domingo, novembro 01, 2009

TRÊS REFLEXÕES

1. A TENTAÇÃO DE IMITAR.

Já não é de agora esta tentação que os portugueses têm de imitar. E quando falo em portugueses enquanto pessoas, falo também nas instituições do estado, governo, autarquias, tribunais etc., etc..
O João imita o Manuel quando compra um carro da mesma marca e o Manuel imita o Luis quando vai de férias para o Brasil; a Luísa imita a Isabel com o vestido e o penteado e a Isabel imita a Luisa nos sapatos e nas malas; ambos os casais imitam os Souzas quando pôem os filhos no mesmo colégio, e estes imitam os filhos dos outros nos ténis e nas t-shirts, ou seja todos se imitam mutuamente.
Entre as autarquias imitam-se os procedimentos, os investimentos e os empreendimentos
Não importa se estão ajustados à realidade de cada caso, o que importa é ter no mínimo o mesmo que o vizinho tem, mas preferencialmente em maior.
Os governantes também se imitam entre si e é fácil de notar a transformação que cada um dos membros do executivo vai fazendo ao longo da carreira: primeiro mudam de visual e vão deixando de lado os fatinhos do pronto a vestir da Zara e passam para o da Boss, ou similar,em simultâneo mudam também de fornecedor das camisas e gravatas, e para cúmulo da imitação alguns até passam a mandar fazer as fatiotas por medida como faziam os do antigamente.Depois mudam de tom de voz e de estilo de discurso tentando imitar o chefe. São tão flagrantes as semelhanças que por vezes, quando não se vêm, somos levados a pensar que é o chefe que está a falar.
Mas o pior das imitações, são as que vamos buscar ao estrangeiro.
Lembram-se por certo do governo afirmar que pretendia basear o sistema educativo no da Finlandia, com quem com todos sabem, somos muito semelhantes: instalações modernas e equipadas com a mais sofisticada tecnologia, alunos sem fome, disciplina dentro e fora das salas de aula, programas meticulosamente estudados e cumpridos e exames rigorosos e frequentes. Tal e qual como cá. Como devem ter percebido que isto não era copiável devem ter ido beber de outra fonte qualquer, ou o que é pior inventaram eles próprios e criaram mais um modelo "à portuguesa". Temos também os submarinos: se a Espanha tem então nós podemos ficar atrás? Ninguém percebe para que vão servir, mas temos, e depois logo se inventa uma utilização "à portuguesa".
Ora como é sabido a unica coisa "à portuguesa" que é boa é o cozido pelo que o resultado ficou à vista no tocante à educação e logo se há-de ver com os submarinos.
Nas autarquias foi a corrida às variantes que muitas vezes não vão dar a lado nenhum, às passagens desniveladas ou subterrâneas para peões e veículos, aos cine-teatros, pavilhões gimno-desportivos e outras coisas mais. À primeira vista até estariam bem se fossem utilizadas convenientemente, mas o que infelizmente se verifica é que nada daquilo está a ser devidamente aproveitado. As passagens para peões porque estão mal localizadas ou porque se tornaram em locais de assalto, os cine-teatros porque as populações empobrecidas e envelhecidas não os frequentam e os jovens preferem ir á cidade mais próxima onde a oferta é substancialmente maior. Salvam-se alguns pavilhões gimno-desportivos, porque apoiam as escolas que os não têm e onde os jovens , para imitarem o Ronaldo, o Évora ou a Naide acabam por ir.
Mas também inventaram: as rotundas "à portuguesa".
Também as tradições têm vindo a ser copiadas ao longo dos tempos. Primeiro apareceram as fitas de tule a enfeitar os carros nos casamentos, moda trazida pelos emigrantes em França; depois o carnaval brasileiro, com a ligeira diferença de passar dos 40ºC para os 6ºC e do sol de verão para a chuva de inverno; mais tarde veio o Halloween sem que ninguém percebesse porque é que não se manteve o nosso Pão por Deus. Vi há dias numa novela brasileira que os bébes saem da maternidade com botinhas vermelhas. Aposto que vai passar a ser moda dentro em pouco como o foram os nomes postos às nossas crianças há uns anos: Katias, Vanessas, Sónias Rudolfos, etc..
Eu até não me importava que copiassem o que de bom existe nos outros países, mas sempre o pior?

2. AS DOENÇAS

Não sei se já repararam mas sempre que se fala de doenças em Portugal, o número dos que delas padecem anda sempre na casa dos 500.000. Ora, como eu próprio, bem como a maioria dos que me são próximos não têm qualquer doença, haverá por certo uns quantos desgraçados que têm todas.
Sendo as doenças o motivo de conversa favorito dos portugueses é fácil ouvir alguém que se está a queixar ao amigo, que já não vê há dez anos, dos seus problemas de colite, obter como resposta – e eu não sei? Há cinco anos que descobri que tinha uma! E assim o fígado, os pulmões, os ossos, o coração, a coluna, as articulações, as alergias etc. dão o mote a longas conversas entre amigos ou simples conhecidos, se forem das classes pobre ou média baixa. Nas classes média alta e alta, as doenças já são outras, como por exemplo as encefaleias, as hepatites , as cirroses, o Parkinson e o Alzheimer , os esgotamentos, as depressões etc. Se há povo introvertido e envergonhado é o nosso e meter conversa não é nada fácil a menos claro se o tema for doença. Aí vamos ter conversa para horas e até quem sabe, iniciar uma profunda e sincera amizade que poderá chegar mesmo ao acasalamento desde que os respectivos interlocutores não sejam portadores de HIV ou impotência. Aliás sobre este ultimo tema nunca ninguém fala, pelo menos até agora nunca ninguém me disse que era impotente, antes pelo contrário a avaliar pelo que oiço, só há garanhões, pelo que sugiro aos serviços de saúde que revejam as estatísticas (em baixa, claro). É evidente que nesta situação vou mais pelo que me dizem as mulheres deles, coitadas.
Mesmo quando se fala sobre o sexo oposto, o que à partida seria saudável, raras são as vezes em que não entram as doenças: conheço-a bem é uma atrasada mental; uma histérica; cuidado com esse tipo que tem herpes labial; põe-te a pau ou ainda arranjas uma blenorragia; protege-te por causa da Sida, etc. etc..
Mas está bem: Portugal é um país de doentes, mas quem faz as estatísticas exagera, porque a acreditar nelas haveria dias em que muito poucos iriam trabalhar, ou seja os que não têm nada, mas que sem os que têm tudo nada fariam, pelo que o país entrava de baixa da caixa colectiva.
Mas pensem agora no desgraçado que junta as doenças todas: não pode comer porque tem cancro no estômago, não bebe porque os rins não funcionam, respira mal porque já só tem um pulmão, a angina de peito dá-lhe dores horríveis bem como as artroses múltiplas e a espondilose anquilosante, para já não falar na diabetes que lhe está atacar a visão. Como bom português ainda ouve (muito mal é claro) a esquizofrénica da mulher dizer-lhe: a tua sorte é teres ficado impotente muito cedo, senão ainda apanhavas Sida.
Por isso meus queridos e saudáveis amigos vivam o melhor que poderem porque um dia tudo isto ainda nos pode tocar.

3. NÓS CÁ EM CASA

Sempre se quantificaram as familias pelo numero de pessoas. Cá em casa somos 2, em caso do meu filho são 4, em caso do meu primo são 7, em casa do meu amigo Francisco são 5 etc..
Ao que parece isto já não é assim. De acordo com o anuncio televiso a uma conhecida rede de comunicações as familias passaram a ser quantificadas pelos equipamentos electrónicos que possuem, ou seja, em casa do João Pinto, do Nicolau Breyner e de um outro que não sei quem é são televisores, computadores e telefones fixos e móveis.
Isto está mesmo a mudar!

sexta-feira, outubro 30, 2009

Mais um beirão de rija cepa!

O micróbio, descoberto por cientistas de Coimbra, na zona termal de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, é capaz de resistir aos mais elevados níveis de radiação e desidratação prolongada.

(...)

O micróbio Rubrobacter radiotolerans (RSPS4), declarado já pela comunidade científica como o micróbio mais resistente do mundo a radiações, está a ser estudado por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e do Instituto Pasteur (Miroslav Radman)- do Portal Cidade de Viseu (ler também através do "Caricas")

quarta-feira, outubro 28, 2009

Pérolas do planeamento urbano-II


Ok. Reconhecemos não ter uma opinião muito favorável sobre o trabalho das autarquias locais. Enaltecemos os casos positivos, mas o saldo, sobretudo desde que essa coisa dos "fundos europeus" começou a embaciar os espíritos, tendeu para valores negativos com uma velocidade assustadora. Os exemplos são tantos que já cansa comentá-los em pormenor. Reparem nesta "pérola".

Algumas forças políticas de Aveiro, "descobriram" que o campo de futebol, construído com pompa e circunstância para o "Euro 2004", não passa de um mono caro. Até aqui nada de novo e situações semelhantes existem em Leiria ou no Algarve (só não se percebe muito bem o que os impediu de chegar a essa conclusão antes de avançar para a asneira, mas adiante.) Vai daí, proliferaram ideias desde a implosão pura e simples da obra, até à mais recente avançada pelo presidente Élio Maia. Macacos me mordam se isto não me recorda aquelas situações anedóticas em que alguém vendia aos incautos a Torre dos Clérigos ou o Mosteiro dos Jerónimos. Então, para compensar um "elefante branco" que apenas beneficiou quem, directa ou indirectamente, esteve ligado à sua construção, arranja-se um centro comercial (mais um), que nada vai acrescentar à economia da região, que na maior parte dos casos irá viver de transferências de lojas de outros centros e que, feitas as contas, apenas irá beneficiar quem estiver ligado à sua construção...

O mais preocupante é que este tipo de "obra" reflecte a ideia desta gente sobre "progresso" e "desenvolvimento", bem visível no desordenamento da maior parte do território, e que só aguarda os primeiros sinais de fim de crise para regressar em força.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Pelourinho e Escola Conde Ferreira

1920's



Postal n.º 20 de uma série da qual aqui temos mostrado alguns exemplares. Esta série não tem referência ao editor. Alguns postais têm no verso um carimbo com a inscrição "CASA AUGUSTO ROCHA" ou "CASA DA MONTANHA CASTELA".

A quem tiver repetidos para troca ou venda, estou interessado nos números 5, 7, 9, 10, 12, 14, 18. Alguém conhece algum com número superior a 20?

sábado, outubro 24, 2009

"Agora só falta aqui é cimento"


Retirado daqui, a partir do Quinta do Sargaçal

Já temos governo. Para os opinadores de grande audiência, tudo se parece resumir a ser mais ou menos da "linha dura", mais ou menos "dialogante" e, a partir daí, deduzir o modo como o colectivo vai evoluir no relvado. Isso mesmo. Parece que estão a falar de uma equipa de futebol. Discutir opções políticas, modelos de desenvolvimento, não passa pela cabeça de quem pensa ter alcançado o estádio supremo do desenvolvimento humano e chegado ao "fim da História". Não chegámos. Apenas nos arriscamos a ver chegar o fim da linha. Mais uma. E, com ela, assistir a mais um exemplo do desperdício de um modelo de crescimento (desenvolvimento é outra coisa) que ninguém discute.
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O documentário "Pare, Escute, Olhe" que aqui apresentamos, foi o grande vencedor da 7ªa edição do festival internacional de cinema DocLisboa. Ler aqui.

OS PASTEIS

Já lá vai o tempo em que se ia ao Café Avenida tomar uma café e comer um dos melhores pasteis de nata do país o que, dito por um lisboeta tem o seu peso. Infelizmente o criador dos pasteis faleceu e como acontece em muitas outras coisas na vida não deixou seguidor, pelo que hoje os pasteis são intragáveis. É pena.

Também é pena que nos variadíssimos certames gastronómicos que estão a decorrer neste fim de semana e largamente publicitados pelas televisões não haja a mais pequena referência aos pasteis de Vouzela. Os de Tentugal estão em todas, mas os de Vouzela nem numa imagem furtiva.

Num festival de doçaria lá estavam a falar na necessidade da certificação das especialidades regionais. E em Vouzela, o que se está a fazer? Será que, tal como a vila os doceiros vouzelenses continuam a viver no século passado? Ao menos promovam o que têm e se é preciso certificar que certifiquem senão arriscamo-nos a curto prazo a ficarmos em eles.

Tal como os pasteis, também o novo governo não muda a receita e o que é pior não muda os doceiros. O PM, desacreditadíssimo, teve imensa dificuldade em recrutar gente capaz para o governo e aí está o "baralha e volta a dar".
É mau de mais para ser verdade e não se lhe augura grande futuro, mas enquanto fazem e não fazem ficam e não ficam lá vai o povo passando mal enquanto os políticos se vão ocupando em "evacuar" pareceres e comentários, como se o que eles dizem fosse levado a sério por alguém.

Como foi referido num dos programas dos "Gatos Fedorento" (do melhor que foi produzido nos últimos tempos em televisão) só após as eleições legislativas vieram a público os maus números do país e são mesmo muito maus. Mais pobreza, mais desemprego, maior clivagem entre ricos e pobres, pior formação, mais corrupção à mistura com submarinos, Freeport, Cova da Beira e como seria expectável pelo que atrás referimos, menor independencia dos meios de comunicação.

Mas como dizia o outro, o povo é sereno e como ainda por cima é quem mais ordena que se amanhem porque eu vou emigrar.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Sobre o nome Alafum: Lenda da caninha verde

Em tempos que já lá vão, nos primeiros tempos da Reconquista, vivia num palácio em Fataunços, perto de Vouzela, o nobre guerreiro El Haturra, descendente do famoso chefe mouro Cid Alafum. El Haturra era velho e feio e nunca era visto sem a sua bengala, uma velha cana que vinha sendo transmitida na sua família, de geração em geração, entregue ao seu novo possuidor com umas palavras misteriosas... Ora, o facto de El Haturra se fazer acompanhar por aquela cana negra e ressequida era objecto de troça de todos, a tal ponto que um seu amigo, o jovem português Álvaro o aconselhou a desfazer-se dela. El Haturra confidenciou-lhe então que a vara tinha magia e que se um dia chegasse a ficar verde era o sinal sagrado do profético encontro de dois primos descendentes de Cid Alafum. Nesse dia esperado, as terras e os tesouros do antigo chefe mouro voltariam à posse da família e as formosas mouras seriam desencantadas. Uma condição essencial era que ambos os descendentes professassem a religião de Alá. Um dia, passeavam El Haturra e o seu amigo Álvaro pelo campo quando viram uma linda princesa acompanhada por uma formosa aia, de cabelo negro e olhos azuis, que cavalgava um cavalo negro. De repente, a vara começou a ficar verde e El Haturra começou a rejuvenescer, tornando-se jovem e belo. Ao primeiro olhar, El Haturra tinha reconhecido na aia a descendente de Cid Alafum e, juntamente com Álvaro, saiu atrás das duas jovens que se dirigiam à corte do rei de Portugal. Diz a lenda que El Haturra conseguiu convencer a jovem aia a casar-se com ele e o rei de Portugal abençoou a união com uma condição: o baptismo de El Haturra. De início o agora jovem El Haturra opôs-se veemente, mas por fim a sua paixão foi mais forte e aceitou o desejo real. O baptismo ficou marcado para o dia do casamento e foi então que aconteceu algo de extraordinário: no momento em que estava a ser baptizado, El Haturra voltou a ser velho e feio como dantes. A magia da caninha verde só seria válida se ambos os nubentes professassem a religião de Maomé. A noiva desmaiou naquele mesmo momento e nunca mais quis ouvir falar no seu noivo que desapareceu para sempre, enquanto que a sua cana verde foi guardada num sítio secreto. Segundo a tradição, se alguém gritar "Viva o fidalgo da caninha verde!" no mesmo local e à mesma hora em que se deu o encontro entre os dois descendentes de Cid Alafum, ouvirá gargalhadas alegres das mouras encantadas que pensam que chegou a hora da sua libertação.
- Tirado daqui