quarta-feira, dezembro 09, 2009

A propósito de (mais) uma cimeira

Bartoon, Público de 9 de Dezembro

Vai animado o debate sobre as alterações climáticas (veja estes exemplos domésticos aqui e aqui). Sobretudo a partir de Quioto, começaram a ser divulgados "rigorosos estudos científicos" que procuram contrariar o peso da influência humana no aquecimento global. O ponto alto desta história foi atingido com a divulgação de um conjunto de "mails" que deviam demonstrar que alguns cientistas exageraram, propositadamente, as conclusões. A resposta não se fez esperar, denunciando o facto das mensagens divulgadas terem sido retiradas do contexto. Como cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal, a única conclusão a tirar é que acreditar na isenção da ciência é como acreditar no Pai Natal: pura ilusão. Agradável, mas de curta duração.

Para o cidadão comum, estes problemas colocam-se de modo, digamos, mais terra-a-terra: seja qual for a causa, as alterações climáticas significam falta de água, alteração no ciclo das plantas, com consequências na alimentação de pessoas e animais e, a prazo, na área habitável do planeta. Ponto final. É para isto que se exigem soluções.

Claro que, num mundo cada vez mais (sub)urbanizado, enquanto o copo puder estar cheio com água engarrafada e a saladinha no prato (mesmo que à custa de produtos que viajaram milhares de quilómetros), estes problemas ou são remetidos para as curiosidades jornalísticas, ou, quando muito, podem justificar uma velinha à janela pela felicidade dos netos. Isto, apesar de já por aí andarem alguns a tremer, perante a ameaça de massivos movimentos migratórios. A manter-se a situação actual, tal cenário parece inevitável, a menos que entremos num nível de barbárie que consiga fechar os olhos à condenação à morte de milhões de pessoas.

Portanto, o que queremos são medidas concretas que, baseando-se nos conhecimentos científicos (que não faltam), permitam corrigir o que se sabe estar mal: quantidade e qualidade da água, excessiva dependência dos combustíveis fósseis, emissões poluentes e qualidade do ar.

Ouvimos, há dias, o secretário de Estado Humberto Rosa falar a este respeito, enaltecendo o investimento feito pelo governo nas energias renováveis. Pena foi que não tivesse falado na avaliação negativa feita pela Comissão Europeia ao famoso Plano Nacional de Barragens, onde se afirma que ele põe em causa a qualidade da água. Pena foi que não tivesse explicado a obsessão pelas auto-estradas, quando, ao mesmo tempo, se despreza o transporte ferroviário que não rime com TGV. Pena foi que não tivesse explicado o que levou o governo a apoiar o fabrico de automóveis eléctricos para consumo privado, quando nada fez para melhorar e alargar a rede de transportes públicos. Enfim, como tem sido hábito, o mais importante é o que não se diz...

Consta que os participantes na cimeira de Copenhaga não conseguiram evitar uma lágrima furtiva, perante os emotivos documentários e os discursos inflamados que abriram os trabalhos. Veremos que sentimentos vão dominar o seu encerramento. Para já, nada de novo: continua-se a condicionar tudo a saber quem vai pagar a factura das alterações necessárias, como se nestas coisas do ambiente fosse possível alterar alguma coisa, sem alterar tudo e todos. A continuar assim, Copenhaga não será mais do que uma desculpa para que tudo continue na mesma.

Aguardemos, pois, pelo desenrolar dos trabalhos, para sabermos se devemos concluir que "algo está podre no reino da Dinamarca", ou se, no mesmo registo shakespeareano, podemos respirar de alívio por, finalmente, se ter percebido que "há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia".

segunda-feira, dezembro 07, 2009

A Pensão Avenida...há muito tempo...



Esta é uma das minhas jóias da coroa... Nesta fotografia podemos ver a Pensão Avenida ainda com dois pisos...
Quem ajuda a recordar?
Posted by Picasa

domingo, dezembro 06, 2009

3 anos

Foto de Margarida Maia

Não, ainda não enche uma caixa de meia-dúzia, mas três aninhos já cá cantam. O objectivo da primeira hora, era reflectir sobre Vouzela e toda a região de Lafões, incluindo "histórias de amor e preconceito, orgulho e inveja, sensibilidade e maledicência(...)"- mantém-se. O alargamento do leque de colaboradores, permitiu-nos ir um pouco além e enriquecer o recheio. A todos os que nos têm ajudado a manter o folhado fino (que é onde está o segredo), o nosso muito obrigado.

sábado, dezembro 05, 2009

Quem o diz é um prémio Nobel da Economia

"É provavelmente demasiado tarde para instituir um programa de manutenção de empregos como o muitíssimo bem sucedido subsídio que a Alemanha ofereceu aos empregadores que conservaram o pessoal. Mas os empregadores podem ser incentivados a contratarem mais trabalhadores à medida que a economia crescer. O Economic Policy Institute propõe a concessão de um crédito fiscal aos empregadores que aumentem o número de pessoal, uma medida que vale a pena experimentar"- Paul Krugman, i, 4 de Janeiro.

É cá dos nossos!

Victor Azevedo é um leitor assíduo e mais uma daquelas pessoas a quem a nossa região soube conquistar. Também é um parceiro destas lides da blogosfera e, sobretudo, gosta do genuíno pastel:

"De recheio de ovos único e de receita de segredo, envolto em massa finíssima, igualmente única em tudo o que se vê por aí no mundo da pastelaria, estes Pasteis de Vouzela não têm comparação com outros, eventualmente parecidos, que se produzem e vendem no nosso Portugal!"
- Victor Azevedo.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Presos no cimento


José Sócrates afirmou a sua fé nas medidas do governo para combater o desemprego. A fé move montanhas, mas, por aqui, o Caramulo mantém-se quietinho. De qualquer modo, a intervenção do "Altíssimo" tem largo registo nas páginas das histórias da nossa História e quem resolveu Ourique, não deve, agora, hesitar perante uns míseros 10,2 por cento.

Só que, quando olhamos para as tais medidas, sentimos o chão a ceder e os pés a enterrarem-se- é cimento fresco! TGV, Plano Nacional de Barragens, novo aeroporto, mais auto-estradas... O peso da construção civil na ocupação da mão-de-obra dita as suas leis. Mas também reforça um dos mais graves problemas da nossa economia, dominada por sectores pouco ou nada produtivos, muito dependentes do mercado interno e que abusam do território limitando-o à condição de simples mercadoria- por algum motivo a prometida alteração da "Lei dos Solos" tem vindo a ser sucessivamente adiada (começou por ser anunciada em 2007, passou para 2008, já lá vai 2009 e... continua a passar).

Mas, sejamos crentes, optimistas e acreditemos que, pelo menos, o problema do desemprego será resolvido. Certo? Errado! Com o nível de endividamento dos portugueses e com o excesso de oferta de habitação criado nos anos dourados da "política do betão", é duvidoso que, a nível doméstico, se consiga mercado para justificar a dimensão que o sector adquiriu. Admitindo que a União Europeia vai continuar a financiar o desvario, restam as obras públicas, mesmo assim limitadas no tempo e no espaço. Talvez construir dois aeroportos, um em cima do outro, ou uma auto-estrada até aos Açores...


segunda-feira, novembro 30, 2009

São Pedro do Sul: Bairro da Ponte

Colecção de Marisa Araújo