segunda-feira, setembro 07, 2009

quinta-feira, setembro 03, 2009

Rankings são rankings, estudos são estudos, autarcas são autarcas

Foto de Guilherme Figueiredo

Já estávamos de saída para férias quando o "Notícias de Vouzela" nos trouxe a reacção do presidente da Câmara, Telmo Antunes, ao tal estudo que, noutras paragens, justificou ameaças de lambada e processos em tribunal. Por aqui o calmo murmúrio do Zela fez predominar algum senso do bom, mas não deixa de valer a pena analisar as palavras do presidente.

Decorria a sessão de Câmara de 7 de Agosto, quando o vereador socialista, Adélio Fonseca, procurou saber a opinião da equipa autárquica. Ao fim e ao cabo, se São Pedro do Sul passeou por esse país fora a mediocridade do seu 261º lugar, Vouzela só lhe ganhou por onze posições, registando um trambulhão de 39 lugares. O Dr. Telmo Antunes parece que começou por dizer que não tinha lido o estudo e que não fazia qualquer avaliação, mas sempre foi adiantando que tinha recebido uma proposta de uma empresa para fazer um por 20 mil euros que, a ser aceite, certamente apresentaria uma excelente imagem do concelho. Quando lhe chamaram a atenção para o facto de se tratar de um trabalho "universitário, independente e com base científica", respondeu que se fosse efectuado um estudo das universidades portuguesas, a da Beira Interior (responsável pelo trabalho) "não estaria em melhores lençóis que o concelho de Vouzela", rematando com um "rankings são rankings, estudos são estudos" e a estranheza pela subida de alguns concelhos em relação às posições de 2007, assim como por haver "concelhos com classificações extraordinárias só que não vive lá ninguém". Enfim, de quem não leu o estudo não se pode exigir muito mais.

Só que a reacção do actual presidente da Câmara de Vouzela insere-se numa característica que começa a fazer escola entre os autarcas portugueses: a recusa em discutir política local. De facto, também nós manifestámos dúvidas sobre a importância de algumas variáveis avaliadas (por exemplo, sobre a relação entre construção nova, desenvolvimento e bem- estar). No entanto, são avaliadas outras, bem objectivas, como infra-estruturas básicas exstentes, investimento em gestão de águas residuais, tratamento de resíduos, protecção da biodiversidade e da paisagem, cultura, lazer, desporto, etc., etc., etc. Ao fim e ao cabo, aquelas "coisinhas" que não dão para botar lápide com nome, mas que a nós, simples cidadãos, dizem tudo sobre as condições que nos proporcionam. Será que o presidente da Câmara de Vouzela consegue provar haver saldo positivo em todas elas? Sem pagar 20 mil euros?

O estudo da responsabilidade de José Pires Manso (Professor catedrático da Universidade da Beira Interior e responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social) e de Nuno Miguel Simões (Técnico Superior Economista), compara dados com um outro publicado em 2007. É em relação a ele que são definidas as subidas e descidas- Vouzela desceu. Há erros? Denunciem-se. Mas se, em pleno período de eleições autárquicas, não vão discutir estes assuntos, vão discutir o quê?
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Convém esclarecer que rankings das universidades portuguesas é coisa que não falta. Há para todos os gostos, alguns até fazem comparações internacionais, só não sabemos se custaram 20 mil euros. De qualquer modo e a bem do rigor, devemos dizer que a Universidade da Beira Interior aparece em posição bem melhor do que Vouzela no conjunto dos concelhos nacionais.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Ponte da Foz

Sabe sempre bem dar de beber aos olhos para nos refrescarmos neste Verão tão quente.

1940's


12º postal de uma colecção de postais fotográficos sem referência ao editor.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Coisas que vale a pena saber para sobreviver às Autárquicas

"Apesar da entrada em vigor das leis que impõem a limitação de mandatos para os autarcas e a paridade entre homens e mulheres na elaboração das listas, a renovação do poder nos municípios portugueses é ainda uma miragem. Dos actuais 308 presidentes de câmara, apenas 29 não se recandidatam ao cargo, donde forçoso é concluir que aparentemente os partidos quiseram jogar pelo seguro"- Público.

O campo puro e duro do caciquismo

"A notícia confirma aquilo que já se sabe: no poder local os Presidentes de Cãmara permanecem no cargo quase enquanto quiserem. A conclusão óbvia seria a de que, neste sector específico da actividade política, a qualidade do trabalho realizado seria pouco menos do que insuperável. Pura ficção. Estamos no campo puro e duro do caciquismo. Quem chega ao poder dificilmente de lá sai porque estabelece um poder pessoal sobre todos os mecanismos que afectam directa ou indirectamente a reeleição"- pedra do homem.

Mas há quem acredite no Pai Natal e na Fada dos Dentes

"O sociólogo Fernando Ruivo viu a limitação dos mandatos como um caminho para a renovação, mas hoje mostra-se céptico. "Se a classe política se reproduzir endogenamente como até à data, não haverá grandes alterações", constata o director do Observatório do Poder Local do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia de Coimbra"- Público.

Almoços grátis é que não há

"O PS é o partido que apresenta maior orçamento para a campanha das eleições autárquicas de 2009: são 30,5 milhões de euros contra os 21,9 milhões do PSD, embora esteja ainda por explicar se os gastos nos locais em que os sociais-democratas têm coligações (mais de seis milhões de euros) já estão incluídos nestas contas. A situação inverteu-se face a 2005: os socialistas prevêem gastar agora mais três milhões, os sociais-democratas fizeram um corte radical de metade da verba"- Público

segunda-feira, agosto 24, 2009

um dia de neve há quase 50 anos

 
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quarta-feira, agosto 19, 2009

Sobre o despovoamento do Interior

O Emigrante, José Malhoa

De vez em quando lá acontece: os blogues de referência, maioritariamente, de "corte urbano", lembram-se do Interior. Foi o que fez o recente "Simplex", pela pena de Sofia Loureiro dos Santos. O diagnóstico está bem feito (logo no primeiro parágrafo), mas a "terapêutica" é insuficiente. Em linhas gerais, propõe-se um repovoamento através de pessoas que, hoje, residem nas cidades, mas que optem por ares mais saudáveis e belas vistas, beneficiando das facilidades de comunicação existentes. Esquece-se, a Sofia, de alguns "pequenos" pormenores:

1º) Grande parte da paisagem de que tanto se gosta, resultou do modo como o homem moldou o meio e o aproveitou. As principais actividades que a criaram e que a podem manter, são precisamente aquelas que os governos têm ignorado, não encontrando "remédio" para situações de menor produtividade, mas com inegável importância social e ambiental: a agricultura e a pastorícia.

2º) Fazer uma "transfusão" de habitantes de centros urbanos para zonas do Interior (situação até certo ponto inevitável e que já se verifica nalguns casos), sem garantir a continuidade das actividades rurais, acabaria por transformar essas zonas em subúrbios que, na melhor das hipóteses, só conseguiriam manter o "verde" à custa de um ajardinamento intensivo.

3º) A situação do mundo rural deve servir de lição, não apenas pela desertificação que tem sentido, mas também pela enorme injustiça de que foi vítima uma população completamente abandonada, condenada a partir ou a morrer. Mais: a reconversão da agricultura para a produção de produtos de referência, de elevada qualidade, está seriamente comprometida pela dificuldade em conquistar público jovem, afastado pela desvalorização social do sector.

A respeito de tudo isto, é importante não perder a resposta de Henrique Pereira dos Santos ao texto do "Simplex" (ver caixa de comentários), concluída no seu blogue, "Ambio".

segunda-feira, agosto 17, 2009

Vistas do monte

Emprestámos os montes para que os nossos irmãos das Termas de S. Pedro do Sul pudessem ter uns excelentes postais.

Edição de Fradique Santos