sexta-feira, agosto 06, 2010

Festas



A propósito da actuação dos Deolinda, hoje, nas Festas do Castelo. A propósito...

Movimento Perpétuo Associativo

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...

"Movimento Perpétuo Associativo" em "Canção ao Lado" dos Deolinda.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Nas Chãs, com direito a camarote

Equipa da Sociedade Musical Vouzelense no campo das Chãs, com a bancada de madeira em fundo

Andava o mundo aos tiros lá pelos idos de 40, quando por estas terras se viveu um surto tal de enriquecimento que a muitos fez corar de vergonha. "O mal de uns é o bem de outros", seria a explicação do fenómeno que torto nasceu e nunca se endireitou: o volfrâmio. Mestre Aquilino comparou-o ao maná bíblico e são muitas as histórias de charutos acesos com notas, ou de reluzentes canetas de ouro a ornamentar o bolso de peito de analfabetos. A verdade é que já durante a 1ª Guerra Mundial a loucura foi tão grande, que o próprio Monte do Castelo foi esventrado e a estrada romana levantada na busca do metal e em plena década de 50, os poucos automóveis registados no concelho de Vouzela, ainda tinham significativa concentração nas freguesias da mineração. Adiante.

Numa antecipação do que se viria a registar cinquenta anos mais tarde, aquando da boom da "política de betão", o futebol beneficiou da abundância. Muito dinheiro foi investido na contratação de jogadores e o campos das Chãs foi melhorado. Um dos melhoramentos, foi a construção de uma vistosa bancada em madeira trabalhada, com geral e camarotes de onde se imagina sair o fumo dos charutos acesos- quem sabe?- com notas de conto.

É essa bancada que se mostra na imagem, durante a festa comemorativa do XII aniversário da Sociedade Musical Vouzelense, em 14 de Fevereiro de 1943. Em primeiro plano, a garbosa equipa de músicos que, pelo "porte atlético", imaginamos ser a dos "casados". Exibem o equipamento emprestado pela Associação de Futebol "Os Vouzelenses" e... a sombra do fotógrafo.


Esta e outras curiosidades podem ser encontradas na publicação com que "Os Vouzelenses" decidiram comemorar os seus 80 anos de vida: "Imagens com histórias". Vai ser lançado durante as Festas do Castelo, registando a inauguração das Chãs que, graças ao capital dos seus fundadores e ao trabalho voluntário de muitos populares, abriram pela primeira vez as "portas" no domingo das festas de há 80 anos. Lá estaremos, no "Jardim", local onde os registos dizem ter nascido o clube, numa altura em que era conhecido por Alameda da Corredoura e ornamentado por tílias. Com textos de Fausto Carvalho, Gil Campos, Girão de Almeida e João Abílio Martins, é um trabalho da Deriva Editores. Arranjos gráficos da "nossa" Filipa e tratamento de imagem da FotoBela. Dia 7 de Agosto, pelas 16 horas.

terça-feira, agosto 03, 2010

Hora Nostálgica #2


segunda-feira, agosto 02, 2010

Locomotiva E124

Digam lá que não é uma foto do outro mundo...


Foto datada manualmente de 10-06-1969, sem referência ao autor (adquirida num leilão).

sábado, julho 31, 2010

Pormenores - XII


Vouzela

Fonte da Nogueira

sexta-feira, julho 30, 2010

A propósito de fogos

"Já agora, o pessoal antiquado e medieval dessa empresa caduca chamada Google decidiu usar rebanhos para gerir os mais de cem hectares dos espaços exteriores da sua sede. Dizem eles que uma empresa que olha para o futuro como a Google tem de perceber a sua responsabilidade para com a terra e a sociedade e diminuir a sua pegada de carbono, e pela avaliaçäo que fizeram substituir outros métodos de corte da vegetaçäo por gado miúdo era a mais eficiente maneira de obter o mesmo resultado com menor impacto ambiental.
Adenda: actualizaçäo sobre o uso de cabras pela Google. Pode ser que ao associar as cabras à Google eu consiga finalmente convencer alguém de que estou a falar do futuro, e näo do passado"-
Henrique Pereira dos Santos, in Ambio (mais reflexões sobre este tema)

quarta-feira, julho 28, 2010

Festas do Castelo em 1937

Programa das festas do Castelo, publicado no "Notícias de Vouzela" de 1 de Agosto de 1937 (clique na imagem para ampliar)

"Mais uma vez as festas do Castelo se vão efectuar, dando animação à terra, vibração aos espíritos e alegria a todos.
Apesar das inúmeras dificuldades de tôda a espécie, nosso bairrismo não as deixa morrer, e de ano para ano vão melhorando.
E no dia da festa, a vila enche-se de galas; há mastros com bandeiras, festões de verdura, balõesinhos, fôgo de vistas, música e muita gente que gosa o arraial alegremente.
Todos estreiam os seus fatos, os seus vestidos, e as raparigas dão a nota de côr.
A maioria daquêles que estão fora de Vouzela, escolhem êste dia para cá estarem, e os que estão longe, no ultramar, recordam com saudade estas festas, as de domingo cá em baixo na vila, e as de segunda feira lé em cima, no monte do Castelo, onde são imolados à festa pagã, dezenas de leitões assados e dezenas de pipos de belo vinho vêrde da Lafões.
Mas aquêles que estão no Brazil ou na África, nunca perdem a esperança de voltar a gozar êste dia, e êsse dia chegará sempre" -
Luiz (1)

Os documentos que publicamos, são testemunhos de outras formas de viver as "festas" que se aproximam. Em tempos de menor oferta, o acontecimento justificava fato novo e "comboios especiais, a preços reduzidos, organizados pela Companhia do Vale do Vouga". Vouzela acordava às seis da manhã com "salva de 21 tiros" e marcava encontro com os seus ainda poucos emigrantes ao longo de três dias animados por bandas e ranchos folclóricos. Havia chá e caldo verde servidos pelas "gentis meninas" da vila e tudo terminava numa monumental merenda, espécie de romaria à razão de ser tudo isso: o monte da Senhora do Castelo.

Estava-se em 1937. Há um ano que a vizinha Espanha se encontrava a ferro e fogo e já poucas esperanças havia de evitar idêntico destino ao resto da Europa. Nos exames finais da "escola primária" participaram, então, 84 alunos do concelho (56 rapazes e 28 raparigas), sendo a maioria (22) da freguesia de Vouzela. Não houve reprovações. Mais adiantados, uma dúzia de jovens tinha direito a nome publicado nas páginas do jornal, devido aos bons resultados conseguidos em diversos níveis de ensino. O presidente da Câmara, Dr. Pinto Basto, anunciava a próxima construção de "passeios em cimento", nas ruas Mousinho de Albuquerque, Conselheiro Morais Carvalho e Avenida João de Melo e, devido às obras, o chafariz da Praça da República teve que ser transferido "para o Figueiredo- Largo do Convento". Foi há 73 anos.
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(1)- Todas as informações foram retiradas da edição de 1 de Agosto de 1937 do "Notícias de Vouzela".