quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Não há memória



Não há memória da neve nos ter visitado duas vezes no mesmo ano. Para sermos rigorosos, também não há de ter caído por aqui em dois anos seguidos. Tudo isso aconteceu. Começou a cair na madrugada de 14 para 15 de Fevereiro e Vouzela acordou branca. Terá sido um ponto de ordem nas fantasias carnavalescas, ou a prova de que essa coisa das alterações climáticas tem nuances que escapam ao preto e branco? Aí ficam as imagens, a cores, pela objectiva de Guilherme Figueiredo. Podem ser vistas mais, aqui.

E ainda...


Do leitor Diogo Neves, a partir do... Parque de Campismo- isso é que é ter amor à Natureza! Ver aqui.
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Mais recentemente, também o leitor Tiago Pereira nos enviou imagens da neve, captadas por sua irmã, Filipa, no bairro da Senra. Ver aqui.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Igreja Matriz (a importância dos pormenores)

Vejamos com atenção as duas imagens abaixo, ambas da década de 1920. São imagens captadas a partir da Ponte do Caminho de Ferro.



Olhando para a primeira imagem, um observador do século XXI reconhecerá certamente a nossa Igreja Matriz tal como ela é. O fotógrafo da segunda imagem estaria certamente uns dois metros para a direita do local exacto de onde foi captada a primeira imagem. Esse simples facto denuncia que, afinal, a Igreja não era como é agora. As dimensões actuais são outras... e para o demonstrar, um fotógrafo actual colocou-se ainda mais à direita...

sábado, fevereiro 13, 2010

Os fantasmas de Lenine e Trotsky passearam no viaduto Morais de Carvalho



Com os necessários agradecimentos e as vénias devidas a "O Caricas". Imperdível!

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A propósito de Comércio


"O Presidente da AEL lamenta a falta de articulação entre as Câmaras Municipais da Região e a Associação Empresarial de Lafões. Gil Ferraz diz que agora as autarquias já não trabalham em colaboração com a AEL, um facto que pode complicar a implementação de programas como o MODCOM- Programa de Modernização do Comércio.
O responsável considera que a região precisa que as entidades e os próprios empresários trabalhem em conjunto. Gil Ferraz lembra que Lafões é uma das regiões do país que tem recebido mais apoios nos últimos anos"- in, Vouzela-Fm.

Claro que só podemos estar de acordo com Gil Ferraz, até porque já por diversas vezes defendemos as mesmas ideias. Mas também não ignoramos que, como tudo na vida, as ideias têm um tempo de maturação e outro de execução. Se não os respeitarmos... apodrecem, ou seja, arriscam-se a serem confundidas com simples lamúrias e a perderem força. Ora, Gil Ferraz não é um mero "opinador", um simples escrevinhador de um qualquer blogue- é o presidente da Associação Empresarial de Lafões. Nessa qualidade, já tinha dito em Julho de 2008, o que agora repetiu. Antes, em 2007, promoveu a célebre viagem a Ourense, de onde parece ter vindo entusiasmo e objectivos. É muito tempo para os resultados que se podem observar.

A requalificação (termo que preferimos a modernização) do comércio de Vouzela, obriga a percorrer várias etapas para que não chega ter dinheiro. Aliás, algumas nem precisam dele- só de vontade. Não é preciso dinheiro para que se pense na racionalização dos horários, de modo a adaptá-los aos fluxos turísticos e às diversas épocas do ano. Não é preciso dinheiro para que tenhamos consciência de que há mercado para Vouzela, mas não há em Vouzela, o que nos deve levar a uma maior promoção da produção local (a única que interessa a quem vem de fora). Em qualquer destes assuntos, podiam já ter sido dados sinais, mostrando haver vontade de mudar.

Claro que isto não chega. É preciso trabalhar a imagem de muitos dos nossos estabelecimentos (que alguém ajude a pensar nos reclamos que, salvo raras excepções, são um desastre!), é preciso repensar actividades, é preciso organizar campanhas promocionais de Vouzela com qualidade. O ideal, seria trabalhar conjuntamente com outros sectores (mais do que competição, precisamos de cooperação), promover a recuperação de produtos e a sua certificação. Para tudo isto, necessitamos de ajuda (nomeadamente das autarquias locais) e de dinheiro. Mas, repetimos, há coisas que podem ser feitas já, conquistando as simpatias dos consumidores. Salvo melhor opinião, é tempo de o fazer- o poder, como sempre aconteceu, vem a reboque.

E já que falamos de tempo, talvez também o seja para deixarmos de ver aqueles tubos de plástico na fachada de um edifício classificado.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Quem se lembra?

Posted by Picasa

Passei aqui muitas vezes a caminho dos pasteis...

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Vivemos numa gravaura de Escher

Escher

Devem conhecer os trabalhos de Maurits Cornelis Escher, naquele jeito de criar planos ilusórios e caminhos que não levam a parte alguma. O artista era holandês e morreu em 1972, mas devia ser o ilustrador oficial das capas do Orçamento do Estado e dos "planos anti-crise", deste nosso país que por aqui vai andando neste início de século XXI.

O Banco de Portugal prevê que, em 2010, o consumo privado cresça um por cento. Resultado: o endividamento externo vai aumentar. Dito por outras palavras, como pouco ou nada produzimos e tudo compramos, sempre que sobram uns cêntimos nos bolsos e decidimos ir ver as montras, temos que ficar com problemas na consciência por estarmos a endividar o País.

Mas, como um mal nunca vem só, aí vamos de novo: o Banco de Portugal prevê que o desemprego vai aumentar em 2010. Claro! Se o pouco dinheiro que nos sobra, não é captado por empresas nacionais, quando muito ajudamos a reduzir o desemprego em Espanha ou na Alemanha. Continuemos.

Nas contas do Orçamento do Estado apresentadas na Assembleia da República, o governo prevê um défice de 9,3 por cento. Lá vêm as velhas receitas dos congelamentos salariais e da redução dos investimentos do Estado. O ridículo da situação é que, se quisermos levar a "terapia" às últimas consequências e forçarmos aparelhos centrais e locais da administração a reduzirem o seu pessoal, a única coisa que conseguimos é fazer disparar os números do desemprego, já que não há empresas nacionais com capacidade para absorver toda essa mão-de-obra. Porquê? Aqui apetecia-me desabafar, "isso também eu gostava de saber". Mas o facto de ser importada a maior parte das coisas que consumimos e de pouco ou nada produzirmos, deve ter algo que ver com isto- ter os principais grupos económicos portugueses totalmente virados para sectores não produtivos, também deve ajudar. Lá estamos nós a voltar ao ponto de partida...

Mais: contendo os salários e os investimentos do Estado, vamos provocar nova diminuição do consumo, o que, se por um lado permite reduzir as importações, também destrói qualquer hipótese de apoiar a produção nacional, melhorando a sua capacidade de concorrência e aumentando a colecta. Daí que, as iluminadas figuras (sempre as mesmas) que nestas alturas surgem com a solução na manga, tentem saltar um capítulo da história e defendam que o que é necessário é encontrar "empresas exportadoras". Pois. Também dava jeito encontrar petróleo nas Berlengas ou diamantes no meu quintal...

Com salários limitados e ameaçados pelo desemprego, resta-nos a esperança de que a seguir à tempestade venha a bonança- certo? Errado! Sem medidas que estimulem e valorizem os sectores produtivos, nomeadamente aqueles que representem reservas estratégicas e evitem importações, nada mais iremos ver do que truques para conseguir receitas e/ou reduzir despesas por parte do Estado, sem mexer no fundamental: a criação de riqueza.

São engraçadas as gravuras de Escher. Parecem fazer sentido, seja qual for o ângulo por que as observemos, sugerindo caminhos que, no entanto, não vão a parte alguma. Tal como nós.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

São Pedro do Sul: Bairro da Ponte-IV

Edição Fradique Santos. Colecção de Marisa Araújo