O carro de bois
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Tinha um chiar arrastado, como arrastado era o tempo da sua viagem. Um barulho inconfundível que chegava muito antes dele chegar, o carro de bois. Transportava os cestos cheios de cachos depois das vindimas, transportava o bagaço para o alambique, transportava as pipas. O carro transportava carradas. Bens e pessoas com o tempo próprio de outro tempo. À frente dos bois só o homem, aguilhão em riste, qual batuta a marcar o passo e o compasso. “Ouuuuuu”! Pára a besta, pára o carro, pára o tempo. Fica a memória, uma imagem. Tremida.
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