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sábado, março 12, 2011

Aproveitem agora

Imagem retirada daqui

Como escreve Henrique Pereira dos Santos, não se percebe como ainda não chamaram o Engenheiro Mira Amaral para explicar as virtudes da energia nuclear, com a imagem de Fukushima I em fundo...

quinta-feira, julho 17, 2008

Estava-se mesmo a ver...

Vítor Constâncio falou e disse: é preciso discutir a opção nuclear: Não fosse curta a memória dos homens e de consumo rápido as notícias dos “media” e todos se recordariam de que Durão Barroso já tinha dito o mesmo. Há mais de um ano.

Perante o aumento do preço do petróleo e o agravamento da crise ambiental, exigiam-se medidas mais decididas que combatessem o desperdício, reduzissem o consumo e estimulassem opções alternativas. Ora, entre nós, para além das eólicas de reduzido efeito imediato e de um regulamento para edifícios novos (em vigor desde o início deste mês) de cuja aplicação prática já muitos duvidam, nada se fez. E devia, já que é consensualmente reconhecida a ineficiência energética da maioria das nossas unidades industriais e da nossa construção, não se investe em alternativas ao transporte individual rodoviário e é chocante saber que usamos menos a energia solar do que países como a Áustria ou a Alemanha- se há “pecado” de que o “bloco central” não pode ser acusado, é o de enervar interesses instalados.

Por isso, não causam admiração as declarações de Durão e Constâncio. Estão de acordo com o que defendem enquanto paradigma de crescimento, e contam com o apoio dos que bem sabem que até a morte pode ser uma oportunidade de negócio. Assim a tenham (a oportunidade). Mas... isso depende de nós.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

O núcleo da questão

Durão Barroso entrou-me pela casa dentro à hora de jantar, apresentando a “estratégia europeia” para a energia e as alterações climáticas. Enfim, nada de novo. “Estratégia” é apenas um título pomposo, já que os interesses são muitos e variados e o Zé Manel não é homem para conflitos. Assim, cada um faz o que quer e como quiser, tendo como meta a redução de 20% nas emissões dos gases de efeito de estufa, até 2020 (entre 1990 e 2020, mais precisamente). Meta, aliás, insuficiente, como já foi demonstrado por diversos estudos e incompatível com o objectivo da própria União Europeia de evitar a subida da temperatura em mais de 2 graus centígrados.

Mas a coisa ficou mesmo feia quando, interrogado pelos jornalistas, decidiu dar um empurrão à opção nuclear para Portugal. Não se comprometendo, claro. No entanto, é estranho que, sobre um país onde se reconhece existir um alarmante desperdício de energia, onde praticamente se limita a estratégia de circulação ao automóvel, onde têm sido muitas as dificuldades sentidas por quem quer investir nas energias renováveis, nada mais haja para dizer do que uma promessa de apoio a uma eventual opção pela energia nuclear, reconhecidamente perigosa e cara.

Portugal não tem conseguido respeitar as metas definidas no âmbito do Protocolo de Quioto, sendo obrigado a “comprar” a autorização para ultrapassar os limites definidos para as emissões. Quer dizer, aquilo que se pensava poder ser a motivação necessária para racionalizar gastos de energia, melhorando as instalações industriais, impondo uma mais completa regulamentação para o isolamento dos edifícios, melhorando a oferta do transporte colectivo, etc., tem sido pervertido, ao bom estilo do “pato bravo”, preferindo-se pagar a multa a cumprir os regulamentos. Perante isto, o presidente da Comissão e cidadão português, vem manifestar a sua disponibilidade para apoiar que tudo continue na mesma, só que... à custa do nuclear. Não há dúvida que é pouco saudável ter a televisão ligada à hora das refeições.