segunda-feira, julho 06, 2009

Mais uma vista de Vouzella

Este postal nada acrescenta ao nosso conhecimento das inúmeras vistas de Vouzela que ficaram perpetuadas em postais. É um postal bastante raro e, a par de um outro do Castelo de Vilharigues, tem a curiosidade de ter sido emitido pela Comissão de Iniciativa das Termas de S. Pedro do Sul na primeira metade da década de 1910.

sábado, julho 04, 2009

Fetichismo no PSD

Santana quer novo túnel em Lisboa... Telmo Antunes quer o seu em Vouzela.

Tempo de manifestos

Angel Boligan- aqui

Alguns dos investimentos anunciados serão certamente justificados no futuro, quando a situação económica for mais desafogada e houver mais procura para os serviços que eles venham a prestar. Mas vários deles integram-se mal nas prioridades da conjuntura actual, porque os correspondentes custos envolvem muito valor acrescentado no estrangeiro e não muita mão de obra nacional- José Silva Lopes, Reavaliar investimentos públicos.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira- O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia

A razão principal porque não concordo com muitas das obras previstas ´é por serem mais obra pública desligadas de qualquer estratégia integrada de desenvolvimento.(...) Por exemplo, para que são precisas mais autoestradas quando em presença dos custos energéticos e ambientais tudo aponta para o transporte ferroviário como o transporte de futuro. (...) Qual a solução para reduzir a dependência do transporte rodoviário de mercadorias a favor do transporte ferroviário se nós insistimos na bitola ibérica na Linha do Norte e os espanhóis estão a mudar as suas vias para bitola europeia?- Henrique Neto em debate com Rui Tavares, justificando o apoio ao Manifesto "Reavaliar investimentos públicos".

Dado que as autoridades têm pudor em intervir a sério nos bancos, as dificuldades de acesso ao crédito persistem por toda a Europa. No geral, a União Europeia continua ‘a dar o seu melhor’ para que vários Estados da Zona Euro (para além de alguns membros da UE fora do euro) cheguem ao fim do ano com gravíssimas dificuldades de financiamento (vulgo ‘bancarrota’) sem que tenham executado programas significativos de estímulo à economia- Jorge Bateira, Ladrões de Bicicletas, em defesa do Manifesto "O debate deve ser centrado em prioridades".

A crise mundial e a nossa crise nacional não só vieram revelar a falência (literalmente) do modelo de capitalismo auto-regulado, como vieram desmascarar a suposta aura de competência, liderança e seriedade de muitos dos nossos iluminados governantes e gestores- Nuno Artur Silva

quinta-feira, julho 02, 2009

Democracia pouco electrónica

Se quiserem, podemos antes dizer que é uma electrónica pouco democrática. Não, não nos referimos a preços, mas tão somente ao modo como (não) se aproveita a facilidade de comunicação permitida pela Internet, para melhorar a informação do munícipe e facilitar a sua participação.

A página da nossa Câmara Municipal é um bom exemplo. Apesar de noticiar a obrigatoriedade de "todos os tipos de procedimentos, desde ajustes directos a concursos públicos" passarem a ser efectuados por essa via, não estão acessíveis, por um motivo ou por outro, documentos que deviam ser conhecidos pelo cidadão comum, ou que só tinham a ganhar se conseguissem uma maior participação no seu produto final. Por exemplo, procure-se o PDM (que se anuncia estar em revisão e em prazo para entrega de propostas) e o máximo que se consegue é uma ligação ao Outlook. Se optar pela "listagem do Património Classificado ou em vias de Classificação" (ficheiro em formato PDF), recebe uma mensagem de erro- esperamos que isto não tenha uma qualquer carga simbólica...

segunda-feira, junho 29, 2009

O Colégio Lafonense



Este é um dos mais interessantes postais de Oliveira de Frades.
A casa, mais ou menos no local do actual Palácio da Justiça, foi durante muitos anos a casa e consultório do Dr. Manuel Ferreira MORGADO, figura muito conhecida e querida na terra e na região.

sábado, junho 27, 2009

O debate que queríamos nas Autárquicas

"As eleições autárquicas exigem um debate que não tem menor importância, antes pelo contrário, para o nosso futuro e para a qualidade da nossa democracia. Um debate que coloque em cima da mesa alguns aspectos que são fundamentais para o nosso futuro: o endividamento e a sustentabilidade dos modelos de desenvolvimento; a transparência e a corrupção; o urbanismo e os projectos de cidade; a participação democrática e o caciquismo; os direitos urbanos dos cidadãos, entre outros"- na Pedra do homem.

quinta-feira, junho 25, 2009

Lafões não é só jardim

Há quem ofereça electrodomésticos, outros, mais ousados, garantem empregos. À falta de melhor há quem se fique pelas promessas, coisas que não valem um caracol, mas que se acredita tocarem fundo no coração dos destinatários- assim vai o diálogo (?) com as populações do Interior. E começou a corrida para as autárquicas.

A verdade é que não fazem a mais pequena ideia do que nos hão-de propor. Reconheça-se que a coisa não está fácil. Perante o total vazio de ideias sobre a reorganização das actividades económicas e o ordenamento do território, que podem oferecer os candidatos? Agarrarem-se à esperança de que "papas e bolos enganem os tolos" e aí vai disto: uns, oferecem cidades; outros, a "revisão do PDM para permitir o desenvolvimento". Pelos vistos, nem a imaginação está em alta...

Esta da "revisão do PDM" ainda é herdeira de um dos maiores atentados cometidos contra o território português: a relação entre áreas urbanizáveis e colecta de impostos, que transformou as alterações aos estatutos dos terrenos, numa espécie de "cunhagem de moeda" (como lhe chamou a antiga bastonária da Ordem dos Arquitectos) ao serviço das autarquias.

Na prática, isto traduziu-se na desafectação de áreas da Reserva Agrícola e da Reserva Ecológica, para as destinar à construção. Os bancos perceberam o "furo" e facilitaram o crédito, o que deu origem ao brutal endividamento das famílias, à destruição de áreas imensas cobertas de tijolo e cimento e... ao extremar da crise em que já nos encontrávamos. Pelos vistos há quem não aprenda.

Mais construção não atrai população

O raciocínio que preside a este atentado é de um basismo assustador: promove-se a ideia de que a construção atrai população. Falso! Vão aí aos números do Instituto Nacional de Estatística (INE), quer aos do último censo, quer aos das actualizações e facilmente concluem que os anos dourados da "política do betão", correspondem a uma perda de população tanto no concelho de Vouzela, como na maioria dos concelhos do Interior. Mais: como já por diversas vezes chamámos a atenção, dos três concelhos de Lafões, só Oliveira de Frades resistiu a perdas significativas, embora sem nunca ter aumentado- mais do que os T3 que por lá abundam, é a oferta de emprego que justifica esta relativa estabilidade.

Se o leitor suspeitar que a encosta poente do Castelo pode ser urbanizada, provavelmente deita as mãos à cabeça e pergunta como é possível. Se a isto acrescentarmos que, até agora, nunca foram apresentados números que provem a necessidade de mais construção, talvez pense na hipótese de chamar a polícia. De facto, a história da falta de habitação no concelho de Vouzela, não passa de conversa nunca provada (ainda hoje continuamos à espera dos "números esclarecedores" prometidos há uns anos por um responsável local). O que há é um processo em cadeia, em que se abandonam as habitações antigas para construir novas, numa espiral de ocupação (destruição) inútil de terrenos, raramente com vantagem para o proprietário e com impactos brutais na paisagem. É para isto que serve a tal "revisão do PDM" que há-de pôr ouro líquido a correr pelas ruas... Não é difícil compreender que, entre gente desesperada, sem perspectivas no trabalho da terra, a mensagem passe.

É importante saber que, neste momento, há concelhos (como Vila Franca de Xira) que estão a rever os PDM, precisamente para reduzir a área urbana. Entre nós, mais do que uma alteração dessas, exige-se uma reflexão sobre as áreas que interessa preservar, quer pela sua importância paisagística, quer pela importância que têm na protecção da biodiversidade, quer pelo suporte que representam ou podem representar a actividades ligadas à terra- só mesmo os sonhos mais delirantes dos "patos bravos" podiam ter imaginado um país sem uma das suas maiores reservas estratégicas: a produção alimentar.

Do mesmo modo que aqui temos divulgado o muito que de bom há por estas terras, deixamos, hoje, alguns exemplos (poucos) do piorzinho. Os tais "acidentes" que acontecem, sempre com as melhores intenções de trazer o "pogresso" aos brutos e de libertá-los das silvas e dos calhaus. Aí fica em estilo a condizer. Porque, ao contrário do que diz a canção, Lafões não é só jardim.

Aquilo a que chamam "desenvolvimento"... e depois chorem pelo turismo