terça-feira, janeiro 22, 2013

Coelhos úteis

Sempre atentos à produção nacional, retirado daqui com a devida vénia. O original foi publicado no Diário de Lisboa de 19 de Janeiro de 1942.

sábado, janeiro 12, 2013

Há quem não vá ter direito a uma única linha na nossa História, mas ocupe demasiado tempo a dar-nos cabo da paciência

"Ando, aqui por Oliveira de Frades, um pouco de cara à banda, porque olho para o meu país e sinto-o, perigosamente, dividido em dois: de um lado, uma concentradíssima faixa litoral, do outro, grande parte do território a definhar, a perder gente, a desertificar-se. Este é o dilema que quero desvendar: porquê? (...)  Se tenho saudade dos Afonsos e dos Sanchos, do Dinis, que começaram a construir uma nação da serra ao mar, com forais, com póvoas marítimas, com feiras, com mecanismos de atracção e fixação de pessoas, recordo também Pombal que pensou em Lisboa e sua reconstrução, depois do devastador terramoto de 1755, mas não esqueceu Vila Real de Santo António e o seu pescado, a Covilhã e a tecelagem, o Douro e Carcavelos e os vinhos, a Marinha Grande e os vidros... Da outra malta que para aí tem andado, na Monarquia e na República, quase nem me lembro a este respeito. Talvez Fontes Pereira de Melo, em parte. Pouco mais. Imputo a essa gente que não tem cuidado a sério do meu país a responsabilidade por este desastre nacional"- In, Um país desalinhado, Frei do Gozo.

domingo, janeiro 06, 2013

Vouzela, 2013

 (Foto carregada através de telemóvel)

Vouzela, 2013. Do alto do Castelo continua a avistar-se o mundo. Não tarda e a variedade de castanhos que dominam o horizonte vai ser substituída pelas cores do renascer da primavera- começa a faltar o verde vivo das videiras. As mimosas vão florir, assim como os loendros, enquanto as águas dos rios fazem o seu curso, tropeçando aqui e além nos disparates dos homens. Ah, os homens! Há memória de santos e moiras encantadas, há obras de outros tempos que registam o que fomos, há, sobretudo, saudade. Mas temos a desagradável sensação de não haver presente. Pior do que isso, muitos já não acreditam conseguir encontrar os caminhos do futuro, como se, ao contrário da natureza, estivéssemos condenados a um inverno permanente. Não estamos.

O ano que agora se inicia, tanto pode ser o fim de um ciclo, como a sua continuação. Depende de nós. Com eleições autárquicas marcadas para outubro, tanto podemos exigir que os candidatos se vinculem a objetivos precisos e claros, como podemos deixar que tudo continue como dantes, assistindo à tradicional feira de vaidades de desfile de nomes sem ideias e, sobretudo, sem compromissos. Os estudos de opinião que circulam por Vouzela, mostram que há quem se esforce por manter a aldrabice da primeira opção. Cabe aos vouzelenses a última palavra, na certeza de que a inversão da atual caminhada para o abismo, exige muito mais do que voluntarismo e uma lista telefónica recheada de contactos sonantes. Exige estudo que permita identificar a causa das coisas e perceber qual a margem de manobra que nos resta.

Anos 50: o fim de uma época

No anos 50, ainda por aqui se faziam sentir alguns dos efeitos da época do volfrâmio que, por exemplo, justificavam que fossem das freguesias da mineração o maior número de registos de viaturas automóveis do concelho. Mesmo assim, a indústria hoteleira local sentia já inequívocos sinais de crise, confirmada pela subida dos números da emigração. Com uma agricultura em minifúndio e de nula rentabilidade, era muita a mão-de-obra excedentária. Mesmo assim, em 1957 existiam 32 escolas no concelho (7 femininas, 7 masculinas e 18 mistas) e 17 "postos escolares", frequentados por 1668 crianças (890 rapazes e 778 raparigas).
 
Na mesma década, projetava-se a construção de um "santuário" e de um lago artificial no Castelo (1), discutia-se um plano de urbanização que previa um hotel em frente de outro já existente (o Mira Vouga) e um "bairro operário", o que levava o Notícias de Vouzela a chamar a atenção, com alguma ironia, para o facto de não existirem fábricas que o justificassem. Foi, ainda, nos anos 50 que, com o apoio de emigrantes do Brasil, se relançou a Associação de Futebol "Os Vouzelenses" e que outros emigrantes ilustres, os irmãos Pimenta, lançaram a idea da construção do "Prédio das Coletividades" (atual sede dos bombeiros), projeto que foi aproveitado para abrir artérias e novas zonas de expansão da vila. Na verdade, Vouzela agarrava-se desesperadamente ao poder económico dos seus emigrantes, em busca de alternativa a uma época que sentia terminar.
  
Os Planos de Fomento e o fracasso da reforma da agricultura

Neste mesmo período, a política económia nacional foi dominada pelo lançamento dos "Planos de Fomento" (Lei 2058, de 1953). Neles se foi assistindo ao aumento da influência dos que defendiam um maior investimento na industrialização do país, mas, simultaneamente, ao progressivo abandono de qualquer tentativa de reformar a agricultura e, sobretudo, a propriedade rural, projeto constantemente travado pelos grandes agrários. Aliás, a influência e a agressividade deste grupo, talvez justifique alguma da indiferença que os "engenheiros" (como eram popularmente designados os partidários da industrialização) demonstraram pelo problema agrário português (2).


O capítulo seguinte desta história, é conhecido: entre 1960 e 1970, mais de um milhão de portugueses foi obrigado a emigrar. No mesmo período, Vouzela perdeu mais de 2 mil habitantes, iniciando aí um processo de despovoamento que vem até aos nossos dias. Se olharmos para os dados  estatísticos de São Pedro do Sul ou de Oliveira de Frades, vemos que eles nos contam a mesma história. Entre 1960 e 2011, os três concelhos perderam 13120 habitantes, sendo Oliveira de Frades o que, apesar de tudo, registou menor oscilação (5,4%), descendo de 10858 habitantes em 1960, para 10261 em 2011.

A "origem" dos nossos males 
  
Claro que muita água correu desde então, muita "orientação estratégica" e, sobretudo, muitos "fundos". Mas em todo este processo não só nunca se resolveu o problema da agricultura e da propriedade do solo, como antes se procuraram aproveitar as suas fragilidades. E é aqui  que, talvez, devamos procurar a "origem" dos nossos males. O processo crítico vivido por Vouzela, não foi diferente do que viveram terras com as mesmas características, enredadas no drama de ausência de alternativas a uma agricultura de pouco valor acrescentado, incapazes de desenvolver ou atrair atividades económicas que, de forma consistente, empregassem os excedentes do setor agrícola em crise e fixassem população. A opção selvagem pela construção, também está relacionada com este fenómeno (embora não tenha nele a sua única justificação), pela facilidade de integração de uma mão-de-obra pouco qualificada.

Dos três concelhos de Lafões, aquele em que foi mais visível este uso da construção civil como compensação ao abandono da agricultura, foi Oliveira de Frades. Daí resultou também ser nesse concelho que, mais cedo,  se perceberam as consequências de  não se conseguir compatibilizar a opção industrial com a preservação dos aspetos mais significativos do seu património cultural. A verdade é que, apesar de tudo, Oliveira de Frades não beneficiou da crise dos vizinhos e não conseguiu evitar a quebra populacional, nem um índice de envelhecimento superior à média nacional.

Vivemos, pois, a parte final de uma história de erros estruturais cometidos e sentidos em todo o país e que, no fundamental, foi contada com o mesmo enredo em todas as regiões do interior. Ao longo dos tempos, foram acrescentados outros erros que agravaram a situação e retiraram coerência ao território (3), mas a parte mais triste, manteve-se: abandonaram-se atividades em vez de se estudarem melhores práticas; ignoraram-se recursos, em vez de os rentabilizar; preferiu-se o exibicionismo do jogo de influências à ação coletiva. Um pouco na linha dos disparates cometidos noutras épocas históricas, permitimos que nos impusessem a atitude daqueles afortunados herdeiros que, tendo recebido rico património, se limitaram a delapidá-lo, contentando-se em abandonar, sucessivamente, os salões onde o telhado começava a meter água, em vez de aprenderem a mudar as telhas.

O que vai estar em causa nas próximas eleições para as autarquias locais, é saber quem tem o engenho necessário para começar a "mudar as telhas", independentemente de ser "loiro" ou "moreno". Importa, pois, por á prova a arte do "operário", antes de lhe garantir emprego. 

Do alto do Castelo continua a avistar-se o mundo, umas vezes em límpidos e amplos horizontes, outras encoberto por uma neblina que só aos poucos deixa adivinhar o verdadeiro contorno das coisas. Talvez seja esse o problema. No alto do Castelo, tanto nos podemos sentir acima das núvens, como ter noção da imensidão da queda.
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(1)- Notícias de Vouzela de 16 de Janeiro de 1957.
(2)- Numa altura em que alguns defendem que há reformas que exigem a "suspensão da democracia", é importante saber que a do emparcelamento e reemparcelamento da propriedade rural, nem a ditadura conseguiu concretizar. Sobretudo, é importante perceber porquê.
(3)- Sem qualquer espécie de "bairrismo", a "promoção" de São Pedro do Sul a cidade, foi uma medida que se limitou a "fazer festas" nalguns egos de maior influência, mas que revela uma enorme ignorância sobre o significado histórico de cidade, numa região em que existem duas bem consolidadas (Aveiro e Viseu), separadas por algumas dezenas de quilómetros e com boas vias de comunicação.

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Vouzella - Casa da Cavallaria (Azillo - Hospital)

Para terminar o ano em beleza, assim como a minha participação regular com imagens de Vouzela, apresento um fantástico postal de 1900, nunca antes aqui mostrado.

Desejo a todos um excelente ano de 2013 com a promessa de que sempre que adquirir nova imagem ou curiosidade antiga de Vouzela, será aqui imediatamente apresentada.

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É um final em beleza. Desde abril de 2008 que o Pastel de Vouzela teve o privilégio de publicar a fantástica coleção de postais do Carlos Pereira (CP). Foram centenas de imagens, pedaços da nossa história que, certamente, exigiram um grande esforço para adquirir, mas também- estamos certos- deram um grande prazer a quem muito ama estas terras. O nosso sincero agradecimento ao Carlos, pela riqueza que trouxe a esta sua casa, onde sabe ter sempre as portas abertas. 
Zé Bonito 
(Todas as imagens antigas por nós publicadas, podem ser consultadas neste destaque da coluna da direita).

sábado, dezembro 22, 2012

Vouzela precisa de mais

Bad luck, Videmo

A Câmara Municipal de Vouzela apresentou o orçamento e o plano de atividades para 2013. Segundo conta a VFM, perante as críticas da oposição sobre a ausência de medidas que enfrentem o despovoamento do concelho e o encerramento de serviços, o presidente Telmo Antunes terá respondido que "(...) as obras e investimentos previstos nos documentos falam por si". Por acaso falam, mas... não dizem grande coisa.

Vamos por partes. Ao vereador Luís Alcides é, normalmente, atribuído o mérito de por alguma ordem na situação financeira da Câmara. Honra lhe seja feita. Também se percebe que a maioria PSD procure capitalizar a competência que lhe é reconhecida, tentando enfatizar a componente "técnica" das opções que faz. Por isso mesmo, aquando da apresentação do orçamento e do plano de atividades de 2013, foi dado legítimo destaque ao muito que melhorou na sua área de intervenção. O problema é que, por detrás da "técnica", estão escolhas políticas e são essas que criaram o impasse em que nos encontramos.

Um dos dogmas que sempre orientou as equipas lideradas por Telmo Antunes, é o de que a Câmara não deve interferir na economia, área que, em sua opinião, é para ficar limitada à iniciativa dos privados. Como já por diversas vezes aqui dissemos, este princípio não passa de  uma figura de estilo e, na pior das hipóteses, pode ser uma mentira grave. "Interferir na economia" foi o que as câmaras deste país se fartaram de fazer, quando entraram descaradamente nos truques da especulação imobiliária, da alteração do estatuto dos terrenos, da invenção de obra para justificar a captação de fundos europeus. Olhe-se para a recente alteração feita ao PDM de Vouzela e facilmente se encontram tais... "interferências".

No entanto, foi esta orientação (política) que secundarizou um papel mais ativo do município na mobilização de vontades e na adoção de medidas de discriminação positiva, erros que a dureza da crise que vivemos atenuou, mas não anulou. De acordo com o que está a ser divulgado pela VFM, para 2013 continuamos a ter, como "obra de maior destaque", mais uma das chamadas "zonas industriais" (neste caso a de Queirã, com 800 mil euros de investimento previsto), sem que alguma vez tenha sido explicado onde estão essas empresas, esses investidores, ou que outros fundamentos presidem a essa estratégia, numa altura em que o concelho vive um aceleradíssimo processo de despovoamento (também seria interessante saber o que impede a oposição de pedir esclarecimentos sobre este assunto).

Depois, uma série de outros investimentos que não surgem articulados, nem parecem justificados como "motores" de qualquer plano estratégico: "(...) 230 mil € em caminhos florestais, 365 mil € em defesa da floresta, 200 mil € no cemitério de Campia, no turismo, na rota Vouzela, 163 mil €, nos bungalows 81 mil € (P. Campismo) e na animação cerca de 100 mil €. O cineteatro vai ser objecto de requalificação, está com graves problemas ao nível das infiltrações de água, vai merecer um investimento considerável. Vamos ainda investir 200 mil € na rede de esgotos".

Sem por em causa a importância de qualquer deles (até porque não os conhecemos em pormenor), não se percebe como é que este plano pode responder aos problemas do despovoamento acelerado e do encerramento quase generalizado dos serviços. Fazem muito bem em investir no parque de campismo, mas, do que Vouzela precisa, é duma estratégia para o turismo que tem que ir muito para além de "bungalows" e de "animação". É importantíssimo investir na "defesa da floresta", mas essa atividade tem que ser entendida numa perspetiva integrada, negociando com os produtores a defesa de espécies endógenas (cuidado com a legislação que promove a expansão do eucalipto!) e em articulação com outras atividades económicas.  Por último, dá que pensar que  uma equipa que tanto se orgulha das suas estrondosas vitórias eleitorais, fuja de tudo quanto não seja "obra visível" como "o diabo foge da cruz", continuando a adiar a resolução dos graves problemas sentidos no concelho quanto a água e saneamento (200 mil euros de investimento previstos).

Vouzela precisa de muito mais. Precisa de acreditar que os seus responsáveis aprenderam com os erros do passado que, pela negativa, são todo um programa. Precisa de ser mobilizada em torno de propostas efetivas de mudança e não desperdiçar esforços em querelas inúteisPrecisa de acreditar, que não está condenada a medidas de "faz de conta". Vouzela precisa de esperança! 
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Sim, Vouzela precisava de muito mais. Por isso, também não se compreende o elogio feito pelo vereador Viriato Garcez, eleito pelo Partido Socialista, ao facto dos documentos privilegiarem a captação de fundos comunitários, como se a simples vinda de dinheiro fosse critério, independentemente do modo como se prevê gastá-lo. Será que não aprendemos?

segunda-feira, dezembro 17, 2012

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Portugal em postais

Imaginem um arquivo de imagens de todo o país, atravessando várias épocas, de acordo com a escolha de fotógrafos que, ao longo dos tempos, foram registando os ângulos mais significativos, posteriormente divulgados sobre a forma de postais. É isso que se tenta fazer em "Portugal em postais" que pode ser consultado a partir deste link: www.facebook.com/PortugalEmPostais. Toda a região de Lafões está bem representada. Por favor, visite.