sábado, outubro 17, 2009

Coisas d'amar

"A Maria de Lourdes Modesto disse numa entrevista que este (os pasteis de Vouzela, pois então) era o melhor doce do país. E se ela o diz..."
- Coisas d'amar

quinta-feira, outubro 15, 2009

Apontamentos sobre as Autárquicas


Agora que já correram as cortinas sobre as Autárquicas, período em que, por momentos, o país foi recordando (vagamente) que existe um Interior, quase apetece dizer que terminaram os nossos quinze dias de fama. Adeus, 60% que vive do lado direito da A1 (para quem desce). Até daqui a quatro anos...

Mas, à laia de conversa doméstica, talvez valha a pena passar os olhos pelos números das nossas decisões (nossas mesmo) e registar três ou quatro apontamentos. Não é que tenham surgido cenários de grande interesse, ou sejamos possuidores de conclusões surpreendentes. Nada disso. Apenas damos o que temos e quem assim faz, a mais não é obrigado.


De todas as interpretações que os resultados permitem, há uma que nos agrada particularmente: os vouzelenses atribuiram grande importância a este acto eleitoral, respondendo massivamente (já o tinham feito há quatro anos). A abstenção limitou-se aos 29,45%, muito abaixo da média nacional (40,9%) e da verificada no distrito de Viseu (37,62%). Se tivermos em conta os números de outras eleições, quer das Legislativas, quer, sobretudo, das Europeias, é impossível desvalorizar este dado. Como também é impossível não lamentar que as campanhas aproveitem tão mal esta impressionante mobilização, para esclarecer os eleitores sobre o que realmente pretendem fazer (se calhar, têm medo que alguém se lembre do que dizem...).

O resultado conseguido pelo PSD (51,16%, a partir de 3821 votos) foi o terceiro melhor de sempre, atrás dos de 2005 e de 1979. No entanto, representou a perda de 381 votos em relação ao conseguido nas anteriores eleições autárquicas, quando conquistou o apoio de 4202 eleitores. Aliás, de todas as listas concorrentes à vereação, a do PSD foi a única que perdeu votos, o que não surpreende se tivermos em conta o desgaste provocado pelas peripécias dos últimos quatro anos de governação. Mesmo assim, manteve o controlo absoluto quer na vereação, quer na Assembleia Municipal, o que lhe dá ampla margem de manobra, mas... não lhe permite desculpas.

Quanto ao Partido Socialista, parece ter iniciado a recuperação da situação difícil a que se viu remetido desde que, há oito anos, perdeu a chefia da Câmara. Os seus 3031 votos, não só representam um aumento em relação ao conseguido em 2005 (2206), como ultrapassam a soma dos então conseguidos por si e pelos independentes "Por Vouzela" que, agora, concorreram integrados nas suas listas. Com 3 vereadores eleitos, mais 8 deputados municipais, mais 5 presidentes de junta, o PS parece reunir todas as condições para construir uma alternativa. Dos actuais resultados já deve ter concluído que vagas insinuações sobre a dívida da Cãmara não levam a lado algum- ou há "fogo", ou não há. Contentar-se com o "fumo", só contribui para turvar a vista...

Dos resultados obtidos pelas restantes listas concorrentes à vereação (CDS-PP e PCP-PEV), parece-nos ser de realçar o facto de todos terem aumentado o número de votos conseguido, comparativamente com as eleições de 2005. Isto é tanto mais significativo, quanto ambos se podem queixar de alguma dinâmica de "voto útil", já que os vouzelenses concentraram nos dois principais partidos as suas escolhas para a Câmara, fazendo uma votação mais "sincera" para a Assembleia Municipal. Tenha-se em conta que PS e PSD tiveram votações mais modestas para este último orgão, enquanto os restantes partidos as viram reforçadas (no caso do CDS, com uma diferença significativa de 284 para 377 votos). Mas, isto também pode querer dizer que os cidadãos compreendem bem as limitações da Assembleia e onde está o verdadeiro poder de decisão das autarquias locais.

A Assembleia Municipal vai passar a ser constituída pelos 11 deputados do PSD (conseguiu 12 em 2005), pelos 9 do PS (8 em 2005), pelo deputado do CDS-PP (nenhum em 2005), por 6 presidentes de juntas ganhas pelo PSD e por 5 de juntas do PS (ainda não é possível saber que partido vai ficar com a presidência de junta que falta, já que houve empate em Carvalhal de Vermilhas). Há, pois, uma evidente bipolarização, sendo pouco provável que, a médio prazo, surja uma alternativa capaz de fazer frente aos dois maiores grupos partidários.

Contudo, o peso de uma ou outra personalidade local pode alterar um pouco as regras deste jogo, como nos parece ser de concluir da votação conseguida pelo Bloco de Esquerda: sem tradição nas refregas locais e com parte dos nomes que lhe são próximos integrados nas listas do Partido Socialista, o BE conseguiu, mesmo assim, 203 votos para a Assembleia (única candidatura que apresentou). Independentemente de poder haver já um núcleo fiel que apoia esse partido em todas as circunstâncias, o prestígio local do cabeça de lista talvez explique algo sobre os resultados conseguidos (o mesmo se passando com a candidatura do PSD e da CDU à Assembleia de Freguesia de Vouzela). Vale a pena reflectir sobre isto, porque pode dar uma ideia da viabilidade de futuras listas de cidadãos com capacidade para romperem com o fatalismo das "ementas" partidárias.

terça-feira, outubro 13, 2009

Aguardente de Lafões / Vinho de Lafões

Depois do restauro, eis o cartaz publicitário, usado no seu estabelecimento pelo Sr. Manuel d'Almeida Relebo, em Fataúnços. Segundo a família este será o cartaz mais antigo com referência à designação de Vinho de Lafões e Aguardente de Lafões. As frases publicitárias aí usadas são absolutamente deliciosas e é curiosíssimo o "estudo de mercado" que levou o Sr. Manuel a incluir no seu cartaz os aviadores como target de consumo da aguardente.

1920's ?



Restauro: Cândido Sousa
(reprodução autorizada)

segunda-feira, outubro 12, 2009

Aguardente de Lafões (2)

Parte do cartaz antes do restauro.


Aguardente de Lafões

Afinal onde começou a aguardente de Lafões? Quem foi o primeiro a usar a designação?


domingo, outubro 11, 2009

Resultados a carecerem de confirmação.

(ACTUALIZADO)
Apesar de não sermos um blogue noticioso, o interesse demonstrado por vários leitores que, por mail, nos têm feito as mais variadas perguntas sobre os resultados eleitorais, levam-nos a avançar os dados de que dispomos e que devem ser confirmados.

O PSD venceu as eleições (*) para a Câmara (embora haja informações de que perdeu um vereador), e para a Assembleia Municipal. Nas freguesias, regista-se a mudança verificada em Fataunços (vitória do PSD) e em Queirã (vitória do PS). Sete foram ganhas pelo PSD e cinco pelo PS.

A abstenção rondou os 29,5%.

Como habitualmente, os resultados serão objecto de análise, logo que confirmados.
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(*)- Na página cuja ligação apresentamos, podem ser confirmados os resultados por freguesia.

Arguididatos

Acabei de votar. Havia filas nas mesas de voto o que não aconteceu há quinze dias, pelo que sou levado a pensar que haverá uma menor abstenção. No final do dia logo se verá.

Voto num dos concelhos onde um dos candidatos tem problemas com a justiça, mas que, tenho de reconhecer tem sido um bom autarca. Ora esta situação deixa-me, e a milhares de outros eleitores, num delicado problema: em quem votar? Num dos partidos do “centrão” que levaram toda a campanha a zurzir no homem mas que não apresentaram nenhuma proposta alternativa coerente ou no tal que, correndo o risco de vir a ser preso, tem obra feita e é reconhecidamente um bom autarca? Ou nos outros partidos que, conscientes de que nunca virão a ganhar as eleições fizeram as mais absurdas e demagógicas promessas, confundindo na maior parte das vezes autárquicas com legislativas?

Não sou partidário do estilo “roubou mas fez”, nem do “não roubou nem fez” e muito menos do “roubou e não fez”. Penso que já seria tempo dos autarcas deixarem de ser vistos como delinquentes encartados, mas receio que tal nunca venha a acontecer em especial nas câmaras com grandes orçamentos, pois eles poderão ser muito sérios, não beneficiarem em nada com o seu poder, mas acima deles estão os partidos que os elegeram mesmo quando se assumem como independentes e que mais dia menos dia vão pressionar, vão pedir ajuda financeira, vão tentar influenciar nesta ou naquela decisão, ou seja irão cobrar o investimento.

Contam-se muitas histórias envolvendo nomes sonantes de grandes partidos, leia-se PS e PSD , de sacos azuis e até da colocação providencial de um juiz no tribunal onde se encontrava um processo contra o autarca e que de mediato foi arquivado por falta de provas. Mas a voz do povo, como a do burro, não chega ao céu, a bagunça veio para ficar.

Restam-me os movimentos de cidadãos independentes, que se criam especificamente para concorrerem às eleições e que se extinguem logo a seguir. Mas é nesses que estão os tais que têm processos e que podem ir acabar o mandato atrás das grades. Por outro lado sou levado a acreditar que dentro ou por detrás desses movimentos estão empresários com interesses no concelho que financiam a campanha e que, quando necessitarem irão cobrar o apoio.Não há almoços de borla.

Assim, não tenho alternativa senão votar em branco ou, se me der na bolha, utilizar o boleteim para chamar nomes às mães e esposas dos ilustres candidatos, o que pouco impacto terá ,dado que só será lido pelos membros da mesa.

Sou agora confrontado com uma noticia na TV, que me diz ter sido morto a tiro por um candidato do PS o marido da candidata do PSD à junta de freguesia de Ermelo no concelho de Vila Real. Poderia ter sido o inverso mas, não sei porquê , não estranho que tenha sido um candidato do PS a cometer tal acto, porque nos últimos tempos aquele partido tem vindo a ter uma postura de intolerância, autoritarismo e caciquismo que, pensava eu, já não devia acontecer na nossa sociedade.

Infelizmente as mentalidades pouco têm mudado e o bairrismo pacóvio convive alegremente com o discurso exaltado e de dedo em riste dos que detêm o poder. As autarquias ,em lugar de se unirem, concorrem entre si e o resultado é bem visível nos investimentos sem qualquer interesse para as populações locais, e cuja razão reside no facto do “vizinho ter feito”. Este é a todos os níveis o grande problema do país: a mentalidade.

Se em 1974 estávamos com um atraso de trinta anos em relação á Europa, neste momento pouco pouco evoluímos, e a justificação só pode estar na educação e na cultura. País iletrado e inculto não vai a lado nenhum por muitas vias rápidas, variantes, travessias inferiores e superiores, jardins, piscinas e passeios a Fátima para idosos que as câmaras possam realizar. não podemos continuar a perder oportunidades.
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NR: Devido ao conteúdo deste post e às exigências da Lei Eleitoral, só o pudemos publicar após as 20 horas- Zé Bonito.