sexta-feira, março 12, 2010

"Uma aventura"... no reino do cimento

A ministra da Educação, Isabel Alçada, foi ontem surpreendida durante a visita à Escola D. Manuel I, em Beja, com uma situação inesperada: o pavilhão polivalente coberto, acabado de construir - ao abrigo do projecto de requalificação do edifício escolar -, deixa entrar água a ponto de interditar o espaço às aulas de Educação Física. A governante, que disse ter sido informada da situação ontem de manhã, não escondeu o incómodo quando os jornalistas a confrontaram com o problema. E argumentou com uma insólita explicação. "Foi-me dito que o miniclima de Beja está relativamente diferente, graças ao Alqueva, que refrescou a cidade, e que tornou um pouco mais húmida esta zona."- Público, 10/03/2010
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Informamos o Ministério da Educação que em Vouzela não temos "miniclimas", umas vezes chove, outras não; umas vezes faz calor, outras até neva. Agradecemos portanto, que as nossas escolas levem um telhado que não meta água. Para isso já cá temos que chegue.

quinta-feira, março 11, 2010

segunda-feira, março 08, 2010

Um lindo trecho dos arredores...

Observe bem este postal, na resolução 1 x 1, que representa "Um lindo trecho dos arredores". Uma imagem banal de 1920 como há tantas pelo país fora.

 
Edição de Dias & Rocha

No entanto, só depois de fazer um scan de alta resolução para arquivo é que me apercebi de quão fantástico é este postal e o quanto se devem ter divertido os protagonistas. Reparou no pormenor em baixo à direita? 

(Clique na imagem para aumentar)


Delicioso, não é?

quarta-feira, março 03, 2010

A mobilidade dos estudos


Telmo Antunes e Viriato Garcez, "arrumaram" a proposta sobre o metro de superfície apresentada pela vereadora Carmo Bica, com o anúncio de um estudo sobre a mobilidade na região de Lafões. O assunto já entrou nas conversas locais, mais a brincar do que a sério, que é o modo como gostamos de tratar as coisas sérias que suspeitamos virem a ser usadas para brincarem connosco. Ora, ao falarmos em estudos sobre mobilidade, convém não esquecer a mobilidade dos estudos- não, não é um jogo de palavras.

Por mais técnicos que intervenham, as decisões sobre mobilidade são políticas. Por exemplo, quando decidimos concentar as crianças de uma região em centros escolares, estamos a tomar uma decisão política com consequências nas deslocações diárias das famílias. O mesmo se passa quando se aumenta o tempo de deslocação casa/trabalho, se desvaloriza a relação entre zonas rurais e urbanas, etc. Não venham, pois, com a máscara da "técnica", disfarçar opções que se devem, exclusivamente, aos responsáveis políticos (nacionais e locais).

Também parece evidente que não faz qualquer sentido fazer um estudo sobre a mobilidade, sem primeiro definirmos que caminho queremos percorrer rumo ao futuro. Entendemos a região de Lafões no seu conjunto, como um centro de múltiplos recursos complementares, ou continuamos cada um por si, invejando (e copiando) a galinha da vizinha? Entendemos que a paisagem é uma das nossas principais riquezas (como mostram todos os estudos!) e, como tal, deve exigir intervenções muito cuidadosas, ou acreditamos que o futuro está nessa coisa a que chamam "zonas industriais", prevendo-se a concentração das pessoas na sua proximidade? Defendemos que há alguma coisa a fazer na reabilitação de certos produtos agrícolas, ou essas áreas são para abandonar à floresta e a uma eventual nova vaga de cimento? As respostas a estas perguntas são determinantes na definição da política de mobilidade que queremos. Mais: são fundamentais para definir os princípios orientadores da acessibilidade, que é o que verdadeiramente interessa para a organização da vida das pessoas.

Recorde-se que mesmo num assunto tão limitado como o da ampliação da avenida João de Melo, nunca foram apresentadas justificações que a fundamentassem, para além duns vagos argumentos sobre "dignificar o monumento" (Igreja da Misericórdia) e o ordenamento do trânsito (que não se percebe como). Por isso, e porque nenhuma reflexão se conhece sobre o que queremos para a região, não se percebe quais os parâmetros de tal estudo, correndo-se até o risco de chegar a conclusões antes de... "estudar". Esperamos que não.
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Uma nota final sobre o "metro de superfície". Tal como o presidente da Câmara de Vouzela, também não gostamos da designação. Não somos uma metrópole (nem queremos ser), logo, não podemos ter um metropolitano. Mas a criação de uma alternativa ferroviária de transporte na região, parece-nos fazer sentido. Até arriscamos dizer que será inevitável. Só que não pode ser limitada aos três concelhos (nem precisa) e, mais uma vez, o seu aproveitamento depende do que queremos para a região- aquele assunto que nenhum dos responsáveis locais gosta de abordar. Em público...

segunda-feira, março 01, 2010

Há quase 50 anos...


Também então, como agora, nevou em Oliveira de Frades...

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Momento verde

"Não quero andar à porrada com a Natureza"- Alberto João Jardim.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Problemas de habituação

Pedimos emprestado, aqui.

"'Estes engenheiros têm a mania que o betão resolve tudo', comentava ao PÚBLICO o ambientalista Raimundo Quintal, apontando as muralhas destruídas pelo caudal - que pretendiam desviar - na ribeira de João Gomes"-Público, 20 de Fevereiro de 2010.

Terminado o prazo de validade das terríveis imagens do Haiti, aguarda-se idêntico desfecho para as da Madeira. Como de costume, dá-se por certo que "não interessa apontar culpados". Já estamos habituados. Às imagens e às desculpas.

A citação que deixámos acima, podia ter sido feita nos últimos dias. Na verdade, é de 1993. Em Outubro desse ano, chuvas intensas fizeram grande destruição no Funchal, havendo a lamentar oito mortos. Pelo meio das crónicas emocionadas, alguém chamava a atenção para o assoreamento das ribeiras provocado, entre outras coisas, por erros cometidos contra o ordenamento do território.

Fevereiro de 2010. Enquanto o país assistia a impressionantes imagens de coragem e de dor, alguns jornais registavam declarações de quem sabe que as catástrofes naturais não se combatem, antes se previnem: construções juntos aos leitos das linhas de água, "lixos, terras e entulhos que têm sido despejados dentro das ribeiras", vias que bloquearam cursos de água, uma cada vez maior impermeabilização dos solos- problemas que podiam ter sido evitados e que contribuíram para a catástrofe. Alberto João, inteligente, passa a ideia de ter percebido a mensagem e anuncia não querer "andar à porrada com a Natureza". Mas o presidente da Câmara do Funchal nega tudo, apenas condescendendo numa ou noutra "opção urbanística errada". Há quem goste de levar na cara. Ou quem não se importe de ver os outros levarem...

É bem provável que, no Haiti, as mesmas construtoras que amontoaram os tijolos que o sismo de grau 7 ridicularizou, façam um grande negócio com os trabalhos de reconstrução. Na Madeira, já avisaram que o "alarmismo" pode prejudicar o turismo, pelo que tudo deve "normalizar" com o apoio do Fundo de Solidariedade da União Europeia e a aquisição do "radar meteorológico"- ou seja, dinheiro. Entretanto, fazem-se previsões sobre as consequências de um sismo na região de Lisboa, como se estivessem a organizar um jogo de apostas e os problemas ambientais saíram das agendas a bem do défice. Assim continuaremos, de catástrofe em catástrofe, cada vez mais habituados ao choque das imagens, até que... nos bata à porta.