segunda-feira, janeiro 04, 2010
sexta-feira, janeiro 01, 2010
"O saber não ocupa lugar"
Na sua mensagem de Natal, José Sócrates anunciou aqueles que considera serem os sectores prioritários para concentrar o investimento: "as infra-estruturas de transportes e comunicações, as escolas, os hospitais, as barragens, as energias renováveis". Estamos a ver a animação da coisa: um país cheio de luz, com gente de elevadas habilitações e de boa saúde, que se põe a andar daqui para fora, em alta velocidade, na hora de arranjar trabalho... Se aceitarmos tal destino, o melhor é começarmos a fazer as malas porque não entramos neste "sonho"- o Interior, o tal lado direito da A1 (para quem sobe), está condenado a submergir ou a plantar ventoinhas no quintal. E para isto nos pedem maiorias absolutas...
Por cá, também estamos bem servidos. Pouco antes das eleições, Telmo Antunes desvalorizou um estudo da Universidade da Beira Interior (ver também aqui), sobre o desenvolvimento e a qualidade de vida nos diversos concelhos de Portugal, onde Vouzela aparecia pouco fotogénica. Mal se apanhou com nova maioria absoluta, "despachou" os argumentos da vereadora Carmo Bica, com o "nível" já aqui sublinhado. Moral da história: temos um primeiro-ministro que imagina um país virtual e um presidente de Câmara que não discute política local. Ambos gostam de maiorias absolutas e absolutamente ignoram as preocupações do cidadão comum.
Mas, como "de pouco vale chorar sobre leite derramado" e "o que não tem remédio, remediado está", resta-nos explorar o único caminho ainda não percorrido: fazer! Há precisamente um ano, deixámos aqui uma proposta: "Como todos os estudos mostram, qualquer estratégia local tem que privilegiar os recursos endógenos. Património natural e edificado, floresta, agricultura, criação de gado, gastronomia, artesanato e até a construção civil, têm que saber trabalhar em equipa, unindo esforços, integrando as diversas ofertas num único produto final: Vouzela/ Lafões. É o único suficientemente resguardado da concorrência para conseguir sobreviver. É o único que tem procura suficiente para ultrapassar os limites do acanhado mercado regional. Mais do que competição, precisamos de cooperação".
Ora, como "o caminho faz-se caminhando", há pequenos passos que nos parecem ao alcance de qualquer perna. Por exemplo, que motivo pode justificar que não se encontre no comércio da sede do concelho, exemplares significativos do artesanato regional? Como compreender que as ementas de grande parte dos restaurantes não destaquem as produções locais (que não se limitam à vitela e aos pasteis)? Porque não aprender com as bem sucedidas experiências dos percursos pedestres, das "Jornadas Micológicas" e da "Doce Vouzela", para criar novas iniciativas associadas a outros pontos de interesse e conseguir oferta para todo o ano? Porque não aprender com outros concelhos deste país, em que, na sua sede, há indicações claras sobre os pontos de interesse de todas as suas freguesias?
Claro que muito mais há para fazer. Claro que há todo um trabalho de organização e de reabilitação que exige outros meios e outros apoios. Mas também há estas simples iniciativas que nada custam e que, de uma vez por todas, permitem acabar com aquela imagem hoje dominante de que Vouzela só não interessa aos vouzelenses.
A aprendizagem da cooperação é o passo na direcção certa: a da afirmação de Vouzela como marca de excelência. Só depende de nós e depois, como também se fartava de repetir a santa da minha professora, "o saber não ocupa lugar".
Votos de Ano Novo
Já que estamos em época de desejos, permitam-nos expressar um só, bem simples: que o nosso presidente da Câmara comece a rumar a Viseu pela A25, de modo a aperceber-se do estado lamentável em que se encontra o piso da variante que lhe dá acesso. Não sei se é ou não da competência camarária. Apenas sei que os produtos de excelência começam nestes pequenos pormenores. Um óptimo ano para todos.
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Zé Bonito
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A CRISE
Cheguei à conclusão que para além das crises económicas, financeiras, culturais, de valores etc.etc. estamos a atravessar uma crise de alegria e passo a explicar.
Por razões económico-financeiras, como a maior parte dos portugueses, a passagem do ano foi em casa: jantarinho melhorado, espumante, algumas mensagens e "tá" feito!! Feliz Ano Novo!!!
Mesmo assim atrevo-me a desejar um bom 2010 (pior que 2009 será difícil)
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Zé de Lisboa
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quarta-feira, dezembro 30, 2009
Apesar de tudo, é Natal...
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Trinta e três
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segunda-feira, dezembro 28, 2009
As árvores eram excelentes!
Gosto muito deste postal! Mostra-nos a tranquilidade da Oliveira de Frades de então...Os costumes, o fontanário...sente-se no ar um ambiente bucólico e feliz!
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Luís Filipe
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sábado, dezembro 26, 2009
NATAL
Bom dia e boas festas.
Ouvi há pouco o Cardeal Patriarca de Lisboa queixar-se pelo facto das pessoas encararem o Natal como um acto mais social do que de fé. Que ele se queixe ainda é como o outro, mas que esteja surpreendido é que me admira.
Como ele disse e bem, vivemos num país de baptizados não por opção mas por tradição e também pelo social. É “bem” fazer-se e não importa a idade do iniciado, quanto mais cedo melhor antes que comece a fazer muitas perguntas. Nunca baptizei o meu filho pois sempre achei que ser ou não cristão era uma questão de opção que só ao próprio diria respeito. Mais tarde veio a fazê-lo não por fé mas para poder efectuar outro acto do social: o casamento católico. Nunca o vi ir à igreja antes ou depois do baptismo, excepto para baptizar as suas filhas por vontade da mãe e como pretexto para mais uma festarola. Penso que o Cardeal conhece estas situações tanto quanto eu pelo que me admira o seu espanto.
Quanto ao Natal sempre foi uma festa da família e não me lembro de alguma vez ter sido feita qualquer reflexão sobre o nascimento de Jesus Cristo (JC). Come-se, abrem-se os presentes e convivesse mais do que habitualmente com os familiares próximos e afastados ou de quem não gostamos e a quem não falamos durante o ano inteiro, mas que naquele momento temos de gramar ansiando para que se vão embora o mais cedo possível. Nos últimos tempos o Natal estendeu-se à rua e aí vai a caridadezinha para os sem abrigo, como se existissem apenas entre 24 e 26 de Dezembro (salvo raras excepções de organizações com obra feita e que os acompanham durante todo o ano).
A Igreja que me perdoe, mas no Natal está muito mais presente o Pai do dito do que o menino Jesus.
O próprio nascimento de Jesus nunca foi bem explicado e com o avançar dos tempos ninguém aceita a história da obra e graça do Espírito Santo. Seria muito difícil à igreja vir agora dizer que JC era filho de Maria e de José, mas seria sem dúvida um acto de coragem e possivelmente viria a trazer muito mais adeptos para a causa, pois toda a gente sabe que Maria teve mais filhos de José pelo que não faz sentido continuar a chamá-la virgem. E isto não é de agora e nada tem a ver com o Saramago ou o Brown pois já Pessoa o questionava. Lembro-me de uma passagem do “Guardador de Rebanhos” de Alberto Caeiro em que diz:
“… Nem sequer o deixavam ter pai e mãe/como as outras crianças./Oseu pai eram duas pessoas-/Um velho chamado José, que era carpinteiro/E que não era pai dele;/E o outro pai uma pomba estúpida,/ A única pomba feia do mundo/porque não era do mundo nem era pomba./E a sua mãe não tinha amado antes de o ter…”
Pelo que acabo de expor penso que está na hora da igreja transmitir aos seus seguidores a frase não católica de que “o Natal é quando um homem quiser”, ou seja há que fazer o bem em qualquer altura e sempre que seja necessário e não com data marcada. Poderiam entãofazer do Natal uma festa de homenagem a JC e libertando as pessoas da obrigação de gastarem dinheiro em prendas, de se empanturrarem de doces e de gramar os familiares com quem não falam desde o Natal passado.
Claro que o comércio iria perder mas para compensar criavam-se mais uns quantos dias disto ou daquilo onde se dariam presentes e a igreja podia pensar em cerimónias alternativas ao baptizado e ao casamento, como por exemplo a bênção dos primeiros cartões de sócios dos clubes de futebol e o divórcio litúrgico em que a cerimónia seria em tudo semelhante ao casamento mas com as perguntas ao contrário.
E agora com o casamento entre pessoas do mesmo sexo trabalho não iria faltar.
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Zé de Lisboa
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quinta-feira, dezembro 24, 2009
Presépio
Este anúncio foi publicado na edição de 16 de Dezembro de 1954 do Notícias de Vouzela. Um tempo em que uma casa comercial de Viseu, ainda encontrava justificação para divulgar tão simples produto... a mais de 20 quilómetros de distância. Um tempo que imaginamos com missas do Galo e casas cheias de avós e tias debruçadas sobre alguidares de massa de filhoses e travessas de rabanadas. Um tempo em que a imaginação infantil, com uma ingénua batota geográfica, adaptava a austeridade do nascimento do Menino ao nosso cenário rural- belo, imaculado... pobre. O Pastel de Vouzela deseja-vos um feliz Natal.
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Zé Bonito
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