quinta-feira, janeiro 28, 2010

80 anos da Associação de Futebol "Os Vouzelenses": apontamentos históricos



Estão a decorrer as diversas actividades comemorativas do 80º aniversário dos "Vouzelenses". Depois de inaugurada uma exposição no Museu Municipal e homenageados os fundadores, realizou-se em 5 de Janeiro, um jantar/ debate comemorativo da aprovação dos Estatutos iniciais, e um segundo, no passado dia 23, altura em que, em 1930, o Governo Civil de Viseu reconheceu a existência da associação.

Um dos aspectos mais interessantes deste conjunto de iniciativas, é revelarem a consciência de que a preparação do futuro do clube, obriga a uma reflexão sobre a sua história, identificando o que esteve na origem dos seus melhores momentos e, também, dos seus fracassos. De facto, iniciada com a clara consciência de dever prestar um serviço público (como já aqui realçamos), a Associação de Futebol "Os Vouzelenses" nem sempre soube resistir aos "cantos de sereia" de um estrelato pouco sustentado, que inevitavelmente a lançou nas fases mais complicadas do seu percurso.

O documento áudio que publicamos (a partir de uma gravação da Vouzela-FM e dividido em três partes), regista um momento do debate do dia 5 de Janeiro, quando o Dr.Telmo Teixeira de Figueiredo- talvez o homem que mais vezes esteve ligado aos corpos dirigentes dos "Vouzelenses"- apresentou alguns apontamentos sobre a história da colectividade. Vale a pena ouvi-lo.

Já agora, também vale a pena ajudar o clube através da aquisição do "kit aniversário", que, para já, está disponível na sede, ali na Av. Comendador Correia de Oliveira. Depois, vale a pena acompanhar todas as iniciativas(1) que ainda vão ser organizadas e onde se pode revisitar um pouco da História de Vouzela- é que raras vezes se encontra uma identificação tão grande entre o percurso de uma colectividade e o da terra que a viu nascer.
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(1)- O programa dos 80 anos da Associação de Futebol "Os Vouzelenses", prevê, ainda, a inauguração do relvado sintético das Chãs e a publicação de um conjunto de documentos que ilustram momentos significativos da sua caminhada.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Vista Parcial

Um olhar de relance é normalmente suficiente para reconhecermos uma determinada localidade. Há sempre um monumento ou uma particularidade que a torna familiar. Evidentemente que cada um de nós identifica Vouzela seja de que ângulo for. Vila tão bonita e rica de património não pode ser reduzida a um qualquer monumento ou particularidade. Porém, como imaginamos Vouzela sem a Ponte do Caminho de Ferro?

1910's



UNION POSTALE UNIVERSELLE
Edição da Casa da Montanha Castela

sábado, janeiro 23, 2010

Catástrofes pouco naturais

"(...) muito menos são naturais as catástrofes que os sismos provocam. São catástrofes que, como no caso do Haiti mais uma vez ficou demonstrado, são provocadas pelas construções edificadas pelo Homem e pelas opções que os homens tomam quando se trata de decidir sobre os locais inde se pode construir(...)"- in, Pedra do Homem

Naturalmente... a catástrofe

"Por tudo o que se tem passado, cheguei à conclusão que o melhor é não dar ouvidos aos conselhos e às teorias dos financeiros quando o que está em causa é a reforma financeira.
(...)
Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs (...) comparou a crise financeira com um furacão que ninguém podia ter previsto. Phil Angelides, o presidente da comissão (Financial Crisis Inquiry Commission- EUA), não achou graça: a crise financeira, declarou, não foi uma catástrofe natural; resultou de 'actos de homens e mulheres'"- Paul Krugman, i, 22/01/2010

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Reabilitação: Ideias a custo zero

Vista parcial, Edição Passaporte

A seguir à publicação do texto "Reabilitar é preciso", recebemos alguns "mails" de leitores referindo outras situações que, na vila, exigem urgente "cara lavada". Como na altura dissemos, o nosso objectivo era, apenas, chamar a atenção para a importância de se encarar a reabilitação como uma prioridade e os exemplos referidos, não passavam disso mesmo: simples exemplos.

Por coincidência, ao passarmos os olhos por alguns exemplares do "Notícias de Vouzela" dos anos 50, encontrámos um curioso anúncio da Câmara Municipal (assinado pelo vice-presidente Hermínio Augusto Dias), autorizando os proprietários de prédios da vila "confinantes com a via pública ou que dela se veja"(1), a caiar paredes exteriores, concertar portas e janelas, colocar vidros e lavar cantarias, durante o prazo relativamente curto de um mês. Ou seja, durante esse prazo, não só era permitido fazer o inevitável "estendal" para as obras referidas, como elas ficavam isentas do pagamento de qualquer taxa ou licença.

Algumas semanas mais tarde, o jornalista escrevia: "(...) aproveitando a autorização da Câmara, prédios em série lavam as suas frontarias, pintam-se das mais diversas cores, algumas mesmo com notável falta de gosto, mas enfim... todos vão colaborando no asseio de que a nossa terra justamente se orgulha"(2). Nem sempre as coisas tomam o rumo pretendido e bem sabemos que os tempos eram outros. Mas não deixa de ser um exemplo de como alcançar um objectivo, a custo zero.
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(1)- Notícias de Vouzela, 16 de Maio de 1954
(2)- idem, 16 de Junho de 1954

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Oliveira de Frades: Pensão Avenida

Esta é dedicada ao Luís. A Pensão Avenida no seu auge. Publicamo-la tal como a recebemos, sem origem de fonte nem data. Mas, indiscutivelmente imponente.

domingo, janeiro 17, 2010

Relação das medidas de defesa do Vouga contra o exército de Soult


"Como as posições para a defesa imediata de Águeda só podiam obstar a um ataque local e positivo do inimigo e não asseguravam que, atravessando os Franceses o rio Vouga mais acima da ponte e metendo-se na estrada que vem de S. Pedro do Sul, facilmente pudessem envolver-nos, porque as Ordenanças que vinham descendo de Lafões estavam ainda muito distantes para poderem vigiar e defender as passagens do Carvoeiro e Jafafe, e a urgência do tempo (...) não havia permitido fazer um reconhecimento naquela parte do rio, o Tenente-Coronel Campbell julgou necessário tomar novas posições antes de anoitecer".

Não, não é um estudo pormenorizado das consequências das Invasões Francesas na região. É um relato feito por Alexandre de Morais Sarmento, elemento do Corpo Militar Académico que, a partir de Coimbra, resistiu ao avanço das tropas de Soult. Morais Sarmento foi, mais tarde, nomeado Visconde do Banho e um opositor ao absolutismo miguelista que o expropriou de vasto património que possuía em São Pedro do Sul.

Relação das medidas de Defesa do Vouga contra o exército de Soult, em 1809,
Alexandre Tomás de Morais Sarmento,
Porto,
Deriva Editores,
2009

sexta-feira, janeiro 15, 2010

A coisa vai-se compor...

Mal concluímos a primeira quinzena do ano e já por aí andam ideias e iniciativas dignas de elogio. Há cada vez mais quem defenda que a região tem que ser pensada no seu todo; há responsáveis locais dispostos a mostrar que a intervenção dos poderes públicos na actividade económica, não tem que estar associada a tijolos e cimento. Divulgamos dois exemplos que nos alimentam a esperança: a coisa vai-se compor...

"Metro de superfície"


Na sessão de Câmara do passado dia 8, a vereadora Carmo Bica defendeu que se fizesse um estudo para um "metro de superfície" que ligue em permanência Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul. A ideia foi apresentada numa intervenção sobre a importância de projectos intermunicipais, onde se sublinhou a necessidade de criar um sistema de transportes alternativo, mais adaptado às necessidades das populações.

Claro que só podemos apoiar a ideia que, noutro contexto e com outra dimensão, aqui defendemos em Fevereiro de 2008. Até vamos mais longe: pegando no exemplo da Câmara de Águeda, valia a pena estudar até que ponto seria viável conciliar o serviço diário às localidades com a exploração turística deste trecho da antiga linha do Vale do Vouga, conseguindo, assim, duas fontes de receita.

Curiosamente, o presidente Telmo Antunes, com aquela "certeza certa" que tem caracterizado algumas das suas últimas intervenções, "arrumou" o assunto afirmando que o metro de superfície é "um grande elefante branco" e fazendo uma comparação perigosa: "se o metro de Lisboa e do Porto dão prejuízo, o metro de Lafões seria ruinoso"(1). Ora, sabendo-se das muitas dúvidas que estiveram associados aos actos de gestão da empresa Metro do Porto (exemplos aqui e aqui), dá vontade de lhe perguntar se considera inevitável que isso aconteça entre nós...

Mais do que divagações, exercícios de estilo e sectarismos, Lafões necessita de ideias. Esta, é daquelas que tocam fundo e que merecia ser estudada- aquele velho acto de humildade que deve anteceder qualquer decisão. Até porque, se não recusamos as ecopistas, preferimos as eco... regiões.
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(1)- Notícias de Vouzela, 14 de Janeiro de 2010

Reanimação da Feira Mensal

Da colecção do "nosso" Luís

Está a ser feito um esforço para reanimar a Feira Mensal de Vouzela. Criada por D. Dinis em 1307, a feira ressentiu-se, como tantas outras, das alterações do nosso tecido económico e social, não suportando a concorrência que foi surgindo, assim como os novos hábitos de consumo.

Um protocolo entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, tenta inverter a situação, através de programas que chamem mais gente. Talvez seja de alargar o âmbito da iniciativa, enriquecendo o leque de "feirantes", promovendo produtos regionais de referência, fazendo com que a feira seja encarada como uma ajuda aos produtores locais, uma alternativa à ditadura das grandes distribuidoras. Um bom exemplo da intervenção dos poderes públicos na actividade económica.