quinta-feira, agosto 13, 2009

Memória

Zona da Foz. O salto era para o outro lado

Não precisava de grande desafio. Chegava-se à beira da ponte da Foz, media o salto e projectava-se, em prancha, mergulhando com elegância. Outros havia que se atiravam de pés, outros ficavam pelas desculpas, a maioria assistia. Era um ritual de verão. Quando todos se juntavam, vindos de toda a parte, gozando todo o tempo do mundo e a liberdade de um espaço que só tinha por limite a força das pernas. Ninguém tinha automóvel.

Memórias de um Vouga, quando era bem mais do que isso- uma memória. Com ela rumo a outras margens. Regresso marcado para muito antes das vindimas e da "sementeira" das Autárquicas. Até lá, continuamos no ritmo próprio da época, que é como quem diz, "quando acontecer". Boas férias com muito ar puro e amplos horizontes- os vírus detestam espaços abertos.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Rua Principal

Posted by Picasa


Esta fotografia é muito curiosa e revela a estrada do Vale do Vouga, ao passar por Oliveira de Frades...atentem no pormenor das pessoas...

sexta-feira, agosto 07, 2009

Onde está o Wally?

Imagem tirada do Viseu, Senhora da Beira

Neste caso é mais "onde está Vouzela", na página promocional da Região de Turismo Dão- Lafões... Para além dos percursos pedestres, apenas temos direito a uma vaga referência na secção "sabores" (os pasteis de Vouzela, claro) e a uma única sugestão de alojamento. Alguém se esqueceu de pagar a conta ou a dimensão certa das políticas locais de desenvolvimento turístico? Talvez possamos acrescentar que é um bom exemplo de como se tem desperdiçado dinheiro em promoção mal feita. Na verdade não é só Vouzela que está mal representada- é toda a região, se a entendermos no conjunto (e na diversidade) da sua riqueza cultural. Lamentável.


Já agora, é de elementar justiça elogiar a jovem equipa que idealizou a "Doce Vouzela", mostra de doçaria local promovida pela Câmara. Uma ideia com imensas potencialidades que merece lugar cativo no nosso calendário. Será desta que se avança para o levantamento da doçaria regional que está por fazer?

quarta-feira, agosto 05, 2009

Histórias de umas Festas


Folheto de divulgação das Festas do Castelo de 1958. Colecção particular de CM

A imagem que publicamos, é uma reprodução da capa do programa das Festas do Castelo de 1958. Para além da curiosidade gráfica de ter sido dos primeiros (se não mesmo o primeiro) a romper com o tradicional estilo em torno do brazão e/ou de imagens de centros de interesse paisagístico, as festas de 1958 ficaram marcadas por uma série de acontecimentos laterais que parece terem aberto feridas. Em primeiro lugar, o incêndio da Serração em plenos festejos. Depois, um estranho conflito provocado pelo modo como foi recebida uma delegação da Casa de Lafões que, na opinião de alguns, terá sido pouco menos do que ignorada pela Comissão de Festas. Tudo isso, num ano em que decorreram as eleições para a Presidência da República a que concorreu Humberto Delgado, num ambiente a que Vouzela não ficou alheia.

Por todos estes motivos (ou mais por uns do que por outros), as Festas de 1959 correram o risco de não se realizar. Quem, hoje, lê relatos daquele tempo, é surpreendido pela tensão latente, por uma quase procura do confronto que a passagem do tempo torna difícil perceber. Logo em Abril, reflectindo o desconforto que se sentia, o Notícias de Vouzela publicava na sua primeira página: "Em 'ponto morto' há várias semanas, foi agitado, inesperadamente, nos últimos dias, o caso da organização das Festas do Castelo (...)". Seguia-se, "sem comentários", a divulgação de três cartas. Uma, da Comissão Administrativa da Associação "Os Vouzelenses", dirigida à Comissão de Festas do Castelo (de 1958), onde se manifestava disponibilidade para assumir a organização dos festejos, depois de fazer várias considerações sobre o "bairrismo dos verdadeiros e bons vouzelenses, escondido, dominado, amesquinhado até, por um ambiente acomodatício do 'deixa correr', dos 'afazeres da sua vida', das imaginativas impossibilidades que aduzem os que nada fazem". Seguia-se a resposta da Comissão de Festas, louvando a disponibilidade, mas insinuando não estar nos objectivos dos Vouzelenses organizar tais eventos. Tanto bastou para que, numa última carta, esta associação se desligasse da organização das festas.

Estava-se num tempo em que as entrelinhas diziam mais do que as linhas, o que dificulta, quarenta anos depois, conseguir certezas sobre as causas deste ambiente. A verdade é que tal troca de correspondência teve o condão de mobilizar vontades, podendo o Notícias de Vouzela noticiar, bem ao alto da sua primeira página da edição de 1 de Maio de 1959, acima da notícia dos 31 anos da entrada de Salazar no governo, "Há Festas do Castelo! Tomou posse uma nova Comissão Organizadora". E os nomes lá vinham, por ordem alfabética, numa lista organizada de acordo com os princípios de uma época que defendia que "enquanto há calças, não se confessam saias": Álvaro Henriques de Oliveira e Silva, António Augusto da Rocha Rodrigues, António José de Figueiredo (filho), António Liz Dias, Celso Ilídio da Silva Giestas, Joaquim Fernandes Liz, Manuel Francisco Vitória, Manuel José de Figueiredo e Paulo José de Figueiredo. Finalmente, o toque feminino numa denominada "comissão de Kermesse", constituida pelas "jovens D. Armandina Ferreira, D. Dulce Correia Ferraz, D. Manuela dos Santos Dias e D. Cândida Beatriz Azevedo Oliveira e Silva".

Mas as peripécias não terminaram. Estava a nova Comissão a tomar posse numa sala do edifício da Câmara, eis que entra "o Sr. sub-delegado de saúde que, sem qualquer razão, em termos grosseiros e atitudes descompostas (...) e sem a mínima consideração por aquelas pessoas que ali estavam unicamente para bem de Vouzela, as escorraçou da sala!". Sem mais explicações...

A verdade é que as festas se realizaram com grande sucesso, apesar das noites frias e alguma chuva, introduzindo novidades que fizeram escola: "Muito interessante a ideia- parece que devida à camada mais jovem da Comissão- de colocar nas janelas bandeirinhas com as cores da Vila, obtendo, sem dúvida, um belo efeito ornamental". Ainda deu para homenagear o regresso do Académico de Viseu à II Divisão Nacional, com um encontro no Campo das Chãs. Resultado final: 3-3.

Enfim, histórias de um tempo em que o Monte Castelo ainda não tinha sido afastado das suas próprias festas e era palco de uma enorme merenda colectiva no dia de encerramento. Boas Festas.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Caminhos de Ferro do Vale do Vouga (2)

A Igreja Matriz antes das obras de remodelação.


Como nunca tinha visto tal foto do Mira Vouga, foi para mim uma surpresa reparar que as obras de ampliação tenham tido três fases. O primeiro bloco que corresponde ao edifício original tinha RC e 1º andar. Foi acrescentado um edifício lateralmente com mais um piso. Só posteriormente foi construído mais um andar em cima do edifício original mantendo-se com essa tipologia até à actualidade.



Parece que Santa Engrácia se transferiu para as Termas de S. Pedro do Sul. As obras nos balneários, que duram há anos, limitam-se agora a uma vedação enferrujada e um escoramento quase a cair. É de lamentar ver o parque cheio de turistas sentados à sombra dos plátanos a admirarem este amontoado de granito ao invés de visitarem o local onde D. Afonso Henriques passou uns tempos a curar uma perna partida.





sábado, agosto 01, 2009

Solidários com outros por males que bem conhecemos

Solidariamente rapinado daqui

"Os acidentes só apareceram desde que começaram a falar da barragem".

Como se aproveitam recursos... em Espanha e se desperdiçam entre nós. Ver a partir do "Avenida Central".
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Outros "aproveitamentos", aqui. Por cá, as consciências "lavam-se" com... ecopistas

quarta-feira, julho 29, 2009

Estudo sobre o desenvolvimento e a qualidade de vida dos municípios

Dados comparativos entre 2004 e 2006 dos concelhos de Oliveira de Frades, São Pedro do Sul e Vouzela

É verdade que estes estudos são sempre discutíveis; é verdade que há variáveis de duvidosa relação com o objectivo do trabalho e outras que pouco dependem das autoridades locais (nem isso era importante). Mas despachar os resultados finais, apelidando o seu responsável de "padeiro", ou oferecendo-lhe umas "bofetadas", só prova que é urgente fazer outro estudo: sobre a cultura democrática de alguns autarcas, a sua noção de cidadania e o seu conceito de território.

Comecemos pelo princípio. A Universidade da Beira Interior decidiu "aferir o nível de desenvolvimento económico e social e de bem-estar de cada um dos 278 concelhos do continente português". Já o tinha feito em 2007 (usando as informações do Anuário Estatístico de 2004 publicado pelo Instituto Nacional de Estatística) e voltou a fazê-lo agora (com os dados do Anuário Estatístico de 2006, divulgados em 2009). Para isso, seleccionou um conjunto de variáveis agrupadas em três grandes temas: condições materiais (equipamentos diversos e infra-estruturas básicas), condições sociais (investimentos das câmaras em cultura, lazer, desporto, gestão de águas residuais, tratamento de resíduos, protecção da biodiversidade e da paisagem; taxas de escolarização e abandono escolar; cuidados de saúde e níveis de segurança) e condições económicas (dinamismo dos agentes, situação do mercado de trabalho e relação entre rendimentos e consumo). Por último, ordenou os diversos concelhos, comparando os resultados obtidos em 2004, com os mais recentes.

Moral da história: de acordo com as variáveis escolhidas (que, curiosamente, os mais ofendidos não contestam), Oliveira de Frades ocupa o 114ª posição no ranking nacional (tendo subido 36 lugares em relação a 2004), Vouzela a 250ª (baixando 39 lugares) e São Pedro do Sul a 261ª (com uma queda de 46 posições). Aliás, este último concelho integra o grupo dos piores do distrito de Viseu, acompanhado por Resende, Castro Daire e Cinfães, "lanterna vermelha" a nível nacional.

A "fotografia" da região é pouco agradável, mas não se pode dizer que seja surpreendente. Em ano de eleições autárquicas e, consequentemente, maior disponibilidade para reflexões , são assuntos destes que interessa debater. Gostem ou não os candidatos. Merecemos muito melhor!
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PS: O estudo pode ser consultado aqui e a tabela ordenada de todos os concelhos do distrito de Viseu, aqui. Talvez tenha interesse saber que, nas melhores posições, para além das presenças esperadas dos concelhos de maior dimensão (excepto os de Leiria e Viseu), encontram-se os de Constância (6º lugar) e do Crato (19º).