quinta-feira, novembro 18, 2010

Vamos falar (pouco) de cogumelos

"(...) a quantidade de variáveis que interferem na avaliação dos cogumelos é de tal maneira grande que não está ao alcance de curiosos".

Confesso: sempre fui daqueles para quem cogumelo é cogumelo e tudo se resume ao acompanhamento e ao tempero. Claro que nunca resisti a uns míscaros com carne de porco ou a um arroz dos ditos; claro que sempre os preferi aos enlatados champignons, mas tudo acabava por se resumir à designação genérica: "cogumelos" (e ao credo na boca com que sempre ataquei os primeiros...). Há dias, participei na 5ª Jornada Micológica de Lafões (*) e fiquei esmagado pela consciência da minha ignorância.

Antes de avançar por esses montes e vales a vasculhar por entre a manta morta, convém chamar a atenção para a organização destas iniciativas. Aproveitando as características do meio que ensinam a preservar, os responsáveis preocupam-se em associar várias outras actividades, criando uma cadeia de beneficiários que muito contribuem para que os numerosos participantes terminem com vontade de repetir- e muitos havia que tinham participado em todas as jornadas! É o tal espírito de cooperação que por aqui temos defendido, na certeza de que o único grande produto que temos é a própria região e que cada actividade ganha tanto mais, quanto mais consciência tiver da sua função ecológica: integrada num meio e dele dependente, em que o sucesso de uma depende do sucesso das outras. Exactamente como os cogumelos.

Há quem diga que existem cerca de 1500000 espécies de fungos. Têm uma importante função no equilíbrio dos ecossistemas, podendo aumentar a capacidade de absorção dos elementos naturais por parte das plantas a que estejam associados, ou decompondo a matéria orgânica que, depois, volta a estar à disposição das outras espécies. Como em tudo na vida, também neste mundo há "ovelhas ranhosas", ou seja, parasitas que provocam doenças ou até a morte. Ora, aquilo a que chamamos "cogumelo", mais não é do que a parte visível dos fungos (dos macrofungos), necessária à reprodução. Não se devem arrancar, nem destruir, mas sim cortar. Têm apanha regulamentada (Decreto-Lei 254/2009 de 24 de Setembro) e código de conduta. Têm um mercado em crescimento o que, como normalmente acontece, é meio caminho andado para a proliferação do disparate.

As cores do Outono

Por aqui, as diversas épocas do ano sentem-se. Cheiros e cores são sinais distintivos que marcam estados do tempo e fases do ciclo de vida de plantas e animais- por si só, justificam um programa. Pois foi com as cores outonais que acompanhamos esta viagem em busca de amanitas, boletus, sparassis crispas e o mais que aparecesse. Apareceram muitas, assim como uma fantástica merenda servida em plena mata da Penoita: duas variedades de bolas (uma de cogumelos), quentinhas, fabricadas por uma das padarias de Vouzela, queijos e "Vouguinhas" (especialidade das Termas de São Pedro do Sul), acompanhados por "líquidos" variados (por causa da desidratação, claro...), onde se destacavam alguns vinhos do Dão. Tudo isso num cenário que a fotografia acima modestamente descreve e após alguns quilómetros caminhados. Indescritível.

No final do dia, enquanto um dos responsáveis orientava o grupo numa rigorosa avaliação das espécies encontradas, o outro dirigia a equipa da cozinha do restaurante associado- Eira da Bica- numa imensa variedade de hipóteses de confecção, desde entradas, até sobremesas. Como se estava em plena semana da vitela de Lafões, os organizadores tiveram o cuidado de a integrar, acompanhada por um arroz de cogumelos.

"Não se devem arrancar, nem destruir, mas sim cortar".

Durante anos, a minha avó cozinhou uns fantásticos míscaros apanhados por "pessoa de confiança", a que acrescentava um "tira teimas" por ela considerado infalível: uma colher de prata em determinada fase da cozedura. Era uma mulher segura das suas crenças, a minha avó, e assim morreu (o que nada teve que ver com cogumelos, entenda-se). Anos depois, descobrimos que, afinal, a colher não era de prata, o que foi a minha primeira lição sobre cogumelos: o mais imprtante era mesmo a "pessoa de confiança".

Nesta Jornada, aprendi muito mais: a quantidade de variáveis que interferem na avaliação dos cogumelos é de tal maneira grande que não está ao alcance de curiosos- lá se reduziu a minha margem de confiança. Depois, talvez a lição mais importante de todas: não será tão depressa que me arrisco a comer cogumelos por mim apanhados. Mais um motivo para participar em próxima jornada. A não perder.
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(*)- Contactos dos organizadores:
Jorge Abílio
Mail: bilmarques@gmail.com
Telemóvel: 965588475

Rui Ramos
Mail: ruicardosoramos@gmail.com
Telemóvel: 965486082


segunda-feira, novembro 15, 2010

A Igreja Matriz

Haverá provavelmente em Vouzela muita gente que se lembra da Igreja Matriz como ela era no primeiro terço do Século XX...




sábado, novembro 13, 2010

Pormenores XXVII


VOUZELA

Pormenor da base da estátua do Conselheiro Morais de Carvalho

quinta-feira, novembro 11, 2010

Pensão Marques, antes das alterações dos anos 70

Imagens cedidas por José Augusto Ferreira

Foi uma referência da hotelaria de Vouzela e a última das unidades históricas a fechar as portas: a Pensão Marques. Da sua memória ficou o edifício, ali na Rua Ayres de Gouveia, resultado das obras de ampliação que lhe fizeram nos anos 70. A imagem que apresentamos é anterior. No terraço que aparece em primeiro plano, protegidos pela sombra das videiras, os hóspedes preguiçavam nas tardes quentes de verão ou davam dois passos de dança em matinés que marcaram época.
Escadas que ligavam o terraço às traseiras e edifício visto do lado poente da Rua Ayres de Gouveia.

segunda-feira, novembro 08, 2010

sábado, novembro 06, 2010

Pormenores XXVI


VOUZELA

Estátua do Conselheiro Morais de Carvalho

quarta-feira, novembro 03, 2010

Alerta vermelho, com madeixas

Foto de Guilherme Figueiredo

Amarelo, laranja vermelho- são as cores do sobressalto. Um estado de inquietação e alerta permanentes em que nos querem ver, como se corrêssemos o risco de ser invadidos por extraterrestres. Responsável? O "mau tempo". Vejam lá onde chegámos: até já chove em finais de Outubro...

Cai uma chuvinha e o "império" fica debaixo de água. Sobem as temperaturas e é como se vivêssemos numa caixa de fósforos. Perante a sucessão das imagens da "catástrofe", ninguém parece estar muito interessado em perguntar: "porquê"? Por que carga de água metade do País fica a boiar, mal caem as primeiras chuvas? O que é que correu mal? Foi o facto de chover em Outubro, ou foram antes obras mal planeadas, serviços desorganizados, irresponsabilidades nunca assumidas? Parece que nos adaptamos mais facilmente a estas, do que as uns pingos na cara e a umas rajadas de vento forte.

Na Assembleia Municipal de Vouzela, uma voz levantou-se para denunciar ciclos de falta de água em Figueiredo das Donas. Sabe-se que o assunto não é novo, nem exclusivo dessa freguesia. Sabe-se, até, que ainda o PS estava à frente da Câmara, já se desenhavam soluções a partir da (então hipotética) barragem do Pinhosão. Pois é. O que ninguém parece saber, é explicar como se chegou a este ponto, numa região que nunca teve falta de água. Talvez tenhamos que procurar respostas em obras mal planeadas, pouco ou nada fiscalizadas, irresponsabilidades nunca assumidas. Talvez seja tempo de percebermos ( e denunciarmos) que uma obra mal feita, justifica outra para a corrigir, numa espiral de contratos e despesas que "alguém" há de pagar. Até lá, propomos que se crie uma nova categoria de alerta: o vermelho, com madeixas. Para a estupidez e a irresponsabilidade.