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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Sinais

Conhecemos os sinais: deixa-se de investir, permite-se a degradação e depois acaba-se com o serviço, argumentando com a falta de comodidade que se provocou e a falta de segurança que não se evitou. Aconteceu com a antiga Linha do Vale do Vouga e tudo indica que se repete a estratégia na Linha do Tua. Pelos vistos, desde 2001 que o acidente estava anunciado e não faltavam medidas que, se aplicadas, podiam ter evitado o desastre. Ninguém ligou. Os cerca de 42 mil passageiros transportados anualmente, não devem ser suficientes para justificar o investimento. E, no entanto, não é difícil prever que, com o agravamento das medidas impostas para combater as alterações climáticas, ainda vamos assistir a muito “ministro” a recordar a falta que faz um qualquer comboio que não rime com TGV. Mas, para já, é certo e sabido que nós, os que pensamos ser para estas coisas que se pagam impostos, somos uns demagogos. Tudo bem. Só gostava que o anunciado “Cartão do Cidadão”, registasse o valor que os “contabilistas do Estado”, atribuem a cada um de nós...

No referendo do passado dia 11, o Concelho de Vouzela manteve-se fiel à abstenção e ao “Não”. Aliás, pode dizer-se que quanto mais vincada foi a opção pelo “Não”, maior foi a tendência para ficar em casa, talvez revelando que há verdades que não passam pelos confessionários... No entanto, é de registar o aumento de votantes comparativamente com 1998. Desta vez, manifestaram posição, através do voto, 4026 cidadãos (38.29%), enquanto no referendo anterior não se tinha ultrapassado os 3262 (31.08%). Este aumento de votantes, teve o seu ponto alto na freguesia de Vouzela, com uma participação de 51,10%. Aí, venceu o “SIM”. Recordando o padre Malagrida (autor do Juizo da verdadeira causa do terremoto que padeceu a corte de Lisboa no 1.º de Novembro de 1755) e na linha de certas peripécias da campanha, não resisto à inofensiva provocação: a terra tremeu no dia seguinte...

PS: O “velho António”, lá foi eleito como o principal responsável pelo estado a que isto chegou. À mesma hora, Jaime Nogueira Pinto esforçava-se, na RTP, por levá-lo à categoria de "melhor". Respeita-se quem tem convicções e dá a cara por elas, mas o contexto internacional com que tentou justificar a acção do ditador, dificilmente explica a promoção do analfabetismo, o isolamento cultural, o Portugal subserviente, tudo aquilo que ainda hoje limita a cidadania ao sarcasmo e ao encolher de ombros. A História não se apaga e Salazar continua entre nós. Pelos piores motivos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

O PIOR PORTUGUÊS DE SEMPRE

Cruz de Guerra, João Abel Manta, in Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar

Entrou já na ponta final o maior exercício de cidadania dos últimos tempos. A 13 de Fevereiro, com os primeiros ritmos de samba a afinarem para os cortejos do nosso típico Carnaval e as fogosas “baianas” a enfrentarem, de umbigo ao léu, o frio próprio da época, será desvendado o grande mistério: quem foi o pior Português de todos os tempos? Não perca a oportunidade, até porque dizem que faz bem ao fígado. Avance por aqui. Simultaneamente, andam por aí uns rapazes a admirar, embevecidos, os albuns de família e ésse-éme-éssam à doida no velho “Botas”, o tal António do país “pobrete e nada alegrete” (nas palavras de O’Neill), para o maior de todos os tempos. Pois que leve o melhor e o pior- longe de mim querer influenciar. Mas que se roa todo lá na campa, pelo contributo que está a dar a este inovador acto de democracia. Ah! E não se esqueçam dos autarcas, esses que é suposto serem os maiores filhos da dita. Toca a votar. Sim?