sábado, novembro 28, 2009

Alunos da Secundária de Vouzela procuram imagens da Penoita

Retirada da página da Câmara Municipal de Vouzela

Recebemos um pedido de ajuda dos responsáveis de um projecto da Escola Secundária de Vouzela que transcrevemos:

“Sou (...) professora de biologia dos Adubinhos e gostaria de vos pedir ajuda, se possível. Por acaso não têm fotos ou postais antigos da mata da Penoita, que possam partilhar connosco? Eu explico: (...) estou na secundária de Vouzela e dinamizo um pequeno projecto sobre a Penoita. A principal finalidade do projecto é a promoção do ensino experimental das ciências, através do estudo da biodiversidade vegetal (processos de reprodução e dispersão) na mata da Penoita, sensibilizando os alunos para a necessidade da preservação de espécies vegetais autóctones. Um dos grupos de alunos (12º ano, Área de Projecto) está a fazer uma pesquisa sobre a história, a evolução da Penoita e não consegue arranjar imagens. Poderão ajudar?”

Infelizmente, não podemos. As imagens que temos, centram-se no património edificado e etnográfico. Mas o interesse deste projecto, justifica uma visita aos albuns da família. Se encontrarem alguma coisa, por favor, enviem para adubinhos@hotmail.com.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Pequenos passos para uma grande caminhada

Do arquivo fotográfico da revista Life

Há uns tempos atrás, discutiu-se muito a decisão da Câmara de atribuir o fornecimento das refeições escolares a uma empresa de "catering". Uns duvidaram da qualidade do produto, outros contrapuseram os valores da poupança. Como não aumentaram as dores de barriga dos petizes e o custo da paparoca baixou substancialmente, a coisa ficou por aí. É pena.

Defendemos desde há muito que as autarquias locais, sem interferirem directamente na actividade económica, podem dar sinais, criar condições, para que ela se oriente em determinadas direcções. Facilitar licenciamentos, conceder benefícios fiscais, ou criar regulamentos que disciplinem e motivem a iniciativa privada a percorrer os caminhos pretendidos, não custa um cêntimo e é eficaz (e não vale a pena "ensinar o Padre Nosso ao vigário", porque elas fartaram-se de fazer isso em benefício da economia do betão). Salvo melhor opinião, foi essa oportunidade que se perdeu com o novo fornecimento de refeições às escolas.

Durante muitos anos, a agricultura teve um peso excessivo na ocupação da mão-de-obra da região. De repente (muito de repente) a actividade quase desapareceu, atirando um número significativo de famílias para a emigração ou para a dependência de subsídios sociais. As justificações sucederam-se, normalmente viradas para a baixa produtividade e nula competitividade do minifúndio. Só que, a pouco e pouco, foi-se tornando claro o papel social e ambiental do sector, sendo evidente que aceitar a morte da agricultura, significava aceitar igual destino para o nosso principal trunfo: a paisagem.

Hoje, com a riqueza da oferta global a permitir-nos privilegiar a qualidade à quantidade, olhamos para todos os lados e não encontramos juventude interessada em apostar no sector e acrescentar-lhe valor. Isto, enquanto derramamos lágrimas de crocodilo pelo desaparecimento de alguns produtos e pela falta de frescura dos que nos guarnecem o prato. Mas, este tinha que ser o fim de um percurso em que admitimos a completa desvalorização social da agricultura.

Ora, o fornecimento das cantinas escolares podia ter sido uma ajuda para começar a inverter o actual estado das coisas. Bastava que, nos concursos para o abastecimento, se privilegiassem produtos de uma determinada distância, quer dizer, que fossem produzidos relativamente próximos do local de consumo (para além de todas as outras exigências, pois claro)- não conhecemos legislação que o proíba. É pouco? Claro que sim. Mas é a tal história da grande caminhada começar, sempre, por um simples passo.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Ponte Romana

A Ponte Romana, um dos símbolos da vila, foi fotografada de vários ângulos em todas as épocas. As imagens mais conhecidas são tiradas dentro do próprio rio Zela. Eis mais uma perspectiva, não tão vulgar, da década de 1940.


(sem referência ao editor - papel gevaert)


2007 

 

quinta-feira, novembro 19, 2009

Vender gato por lebre

The delights of landscape- Magritte

No "Fugas" do passado sábado, noticiava-se que o guia "Best in Travel", da revista Lonely Planet, refere Portugal como um dos dez melhores destinos turísticos para 2010, por se tratar de um país "comprometido com o desenvolvimento sustentável", onde os "carros de bois ainda marcam passo por ruas floridas".

Esta notícia sugere várias perguntas e a mais importante nem é saber que indemnização vai pedir o primeiro turista por publicidade enganosa. É saber o que justifica tamanha diferença entre o que se sabe vender no mercado do turismo e aquilo que se faz entre nós. O imaginativo autor daquela descrição, sabe o que tem procura. Sabe que existe mercado para ofertas de qualidade, construídas a partir de espaços abertos que apostem na diferença, assumindo o que têm de mais característico. Indiferentes a tudo isso, insistimos em privilegiar a unidade hoteleira à sua envolvente, em organizar "programas fechados", onde quase tudo se passa entre o piso das massagens e o do restaurante. Na verdade, insistimos em fazer o que qualquer outro faz, o que muitos outros fazem há mais tempo e melhor. Depois, esperamos que a imaginação de um qualquer publicitário consiga vender o que não somos, que é como quem diz, "gato por lebre".

segunda-feira, novembro 16, 2009

O Casal do Cruzeiro

Posted by Picasa

No Domingo de Ramos era aqui que se benziam os ramos da "Festa", da janela central do Casal do Cruzeiro...

sábado, novembro 14, 2009

Quem tira a palavra a quem

É importante que os cidadãos saibam qual o nível de debate que preside aos seus destinos (ver aqui). Uma melhor divulgação das ideias desta gente, do modo como privilegiam as capelinhas ao debate dos problemas concretos, como sucessivamente se desculpam com a nossa suposta "falta de iniciativa" (que não os preocupou quando nos pediram o voto...), talvez nos ajude a decidir... a quem devemos "cortar a palavra".

quarta-feira, novembro 11, 2009

Uma faceta menos conhecida da Associação de Futebol "Os Vouzelenses"

Primeira e última páginas dos estatutos que legalizaram a Associação de Futebol "Os Vouzelenses". São perceptíveis as assinaturas dos fundadores: Joaquim de Souto e Melo, Vitorino Figueiredo de Almeida Campos, António Francisco de Paiva, Celso Ilídio da Silva Giestas, Guilherme José Joaquim Cosme, Elmano dos Santos Ferreira Dória, Paulo de Figueiredo, Luís de Sousa, João Ferraz de Melo Cardoso, Afonso Augusto de Figueiredo, António Ribeiro Bordonhos, José Cardoso de Barros, Aurélio Henriques Almeida Oliveira, Francisco Pinto Gomes, Bernardo Caixa, António Henriques dos Santos, António Joaquim de Almeida Campos.

Esteve para se chamar "Clube de Futebol Os Vouzelenses", porque um dos sócios fundadores era do Belenenses (1). Devido ao sportinguismo de outro, teve as primeiras camisolas verdes e brancas. Mas outras influências acabaram por marcar os primeiros passos da Associação de Futebol "Os Vouzelenses", pensada há 80 anos (10 de Novembro) por um grupo de jovens sedentos de actividade, mas estruturada por outros, menos jovens, conscientes de que, na Vouzela de 1929, as poucas oportunidades tinham que ser aproveitadas e que nem só de bola vive o homem.

Década terrível a de 20, iniciada com memória bem viva de uma guerra há pouco terminada, agravada por uma pandemia, a "Pneumónica" (que obrigou a ampliar o cemitério de Vouzela) e concluída com o despoletar da "Grande Depressão". Pelo meio, Portugal viu instaurada a ditadura (1926) e Vouzela ficou sem a Comarca (1927). No entanto, talvez tenha sido a necessidade de contrariar todas estas adversidades que aguçou o engenho e a vontade, fazendo dessa mesma década um marco de realizações no Concelho.

Foi neste contexto que nasceram "Os Vouzelenses" e é ele que reflecte nas preocupações que lhe deram origem. De facto, da leitura dos seus primeiros estatutos (aprovados em 5 de Janeiro de 1930), fica-se com a ideia de que se procurou ir muito mais longe do que simplesmente criar um clube de futebol, que se aproveitou o pretexto para lançar aqueles jovens num trabalho solidário com uma população cheia de carências.

Logo no artigo 1º podia ler-se: "Sob a denominação 'Os Vouzelenses' é formada uma associação de desporto, instrução, educação cívica e auxílio mutuo(...)"(2). Mas no artigo 3º, ia-se mais longe: "Com o objectivo de instruir e educar, (desenvolverá) o maior esforço a fim de chamar à Associação o maior número possível de cidadãos, criando aula noturna, promovendo passeios, conferências (...)". No artigo seguinte, vinha a "jóia da coroa": "Prestará assistencia moral e material a todo o associado (...)", prevendo consultas médicas gratuitas, subsídios para medicamentos e auxílio "em qualquer conjuntura em que o associado peça a assistencia da Associação e esta reconheça em Assembleia Geral dever prestar-lha". Para tal, previa-se a acção solidária dos sócios que se disponibilizariam a pagar uma "quota suplementar".

Convém recordar que se estava no Portugal dos anos 20-30. A taxa de analfabetismo ultrapassava os 60% (bastante mais entre a população agrícola), a média de vida limitava-se aos 45 anos para os homens e 49 para as mulheres e a mortalidade infantil atingia valores de 144/1000(3). Vouzela era um concelho quase exclusivamente rural, com uma população a rondar os 15 mil habitantes, número excessivo para as características económicas dominantes e sem a possibilidade de recorrer à emigração (por causa da guerra, primeiro, e da crise económica, depois). A vila terminava na Escola Conde Ferreira, não havia passeios nas suas principais artérias e o chafariz, actualmente no Largo do Convento, estava localizado bem no centro da Praça da República por motivos que nada tinham que ver com a simples decoração...

Da actividade cultural então prevista conhecem-se algumas acções, tais como conferências, aulas nocturnas (ministradas graciosamente por um famoso professor daquele tempo, José Manuel da Silva) e algumas representações teatrais orientadas por António Joaquim de Almeida Campos (autor dos estatutos). Não sabemos se alguma vez foi posta em prática a vertente de solidariedade social, apesar de haver notícia de um forte esforço financeiro feito nos primeiros anos da Associação por alguns dos seus fundadores. No entanto, fica o exemplo daqueles que souberam interpretar o seu tempo e, com conhecimento e imaginação, usar os (poucos) recursos de que dispunham. Foi há oitenta anos (4).
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(1)- Quem quiser conhecer a história da Associação de Futebol "Os Vouzelenses", tem que consultar duas fontes: o artigo que Afonso Campos escreveu na edição comemorativa publicada pelo "Notícias de Vouzela" em 1979 e o trabalho de Lopes da Costa, arquivado na Biblioteca Municipal. Este último, para além de ser um conhecido estudioso da história de Vouzela, viveu o clube nas diversas dimensões que lhe marcaram os primeiros tempos, tendo sido jogador e membro do seu grupo de teatro.

(2)- Respeitamos a grafia original.


(3)- História de Portugal, José Mattoso

(4)- Os nossos agradecimentos ao actual presidente da Associação, Engº. Aidos, por nos facultar cópia dos Estatutos de 1930.