quinta-feira, abril 29, 2010

Sei lá que título hei-de dar a isto

São de Lafões e certificadas. Chamamo-las pelos nomes.

Alguém quer que entremos em pânico. O modo como se tem abordado o problema da dívida sem apresentar uma única alternativa para o funcionamento da economia; o modo como se promove a "salvadores" os que há mais de vinte anos nos empurram para os problemas, só pode ter um significado: reduzir a acção reivindicativa das populações e reforçar o poder dos que já o têm. Deixemo-nos de tretas. O (curto) crescimento que tivemos baseou-se quase exclusivamente no mercado interno, através de uma especulação imobiliária que abusou de um recurso limitado (o território), que agradou aos "financeiros", mas endividou a população. Os principais grupos económicos nacionais viraram-se para os serviços e não produzem um alfinete. Mais: houve quem tivesse sido pago para não produzir! Querem culpados? Tentem todos os governos que tivemos desde que começaram a chegar os fundos europeus- é preciso chamar os bois (e as vacas) pelos nomes e disso percebemos nós.

"Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril", costuma repetir um vizinho meu que à data nem sequer tinha nascido, militante cartonado dum partido que eu cá sei. Ainda bem que o "fizemos" e que o comemorámos, este ano, com uma iniciativa que permitiu rever amigos- eles são a fonte inspiradora que nos permite encontrar caminho no meio da confusão. Claro que 36 anos fazem mossa e quando os "Vozes da Terra" atacaram os primeiros versos do "Venham mais cinco", muitos viraram-se para a figura do Cardoso numa altura em que o Benfica ainda só tinha marcado quatro...

Antes disso, já o presidente da Câmara tinha arrancado com um discurso de acordo com os tempos: números. A obra do poder local, traduzida em milhões de investimento e de gente mobilizada. Compreende-se. Para quem, há apenas 36 anos, mal conhecia os benefícios do saneamento básico e da água canalizada, faz todo o sentido ouvir os montantes do investimento. É um pouco como aqueles nossos velhos emigrantes que ostentavam o seu sucesso através de enormes casas cobertas de garridos azulejos. Na maior parte das vezes, as casas estavam mal concebidas e acabavam por provocar grandes despesas. Os números também. Sobretudo quando percebemos que, apesar deles, muitos dos problemas de há 36 anos, estão longe de serem resolvidos.

Mas, numa coisa tem o presidente da Câmara razão: não houve falta de dinheiro nem de recursos. Apenas foram desperdiçados.

Os anos têm-nos treinado e identificamos uma oportunidade perdida, um recurso desperdiçado à légua! Por isso, ao olhar para a mesa da sessão, ao ver a figura de homem simples daquele que a dinamizou e moderou, não pude deixar de me interrogar como tem sido possível desperdiçar o seu conhecimento. Entre tantas outras coisas, dirigiu a delegação do Fundo de Fomento de Exportação em Madrid, foi Adido Comercial da Embaixada de Portugal, Director da representação em Espanha do Banco de Fomento Exterior, responsável pelo Gabinete de Apoio Empresarial do Grupo Caixa Geral de Depósitos em Espanha, assessor do Banco EFISA... e é de Vouzela. Pois António Liz Dias tem sido "olimpicamente" ignorado pela maioria dos responsáveis locais. Há quem garanta que é por medo e inveja. Penso que é por ignorância. É a tal lição da "Alice": para perguntar, é preciso saber onde se quer ir. Na verdade, poucos têm sabido, para além de eventuais projectos pessoais.

Já à noite, dizia-me um investidor local que Vouzela tem procura, sobretudo as suas ofertas de maior qualidade- sempre assim foi. Recursos não faltam. Basta que não os desperdicemos e tenhamos a humildade de perguntar. Nada de entrar em pânico.

segunda-feira, abril 26, 2010

S. Pedro do Sul - Estação

Um aspecto da linha férrea.

(carimbo de 28 MAI 18)

Ed. Sebastião & Sobrinho

domingo, abril 25, 2010

Foi há 36 anos

(Clique nas imagens para ampliar)

Era habitual as notícias da manhã chegarem à tarde e, às vezes, nem chegarem. As de cá, chegavam de 15 em 15 dias. Daí, as do 25 de Abril terem chegado no 1º de Maio que, por sua vez, arrancou quatro dias depois...


Vouzela adaptava-se aos novos tempos, acorrendo a ouvir muitos dos que, nos antigos, nunca admitiram que os calassem. Foi há 36 anos.

quinta-feira, abril 22, 2010

A Revolução... dos desejos

Em semana do 25 de Abril, justifica-se recordar o tempo em que a Associação de Futebol "Os Vouzelenses" tentou impulsionar uma renovação de valores no futebol local. Apontaram-se caminhos para uma revolução de práticas. Como em muitas outras áreas aconteceu, ficou-se pela revolução... dos desejos. É mais um episódio dos 80 anos que se comemoram.

Em Setembro de 1974 foi divulgada uma proposta, assinada por Bandeira Pinho, que cortava com princípios organizativos anteriores. Privilegiava a prática desportiva saudável que pretendia massificar, desvalorizava os resultados, substituía a figura do presidente por uma comissão directiva, transferia para os jogadores as decisões sobre equipas e tácticas, impunha a publicação trimestral de todas as receitas e despesas.

Pouco depois, houve eleições para os corpos directivos da Associação. A única lista candidata, de que faziam parte todos os jogadores seniores, adoptou o documento como programa- foi eleita por aclamação. Logo a seguir, enviaram a seguinte circular a todos os clubes do distrito de Viseu:

“(…)
A Direcção de ‘Os Vouzelenses’, composta por todos os jogadores e alguns dos muitos amigos do nosso clube (…) está decididamente disposta a colaborar na dignificação do desporto nacional.

A Direcção de ‘Os Vouzelenses’ quer afirmar a esse simpático clube que está disposta a lutar pela melhoria do comportamento em todos os campos de futebol.

‘Os Vouzelenses’ afirmam, desde já, que estão dispostos a ser dignos adversários.

‘Os Vouzelenses’ saberão lutar pela conquista da paz nos campos por onde passarem.

‘Os Vouzelenses’ estão dispostos a ajudar à instauração da disciplina, da amizade e camaradagem entre todos os clubes.

‘Os Vouzelenses’ dão as mãos ao vosso clube.

Juntos saberemos lutar por um desporto melhor.

(…)”

Se terminasse aqui, a história teria final feliz. Mas não terminou e a continuação não teve tão nobres princípios. Os novos dirigentes recusaram participar no que consideraram "uma manobra para manter no poder a direcção da Associação de Futebol de Viseu". Coincidência ou não, "Os Vouzelenses" foram alvo de uma chuva de castigos, viram as Chãs interditadas e a permanência na 1ª Divisão Distrital só foi garantida na última jornada. Pelo meio, houve invasões de campo e pancadaria de criar bicho. A "conquista da paz" ficou adiada...

Mas, o que interessa é a intenção e nem sempre a realidade acompanha o passo dos desejos. Além do mais, como por aí se ouve, o 25 de Abril ainda não chegou ao futebol.

segunda-feira, abril 19, 2010

Hotel Mira Vouga visto da Foz

No tempo em que se pintavam os postais...

1950's


Colecção Portugal Turístico, Vouzela - n.º 8
(esta colecção também foi emitida a preto e branco)

domingo, abril 18, 2010

Janelas e varandas floridas em Vouzela

De "purista" não tenho rigorosamente nada. Esta ideia de original nada tem, é até já uma teimosia de algumas pessoas de Vouzela de há já alguns anos, mas que não vingou e desconheço os motivos que levaram a isso. Talvez uma questão de "gosto" ( e defendo que os gostos se discutem, principalmente os desta índole) , por parte das pessoas que quiserem levar esta iniciativa a cabo. Se bem se lembram, aquando das "melhorias" da zona histórica de Vouzela (que até teve direito a gabinete de técnicos), consta que foram feitos estudos sobre tudo e coisa nenhuma. Pois algumas iniciativas estão a mostrar um mau trabalho executado por quem fez os "levantamentos" e orientações para as obras. Falo em concreto da Rua da Ponte e da Rua de S. Frei Gil. Não me interessam os inquéritos feitos aos residentes nesses locais, a quem os crachás da Câmara intimidaram, e não responderam o que efectivamente pensavam. Nas conversas que tinham comigo criticavam , considerando que o melhor, por todos os motivos, era deixar como estava. Parte desse projecto, e não tenho elementos concretos, não foi realizado, na sua totalidade. Uma cópia, pode servir de ideia, de inspiração, que deve ser amadurecida e adaptada ao local em causa. Posso gostar muito da forma como em qualquer sitio uma rotundo se encontra decorada, mas se a colocar na minha terra, pode simplesmente ficar horrível. Se não antes, é na chamada intervenção na zona histórica, que surge a ideia das floreiras às janelas. E sim, ainda me lembro da zona (já lá vão uns anos) ter essa mais valia.

Vouzela e os seus responsáveis esquecem, ao tomarem iniciativas, de as analisar convenientemente. A Zona Histórica de Vouzela é exactamente a própria Vila, desde o cemitério até à Fonte da Nogueira (de tantas boas lembranças), com incursões por outros pequenos lugares (não provados, mas que até se justificam). Mas em todo o seu restante nunca teve floreiras nas janelas (só por ex. Av. João de Melo, Rua Morais de Carvalho). Muita gente e com responsabilidades parece que perde a memória (recente) desta terra.


Sempre defendi o que é tradicional e revolto-me com o que nada tem a ver com esta terra, onde fui nada e criada, que tanto me diz desde a minha infância até aos dias de hoje. È com amargura e muita tristeza que a vejo mal tratada. Dá-me uma dôr de alma que muitos podem atestar.

É técnicamente dificil manter ao longo do ano as flores - que amo. E agora pasme-se . Vou aderir a esta iniciativa da Junta de Freguesia, como já aderi a outras.

A Junta tem procurado fazer o que pode. Têm o meu louvor. Mas não desisto de que procurem outros horizantes, mais concretos, de maior valia, mais incisivos. É bvio que podemos sempre falar de flores... E então se fôr no Corpo de Deus... Há que incentivar e promover, bem como as procissões da Semana Santa. Mas basta de fazer por fazer. Há que encontrar o equilibrio e distinguir de facto o tradicional a preservar e o novo que tenha pernas para andar.

Vou aderir,como já disse, vou-me esmerar.
(parece-me que estou a falar de algo que a Câmara vai promover...)

Vouzela, nós, temos todos os dias que encontrar formas de dar o "abanão" que tanta falta faz.

sábado, abril 17, 2010

Mãe Natureza mete filhos na ordem

" Cerca de 16 mil voos foram cancelados só no dia de hoje na Europa, na sequência do encerramento do espaço aéreo de vários países devido à nuvem de cinza vulcânica proveniente da Islândia". - RTP.


Já fez mais para ultrapassar a crise energética do que todos os governos do mundo...