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quinta-feira, julho 17, 2014
quarta-feira, agosto 15, 2012
Vamos dar um mergulho a outro lado... e o Vouga corre lá em baixo
"Melhor água, saneamento e higiene são cruciais para promover a saúde humana e o desenvolvimento"- Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial de Saúde em comentário ao relatório da ONU "Progress on Drinking Water and Sanitation, 2012".
Pois é, o Vouga corre lá em baixo. Quase quatro mil crianças morrem diariamente por doenças associadas à falta de qualidade da água? Pois, coisas que acontecem... aos outros. Talvez assinar uma petição ou acender uma vela ao santo. Grande parte do país está em seca extrema? Malandros dos espanhois que já nada de jeito mandavam quanto a ventos e casamentos e agora até a água fecham... E o Vouga corre lá em baixo, ignorado pelos mesmos poderes que se queixam da falta de iniciativa privada e de recursos. "Ah, sim, o turismo e coisa e tal".
Passando mais um ano sem mergulharmos no Vouga, vamos dar um mergulho a outro lado. Regressamos a tempo das vindimas, como de costume.
Passando mais um ano sem mergulharmos no Vouga, vamos dar um mergulho a outro lado. Regressamos a tempo das vindimas, como de costume.
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Zé Bonito
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quarta-feira, junho 13, 2012
Reivindicar um concelho de Lafões pressupõe recusar a agregação de freguesias
Rio Vouga: um património comum que tem sofrido com a falta de diálogo entre os três concelhos de Lafões (foto de José Campos)Como aqui noticiamos, a Associação D. Duarte de Almeida organizou um espaço de reflexão sobre "Intermunicipalidade e agregação de freguesias". Aposta ganha em todas as frentes e um estímulo para iniciativas futuras. Participaram pessoas de todos os concelhos de Lafões, a maioria com responsabilidades no poder local, sobretudo nas freguesias. No final, o representante da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), concluiu (com alguma surpresa, pareceu-nos): "Os senhores são a favor da agregação dos concelhos. Das freguesias é que é uma chatice...". E é mesmo!
Já por aí falamos sobre este tema (ver aqui, aqui e aqui). Já dissemos o que pensamos sobre as vantagens da unificação dos concelhos, mas também... sobre os seus perigos. Só que, hoje, estamos no centro de um furacão que tudo arrasa. Sentimos a ameaça constante de encerramento de serviços, sentimos as consequências do despovoamento e sentimos, sobretudo, que nos bloqueiam todas as "saídas", que nos limitam às "simpatias" de que eventualmente gozemos nos "aparelhos", àquilo que, em bom português, se chamam "cunhas": no tempo em que se discutiam as alterações nos serviços de saúde, José Junqueiro não escondeu que o presidente da Câmara de São Pedro do Sul se tinha "mexido" melhor que o de Vouzela nos caminhos dos favores; na recente ameaça de encerramento dos tribunais, os líderes das autarquias de Oliveira de Frades e de Vouzela preferiram o "salve-se quem puder" e o Dr. Telmo Antunes reafirmou a sua fé de que tudo continuaria no melhor dos mundos, depois de "ir a despacho" com a ministra da Justiça e sua colega de partido.
Nesta situação de fim de linha é cada vez mais consensual que a melhor forma de aumentar o poder reivindicativo da região é através da reativação do histórico concelho de Lafões. No entanto, os argumentos a seu favor vão muito para além disso.
Já por aí falamos sobre este tema (ver aqui, aqui e aqui). Já dissemos o que pensamos sobre as vantagens da unificação dos concelhos, mas também... sobre os seus perigos. Só que, hoje, estamos no centro de um furacão que tudo arrasa. Sentimos a ameaça constante de encerramento de serviços, sentimos as consequências do despovoamento e sentimos, sobretudo, que nos bloqueiam todas as "saídas", que nos limitam às "simpatias" de que eventualmente gozemos nos "aparelhos", àquilo que, em bom português, se chamam "cunhas": no tempo em que se discutiam as alterações nos serviços de saúde, José Junqueiro não escondeu que o presidente da Câmara de São Pedro do Sul se tinha "mexido" melhor que o de Vouzela nos caminhos dos favores; na recente ameaça de encerramento dos tribunais, os líderes das autarquias de Oliveira de Frades e de Vouzela preferiram o "salve-se quem puder" e o Dr. Telmo Antunes reafirmou a sua fé de que tudo continuaria no melhor dos mundos, depois de "ir a despacho" com a ministra da Justiça e sua colega de partido.
Nesta situação de fim de linha é cada vez mais consensual que a melhor forma de aumentar o poder reivindicativo da região é através da reativação do histórico concelho de Lafões. No entanto, os argumentos a seu favor vão muito para além disso.
Os concelhos que temos e os que queremos
O desenho atual das unidades administrativas locais é normalmente atribuída à reforma de Mouzinho da Silveira. Ignora-se que, depois dela e durante muitos anos, as fronteiras concelhias não pararam de ser modificadas, ora entrando, ora saindo localidades, de acordo com a relação de forças de cada conjuntura. A região de Lafões não foi exceção.
Também os objetivos do decreto de 1832 andavam muito longe da gestão criteriosa de recursos regionais, antes procurando o reforço do poder central do Estado, através de uma adaptação da legislação napoleónica. Por tudo isso e mais o que se foi fazendo, é frequente encontrarmos mapas concelhios que não lembram ao diabo, dificultando o mais simples ato de gestão, seja em relação a recursos hídricos, seja em relação a transportes, localização de serviços, infraestruturas, etc., etc.
Não é, pois, de admirar que cada vez que se fala em repensar a organização administrativa, muitos esperem pela resolução destes problemas, preocupação que, até agora, nunca esteve no espírito (e muito menos na letra) das propostas concretizadas.
Ora, pela parte que nos toca, este é o primeiro motivo que nos leva a defender o concelho de Lafões. Como dizia o Professor Amorim Girão, trata-se de “um todo homogéneo (...) correspondendo (...) a uma verdadeira região natural”. Importa, pois, dar sentido, coerência à área submetida a uma determinada administração. Há um património comum que cada um tem usado á sua maneira ou pura e simplesmente ignorado (ai, Vouga, Vouga...), mas que todos os estudos referem como o principal recurso regional. Há uma população que circula pelos três concelhos (nalguns casos a residir paredes meias com as fronteiras para o vizinho), que nada está preparado para servir.
No entanto, como disse o Dr. Jaime Gralheiro no debate organizado pela Associação D. Duarte de Almeida, para os critérios atuais não temos dimensão para sermos região, mas temos as medidas certas para sermos um grande concelho. Pois sejamos. Isso pode permitir uma gestão mais reacional dos recursos, mais força reivindicativa e, ainda, inverter a pressão. Só há um problema: as atuais lideranças concelhias não estão interessadas nesta conversa.
O ataque às freguesias ou a ponta do iceberg
Quando o memorando da "troika" exigiu a reorganização e redução das entidades administrativas locais, muitos acreditaram que as alterações começassem pelos concelhos. Em vez disso o governo atirou-se às freguesias, tentando generalizar um processo de agregações já anteriormente iniciado em Lisboa. Sucederam-se argumentos, desde a importância das juntas de freguesia para as populações isoladas do interior, até ao seu reduzido peso no orçamento, passando pela legitimidade histórica destas unidades administrativas (a este propósito vale a pena ler isto). A tudo o governo pareceu indiferente. Na verdade, tal como referiu Carmo Bica, talvez estejamos perante uma manobra mais maquiavélica, em que este ataque às freguesias é a pequena ponta visível dum enorme iceberg.
Se nos recordarmos das alterações defendidas à lei eleitoral para as autarquias locais pelos partidos do "bloco central", facilmente concluímos que propõem um reforço dos poderes dos executivos municipais e um menor controlo da sua ação. É nesse sentido que apontam as pretendidas equipas "monocolores", quando se sabe que as assembleias municipais não têm condições para "imitar" o papel desempenhado pela Assembleia da República. PS e PSD foram tão longe nesta tentativa de reforma que chegaram a desenhar um modelo em que uma maioria absoluta de deputados locais, não era suficiente para derrubar um executivo! Ora, se pensarmos nas freguesias (sobretudo nas mais pequenas, aquelas com que se pretende acabar) como as entidades administrativas em que há maior proximidade entre eleitores e eleitos, somos tentados a imaginar que uma reforma mais ampla pode estar na forja.
Este aspeto tem que ser tido em consideração quando defendemos o concelho de Lafões. A concretizar-se, irá administrar uma população de quase 40 mil cidadãos, espalhados por mais de 687 quilómetros quadrados e com situações de isolamento extremo bem conhecidas. Podemos imaginar outras formas de fazer ouvir a voz dos munícipes, de aumentar a democraticidade do poder local, mas, na situação atual, as freguesias são a única entidade próxima. Por isso mesmo, a sua agregação seria... uma grande "chatice".
Também os objetivos do decreto de 1832 andavam muito longe da gestão criteriosa de recursos regionais, antes procurando o reforço do poder central do Estado, através de uma adaptação da legislação napoleónica. Por tudo isso e mais o que se foi fazendo, é frequente encontrarmos mapas concelhios que não lembram ao diabo, dificultando o mais simples ato de gestão, seja em relação a recursos hídricos, seja em relação a transportes, localização de serviços, infraestruturas, etc., etc.
Não é, pois, de admirar que cada vez que se fala em repensar a organização administrativa, muitos esperem pela resolução destes problemas, preocupação que, até agora, nunca esteve no espírito (e muito menos na letra) das propostas concretizadas.
Ora, pela parte que nos toca, este é o primeiro motivo que nos leva a defender o concelho de Lafões. Como dizia o Professor Amorim Girão, trata-se de “um todo homogéneo (...) correspondendo (...) a uma verdadeira região natural”. Importa, pois, dar sentido, coerência à área submetida a uma determinada administração. Há um património comum que cada um tem usado á sua maneira ou pura e simplesmente ignorado (ai, Vouga, Vouga...), mas que todos os estudos referem como o principal recurso regional. Há uma população que circula pelos três concelhos (nalguns casos a residir paredes meias com as fronteiras para o vizinho), que nada está preparado para servir.
No entanto, como disse o Dr. Jaime Gralheiro no debate organizado pela Associação D. Duarte de Almeida, para os critérios atuais não temos dimensão para sermos região, mas temos as medidas certas para sermos um grande concelho. Pois sejamos. Isso pode permitir uma gestão mais reacional dos recursos, mais força reivindicativa e, ainda, inverter a pressão. Só há um problema: as atuais lideranças concelhias não estão interessadas nesta conversa.
O ataque às freguesias ou a ponta do iceberg
Quando o memorando da "troika" exigiu a reorganização e redução das entidades administrativas locais, muitos acreditaram que as alterações começassem pelos concelhos. Em vez disso o governo atirou-se às freguesias, tentando generalizar um processo de agregações já anteriormente iniciado em Lisboa. Sucederam-se argumentos, desde a importância das juntas de freguesia para as populações isoladas do interior, até ao seu reduzido peso no orçamento, passando pela legitimidade histórica destas unidades administrativas (a este propósito vale a pena ler isto). A tudo o governo pareceu indiferente. Na verdade, tal como referiu Carmo Bica, talvez estejamos perante uma manobra mais maquiavélica, em que este ataque às freguesias é a pequena ponta visível dum enorme iceberg.
Se nos recordarmos das alterações defendidas à lei eleitoral para as autarquias locais pelos partidos do "bloco central", facilmente concluímos que propõem um reforço dos poderes dos executivos municipais e um menor controlo da sua ação. É nesse sentido que apontam as pretendidas equipas "monocolores", quando se sabe que as assembleias municipais não têm condições para "imitar" o papel desempenhado pela Assembleia da República. PS e PSD foram tão longe nesta tentativa de reforma que chegaram a desenhar um modelo em que uma maioria absoluta de deputados locais, não era suficiente para derrubar um executivo! Ora, se pensarmos nas freguesias (sobretudo nas mais pequenas, aquelas com que se pretende acabar) como as entidades administrativas em que há maior proximidade entre eleitores e eleitos, somos tentados a imaginar que uma reforma mais ampla pode estar na forja.
Este aspeto tem que ser tido em consideração quando defendemos o concelho de Lafões. A concretizar-se, irá administrar uma população de quase 40 mil cidadãos, espalhados por mais de 687 quilómetros quadrados e com situações de isolamento extremo bem conhecidas. Podemos imaginar outras formas de fazer ouvir a voz dos munícipes, de aumentar a democraticidade do poder local, mas, na situação atual, as freguesias são a única entidade próxima. Por isso mesmo, a sua agregação seria... uma grande "chatice".
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Zé Bonito
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quinta-feira, setembro 01, 2011
Reflectir sobre a região de Lafões no Facebook
Lafões é uma unidade geográfica e antropológica, com um património comum que interesses mais do que discutíveis foram dividindo, até se perder qualquer memória de cooperação. Perdeu-se muito e talvez o Vouga, esse importantíssimo recurso de todos e a quem todos viraram costas, seja a bandeira mais gritante de uma história triste.
Agora, não há dinheiro. Vendem-se as "pratas da família", põe-se mais água na sopa e... "descobre-se" o que há muito todos sabíamos: o poder local criou um monstro administrativo dificil de justificar e impossível de sustentar. Como habitualmente sucede, os mesmos que provocaram o problema, apressam-se a dar mostras de conhecerem a solução e eis que surge a ideia de fundir concelhos e freguesias. O assunto começou a ser falado em tempos anteriores à "troika" (ver também aqui) mas, claro está, ganhou outra dimensão quando por ela foi... "sugerido". O problema é que o remédio pode acabar com o doente se mais não for do que um amontoar de metros quadrados e de aparelhos. De facto, se o poder local nunca foi um efectivo poder de proximidade, o aumento da sua área de intervenção pode agravar o problema.
Para debater estes e outros assuntos, sempre com a região de Lafões no horizonte, foi criado um espaço de reflexão no Facebook . Vale a pena participar e tentar influenciar o curso dos acontecimentos. Lá em baixo, o Vouga aguarda pela memória dos homens...
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Zé Bonito
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quinta-feira, agosto 12, 2010
Vamos ali e já voltamos
Chamaram-lhe o "Nilo português" em tempos de maior compreensão sobre a utilidade das coisas. O Vouga. Aqui em Vouzela, na sua margem esquerda, conhecemo-lo com as características de rio de montanha. Antes, até São Pedro, é um espelho de água espraiado pelas terras em planalto. Sonharam torná-lo navegável, projectaram-lhe mil e uma decorações, depois esqueceram-no, a partir do momento em que a distância deixou de seleccionar o que nos cai no prato. Só os esgotos continuaram a conhecer-lhe a morada e umas ETARes mal amanhadas com que se "afogaram" uns fundos. Ao fundo! Foram-se os mergulhos da rapaziada, mas ficaram algumas das mais deslumbrantes paisagens que a "Mãe Natureza" pariu. E a esperança. Esperança de que, um dia, as gentes do seu vale façam um cordão humano a exigir o fim da ocupação daquelas águas pelo desleixo e pela ignorância. Para já, dispensamos relvados nas margens, mobiliário para merendas ou quaisquer decorações. Apenas queremos uma informação honesta e acessível sobre a qualidade das suas águas.
Como habitualmente acontece por esta altura, vamos ali e já voltamos. Antes das vindimas, como sempre. O "Pastel" continua com o folhado fino do costume e a exigir dentada firme. Mas, até Setembro, é para ser saboreado mais lentamente. Boas férias para os que se podem dar a esses "luxos" e o nosso abraço solidário a todos os outros.
Como habitualmente acontece por esta altura, vamos ali e já voltamos. Antes das vindimas, como sempre. O "Pastel" continua com o folhado fino do costume e a exigir dentada firme. Mas, até Setembro, é para ser saboreado mais lentamente. Boas férias para os que se podem dar a esses "luxos" e o nosso abraço solidário a todos os outros.
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Zé Bonito
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quinta-feira, agosto 13, 2009
Memória
Não precisava de grande desafio. Chegava-se à beira da ponte da Foz, media o salto e projectava-se, em prancha, mergulhando com elegância. Outros havia que se atiravam de pés, outros ficavam pelas desculpas, a maioria assistia. Era um ritual de verão. Quando todos se juntavam, vindos de toda a parte, gozando todo o tempo do mundo e a liberdade de um espaço que só tinha por limite a força das pernas. Ninguém tinha automóvel.
Memórias de um Vouga, quando era bem mais do que isso- uma memória. Com ela rumo a outras margens. Regresso marcado para muito antes das vindimas e da "sementeira" das Autárquicas. Até lá, continuamos no ritmo próprio da época, que é como quem diz, "quando acontecer". Boas férias com muito ar puro e amplos horizontes- os vírus detestam espaços abertos.
Memórias de um Vouga, quando era bem mais do que isso- uma memória. Com ela rumo a outras margens. Regresso marcado para muito antes das vindimas e da "sementeira" das Autárquicas. Até lá, continuamos no ritmo próprio da época, que é como quem diz, "quando acontecer". Boas férias com muito ar puro e amplos horizontes- os vírus detestam espaços abertos.
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Zé Bonito
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segunda-feira, maio 04, 2009
Turismo anti-stress...
Era assim o turismo daqueles dias de que falou o CP!
Estas imagens levariam qualquer um a procurar um descanso para o "stress" diário...
Mas, durante muito tempo...prevaleceu a confusão e o betão!
Oh!...que saudades destas cores, paz e tranquilidade...revisitadas!
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Luís Filipe
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sexta-feira, junho 27, 2008
O calor aperta
O calor aperta e lá em baixo o Vouga. E também o Zela, o Alfusqueiro, o Sul... Espaços paradisíacos para conhecer e desfrutar, sem bilheteira à porta. É só descobrir e usar- não há piscina que se lhes compare.
Esperamos que, este ano, alguém se lembre de dar uma informação clara sobre a qualidade da água. Dispensam-se espaços para merendas, plataformas para estender toalha, estradas até à margem ou quiosques de gelados. Apenas uma informação clara sobre a qualidade da água. Coisinha simples e barata. Em local bem visível, de preferência. Os nossos agradecimentos.
Esperamos que, este ano, alguém se lembre de dar uma informação clara sobre a qualidade da água. Dispensam-se espaços para merendas, plataformas para estender toalha, estradas até à margem ou quiosques de gelados. Apenas uma informação clara sobre a qualidade da água. Coisinha simples e barata. Em local bem visível, de preferência. Os nossos agradecimentos.
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Zé Bonito
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domingo, novembro 18, 2007
Falar de água em tempo de seca
Imagem dos anos 30 (retirada de Vouzela, Antiga Capital de Lafões e seus Arredores, Edição da Comissão de Iniciativa)De acordo com os nossos “entendidos”, estamos num “ano seco, mas não de seca”. As albufeiras estão nos 40% da sua capacidade, mas o ministro defende que é necessário “desdramatizar” a situação. Grande erro. As secas previnem-se, não se resolvem. Agora era o momento certo para estimular a adopção de medidas de racionalização do consumo. Sobretudo, era a altura para assumir que a água é um problema prioritário do nosso país, já que os estudos apontam para uma redução, a curto prazo, de cerca de 20% nos nossos recursos hídricos.
Por aqui, o Vouga vai baixo. Com o desaparecimento da agricultura e o consequente uso (e abuso) dos “químicos”, alguns pensaram estar arredada a principal fonte de maus tratos da nossa água. Puro engano. A recuperação e defesa dos nossos rios e nascentes nunca foi entendida como uma necessidade urgente pelos responsáveis locais e, no ano passado, houve mesmo falta de água em algumas freguesias.
Convém explicar para os de fora que a água sempre foi, para nós, um elemento dominante da paisagem. Ela pura e simplesmente existia, a partir de inúmeras nascentes, correndo, ao sabor das necessidades, por regos e quelhas orientadores, muitas vezes transbordando e escorrendo pelos muros, estrada abaixo, alimentando os cursos principais. Estava lá, em quantidade e qualidade, não se pensava nisso.
Uma agricultura, mais desesperada do que pensada, foi responsável pelas primeiras agressões. Depois, um saneamento básico atamancado, entendeu os rios e ribeiros como uma espécie de “cloaca máxima” que, à borla, nos afastava a merda da porta. Os hotéis das Termas foram sempre uma das principais fontes de poluição do Vouga. Nos anos 70, os desperdícios dos aviários eram o grande inimigo dos que, no Verão, procuravam a Foz (zona de confluência dos rios Zela e Vouga) para um mergulho. Enfim, o perigo cheirava-se.
Foi desaparecendo a agricultura, foram abandonados os moinhos, iniciou-se a desordenada ocupação do solo pela construção. Os cursos de água perderam a sua função económica, ficando limitados ao estatuto de esgotos ou de empecilhos. Muitas nascentes foram atulhadas. A isto, responderam as autoridades com a medida mais ridícula que ainda há-de ser alvo de estudo: espalharam tabuletas a dizer “água imprópria para consumo”. E as tabuletas foram-se multiplicando...
Com a chegada dos primeiros fundos refinou-se a intervenção: vieram dinheiros para as ETARs que... nunca funcionaram. Luisa Schmidt no seu trabalho “Portugal Ambiental” (Portugal Ambiental. Casos & Causas, Oeiras, Celta Editora, 1998), diz que foi um claro caso de polícia- não deve haver polícias suficientes para tantos casos. Agora que se rapa o fundo ao tacho dos dinheiros europeus, não consta que a recuperação da qualidade da água mereça rótulo de PIN.
Por aqui, o Vouga vai baixo. Com o desaparecimento da agricultura e o consequente uso (e abuso) dos “químicos”, alguns pensaram estar arredada a principal fonte de maus tratos da nossa água. Puro engano. A recuperação e defesa dos nossos rios e nascentes nunca foi entendida como uma necessidade urgente pelos responsáveis locais e, no ano passado, houve mesmo falta de água em algumas freguesias.
Convém explicar para os de fora que a água sempre foi, para nós, um elemento dominante da paisagem. Ela pura e simplesmente existia, a partir de inúmeras nascentes, correndo, ao sabor das necessidades, por regos e quelhas orientadores, muitas vezes transbordando e escorrendo pelos muros, estrada abaixo, alimentando os cursos principais. Estava lá, em quantidade e qualidade, não se pensava nisso.
Uma agricultura, mais desesperada do que pensada, foi responsável pelas primeiras agressões. Depois, um saneamento básico atamancado, entendeu os rios e ribeiros como uma espécie de “cloaca máxima” que, à borla, nos afastava a merda da porta. Os hotéis das Termas foram sempre uma das principais fontes de poluição do Vouga. Nos anos 70, os desperdícios dos aviários eram o grande inimigo dos que, no Verão, procuravam a Foz (zona de confluência dos rios Zela e Vouga) para um mergulho. Enfim, o perigo cheirava-se.
Foi desaparecendo a agricultura, foram abandonados os moinhos, iniciou-se a desordenada ocupação do solo pela construção. Os cursos de água perderam a sua função económica, ficando limitados ao estatuto de esgotos ou de empecilhos. Muitas nascentes foram atulhadas. A isto, responderam as autoridades com a medida mais ridícula que ainda há-de ser alvo de estudo: espalharam tabuletas a dizer “água imprópria para consumo”. E as tabuletas foram-se multiplicando...
Com a chegada dos primeiros fundos refinou-se a intervenção: vieram dinheiros para as ETARs que... nunca funcionaram. Luisa Schmidt no seu trabalho “Portugal Ambiental” (Portugal Ambiental. Casos & Causas, Oeiras, Celta Editora, 1998), diz que foi um claro caso de polícia- não deve haver polícias suficientes para tantos casos. Agora que se rapa o fundo ao tacho dos dinheiros europeus, não consta que a recuperação da qualidade da água mereça rótulo de PIN.
Estamos em ano seco e ameaçados pela seca. Diga o ministro o que disser, é preciso criar uma opinião pública forte que privilegie a recuperação e protecção dos recursos hídricos. É necessário criar uma cultura de consumo racional da água. Já!
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Zé Bonito
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domingo, julho 29, 2007
Alerta laranja
Passei o fim-de-semana dominado pelo síndroma do “alerta laranja”. Calor que faz favor, naquele patamar do convite à imobilidade, pensei conseguir resistir protegido pelas grossas paredes de granito e munido de tudo quanto é jornal. Pura ilusão. O tom alaranjado espalhava-se pelas páginas dos periódicos através da pena dos pensadores de “reconhecido mérito”- os “inteligentes” da nação querem fazer-nos acreditar que nada de mais importante existe de momento, do que a suposta crise do PSD. Não há pachorra. Da janela via o rio a correr lá em baixo. Uma tentação. Fiz-me ao caminho, mas... acabei de molho na piscina de uns amigos. Valeram-me os “Caladinhos” e as “Raivas” da Vougazela.
Alerta- 1
Não há folha impressa que não concentre atenções na situação interna do PSD e até já por aí se anuncia o fim da ilustre agremiação. Exagero. A este respeito, contaram-me uma história exemplar. Num concelho do nosso país, dominado durante anos por determinada força política das chamadas maioritárias, a campanha eleitoral para as autárquicas fazia prever mudanças. Já não me lembro se do PS para o PSD, ou se o contrário, mas para o caso tanto dá. Em determinada altura, a força que costumava estar na oposição e que se apresentava com possibilidade de vitória, anunciou a inauguração de uma nova sede. Qual não foi a surpresa, quando se percebeu que o novo espaço tinha sido cedido por uma influente personalidade local, habitualmente conotada com o partido político que, até então, tinha dominado o concelho, mas que se preparava para perder essas eleições.
O chamado “rotativismo” é isto mesmo: muitos interesses e poucos princípios. Quando se começa a perceber que não é possível manter uma das forças no poder, avança a outra e tudo (os interesses e os poucos princípios) continua na mesma. Talvez a abstenção aumente. E depois?
Alerta- 2
A propósito de um texto publicado há cerca de um mês no “Pastel de Vouzela”, chamaram-nos a atenção para o facto das águas do Vouga continuarem a apresentar um cheiro e um aspecto altamente suspeitos. Empurrado pelo calor que se faz sentir, desci à Foz. Não confirmei cheiro nem aspecto, mas sim o desinteresse em informar o público sobre a qualidade das águas: nenhuma informação no local. Acabei a mergulhar na piscina de uns amigos. A temperatura da água era de 27 graus.
Alerta-3
Alerta- 1
Não há folha impressa que não concentre atenções na situação interna do PSD e até já por aí se anuncia o fim da ilustre agremiação. Exagero. A este respeito, contaram-me uma história exemplar. Num concelho do nosso país, dominado durante anos por determinada força política das chamadas maioritárias, a campanha eleitoral para as autárquicas fazia prever mudanças. Já não me lembro se do PS para o PSD, ou se o contrário, mas para o caso tanto dá. Em determinada altura, a força que costumava estar na oposição e que se apresentava com possibilidade de vitória, anunciou a inauguração de uma nova sede. Qual não foi a surpresa, quando se percebeu que o novo espaço tinha sido cedido por uma influente personalidade local, habitualmente conotada com o partido político que, até então, tinha dominado o concelho, mas que se preparava para perder essas eleições.
O chamado “rotativismo” é isto mesmo: muitos interesses e poucos princípios. Quando se começa a perceber que não é possível manter uma das forças no poder, avança a outra e tudo (os interesses e os poucos princípios) continua na mesma. Talvez a abstenção aumente. E depois?
Alerta- 2
A propósito de um texto publicado há cerca de um mês no “Pastel de Vouzela”, chamaram-nos a atenção para o facto das águas do Vouga continuarem a apresentar um cheiro e um aspecto altamente suspeitos. Empurrado pelo calor que se faz sentir, desci à Foz. Não confirmei cheiro nem aspecto, mas sim o desinteresse em informar o público sobre a qualidade das águas: nenhuma informação no local. Acabei a mergulhar na piscina de uns amigos. A temperatura da água era de 27 graus.
Alerta-3
No seu 60º aniversário, a Vougazela lançou uns deliciosos biscoitos, respeitando a receita tradicional. São os “Caladinhos” e as “Raivas”, famosas iguarias da nossa doçaria tradicional, que a pressão da procura estava a adulterar. Estendidos à sombra, à beira da piscina, os biscoitos foram o bálsamo para a raiva de continuarmos a assistir (cada vez menos calados!) à indiferença perante os recursos da nossa região.
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sábado, junho 02, 2007
Da água que corre...
A organização ambientalista Quercus, divulgou os dados sobre a qualidade da água nas praias costeiras e interiores. Para não variar, as praias fluviais continuam a revelar pior qualidade, apesar duma importante melhoria na ordem dos 14%. São dados que insistem em “gritar” uma verdade a exigir rápida mudança: o investimento na qualidade da água, reduzindo o impacto de todos os focos poluentes, continua a não fazer parte da lista de prioridades dos nossos responsáveis locais e nacionais. Até parece que querem arranjar pretexto para privatizar a gestão do sector...A nossa região está satisfatoriamente representada na lista. Oliveira de Frades (praia do Vau) e Vouzela (Foz) são avaliadas como tendo “água de qualidade”. Só não percebo que complexo tolhe os responsáveis vouzelenses, impedindo-os de divulgar os resultados das análises feitas aos rios do Concelho. Mais: se a água tem qualidade, não percebo porque não se promove a utilização lúdica desses recursos. Interpretem-me bem: não estou a defender a construção de quiosques para venda de gelados, plataformas de cimento para estender toalhas, nem a colocação de instalações sonoras e animação forçada! A beleza daqueles espaços, está directamente relacionada com a reduzida intervenção da “mão humana”. Basta divulgá-lo, combatendo o receio que o abandono de anos naturalmente provocou.
Foi por tudo isto que gostei de saber da iniciativa de alunos da Escola Secundária de Vouzela que, no âmbito das comemorações do “Dia do Ambiente” (5 de Junho), vão apresentar um filme a que chamaram “Conservação e preservação do Rio Vouga”. A defesa do património natural e edificado, depende muito do conhecimento que dele tivermos e da “utilidade social” que lhe for atribuída. É muito importante que uma geração que foi arredada do rio, limitada aos meios que tenham bilheteira à porta, reclame o seu direito ao usufruto do “espaço livre”. Vouzela tem-no em abundância. É preciso mostrar aos responsáveis locais que a qualidade de vida que defendemos, passa pela sua preservação.
...à “água” que se mete
Monumento Nacional romano-gótico datado do século XIII, a Igreja Matriz que conhecemos é o resultado de diversas ampliações e intervenções, nem sempre feitas com rigor. Já nos anos 30, numa brochura de promoção turística da responsabilidade da “Comissão de Iniciativa”, chamava-se a atenção para alguns disparates feitos no edifício, com critérios mais “decorativos” do que históricos. Enfim, nada que outros monumentos nacionais não tenham sofrido, nomeadamente os intervencionados de acordo com os objectivos de manipulação histórica do Estado Novo.
No entanto, verifica-se presentemente uma tentação para o “excesso de intervenção”, pecado para que já alertamos a respeito do projecto de restauro da Torre de Vilharigues. É como se o “projectista” quisesse deixar marca pessoal, aproveitando para tal, tudo o que não esteja classificado. Ora, em grande parte dos nossos monumentos, o espaço envolvente ou não está, ou é limitado a uma estreita faixa pensada com fins, sobretudo, cenográficos. E foi aí que o(s) autor(es) do projecto decidiram, quais escultores, deixar “assinatura”, esquecendo-se do significado simbólico, da “memória vivida” que a seu respeito foi criada pelos habitantes de Vouzela. Faltou humildade e diálogo.
Que se aprenda com a lição, numa época em que é moda contratar entidades exteriores para realizarem projectos de intervenção local (até o PDM, onde, segundo consta, houve episódios anedóticos...), não havendo, depois, os mecanismos necessários que as obriguem a ter em conta o sentimento dos cidadãos. Mais do que protegermo-nos da vaidade deste ou daquele projectista, é o próprio aprofundamento da Democracia que está em causa.
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quinta-feira, março 22, 2007
Também à água resta um dia...
"As águas potáveis são abundantes, puras, leves e saborosas”.
- in Vouzela- Antiga Capital de Lafões e seus Arredores, Edição da Comissão de Iniciativa, sd.
Dia Mundial da Água- mau sinal. Quando algo “ganha” o direito ao “seu dia”, é porque sofre tratos de polé nos restantes. É o que se passa com a água. Os estudos revelam que alguns dos mais importantes rios do Mundo, correm o risco de secar. Revelam, também (há muito), que milhões de pessoas (sobretudo, crianças) morrem todos os anos, por não terem acesso a reservas satisfatórias de água potável. Revelam, ainda, que o problema já não se limita às fronteiras dos “pobrezinhos” e que a única causa de tudo isso é a acção do Homem. “Acção do Homem”- curiosa forma de dizer as coisas, responsabilizando todos para ninguém responsabilizar. É como a comemoração do Dia Mundial da Água.
Bom, mas a última coisa que pretendo é fazer um texto “sentimentalão” sobre a água. O que pretendo é falar do Zela e do Vouga e da necessidade de os definirmos como prioritários, recuperando-os antes de se gastar um único cêntimo noutra coisa qualquer. Falar-vos dos recursos imensos que ali estão, ignorados, desaproveitados, à espera que alguém perceba que não há “piscinazeca” que se lhes compare- como gostava de comemorar este dia, com um mergulho na Foz. Pois, a Foz... Lugar de alegria que foi, cenário de mil e uma experiências que nos fizeram homens, para ali está, limitada ao estatuto de beleza para ver e não tocar. A menos que a tristeza seja tanta que nem pensar se permita.
Está visto que hoje não dá para mais. Fiquem-se com água engarrafada e não se esqueçam de fechar bem as torneiras.
- in Vouzela- Antiga Capital de Lafões e seus Arredores, Edição da Comissão de Iniciativa, sd.
Dia Mundial da Água- mau sinal. Quando algo “ganha” o direito ao “seu dia”, é porque sofre tratos de polé nos restantes. É o que se passa com a água. Os estudos revelam que alguns dos mais importantes rios do Mundo, correm o risco de secar. Revelam, também (há muito), que milhões de pessoas (sobretudo, crianças) morrem todos os anos, por não terem acesso a reservas satisfatórias de água potável. Revelam, ainda, que o problema já não se limita às fronteiras dos “pobrezinhos” e que a única causa de tudo isso é a acção do Homem. “Acção do Homem”- curiosa forma de dizer as coisas, responsabilizando todos para ninguém responsabilizar. É como a comemoração do Dia Mundial da Água.
Bom, mas a última coisa que pretendo é fazer um texto “sentimentalão” sobre a água. O que pretendo é falar do Zela e do Vouga e da necessidade de os definirmos como prioritários, recuperando-os antes de se gastar um único cêntimo noutra coisa qualquer. Falar-vos dos recursos imensos que ali estão, ignorados, desaproveitados, à espera que alguém perceba que não há “piscinazeca” que se lhes compare- como gostava de comemorar este dia, com um mergulho na Foz. Pois, a Foz... Lugar de alegria que foi, cenário de mil e uma experiências que nos fizeram homens, para ali está, limitada ao estatuto de beleza para ver e não tocar. A menos que a tristeza seja tanta que nem pensar se permita.
Está visto que hoje não dá para mais. Fiquem-se com água engarrafada e não se esqueçam de fechar bem as torneiras.
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sexta-feira, janeiro 19, 2007
Do Castelo às águas do Vouga
Foto: Guilherme Figueiredo1. No âmbito do projecto ProNatura e através de um protocolo assinado com diversas entidades, a Câmara Municipal de Vouzela vai reordenar a floresta do Monte da Sra. do Castelo. Prevê-se a plantação de 5500 carvalhos, 1300 castanheiros, 4000 ciprestes, 1000 sobreiros e 200 bétulas, de modo a reduzir-se o risco de propagação de incêndios naquela zona. Se a medida nos parece merecer total apoio, não podemos deixar de lamentar que não se tenha evitado, há não muito tempo, um corte de carvalhos, na encosta poente do Castelo, por parte de um particular. Já agora, fazemos votos para que idêntica preocupação se estenda ao Monte Cavalo, onde as clareiras abertas para a construção dos pavilhões da zona industrial, transformaram a principal entrada na vila, num “monumento” ao desleixo.
2. O “esvaziamento” do Centro de Saúde de Vouzela, em proveito das recentemente criadas Unidades de Saúde Familiar, é uma medida difícil de compreender, seja qual for o ângulo por que a analisemos. Na verdade, fica a ideia de que apenas se procuram reduzir despesas imediatas, “atacando” uma terra que se pensa ter reduzido poder reivindicativo, devido ao progressivo decréscimo da sua população. No entanto, também deve ser uma lição, mostrando que é tempo de pensar os equipamentos a uma escala mais alargada, ultrapassando tacanhas fronteiras de “bairro” e encarando a região de Lafões como Amorim Girão a definia: “um todo homogéneo e correspondendo (...) a uma verdadeira região natural”. O ordenamento do território agradece e as vozes das nossas gentes serão mais rápidas a atingir...o coração dos decisores.
2. O “esvaziamento” do Centro de Saúde de Vouzela, em proveito das recentemente criadas Unidades de Saúde Familiar, é uma medida difícil de compreender, seja qual for o ângulo por que a analisemos. Na verdade, fica a ideia de que apenas se procuram reduzir despesas imediatas, “atacando” uma terra que se pensa ter reduzido poder reivindicativo, devido ao progressivo decréscimo da sua população. No entanto, também deve ser uma lição, mostrando que é tempo de pensar os equipamentos a uma escala mais alargada, ultrapassando tacanhas fronteiras de “bairro” e encarando a região de Lafões como Amorim Girão a definia: “um todo homogéneo e correspondendo (...) a uma verdadeira região natural”. O ordenamento do território agradece e as vozes das nossas gentes serão mais rápidas a atingir...o coração dos decisores.
3. Aliás, vão neste sentido as exigências feitas para as candidaturas à última grande transferência de fundos europeus. Fazendo uma avaliação negativa da anterior gestão da responsabilidade de cada autarquia, o actual governo exige “escala” aos projectos apresentados, convidando os municípios vizinhos a uma maior colaboração recíproca. Na verdade, se pensarmos nos recursos que faltam ou que necessitam de recuperação urgente, facilmente concluímos que os limites dos concelhos são estreitos. O Vouga aí está para o provar. Ou... mais uma vez, vai ser esquecido?
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Zé Bonito
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