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segunda-feira, agosto 11, 2008

Ao sabor da corrente

Rio Zela, junto à Foz. Mais imagens, aqui, aqui, aqui , aqui, aqui e aqui

O som da água a correr, por entre o silêncio geral. A frescura de um mergulho num fundão de águas límpidas, daquelas de ver o fundo. Sim, ainda é possível, mas é necessário procurar... e guardar segredo. Talvez por não justificarem inauguração oficial, com nome na lápide e discurso, os nossos recursos hídricos têm sido ignorados pelas "autoridades competentes". Não tardará muito, e isso mesmo será dado como justificação para os privatizar. Aproveite enquanto pode. E proteste.

As imagens que aqui deixamos, são do rio Zela. Rio de montanha, segue o seu curso desde Adsamo, freguesia de Ventosa, até se encontrar com o Vouga, nos limites de Vouzela, sede de concelho que lhe deve o nome (sobre isso se irá falar em próxima oportunidade). Pode ser conhecido, junto à foz, num percurso já aqui divulgado, ou acompanhando o seu leito, rio acima- convém pedir informações.

Pela parte que nos toca, vamos uns dias procurar outras águas, ao sabor da corrente. Por uma vez. Voltaremos antes das vindimas, que se prevêem com bons resultados, ao contrário do ano que aí vem. O Pastel de Vouzela continua com o ritmo próprio da época: devagarinho, para melhor saborear.

sexta-feira, junho 27, 2008

O calor aperta

Rio Vouga

O calor aperta e lá em baixo o Vouga. E também o Zela, o Alfusqueiro, o Sul... Espaços paradisíacos para conhecer e desfrutar, sem bilheteira à porta. É só descobrir e usar- não há piscina que se lhes compare.

Esperamos que, este ano, alguém se lembre de dar uma informação clara sobre a qualidade da água. Dispensam-se espaços para merendas, plataformas para estender toalha, estradas até à margem ou quiosques de gelados. Apenas uma informação clara sobre a qualidade da água. Coisinha simples e barata. Em local bem visível, de preferência. Os nossos agradecimentos.

domingo, novembro 18, 2007

Falar de água em tempo de seca

Imagem dos anos 30 (retirada de Vouzela, Antiga Capital de Lafões e seus Arredores, Edição da Comissão de Iniciativa)

De acordo com os nossos “entendidos”, estamos num “ano seco, mas não de seca”. As albufeiras estão nos 40% da sua capacidade, mas o ministro defende que é necessário “desdramatizar” a situação. Grande erro. As secas previnem-se, não se resolvem. Agora era o momento certo para estimular a adopção de medidas de racionalização do consumo. Sobretudo, era a altura para assumir que a água é um problema prioritário do nosso país, já que os estudos apontam para uma redução, a curto prazo, de cerca de 20% nos nossos recursos hídricos.

Por aqui, o Vouga vai baixo. Com o desaparecimento da agricultura e o consequente uso (e abuso) dos “químicos”, alguns pensaram estar arredada a principal fonte de maus tratos da nossa água. Puro engano. A recuperação e defesa dos nossos rios e nascentes nunca foi entendida como uma necessidade urgente pelos responsáveis locais e, no ano passado, houve mesmo falta de água em algumas freguesias.

Convém explicar para os de fora que a água sempre foi, para nós, um elemento dominante da paisagem. Ela pura e simplesmente existia, a partir de inúmeras nascentes, correndo, ao sabor das necessidades, por regos e quelhas orientadores, muitas vezes transbordando e escorrendo pelos muros, estrada abaixo, alimentando os cursos principais. Estava lá, em quantidade e qualidade, não se pensava nisso.

Uma agricultura, mais desesperada do que pensada, foi responsável pelas primeiras agressões. Depois, um saneamento básico atamancado, entendeu os rios e ribeiros como uma espécie de “cloaca máxima” que, à borla, nos afastava a merda da porta. Os hotéis das Termas foram sempre uma das principais fontes de poluição do Vouga. Nos anos 70, os desperdícios dos aviários eram o grande inimigo dos que, no Verão, procuravam a Foz (zona de confluência dos rios Zela e Vouga) para um mergulho. Enfim, o perigo cheirava-se.

Foi desaparecendo a agricultura, foram abandonados os moinhos, iniciou-se a desordenada ocupação do solo pela construção. Os cursos de água perderam a sua função económica, ficando limitados ao estatuto de esgotos ou de empecilhos. Muitas nascentes foram atulhadas. A isto, responderam as autoridades com a medida mais ridícula que ainda há-de ser alvo de estudo: espalharam tabuletas a dizer “água imprópria para consumo”. E as tabuletas foram-se multiplicando...

Com a chegada dos primeiros fundos refinou-se a intervenção: vieram dinheiros para as ETARs que... nunca funcionaram. Luisa Schmidt no seu trabalho “Portugal Ambiental” (Portugal Ambiental. Casos & Causas, Oeiras, Celta Editora, 1998), diz que foi um claro caso de polícia- não deve haver polícias suficientes para tantos casos. Agora que se rapa o fundo ao tacho dos dinheiros europeus, não consta que a recuperação da qualidade da água mereça rótulo de PIN.

Estamos em ano seco e ameaçados pela seca. Diga o ministro o que disser, é preciso criar uma opinião pública forte que privilegie a recuperação e protecção dos recursos hídricos. É necessário criar uma cultura de consumo racional da água. Já!

quinta-feira, março 22, 2007

Também à água resta um dia...

(Desenho: Dachuan Xia, China)
"As águas potáveis são abundantes, puras, leves e saborosas”.
- in Vouzela- Antiga Capital de Lafões e seus Arredores, Edição da Comissão de Iniciativa, sd.

Dia Mundial da Água- mau sinal. Quando algo “ganha” o direito ao “seu dia”, é porque sofre tratos de polé nos restantes. É o que se passa com a água. Os estudos revelam que alguns dos mais importantes rios do Mundo, correm o risco de secar. Revelam, também (há muito), que milhões de pessoas (sobretudo, crianças) morrem todos os anos, por não terem acesso a reservas satisfatórias de água potável. Revelam, ainda, que o problema já não se limita às fronteiras dos “pobrezinhos” e que a única causa de tudo isso é a acção do Homem. “Acção do Homem”- curiosa forma de dizer as coisas, responsabilizando todos para ninguém responsabilizar. É como a comemoração do Dia Mundial da Água.

Bom, mas a última coisa que pretendo é fazer um texto “sentimentalão” sobre a água. O que pretendo é falar do Zela e do Vouga e da necessidade de os definirmos como prioritários, recuperando-os antes de se gastar um único cêntimo noutra coisa qualquer. Falar-vos dos recursos imensos que ali estão, ignorados, desaproveitados, à espera que alguém perceba que não há “piscinazeca” que se lhes compare- como gostava de comemorar este dia, com um mergulho na Foz. Pois, a Foz... Lugar de alegria que foi, cenário de mil e uma experiências que nos fizeram homens, para ali está, limitada ao estatuto de beleza para ver e não tocar. A menos que a tristeza seja tanta que nem pensar se permita.

Está visto que hoje não dá para mais. Fiquem-se com água engarrafada e não se esqueçam de fechar bem as torneiras.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Hotelaria e restauração em Vouzela...




- "clique" na imagem para ampliar

...em 1949! A população do Concelho rondava os 15 mil habitantes e os anúncios aqui publicados, constavam do programa das Festas do Castelo desse ano. Delicioso o pormenor da promoção do Hotel Mira Vouga, que se auto-intitulava "um dos melhores e mais concorridos" do país. Por sua vez, o Café Sport, que também vendia mercearia e fazendas, garantia que os seus pastéis eram "os verdadeiros", demonstando que, já na altura, a tentação para as "imitações"era grande. Finalmente, uma referência às morcelas doces, "frias ou quentes", promovidas pelo Café Gato Preto, doce regional que caiu no esquecimento.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Privilegiar a recuperação e protecção dos recursos hídricos

(Rio Vouga, Guilherme Figueiredo)

Começou por ser “coisa de cientistas”, tema que nos fazia suspirar, aceitando perder breves segundos a imaginar um futuro difícil que remetíamos lá para os bisnetos. Afinal de contas, a redução das reservas de água potável no Planeta é uma realidade imediata e não tardará muito para que os portugueses percebam que, apesar de tudo, também fazem parte... do Planeta. Depois, como dizia o outro, “quando a água faltar nas torneiras e o ar custar a entrar nos pulmões, todos seremos ecologistas”.

Estudos hoje apresentados no Instituto Superior Técnico, demonstram que as alterações climáticas que estamos a viver, vão ter rápidas consequências nas reservas de água, acelerando a tendência para a desertificação do Sul do país (mas também com impactos significativos a Norte) e aumentando os riscos de contaminação dos lençóis freáticos, com a consequente degradação dos ecossistemas. De acordo com os cientistas, a tendência imediata será para o surgimento de situações de catástrofe, quer com o aumento do risco de cheias, quer com prolongados períodos de seca, a que se junta a ameaça de surgimento de “doenças tropicais”, como a malária.

Perante isto, não pode haver qualquer dúvida quanto à necessidade de se privilegiarem as medidas de recuperação e protecção dos recursos hídricos, impondo-se uma “opinião pública” forte que acelere a sensibilização dos responsáveis nacionais e locais. De facto, apesar da região de Lafões ter abundantes reservas de água, a sua degradação tem sido uma constante, à custa de falta de planeamento dos esgotos domésticos e industriais. Avaliar cada uma das situações e definir uma estratégia e um calendário de intervenção, deve ser a prioridade das autarquias. Já não é de prevenção que se trata, mas sim de acorrer a “fogos reais” que estão aí. Resta saber o quanto nos vão "queimar"...