domingo, dezembro 08, 2013
sexta-feira, dezembro 06, 2013
Se7e
Sete é um número levado da breca. Tantos são os pecados capitais e foram as pragas do Egito. Sete são os Selos do Livro do Apocalipse, os palmos de terra com que se cobre ruim defunto, o número de chaves que encerra fechadura segura. Mas também são sete as cores do arco-íris, as notas musicais, as belas artes, os dias da criação e até as letras com que se escreve Vouzela.
Ao longo destes sete anos, não enfrentamos pragas de gafanhotos, nem os Cavaleiros do Apocalipse, mas vimos crescer o desânimo dum concelho envelhecido, com um despovoamento considerável, ameaçado por opções centralistas e de curto prazo em todos os caminhos que tenta para contrariar a morte. Procuramos participar nessa caminhada. Em mais de novecentas publicações, apresentamos propostas, fizemos chamadas de atenção, procuramos as lições do passado. Com 295 imagens publicadas, tentamos que não se esquecesse o que de melhor temos e que de âncora tem que servir para projetos futuros. Aqui chegados, temos a sensação de muito estar dito, mas de quase tudo estar por fazer. Continuemos, pois, porque, quanto a pasteis, só há caixas de meia e de dúzia. A primeira já foi. Será um privilégio partilhar convosco as seguintes nas reflexões e, sobretudo, nas ações. Porque somos dos que acreditam que ainda temos um comboio para apanhar.
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Zé Bonito
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quinta-feira, novembro 28, 2013
Mais uma vez sobre a o Decreto-Lei 96/2013: Facilita-se a plantação de eucaliptos, dificulta-se a plantação de espécies florestais autóctones
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Zé Bonito
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sábado, novembro 23, 2013
Há coisas a acontecer em Vouzela
A propósito das comemorações do centenário da chegada do comboio a Vouzela, organizadas pela Associação D. Duarte de Almeida e pela Câmara Municipal, alguns debates têm sido realizados, não só desfiando memórias, mas também perspetivando o futuro. Foi o que aconteceu no Painel 7º dia, programa da Vouzela FM: recordaram-se pessoas, viagens, acidentes; lamentou-se o encerramento da linha e refletiu-se sobre as possibilidades de recuperação futura.
A este respeito convém recordar que a importância da opção ferroviária vai muito para além da nostalgia em torno da antiga linha do Vale do Vouga. É uma inevitabilidade, tendo em conta a reorganização das opções de mobilidade, hoje limitadas ao rodoviário. A manter-se a situação atual, Portugal fica totalmente dependente das variações do preço do petróleo que só os elevados valores atuais, têm permitido que se explorem novas jazidas e usem técnicas de extração altamente polémicas como o "fracking". A seguir-se pelo rumo atual, os problemas ambientais vão impor sérias restrições à circulação automóvel e custos dificilmente suportáveis. Mesmo que acreditemos numa rápida resposta das viaturas elétricas individuais, a experiência presente chega para percebermos os perigos da inexistência duma rede de transportes públicos diversificada e de qualidade, transferindo para o cidadão o preço de uma mobilidade cada vez mais necessária, tal o nível de concentração populacional que se está a promover. A menos que optemos por não sair de casa...
Por tudo isto, pensamos ser do interesse de todos quantos vivem na região de Lafões, o projeto de ligação ferroviária entre Aveiro e Salamanca e a reivindicação dos viseenses para voltarem a ser servidos pelo comboio. Se, a partir daí, for possível fazer o aproveitamento turístico da parte que nos cabe da linha do Vale do Vouga, óptimo. Acertavam-se as contas com o passado e recuperava-se (parte) de um recurso estupidamente perdido.
Silvatica
Consta que, em latim, se refere a selva, silva, selvagem... É o nome de uma associação que tem por objetivo gerir territórios para promover a conservação e que teve o seu encontro de lançamento em Vouzela. Com o dedo do João Cosme, pois claro. Na prática, vão tentar adquir terrenos ou negociar a sua gestão com os proprietários, de modo a criarem uma reserva natural privada. Para já, a sua atenção está concentrada nas serras envolventes do Vouga (Freita, Arada, Montemuro, Lapa, Caramulo) e, aos poucos, criar condições para a proteção do lobo ibérico.
Esta iniciativa baseia-se em experiências que já fizeram o seu caminho (veja-se Associação Transumância e Natureza) e tenta ultrapassar os obstáculos que têm sido colocados a idênticas áreas com gestão estatal. Nesta região vai, obrigatoriamente, confrontar-se com os receios e o individualismo típicos do minifúndio, mas, talvez, aproveitar do abandono de muitas áreas e da falta de perspetivas das gentes. Por mera curiosidade, registe-se que este método está a ser tentado, também (embora com objetivos mais modestos), de modo a garantir a utilização de espaços privados a bem do interesse público. É o que se passa em Leiria, onde um grupo de cidadãos tenta adquirir uma quinta de modo a transformá-la num parque da cidade.
Vouzela do século XX
E terminamos com nova iniciativa da Associação D. Duarte de Almeida, coletividade que tem mostrado um dinamismo digno de registo e que, mais uma vez, contou com a colaboração do Agrupamento de Escolas de Vouzela. É no próximo dia 29 de novembro, a partir das 20.30 horas, no Café Rocha. A acompanhar o café (ou o chá) no final do jantar, reflete-se sobre a história local que ainda é o método mais seguro de perceber onde tropeçamos e de como evitar trambolhões futuros. Do início da florestação do Monte Castelo, até à recente ameaça de encerramento de serviços, muito há para recordar e avaliar. Se quiser falar, fala. Se não quiser... não quer. O ambiente é aquecido e a experiência dos dinamizadores promete tornar bem agradável a noite. Guarde espaço para um pastel de Vouzela.
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Zé Bonito
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segunda-feira, novembro 11, 2013
terça-feira, novembro 05, 2013
Temos um comboio para apanhar
Mas da novidade passou-se à oportunidade e desta à rotina. Aos poucos, Vouzela foi-se familiarizando com uma nova categoria de gente composta por fatores, fogueiros, revisores, guarda freios, carregadores... e esse símbolo de autoridade, respeitado e invejado, o chefe da estação. Aos poucos, foi-se habituando à mistura com os operários da Serração- que, entretanto, tinha procurado a proximidade ao comboio- e das muitas partidas e chegadas, como a da comitiva de António Ferro que, em 1930, ainda antes de dirigir o Secretariado Nacional da Propaganda, usou o caminho de ferro para vir apresentar as entranhas do país aos jornalistas da capital e acabou no Castelo a admirar as vistas, extasiado, enquanto matava a sede com taças de Lafões fresquinho- parece que estava um calor dos diabos. Chegavam estudantes aos fins-de-semana, chegavam jornais ao fim da tarde, chegava gente diferente no verão que, mal descia o último degrau e punha os pés na terra, esticava as costas e enchia o peito de ar, o tal bem puro que por cá a trazia em estadias mais ou menos prolongadas numa das unidades hoteleiras da vila. O Mira Vouga era logo ali, depois da ponte, a caminho do São Sebastião. O comboio marcava o ritmo e os humores. Até os amores, porque o "vou ali ver chegar o comboio" era desculpa aceite e pretexto válido para passeios de namorados e os arcos da ponte sempre foram pilares seguros para as toneladas de ferro e de afetos.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Num tarda nada já eram mais as partidas do que as chegadas e os risos dos encontros não chegavam para fazer esquecer as lágrimas das despedidas. Brasil, África, mais tarde França e Alemanha "porque aqui não dá e é preciso fazer pela vida". Ou enganar a morte... E o soldado lá escolhia partir, bem cedo, sozinho, gola do capote levantada para que não se percebesse que, afinal, um homem também chora. Ao comboio descobria-se o desconforto dos bancos, a lentidão da marcha, o lado do negro do fumo. Provocava fogos, diziam- graças a Deus que de então para cá nunca mais tal coisa vimos! O futuro estava nas quatro rodas, de preferência individuais e nessas mortalhas de alcatrão negro que nos levavam à porta e haviam de cobrir o país. Recusaram-se propostas de modernização e ignoraram-se sugestões de aproveitamento turístico. Em 27 de Dezembro de 1983, cobriram-no com coroas de flores e bandeiras e chamaram-lhe "Histórico", porque não se diz mal dum defunto. Pela última vez, o seu apito ecoou ao entrar na ponte, ampliado pela dimensão do vale e do silêncio das gentes que lhe prestavam a última homenagem, suspeitando estarem a enterrar muito mais do que aquela massa de ferro que se despedia por entre nuvens de fumo branco.
Mas os senhores deste mundo, não conhecem a ironia corrosiva do beirão. Vamos ouvindo as notícias sobre a crise do petróleo e os insuportáveis custos da energia e, então, fecho os olhos e imagino-me na sala de jantar da saudosa Pensão Jardim, amplas janelas abertas para o vale e para a ponte. Recordo o som cadenciado da aproximação e aquele silvo agudo que desperta e grita: "acordem, vouzelenses! Temos um comboio para apanhar".
Ao Carlos Pereira
A exposição que a Associação D. Duarte de Almeida inaugura, neste 5 de Novembro, no Museu Municipal de Vouzela, deve muito ao investimento e ao entusiasmo do nosso colaborador, Carlos Pereira. Contactamos com ele, pela primeira vez, em 2007, numa altura em que dinamizava um blogue irónica mas certeiramente chamado "Postal de Vouzela". Já então tinha publicadas dezenas de imagens da vila, revelando um amor pela terra onde, jovem, andou a estudar. Mais tarde, decidiu integrar o grupo de colaboradores do "Pastel de Vouzela" e o resultado final é conhecido: muitas das mais de duzentas imagens da região de Lafões que publicamos, vieram da sua coleção particular. Mas um outro interesse sempre o animou que, curiosamente, ligava bem com as iniciais, "CP", com que assinava e assina os seus textos: a história da linha do Vale do Vouga. Esta exposição é o resultado desse interesse, mas também uma simples homenagem a um homem que, embora afastado da região, a sente como poucos. Obrigado, Carlos Pereira. Vouzela precisa de amigos como tu.
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sexta-feira, novembro 01, 2013
Há 100 anos o comboio chegou
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segunda-feira, outubro 21, 2013
sábado, outubro 19, 2013
Porque hoje é sábado
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segunda-feira, outubro 14, 2013
Onde fica?
Um delicioso pastel de Vouzela ao primeiro que descobrir em que estação da Linha do Vouga é que esta foto do railcar Me53 foi tirada.
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CP
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quinta-feira, outubro 10, 2013
"Portugal tem a maior área de eucalipto plantado de toda a Europa"
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segunda-feira, outubro 07, 2013
sábado, outubro 05, 2013
quarta-feira, setembro 25, 2013
Contra os mitos marchar, marchar!
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sexta-feira, setembro 20, 2013
Crónica do tempo que passa
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quinta-feira, setembro 12, 2013
Foi você que falou em "pretensões turísticas"?
É um problema antigo e, por isso mesmo, ainda mais irritante: passeamos pelos locais mais interessantes, escolhemos os melhores ângulos para uma fotografia e... lá está o diabo de um fio elétrico a estragar a composição. Às vezes, até a instalação toda! Não, não somos saudosistas dos lampiões de carbureto. Apenas sabemos haver alternativas mais de acordo com as pretensões turísticas de Vouzela.
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quinta-feira, setembro 05, 2013
O "Pastel de Vouzela" e as eleições autárquicas
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segunda-feira, agosto 26, 2013
Demolir, porquê?
Este edifício integra um conjunto ainda com alguma harmonia, fronteira com zonas da vila onde, desde há muito, o disparate é rei. Ele próprio integra alguns elementos característicos de um certo tipo das nossas construções em pedra. Ora, o mais elementar bom senso aconselharia a que os serviços técnicos duma terra que diz ter pretensões turísticas, não só tudo fizessem para o preservar, como informassem os seus proprietários sobre o modo de o adaptar às exigências atuais. Pelo contrário, pelo que lemos no "Notícias de Vouzela", parecem antes disponíveis para alargar o espaço da asneira.
Já há muito que alertamos para a importância de se protegerem marcas da nossa identidade, sobretudo quando se sabe que o maior trunfo de toda a região é a paisagem e o maior trunfo de Vouzela é o equilíbrio que ainda mantém entre o património natural e o edificado. Qualquer projeto turístico só terá viabilidade se assentar nesses pilares e tiver consciência de que ninguém nos procura para estar fechado entre quatro paredes, por melhor que seja a animação- disso, há melhor bem mais perto dos grandes centros. Por isso mesmo, é da máxima importância tudo o que possamos fazer para preservar os nossos aspetos mais característicos e não os limitar a essas espécies de disneylândias do antigo que dão pelo nome de "centros históricos".
Os serviços técnicos duma Câmara Municipal, naturalmente dependentes das orientações da sua direção política, têm que ser o melhor centro de recursos que alerta, aconselha, encontra soluções ao serviço do interesse coletivo. Não precisamos de recuar muitos anos, para recordarmos situações em que, em Vouzela, alguns projetos "popularuchos", do agrado das estratégias políticas do momento, foram travados por quem, na altura, soube usar os seus conhecimentos. Na situação atual, pelo contrário: ou os serviços técnicos têm informações (que desconhecemos) que possam justificar a demolição do edifício, garantindo a defesa e o melhoramento do conjunto lá existente, ou arriscam-se a serem, eles próprios, encarados como um dos (muitos) problemas que Vouzela tem que resolver.
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Zé Bonito
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quinta-feira, agosto 22, 2013
As Festas da Nª. Srª. do Castelo: a minha reflexão
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Pedro
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quarta-feira, agosto 21, 2013
"Olhe para as plantas e para as árvores e começará a compreender este país"
A citação que usamos como título é de Roberto Bolaño (1) e qualquer especialista na matéria confirmará que tem um alcance universal. Pelos piores motivos, percebemos o seu significado sobretudo no verão, quando as chamas cobrem o país. Nessa altura, opinamos como se todos fôssemos experientes bombeiros e competentes gestores florestais. Depois... passa-nos. Diz quem sabe que os fogos evitam-se, dificilmente se combatem. Conhecer o que estamos a fazer com a nossa floresta, talvez ajude. Promover a criação de gado, também.
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(1)- Roberto Bolaño, Os Dissabores do Verdadeiro Polícia, Quetzal, 2011
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Zé Bonito
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