terça-feira, março 18, 2014

Turismo: que fazer?

Já faz parte do calendário: na última sexta feira de cada mês, a Associação D. Duarte de Almeida e o Agrupamento de Escolas de Vouzela propoem um tema de reflexão aos vouzelenses. O próximo é sobre o turismo, esse objetivo que sempre tivemos no horizonte dos nossos desejos, mas que, por um motivo ou por outro, nunca alcançamos satisfatoriamente. Que fazer? É isso mesmo que nos propomos debater no próximo dia 28 de março, pelas 20.30 horas, no ambiente acolhedor (e inspirador) da Casa Museu. A não perder.

domingo, fevereiro 23, 2014

Água de fevereiro, enche o celeiro

 Doisneau

"Vale mais no rebanho ter um lobo, que mês de fevereiro formoso".

São curiosos, os ditados populares. Criados num tempo de grande dependência dos homens em relação às atividades do setor primário, registavam observações de muitos anos sobre as consequências dos ditames de uma natureza de que dependiam em absoluto, transmitindo esse conhecimento e alertando para a diferença entre o parecer e o ser. Hoje, perdeu-se muito desta memória e da natureza quase só nos lembramos quando nos entra pela casa dentro em avalanches de imagens aterradoras, normalmente pondo a nu a ignorância dos homens.

Mas, apetece-nos recorrer aos ditados populares para algo mais do que prever como irá ser o ano agrícola. É que, bem sabemos não necessitarmos de chuvas e ventos fortes para sentirmos que o temporal desaba sobre nós. E Fevereiro aí esteve, feio como os trovões, a inundar-nos de água e más notícias. Desta vez foi a confirmação do encerramento do tribunal, transformado numa coisa que não se sabe muito bem o que seja. Nada de totalmente inesperado, mas uma machadada mais na nossa já debilitada autoestima.

Tal como todo o interior, Vouzela está a ser vítima duma estratégia nacional de concentração de serviços que não tem a mínima preocupação com o equilíbrio do território, nem com a qualidade de vida das pessoas. O objetivo é uma redução de custos imediata em recursos humanos e materiais,  que nos vai custar bem caro a médio prazo, tal o despovoamento que provoca em vastas zonas do país, inevitavelmente condenadas ao desaproveitamento. Mas, é o que temos. No entanto, também nos parece ser tempo de perceber que nada ganhamos com a atitude defensiva a que nos temos remetido, mortos de medo pelo passo seguinte que antecipamos, a que respondemos com indignação e lamentos impotentes. Atacam-nos porque somos fracos, porque temos pouco peso eleitoral, porque somos insignificantes na coleta de impostos- sim, o lobo está dentro do rebanho, fevereiro está a ser horrível mas o importante é que daqui saiam boas "colheitas" futuras.

Em primeiro lugar, é preciso avaliar a verdadeira dimensão do problema e, mais uma vez, as lições do passado dão uma ajuda. Em 1927, Vouzela perdeu a sua comarca. A medida foi sentida como uma humilhação, provocou tomadas de posição firmes, mas também marcou o ponto de partida para um dos mais dinâmicos períodos da história local do século passado: iniciou-se o processo de eletrificação da vila, pediu-se a classificação como "estância de turismo" e organizou-se a famosa Comissão de Iniciativa. Para tudo isto houve uma união de vontades e forças, colocando lado a lado gente de orientações políticas muito diferentes (as polémicas da I República estavam, ainda, muito presentes), mas que percebeu que a causa local era transversal a todas elas.

Em 1973 viveu-se a parte final desta história: Vouzela recuperou a comarca. Motivo de grande contentamento e orgulho... não impediu o agravamento de uma crise que, embora com intervalos de esperança, continuou até aos dias de hoje.

Entendamo-nos: não queremos desvalorizar a importância dos ataques que nos estão a fazer. Queremos, isso sim, saber o que estamos dispostos a fazer para deixarmos de andar a reboque das situações e conquistarmos a liderança das reformas locais. Dito por outras palavras, Vouzela  precisa saber qual a margem de autonomia que lhe resta. Que medidas pode tomar para conter o despovoamento, para reabilitar setores de atividade, para potenciar os seus pontos fortes e, desse modo, conseguir algum resguardo para a avalanche de más notícias da atual estratégia nacional. Limitar a emigração pressupõe a criação de empregos e estes exigem uma definição clara das atividades que se querem desenvolver. Isto, porque não podemos ter "sol na eira e chuva no nabal". Não faz sentido lamentarmo-nos da pouca divulgação do que de melhor temos e não sermos, nós próprios, os primeiros divulgadores em todas as nossas atividades. Não podemos dar rédea solta a construções que descaracterizem os espaços e, ao mesmo tempo, querer manter a tal harmonia entre património natural e edificado que todos elogiam. Não podemos assistir, indiferentes, ao abandono do cultivo da vinha e querer manter a "acentuada beleza policromática" de que falava Amorim Girão. Não podemos encolher os ombros perante o excessivo abandono da agricultura (de todo o setor primário!) e continuar com as características rurais que desenharam a tal paisagem que os estudos apontam como o nosso grande trunfo.  Se Vouzela permanece, hoje, como a mais harmoniosa das três sedes de concelho, isso apenas se deve ao facto de não ter entrado no desvario da construção e não porque haja uma qualquer "lei divina" que nos garanta a beleza eterna. Manter essas características e conciliá-las com o desejado desenvolvimento, parece-nos ser, pois, o desafio que temos que vencer, porque uma coisa não é possível sem a outra.

Também diz o povo que "água em fevereiro, enche o celeiro". Ora, água não tem faltado, tal como más notícias. Dar-lhes algum sentido, transformá-las em algo de produtivo só depende de todos nós. Se assim for, é certo e sabido que "em fevereiro chuva, em agosto uva".

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

E a imagem do nosso município?

Há um lado imediato que surge à vista, a imagem. Desde a pessoal, à das empresas e de todo o tipo de organismos públicos e privados.

Não há qualquer dúvida que hoje em dia a imagem conta. Muito e cada vez mais. O aspeto visual que se transmite, marca, não fossemos nós seres tão visuais. À nossa volta há um constante estímulo. A imagem de divulgação, mais publicitária, pretende sempre um arregalar do olhar.

Mas, e a imagem das nossas terras? Ela existe? Há uma imagem/símbolo que represente os nossos municípios? Claro que sim, todos saberão disso. Além dos brasões, há algum tempo que os municípios  desenvolvem imagens que os representam, logótipos  (e perdoem-me os entendidos se estiver a utilizar terminologia errada, pois não sou especialista nestas matérias, apenas um curioso).
  
A imagem que represente um município deve ser alvo de preocupação. O design deve ser levado com seriedade. E esta é uma discussão que surge aqui e aqui, e deverá surgir em muitos outros locais, bastará pesquisar.

Neste ponto surge a minha reflexão sobre o logótipo do município de Vouzela. Na sua elaboração está patente que não existiu qualquer preocupação com o design, não tem qualquer sentido estético. É um conjunto de "coisas". Até podem significar algo e significam, mas não como um todo, não com esta imagem. Para um concelho que pretende "marcar a diferença" não é de todo um bom marketing

Para se conseguir esse bom marketing será necessário algo completamente diferente da imagem que já existe. Encontrar um novo "símbolo" é necessário, podendo ser por concurso aberto a todos, para que também profissionais possam participar. E a imagem final deverá ser reflexo de uma seleção rigorosa para se conseguir algo sério, profissional, interessante e criativo. Em suma, uma melhor "imagem-símbolo" do município. A mim parece-me que a que já existe reflecte algum desmazelo e confusão. É muito pouco ou mesmo nada interessante e dá ideia de muito "amadorismo". É essa a imagem que o município quer transmitir? Nós queremos essa imagem da nossa terra?

Aproveitando uma maré que se quer de mudança, exigindo-se que neste 2014 se cresça para melhor, que tal repensar e discutir seriamente sobre a imagem da autarquia? A imagem de uma autarquia quer-se séria, robusta e profissional. Havendo sempre espaço para a criatividade. Conseguiremos sintetizar numa imagem de marca a "alma" da nossa terra? Porque é disso que se trata, conseguir uma imagem que reflita a alma de Vouzela. De todo o concelho.

sexta-feira, janeiro 24, 2014

A ver passar o comboio

"Faz-me imensa confusão que Viseu não tenha caminho-de-ferro. (...) É preciso perceber que uma auto-estrada se constrói relativamente rápido. Num ciclo político é possível ver concretizado esse investimento. No caminho-de-ferro a unidade mínima de planeamento é de dez anos. Dificilmente se consegue mandar fazer e inaugurar no mesmo ciclo político"
- Nelso Oliveira, diretor do Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Rodoviários, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro, in Jornal de Leiria, 23 de janeiro de 2014.

quarta-feira, janeiro 08, 2014

IV Cinclus- Festival de Imagem de Natureza de Vouzela


Notem o pormenor: Festival de Imagem de Natureza DE Vouzela. Isso mesmo. Vai na sua quarta edição e, durante dois dias, traz ao nosso convívio alguns dos maiores nomes da fotografia da Natureza. Já o quiseram "desviar" para outras paragens, mas é... "de Vouzela". E Vouzela só tem que agradecer e tudo fazer para que possa continuar a chamar-lhe "seu", até porque nada do que diga respeito à Natureza nos pode ser indiferente. Para começar, reconheçamos o esforço, o entusiasmo e a competência do seu dinamizador: chama-se João Cosme, é fotógrafo da Natureza e... é de Vouzela. Vai ser nos próximos dias 25 e 26 de Janeiro.

quarta-feira, janeiro 01, 2014

Vouzela: é obrigatório ter futuro


 Fotos de Margarida Maia

Dizem que é uma característica dos países desenvolvidos, mas nós duvidamos. Outros preferem explicar a coisa pelas exigências da vida moderna, carregada de incertezas e obrigações de carreira, mas a verdade é que os empregos dignos de registo terminaram na geração anterior que ainda trouxe crianças ao mundo e que, como diz um amigo nosso, "andava com os filhos no bolso de trás". O que  é certo é que o envelhecimento é um problema real, particularmente sentido nestas regiões do interior em despovoamento acelerado. Por isso mesmo, Vouzela passou os últimos dias de 2013 a debatê-lo: o envelhecimento e os caminhos para reencontrar essa juventude desaparecida. Foi mais uma iniciativa de Associação Dom Duarte de Almeida e do Agrupamento de Escolas de Vouzela, a que o Café Central deu um carinho especial. Para a história ficaram muitas ideias e uma casa cheia até às tantas, coisa que já não víamos desde que o mestre Guilherme Cosme por lá animava serões de dominó e xadrez.


São duros os números(1) da nossa realidade presente, mas também apontam caminhos a trilhar e... a evitar. Entre 2001 e 2011 Vouzela perdeu 11,34 % da população. Um ano depois, continuava a perdê-la(2). Mais preocupante, ainda: o único grupo etário que aumentou, foi o que integra as pessoas com mais de 65 anos (Quadro-I). No entanto, independentemente da idade, Vouzela tem, hoje, as pessoas com maior nível de  escolaridade de sempre (Quadro-II), em que o grupo com habilitações de nível "superior" quase triplicou nos dez anos avaliados pelo último Censos.
Quadro-I: Distribuição da população por grupos etários
Grupo
0-14
15-24
25-64
65>
Ano
2001
2011
2001
2011
2001
2011
2001
2011
Vouzela
1765
1332 (-24,53)
1695
1130 (-33,33)
5819
5260 (-9,60)
2637
2842 (7,77)
S. Pedro Sul
2872
2145
2649
1795
9165
8463
4397
4448
Oliveira Frades
1830
1543
1583
1183
5107
5371
2064
2164

Quadro-II: Distribuição da população por nível de escolaridade
Nível
2001
2011
S/ escolaridade
2743
1360
1º ciclo
3495
3392
2º ciclo
1614
1261
3º ciclo
1169
1453
Secundário
795
1038
Médio
39
68
Superior
296
660

Contudo, quando analisamos a situação dos diversos grupos de atividade (Quadro-III), não só constatamos que esse acréscimo de habilitações não se refletiu em todos eles, como só por tradição continuamos a dizer que vivemos numa região predominantemente rural. Todos os concelhos têm um setor primário abaixo da média nacional, sendo Vouzela o que menos pessoas emprega em atividades tão importantes para a região, como a agricultura e a criação de gado. Para agravar o quadro, a população economicamente ativa de Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul, não chega aos 50 porcento.
Quadro-III: distribuição da população ativa por setor de atividade
Concelho
População ativa
Homens
Vouzela
3958 (37,46%)
2131
323 
(8,16%)
1553 (39,23%)
2082 (52,6%)
S. Pedro Sul
6011 (35,67%)
3361
593 
(9,86%)
1720 (28,61%)
3698 (61,52%)
Oliveira Frades
4380 (42,68%)
2383
367 
(8,37%)
1903 (43,44%)
2110 (48,17%)
Portugal
(53,9%)
-
(9,9%)
(27,3%)
(62,8%)

Olhando para os setores aparentemente mais ativos, constata-se uma empregabilidade no setor secundário superior à média nacional, mas, como já tínhamos alertado, muito dependente do mercado local e com média muito baixa de número de rabalhadores por empresa. Mesmo o setor terciário, aquele que mais parece ter beneficiado com o acréscimo de habilitações académicas, revela uma distribuição de "alto risco", percetível quando analisamos os dados do Quadro-IV.

Quadro IV: Empregados no setor terciário

De natureza social
Relacionado com atividade económica
TOTAL
Vouzela
1004 
(48,22%)
1078
2082
S. Pedro Sul
1838 
(49,70%)
1860
3698
Oliveira Frades
896 
(42,46%)
1214
2110

De facto, há um elevado número de pessoas no setor terciário "de natureza social", onde se incluem aquelas atividades que, de acordo com as opções políticas atuais, maior número de "cortes" vão sofrer, sobretudo se estiverem dependentes de financiamento público. Se relacionarmos as caractarísticas de Lafões, com os ataques que estão a ser dirigidos a todos os serviços sociais do Estado, só podemos concluir que pretender ser professor por estas bandas, ou apostar numa carreira na administração local, é, nos tempos mais próximos, correr um risco elevado. Mesmo as atividades dirigidas à chamada "terceira idade" que, como sabemos, não só abunda na região, como em todo o país e que podem ser um "nicho de mercado" a trabalhar com mais cuidado e outra dimensão, convém que não dependam excessivamente das "boas vontades" de quem nos governa.

Quadro V: Núcleos familiares e alojamentos nos concelhos de Lafões
Concelho
Núcleos familiares
Alojamentos familiares (total)
Alojamentos coletivos
Vouzela
3264
6704
12
S. Pedro Sul
5204
11574
88
Oliveira Frades
3115
5669
10

Por último, apresentam-se alguns números sobre a oferta de alojamento na região (Quadros V, VI e VII). Com uma média de 1,57 habitantes por alojamento familiar, Vouzela é o concelho com mais habitação disponível (Quadro VII). Contudo, apesar do elevado número de casas que tem aparecido no mercado, essa relação reflete o despovoamento que se tem verificado, mas também uma grande oportunidade: o restauro. Apostar nele parece ser a atitude correta não só para dinamizar uma construção civil de qualidade, como também para convencer pessoas a fixarem-se no concelho, ou aqui adquirirem uma segunda habitação. As belezas naturais ajudam e a facilidade de acesso, também. Só precisa saber quem procurar.

Quadro VI: Núcleos familiares e alojamentos no concelho de Vouzela
Freguesia
Núcl. familiares
Aloj. familiares
Aloj. coletivos
Alcofra
328
732
0
Cambra
356
837
3
Campia
468
842
1
Carv. Vermilhas
69
227
0
Fataunços
238
444
0
Fig. das Donas
115
210
0
Fornelo Monte
91
278
0
P.  Vilharigues
206
336
0
Queirã
445
880
0
S. Miguel Mato
297
611
1
Ventosa
249
568
0
Vouzela
402
739
7

Quadro VII: Relação habitantes/alojamentos familiares nos concelhos de Lafões
Concelho
Habitante/Habitação
Vouzela
1,57
S. Pedro Sul
1,64
Oliveira Frades
1,81

Resumindo e concluindo: Vouzela tem um presente preocupante, mas só depende de si própria para ganhar o futuro. Investindo nos seus principais recursos e evitando as armadilhas de conjuntura, tem condições para melhorar as condições dos que nela vivem e atrair novos habitantes. Apostar num acréscimo de valor em todos os setores de atividade, procurar a inovação, proteger e desenvolver o que tem de mais característico, as marcas da sua identidade, certificar os seus produtos de excelência, incentivar o restauro, criar um calendário de iniciativas de todo o ano e... investir na divulgação, a sério, parece ser o caminho a seguir. À juventude presente, exige-se a consciência de que terá que ser o motor da mudança. Para tal, tem que conquistar o direito à participação, ser solidária, ter irreverência, poder reivindicativo, ideias sustentadas por sólida formação. Sobretudo, recusar o conformismo, a desculpa fácil, a "queixinha" medíocre, a indiferença. Porque, como dizia o Paulo Quintela, "o deixa lá, levou-nos ao estado em que isto está".
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(1)- Dados retirados do Censos 2011 e da PORDATA:
(2)- A atualização dos Censos, feita em 2012, confirmava nova redução da população residente nos três concelhos de Lafões.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Boas Festas, boas novas

Foto de Paulo Mota, em Vouzela 

Tendo em conta tudo o que temos vivido e a época que se aproxima, pensamos que as boas notícias são a melhor prenda que se pode dar aos vouzelenses e a todos os portugueses. Para os segundos ainda nada temos, mas para os primeiros decidimos partilhar algumas boas novas que nos "sopraram". A primeira, pode ser um importante passo para a preservação e valorização da nossa floresta, no que à defesa das espécies autóctones diz respeito. A segunda, a confirmar-se, vai acabar com uma das feridas que desde há muito fragilizam a imagem da vila de Vouzela.

Proprietários de terrenos incluídos em área protegida de gestão local podem ter benefícios

Foi uma das bandeiras da campanha eleitoral do atual presidente da Câmara, Rui Ladeira, apoiada por todas as listas concorrentes: Vouzela vai ter uma área protegida de gestão local que, de acordo com as palavras do proponente, "visa a promoção e a preservação do património natural aliada à criação de valor"(1).

Deixemo-nos de rodeios. Quando se fala da beleza da região, aquela que foi cantada ao longo de séculos, referimo-nos à diversidade das espécies (ainda) existente. Amorim Girão, no Guia de Portugal,  descrevia-a do seguinte modo: “(...) a paisagem da região lafonense, de tão acentuada beleza policrómica (...) pode distingui-la das regiões vizinhas. Os seus campos de cultura, xadrezados pelos comoros de divisão da propriedade, onde a vinha se abraça às árvores de fruto, e emoldurados ainda pelas matas de pinheiros, carvalhos e castanheiros que revestem as maiores elevações do terreno, oferecem, com efeito, ao turista um espectáculo sem dúvida interessante: um pequeno retalho do Minho perdido em plena região montanhosa da Beira Central”. É isto que é procurado por quem nos visita; é isto que tem que servir de suporte a qualquer projeto turístico; é isto que nos pode permitir criar um calendário atrativo de ano inteiro: a tal variedade policromática, aliada aos traços mais característicos da orografia, do património edificado e, claro está, á riqueza humana das nossas gentes.

Mas, cuidado! Já na edição do Círculo de Leitores, Portugal Património (2007), descrevia-se assim o território entre Oliveira de Frades e Sever do Vouga: “O coberto vegetal, quer nas áreas baixas que se desenvolvem a oeste, quer nas faldas da serra, tem sido progressivamente tomado pela plantação extensiva de eucalipto, que se impõe na paisagem, tornando-a monótona". Pois é... A monotonia é a negação do turismo. Ora, o absurdo Decreto-Lei 96/2013 de 19 de Julho (pode ler, aqui, o texto integral) mais não faz do que regulamentar a ditadura do monótono. Daí a importância de iniciativas como a da área protegida que, se não o travam, pelo menos podem reduzir-lhe os estragos. Falta uma coisa: compensar, pelo serviço público prestado, os proprietários dos terrenos abrangidos, convencendo-os a não destruir carvalhais e soutos, recusando a facilidade imediatista da monocultura "eucalíptica". E a boa notícia é essa: pelo que nos confidenciaram, a Câmara Municipal de Vouzela estuda já benefícios a conceder a todos quantos venham a integrar a área protegida de gestão local.
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(1)- Gazeta da Beira, 12 dezembro 2013, pág. 17

É desta?

Não somos supersticiosos, mas até temos receio de nomear a segunda boa nova que temos para dar, tantas e tão longas foram as trapalhadas em que já esteve envolvida. Referimo-nos à... "Casa das Ameias". Garantiram-nos que, finalmente, tudo se encaminha para a resolução total do imbróglio. Será? Isso é que era uma rica prenda para o sapatinho dos vouzelenses! A propósito: feliz Natal.