segunda-feira, abril 13, 2009

Vista através dos tempos

A mesma vista com décadas de intervalo para podermos apreciar e situar no tempo o aparecimento de novos edifícios.

2007


1950's
1920's


quinta-feira, abril 09, 2009

Ao Morais

Foto: Guilherme Figueiredo

Não costumamos fazer homenagens, porque outros as fazem melhor. Mas não deixamos de dar um último abraço a um amigo- é apenas isso. Era o "nosso" alfaiate, o Morais da "Praça do outro" (Morais de Carvalho), um dos melhores contadores de histórias de que há memória. Usava perante a vida a mesma firmeza de corte com que atacava os tecidos. Pousou a tesoura e partiu.

quarta-feira, abril 08, 2009

O pastel de Vouzela e a teoria económica

Foto de Margarida Maia

Já se imaginou a confundir um pastel de Vouzela com uma bola de Berlim? Oliver Sacks descreveu o caso do homem que confundiu a mulher com um chapéu, mas o nosso objectivo é outro. Claro que ninguém confunde um pastel de Vouzela com uma bola de Berlim, nem sequer com um pastel de Tentúgal, depois de os ter provado. E não confunde, porque são produtos diferentes. Pode gostar mais de um do que de outro, pode até comer um a seguir ao outro, mas sabe que são diferentes, recorrendo a técnicas e artes diferentes, apesar de todos partirem de farinha, açúcar e ovos.

Sobre os nossos pasteis, o leitor informado sabe mais: sabe que só os pode adquirir em Vouzela. Isso mesmo. Não se usam truques manhosos, que é como quem diz, nada de conservantes. Por isso, se lhos quiserem vender em qualquer outro lado, mesmo acenando com um preço mais baixo, o mais provável é estar a ser enganado. Quer isto dizer que o pastel de Vouzela não tem concorrência. Façam lá o que quiserem, vão produzi-los à Tailândia, fabriquem-nos em série nas mais modernas indústrias, ofereçam-nos a metade do preço e o resultado é sempre o mesmo: não são pasteis de Vouzela.

Numa altura em que se “descobriu” que tudo importamos e (quase) nada produzimos; em que se dão voltas ao miolo à procura de estratégias que façam os mercados repararem em nós, nada melhor do que... um pastel de Vouzela. Apoiar o que temos de mais característico, de único e que só cá pode ser encontrado, parece ser o caminho a seguir, seja no turismo, na agricultura ou noutro sector qualquer. Só assim será possível evitar concorrentes muito mais poderosos e, como se diz em linguagem futebolística, "jogar no espaço vazio". Mas, não parece ser isso que se está a fazer- dizemos nós, que nada percebemos de economia e apenas sabemos qualquer coisita de... pasteis.

segunda-feira, abril 06, 2009

Estendal de roupa...1958?

Posted by Picasa


Este postal é crenado em volta, com um carimbo "Lif"...o meu tem uma inscrição a dizer que foi uma oferta em Junho de 1958...

quinta-feira, abril 02, 2009

Antes a crise que tal sorte


No novo diploma que regulamenta a Reserva Agrícola Nacional (RAN), pode ler-se (citado a partir do Ambio, porque não encontrámos o original):

“(…)
2 — Na elaboração da proposta de delimitação da RAN deve ser ponderada a inclusão de áreas que assumam relevância em termos de economia local ou regional, de acordo com o previsto no artigo 9.º

3 — Na elaboração da proposta de delimitação da RAN deve ser ponderada a necessidade de exclusão de áreas com edificações legalmente licenciadas ou autorizadas, bem como das destinadas à satisfação das carências existentes em termos de habitação, actividades económicas, equipamentos e de infra –estruturas”-
(pontos 2 e 3 do Artigo 12º).

Convenhamos que podiam ter ido mais longe. Podiam ter declarado a agricultura como prática criminosa, punível com pena de prisão, por exemplo. Mas, no estado a que isto chegou, ainda se arriscavam a ver o que resta do mundo rural a apresentar-se voluntariamente, para uma estadia às custas do Estado.

Talvez por isso, limitaram-se a transferir para os autarcas- esses grandes defensores do ordenamento do território!- a responsabilidade de gerir a comissão liquidatária da agricultura nacional, apetrechando-os com o instrumento adequado- o diploma legal. No ponto 2 do artigo citado, limitam-se as áreas a incluir na RAN às que “assumam relevância em termos de economia local ou regional”, ou seja, nenhumas (tendo em conta o estado geral de abandono). No ponto 3, assim ao jeito do professor que lança um tema para avaliar a imaginação do aluno, dá-se o mote para retirar terrenos à reserva: “áreas com edificações legalmente licenciadas ou autorizadas” e ainda as destinadas à “satisfação das carências existentes em termos de habitação, actividades económicas, equipamentos e de infra –estruturas”. É desta última parte que mais gosto, confiante que estou nas meninges dos nossos governantes locais.

Olhem para os números do nosso desemprego e ficam esclarecidos: a construção civil tem a parte de leão. É o retrato de um país que fez dessa actividade o pilar do seu crescimento, nela concentrando mão-de-obra e capitais. O problema é que a construção alimenta-se do mercado interno e do território, ambos em adiantado estado de esgotamento- agora, culpem a crise. Venha então “obra pública”. Não necessariamente algo que arrume a casa, que ajude a evitar erros antigos. Nada disso. Qualquer coisa que anime a esperança de tudo ficar na mesma.

Áreas para a “satisfação das carências”? Pois muito bem. Construa-se o milionésimo gimnodesportivo; se já têm estrada, façam outra. Ou abram ruas para parte alguma. Sobretudo, não façam nada de útil, duradouro, porque o dinheiro (enquanto houver) tem que circular. Temos ETARes que há muito não chegam para as encomendas, metade do país reclama obras de restauro, mas atirem-se com ganas a essas serras e encham-nas de estradas, centros comerciais e "SPAs". Represem os rios. Isso facilita o avanço das águas do mar? Tanto melhor, porque justifica mais obra. E não esquecer o mais importante: arredem para lá as couves que só atrapalham!