quarta-feira, dezembro 30, 2009
segunda-feira, dezembro 28, 2009
As árvores eram excelentes!
Gosto muito deste postal! Mostra-nos a tranquilidade da Oliveira de Frades de então...Os costumes, o fontanário...sente-se no ar um ambiente bucólico e feliz!
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Luís Filipe
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sábado, dezembro 26, 2009
NATAL
Bom dia e boas festas.
Ouvi há pouco o Cardeal Patriarca de Lisboa queixar-se pelo facto das pessoas encararem o Natal como um acto mais social do que de fé. Que ele se queixe ainda é como o outro, mas que esteja surpreendido é que me admira.
Como ele disse e bem, vivemos num país de baptizados não por opção mas por tradição e também pelo social. É “bem” fazer-se e não importa a idade do iniciado, quanto mais cedo melhor antes que comece a fazer muitas perguntas. Nunca baptizei o meu filho pois sempre achei que ser ou não cristão era uma questão de opção que só ao próprio diria respeito. Mais tarde veio a fazê-lo não por fé mas para poder efectuar outro acto do social: o casamento católico. Nunca o vi ir à igreja antes ou depois do baptismo, excepto para baptizar as suas filhas por vontade da mãe e como pretexto para mais uma festarola. Penso que o Cardeal conhece estas situações tanto quanto eu pelo que me admira o seu espanto.
Quanto ao Natal sempre foi uma festa da família e não me lembro de alguma vez ter sido feita qualquer reflexão sobre o nascimento de Jesus Cristo (JC). Come-se, abrem-se os presentes e convivesse mais do que habitualmente com os familiares próximos e afastados ou de quem não gostamos e a quem não falamos durante o ano inteiro, mas que naquele momento temos de gramar ansiando para que se vão embora o mais cedo possível. Nos últimos tempos o Natal estendeu-se à rua e aí vai a caridadezinha para os sem abrigo, como se existissem apenas entre 24 e 26 de Dezembro (salvo raras excepções de organizações com obra feita e que os acompanham durante todo o ano).
A Igreja que me perdoe, mas no Natal está muito mais presente o Pai do dito do que o menino Jesus.
O próprio nascimento de Jesus nunca foi bem explicado e com o avançar dos tempos ninguém aceita a história da obra e graça do Espírito Santo. Seria muito difícil à igreja vir agora dizer que JC era filho de Maria e de José, mas seria sem dúvida um acto de coragem e possivelmente viria a trazer muito mais adeptos para a causa, pois toda a gente sabe que Maria teve mais filhos de José pelo que não faz sentido continuar a chamá-la virgem. E isto não é de agora e nada tem a ver com o Saramago ou o Brown pois já Pessoa o questionava. Lembro-me de uma passagem do “Guardador de Rebanhos” de Alberto Caeiro em que diz:
“… Nem sequer o deixavam ter pai e mãe/como as outras crianças./Oseu pai eram duas pessoas-/Um velho chamado José, que era carpinteiro/E que não era pai dele;/E o outro pai uma pomba estúpida,/ A única pomba feia do mundo/porque não era do mundo nem era pomba./E a sua mãe não tinha amado antes de o ter…”
Pelo que acabo de expor penso que está na hora da igreja transmitir aos seus seguidores a frase não católica de que “o Natal é quando um homem quiser”, ou seja há que fazer o bem em qualquer altura e sempre que seja necessário e não com data marcada. Poderiam entãofazer do Natal uma festa de homenagem a JC e libertando as pessoas da obrigação de gastarem dinheiro em prendas, de se empanturrarem de doces e de gramar os familiares com quem não falam desde o Natal passado.
Claro que o comércio iria perder mas para compensar criavam-se mais uns quantos dias disto ou daquilo onde se dariam presentes e a igreja podia pensar em cerimónias alternativas ao baptizado e ao casamento, como por exemplo a bênção dos primeiros cartões de sócios dos clubes de futebol e o divórcio litúrgico em que a cerimónia seria em tudo semelhante ao casamento mas com as perguntas ao contrário.
E agora com o casamento entre pessoas do mesmo sexo trabalho não iria faltar.
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Zé de Lisboa
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quinta-feira, dezembro 24, 2009
Presépio
Este anúncio foi publicado na edição de 16 de Dezembro de 1954 do Notícias de Vouzela. Um tempo em que uma casa comercial de Viseu, ainda encontrava justificação para divulgar tão simples produto... a mais de 20 quilómetros de distância. Um tempo que imaginamos com missas do Galo e casas cheias de avós e tias debruçadas sobre alguidares de massa de filhoses e travessas de rabanadas. Um tempo em que a imaginação infantil, com uma ingénua batota geográfica, adaptava a austeridade do nascimento do Menino ao nosso cenário rural- belo, imaculado... pobre. O Pastel de Vouzela deseja-vos um feliz Natal.
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Zé Bonito
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segunda-feira, dezembro 21, 2009
sábado, dezembro 19, 2009
Restauro da Torre de Vilharigues
(...) a autarquia de Vouzela assinou um contrato de financiamento para requalificar a Torre Medieval de Paços de Vilharigues. Uma obra que Telmo Antunes considera importante para o concelho.- Vouzela FM
Claro que a iniciativa merece elogio, mas interessa saber se foram esclarecidas algumas dúvidas levantadas pelo projecto.
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Zé Bonito
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quinta-feira, dezembro 17, 2009
Quando as botas (dos adversários) eram "providas de brochas e pregos salientes"
Estava-se em 1938 e os Vouzelenses acabavam de atravessar um longo período de inactividade. No entanto, logo em Fevereiro era dada notícia de importante doação para reabilitar o campo e publicavam-se apelos inflamados ao reavivar do entusiasmo de "há 6 e 7 anos". Os jogos iam recomeçar.
Em 20 de Março de 1938, Vouzela mobilizou-se para receber a equipa do Escola Livre d'Azemeis, acompanhada de numerosa legião de adeptos. Recepção ao estilo do tempo, envolveu filarmónica e fogo de artifício, a que se seguiram discursos de forte pendor patriótico e um prolongado almoço no Monte Castelo que terminou por volta das quatro da tarde. O jogo veio depois.
Jogadores alinhados, directores em campo, troca de galhardetes (mais precisamente, uma jarra com o emblema da Escola de Oliveira de Azemeis e um ramo de flores) e escolha do árbitro. Dezassete minutos após o início, já se registava um empate a uma bola e alguma violência que, a acreditar na crónica de R.X.(1), se devia, apenas, às atitudes do adversário e à complacência do juiz da partida. Ainda a primeira parte não tinha acabado e já o guarda-redes vouzelense (Bernardino) era obrigado a abandonar por lesão, sendo substituído por um jogador de campo (Ângelo). Quando chegou o intervalo, o resultado equilibrado contribuiu para acalmar os ânimos: 3-3.
Oito minutos após o início do segundo tempo, os Vouzelenses adiantaram-se no marcador e estabeleceram o resultado final: 4-3. Em resposta, os visitantes reforçaram as atitudes violentas, havendo notícia de lances disputados à bofetada e de sangue a escorrer das pernas e do tronco de Ângelo que, apesar de tudo, se manteve em campo "defendendo de toda a forma que lhe é possível". Aumentava o nervosismo na assistência.
Decorria o 21º minuto da segunda-parte quando a situação se descontrolou de vez: "o público invadiu o terreno e assistimos então a uma sessão de box". Dezoito minutos de pancadaria de "criar bicho" que devem ter marcado a primeira invasão de campo registada nas Chãs. Apesar de tudo, conseguiram terminar o jogo.
No final da sua crónica, o repórter sublinhava: "Enquanto a maior parte dos jogadores vouzelenses iam à farmácia, tivemos ocasião de vêr, na séde da Associação, que as botas de futebol com que os escolares jogaram, eram providas de brochas e pregos salientes, sem respeito algum pelas regras futebolísticas!". Nada que impedisse a merenda que se seguiu...
Para a história, regista-se a constituição da equipa de Vouzela: Bernardino, Carvalho e Teles; Ângelo, Alexandre (cap.) e Vitória; Pepe, Frederico, Silvestre, Fernado e Pinto.
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(1)- Notícias de Vouzela, 1 de Abril de 1938. "R.X", talvez tenha sido uma adaptação local do famoso "Repórter X".
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Zé Bonito
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