Uma questão de pose
Mas podemos ficar descansados, pois o Vaticano incluiu os crimes ambientais no rol dos "pecados graves". Consta que a próxima cimeira do “G8” vai discutir de que rubrica do orçamento sai a verba para pagar as indulgências.
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Há momentos assim: de repente, sem que nada o faça prever, são desvendados os mais insondáveis mistérios do Universo. Este fim-de-semana, foi um deles- estou que nem posso. Desde a conclusão do Presidente da República (Sua Excelência...) de que é preciso fazer algo para travar o envelhecimento do País, até à descoberta do Vasco Pulido Valente, de que, de Lisboa à Ota são 3 horas de viagem... de táxi (ver “Público” de Sábado), foi um fartote de revelações.
Fazendo umas contas rápidas, penso não errar muito se disser que o Professor Cavaco anda nas lides políticas há quase vinte anos. Quanto ao Dr. Vasco Pulido Valente, investigador com obra feita na área do Liberalismo (não esse, o outro), tem mais currículo, mas também andou pelo governo, mais ou menos pela mesma altura. Pois, neste ano da graça de 2007, foram os profetas da “boa nova” que nos deixou, a todos, conscientes de uma única coisa: estes senhores não fazem a mais pequena ideia do que é o país que governam (ou governaram) e dos dramas que por cá se vivem.
O envelhecimento da população é problema que há muito preocupa o interior do País (tendo a A1 como referência, aquela parte que fica do lado direito se estivermos virados para Norte, ou do lado esquerdo, no sentido inverso). Há muito que nos sentimos impotentes para travar o despovoamento e renovar o “tecido” social e económico. Não foi preciso que, lá em Lisboa, os homens das contas começassem a perceber o desequilíbrio entre a coluna do “deve” e a do “haver” e desatassem a fechar escolas, centros de saúde, tribunais, ou a inventar fórmulas para adiar reformas que, por estes lados, pouco pesam no Orçamento. Quanto aos problemas de circulação do Dr. Vasco, arrisco dizer que o “seu” táxi cobre mais rapidamente os cinquenta e tal quilómetros que separam Lisboa da Ota, do que a distância que vai do Rossio à Portela em “hora de ponta”. Não me interpretem mal, porque não tomo posição pela morada do novo aeroporto e até sou dos que vão assistir pela televisão, se alguma vez um desastre, que se espera que nunca aconteça (bato três vezes na secretária, em nogueira velha), abrir um “corredor” entre a Avenida da República e Sacavém.
Mas, no meio destas “revelações”, convém que nós, cidadãos que resistem longe do mar, compreendamos que somos uma pequenina mancha de cor, nos gráficos desta gente ilustre. Conseguir alcançar os seus ouvidos (certamente afectados pela poluição sonora), exige que nos deixemos de “querelas de paróquia” e de confianças cegas em “representantes”, cujo único objectivo é atravessarem a A1 para o outro lado e esquecerem-se da distância e do passado.
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Trinta e três
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A organização ambientalista Quercus, divulgou os dados sobre a qualidade da água nas praias costeiras e interiores. Para não variar, as praias fluviais continuam a revelar pior qualidade, apesar duma importante melhoria na ordem dos 14%. São dados que insistem em “gritar” uma verdade a exigir rápida mudança: o investimento na qualidade da água, reduzindo o impacto de todos os focos poluentes, continua a não fazer parte da lista de prioridades dos nossos responsáveis locais e nacionais. Até parece que querem arranjar pretexto para privatizar a gestão do sector...
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Na realidade, chamam-lhes “Rhododendron Ponticum” e estão classificados desde 1938. Para nós, são os “loendros” que, em Cambarinho (Concelho de Vouzela), têm a maior concentração nacional. Todos os anos, em Maio, o espectáculo repete-se: ao longo dos cerca de 24 hectares da Reserva (criada pelo Decreto Lei nº 364/71 de 25 de Agosto, integrando, presentemente, a Rede Natura 2000), o seu tom púrpura domina o vale e as encostas circundantes, sobressaindo por entre o verde da vegetação e o cinzento do granito. Passámos por lá este fim-de-semana e estavam lindos os loendros (a Reserva de Cambarinho integra uma das propostas dos percursos pedestres de Vouzela).
... fazendo jus à tal história da “bela” e do “senão”, que insondáveis motivos podem justificar o desleixo que se encontra ao longo do acesso à entrada da Reserva? Muros de blocos de cimento, edifícios em tijolo, inacabados, talvez dos tempos “dourados” dos aviários, mas presentemente no mais completo abandono. O facto de estarmos a falar de edificações em propriedade privada, não pode justificar a indiferença, até porque devem ter sido obras regulamentadas e fiscalizadas pela Autarquia. Se estivermos a falar de proprietários com reconhecidas dificuldades em resolver o problema, também não nos parece que a ajuda necessária leve a Câmara à falência. Agora, do que não temos qualquer dúvida, é que as “imagens de marca” se constroem (e destroem!) nestes pequenos pormenores.
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