Falso! Esta imagem tem pouco mais de quarenta anos e isso diz tudo sobre o desenvolvimento que (não) tivemos- a História dos povos tem que ser assumida mesmo quando dói e essa ideia dos ranchos de homens e mulheres cantando e bailando no fim da jorna, foi uma criação do António Ferro para adoçar o Portugal de Salazar.

Agora, quando terminar a campanha para as Legislativas e saírem de cena as "altas velocidades", escutas telefónicas, e "linhas da frente", é tempo de falarmos dos problemas do cidadão real. É tempo de assumirmos, com orgulho, a riqueza imensa que nos foi deixada por esses homens e mulheres de capucha e mãos calejadas, mas tendo presente que, como dizia um grande amigo já desaparecido, "não queremos ser uma reserva de índios". É sobre este equilíbrio entre o respeito pela tradição e a modernidade; sobre a utilização das riquezas naturais como pilares de uma estratégia de desenvolvimento, que queremos ouvir os candidatos à Autarquia. Há unhas para tocar tão delicada guitarra? A ver vamos.
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A menina da foto, talvez seja, hoje, uma mãe de família ou, até, avó. Talvez ainda use capucha e tenha um rebanho. Nestas alturas, convive com a indiferença de quem não a inclui nas "grandes preocupações nacionais", embora lhe deixe um ou outro avental, isqueiros e esferográficas. Provavelmente, até lhe deixam uma fotografia do líder das suas simpatias que coloca ao lado do crucifixo, por cima da mesa de refeições- é a história do "junta-te aos bons...". O que muito provavelmente esta senhora não tem, é alguém mais jovem para a ajudar a tomar conta das ovelhas e não é preocupação com o trabalho infantil. É porque, muito provavelmente, viu os filhos saírem porta fora para um qualquer grande centro, fugindo da miséria a que sempre associaram a vida da mãe- ninguém lhes explicou que não tinha que ser assim. Por lá constituíram família e mostram, hoje, à descendência, a fotografia pitoresca da avó, de capucha vestida, que já os mais novos se vão habituando a associar a pobreza, alimentando o mito e o vício do círculo. Esta gente existe e merece respostas que, até agora, foram sempre ignoradas. Também pelos autarcas.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Os nossos carvalhos estão doentes


Fotos de P M

Os nossos carvalhos estão doentes e o responsável parece ser esse malandrinho negro que aparece na imagem de baixo- tem um nome esquisito (Haltica ampelophaga) e consegue devorar a maior parte das folhas em poucas semanas. O resultado imediato, é a imagem de um outono antecipado. A prazo, o risco da praga alastrar às vinhas e vermos repetir os estragos, já que o bicharoco não tem concorrência (predador). Como hiberna nas folhas, infestantes e detritos existentes nos solos, aconselha-se uma boa limpeza à volta dos carvalhais- não há dúvida de que vamos ter um final de ano decisivo...

quinta-feira, setembro 03, 2009

Rankings são rankings, estudos são estudos, autarcas são autarcas

Foto de Guilherme Figueiredo

Já estávamos de saída para férias quando o "Notícias de Vouzela" nos trouxe a reacção do presidente da Câmara, Telmo Antunes, ao tal estudo que, noutras paragens, justificou ameaças de lambada e processos em tribunal. Por aqui o calmo murmúrio do Zela fez predominar algum senso do bom, mas não deixa de valer a pena analisar as palavras do presidente.

Decorria a sessão de Câmara de 7 de Agosto, quando o vereador socialista, Adélio Fonseca, procurou saber a opinião da equipa autárquica. Ao fim e ao cabo, se São Pedro do Sul passeou por esse país fora a mediocridade do seu 261º lugar, Vouzela só lhe ganhou por onze posições, registando um trambulhão de 39 lugares. O Dr. Telmo Antunes parece que começou por dizer que não tinha lido o estudo e que não fazia qualquer avaliação, mas sempre foi adiantando que tinha recebido uma proposta de uma empresa para fazer um por 20 mil euros que, a ser aceite, certamente apresentaria uma excelente imagem do concelho. Quando lhe chamaram a atenção para o facto de se tratar de um trabalho "universitário, independente e com base científica", respondeu que se fosse efectuado um estudo das universidades portuguesas, a da Beira Interior (responsável pelo trabalho) "não estaria em melhores lençóis que o concelho de Vouzela", rematando com um "rankings são rankings, estudos são estudos" e a estranheza pela subida de alguns concelhos em relação às posições de 2007, assim como por haver "concelhos com classificações extraordinárias só que não vive lá ninguém". Enfim, de quem não leu o estudo não se pode exigir muito mais.

Só que a reacção do actual presidente da Câmara de Vouzela insere-se numa característica que começa a fazer escola entre os autarcas portugueses: a recusa em discutir política local. De facto, também nós manifestámos dúvidas sobre a importância de algumas variáveis avaliadas (por exemplo, sobre a relação entre construção nova, desenvolvimento e bem- estar). No entanto, são avaliadas outras, bem objectivas, como infra-estruturas básicas exstentes, investimento em gestão de águas residuais, tratamento de resíduos, protecção da biodiversidade e da paisagem, cultura, lazer, desporto, etc., etc., etc. Ao fim e ao cabo, aquelas "coisinhas" que não dão para botar lápide com nome, mas que a nós, simples cidadãos, dizem tudo sobre as condições que nos proporcionam. Será que o presidente da Câmara de Vouzela consegue provar haver saldo positivo em todas elas? Sem pagar 20 mil euros?

O estudo da responsabilidade de José Pires Manso (Professor catedrático da Universidade da Beira Interior e responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social) e de Nuno Miguel Simões (Técnico Superior Economista), compara dados com um outro publicado em 2007. É em relação a ele que são definidas as subidas e descidas- Vouzela desceu. Há erros? Denunciem-se. Mas se, em pleno período de eleições autárquicas, não vão discutir estes assuntos, vão discutir o quê?
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Convém esclarecer que rankings das universidades portuguesas é coisa que não falta. Há para todos os gostos, alguns até fazem comparações internacionais, só não sabemos se custaram 20 mil euros. De qualquer modo e a bem do rigor, devemos dizer que a Universidade da Beira Interior aparece em posição bem melhor do que Vouzela no conjunto dos concelhos nacionais.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Coisas que vale a pena saber para sobreviver às Autárquicas

"Apesar da entrada em vigor das leis que impõem a limitação de mandatos para os autarcas e a paridade entre homens e mulheres na elaboração das listas, a renovação do poder nos municípios portugueses é ainda uma miragem. Dos actuais 308 presidentes de câmara, apenas 29 não se recandidatam ao cargo, donde forçoso é concluir que aparentemente os partidos quiseram jogar pelo seguro"- Público.

O campo puro e duro do caciquismo

"A notícia confirma aquilo que já se sabe: no poder local os Presidentes de Cãmara permanecem no cargo quase enquanto quiserem. A conclusão óbvia seria a de que, neste sector específico da actividade política, a qualidade do trabalho realizado seria pouco menos do que insuperável. Pura ficção. Estamos no campo puro e duro do caciquismo. Quem chega ao poder dificilmente de lá sai porque estabelece um poder pessoal sobre todos os mecanismos que afectam directa ou indirectamente a reeleição"- pedra do homem.

Mas há quem acredite no Pai Natal e na Fada dos Dentes

"O sociólogo Fernando Ruivo viu a limitação dos mandatos como um caminho para a renovação, mas hoje mostra-se céptico. "Se a classe política se reproduzir endogenamente como até à data, não haverá grandes alterações", constata o director do Observatório do Poder Local do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia de Coimbra"- Público.

Almoços grátis é que não há

"O PS é o partido que apresenta maior orçamento para a campanha das eleições autárquicas de 2009: são 30,5 milhões de euros contra os 21,9 milhões do PSD, embora esteja ainda por explicar se os gastos nos locais em que os sociais-democratas têm coligações (mais de seis milhões de euros) já estão incluídos nestas contas. A situação inverteu-se face a 2005: os socialistas prevêem gastar agora mais três milhões, os sociais-democratas fizeram um corte radical de metade da verba"- Público

sábado, junho 27, 2009

O debate que queríamos nas Autárquicas

"As eleições autárquicas exigem um debate que não tem menor importância, antes pelo contrário, para o nosso futuro e para a qualidade da nossa democracia. Um debate que coloque em cima da mesa alguns aspectos que são fundamentais para o nosso futuro: o endividamento e a sustentabilidade dos modelos de desenvolvimento; a transparência e a corrupção; o urbanismo e os projectos de cidade; a participação democrática e o caciquismo; os direitos urbanos dos cidadãos, entre outros"- na Pedra do homem.

sexta-feira, maio 08, 2009

Chamam-lhe política local

Doisneau
Como diz um amigo nosso, Lafões tem que ser uma região lindíssima para aguentar tanto disparate e manter a harmonia que, mesmo assim, a caracteriza. Em vésperas de eleições autárquicas, nem uma ideia surge a mostrar-nos o caminho proposto por aqueles que vão querer o nosso voto. Em contrapartida, não faltam cópias pobres da política nacional e preocupantes sinais do que esta gente entende por "obra".

Serviços de Saúde

O futuro candidato do PS à Câmara Municipal de São Pedro do Sul (e antigo coordenador da Sub-Região de Saúde de Viseu), fez umas declarações de que se podia concluir ter sido necessário "mover alguns cordelinhos" para que o Serviço de Urgência Básica fosse para aquela vila. Recorde-se que já em 2008, o deputado socialista José Junqueiro tinha dado a entender o mesmo, o que na altura criticámos considerando ter ele prestado "um mau serviço" à construção de uma alternativa local.

Duvidamos que haja um só cidadão que ainda acredite terem sido meros "critérios técnicos" a presidir à reformulação dos serviços de Saúde desenhada por Correia de Campos. Só que, passado todo este tempo, o que queremos ver são sinais de que se tenha aprendido com os erros do passado, até porque nos recusamos a branquear responsabilidades locais. De facto, nunca houve a preocupação em "pensar Lafões como um todo coerente, racionalizando o investimento em estruturas de apoio e aumentando a capacidade reivindicativa face ao poder central". Sobre isto... nada.

Espargatas, boleias e o bloco central das ideias

O que tem havido é uma algazarra tremenda, envolvendo José Junqueiro e o presidente da Câmara de Vouzela, com momentos que merecem ficar registados para... memória futura (através do "Caricas", pode seguir os episódios mais significativos aqui e aqui).

Referindo-se às preocupações do deputado em agradar ao público de São Pedro e ao de Vouzela, Telmo Antunes acusou-o de estar a fazer a "espargata"; tentando desvalorizar as suas capacidades pessoais, afirmou que ele mais não consegue do que fazer-se eleger "à boleia" dos líderes socialistas. Isto só prova que o presidente da Câmara de Vouzela não tem acompanhado a polémica que vai pelo concelho vizinho a propósito de uma eventual "promoção" a cidade. Ideia nascida das mentes dos deputados do PSD, contou com a oposição de um representante do Partido Socialista na Assembleia Municipal de São Pedro, professor de Geografia que, fazendo apelo a toda a paciência adquirida na sua experiência docente, tentou explicar (e bem) que a coisa não tinha pés nem cabeça. No entanto, porque o conceito de "obra" não é diferente nos representantes socialistas que o distrito mandou para a Assembleia da República, logo apareceu José Junqueiro a tentar chegar à frente do pelotão dos defensores da nova "urbe". Enfim, um bom exemplo do bloco central das ideias. Ou da falta delas.

Folhas Soltas

Começa no próximo domingo e prolonga-se até 17 de Maio a sétima Feira do Livro de Vouzela. Valha-nos isso.