segunda-feira, março 02, 2009

Escadaria - Senhora do Castelo

Fevereiro 2009

Foto: Carlos Pereira

1920's

Edição de Dias & Irmão
(Made in France)

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

O indiferentismo

Sara Wagner-Raines

“O velho costume de esperar que os outros façam ou que as coisas apareçam feitas, sem canseiras nem arrelias, deixando correr tudo ao Deus-dará, é péssimo, e, contra êle, todo o vouzelense brioso e zeloso deve insurgir-se, trabalhando cada qual o mais que possa, para que alguma coisa mais se faça, de útil e proveitoso.
O indiferentismo é um crime, e, na nossa terra, o inimigo”.
-H. Simões da Silva, Notícias de Vouzela, 1 de Abril de 1936

No debate em torno do nosso texto sobre a “Casa das Ameias”, veio à baila um velho argumento usado por estas bandas, que, de tão velho, quase merece constar na galeria do nosso património colectivo: a falta de dinamismo da nossa iniciativa privada. Recordámo-nos, então, de um longo texto publicado no Notícias de Vouzela de 1 de abril de 1936, da autoria do seu director, H. Simões da Silva. Intitulava-se “O indiferentismo- eis o inimigo!” e é dele que retirámos a citação inicial.

A acusação de “indiferentismo” ou de falta de dinamismo, foi usada contra todos os grupos sociais (mais abertamente em relação a uns do que a outros) e nas mais diversas circunstâncias. Ou porque ninguém se mostrava disponível para tomar conta de uma colectividade, ou porque era necessário um terreno para uma obra pública e os proprietários faziam-se desentendidos, ou porque faltava dinheiro para uma qualquer iniciativa que os “homens de cabedal” do concelho tardavam em apoiar.

Claro que este problema não é um exclusivo nosso e reflecte a excessiva concentração de riqueza e de propriedades, típica de meios onde a terra, normalmente transmitida através de heranças, se mantinha na mesma família durante gerações e gerações. Desse modo, qualquer iniciativa acabava por “tropeçar” na propriedade deste ou daquele que, ou colaborava, ou “matava” todos os sonhos, perante o olhar impotente dos que tinham ideias, mas...nada mais. A História local regista os bons exemplos e o anedotário os restantes.

Com a democracia e a recomposição do tecido económico, acreditou-se que o problema seria ultrapassado. Pura ilusão. Apenas alguns nomes mudaram, na sequência das alterações verificadas no uso da terra, sobretudo durante a fase dourada da construção. A “boa vontade” desejada, manteve-se condicionada, tal como no passado, à relação custo-benefício, com a agravante de não se esperar, a curto prazo, um qualquer surto desenvolvimentista que garanta retornos rápidos dos investimentos feitos.

Perante isto, o que nos resta? Precisamente o mesmo que aos nossos antepassados, embora ajudados (e de que maneira!) pela democracia em que vivemos: a pressão que, hoje, pode ser feita por uma opinião pública forte, informada, reivindicativa. Daí não se perceber muito bem os que criticam quando se exige acção dos poderes públicos e continuam à espera das boas vontades privadas. Na prática, promovem o conformismo, o “indiferentismo” que, tal como no passado, “é um crime, e, na nossa terra, o inimigo”.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

N. S. do Castelo

Posted by Picasa


Este postal tem uma confusão editorial...impresso no verso podemos ler Edição de Dias & Irmão...com um carimbo artesanal foi escrito, por cima, Edição da casa AUGUSTO ROCHA...para além disso é ainda um "Made in France".
A fotografia é muito curiosa, com grande valor adicionado pelas personagens envolvidas...apesar de estarem em pose!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Um dia a casa vem abaixo

Casa das Ameias, na Praça da República. Há quem defenda que o edifício original remonta ao século XV. O complexo testamento deixado pelo seu último proprietário, Dr. Gil Cabral, tem dificultado a definição da propriedade do imóvel.

“O que gostaríamos era que um particular pegasse e construísse uma unidade hoteleira”- Presidente da Câmara de Vouzela, interrogado sobre a possibilidade da Autarquia avançar para a expropriação da Casa das Ameias, Notícias de Vouzela, 12/02/2009.

Nós também “gostaríamos” de tanta coisa. Por exemplo, que se tivesse percebido que uma zona nobre da vila, como é a Praça da República, nunca devia ter chegado ao nível de desleixo a que chegou, graças ao arrastar do processo em torno da Casa das Ameias. Isto, para já não falar de como “gostaríamos” que se tivesse controlado melhor o fracassado projecto de construção da estalagem que, por um qualquer estranho desígnio, começou por destelhar o edifício, retirando-lhe a sua maior protecção. Tanta coisa de que “gostaríamos”.

Mas, por muito crentes que sejamos, sabemos que ficar a olhar para o céu à espera do milagre, a única coisa que nos garante é... uma dor de pescoço. Neste caso, uma dor de cabeça, enorme, se a casa vem abaixo (hipótese bem provável pelo que nos diz quem destas coisas sabe). Ou será isso mesmo que se pretende, para depois ali se espetar um paralelepípedo de tijolo e cimento, rés-do-chão e 1º andar, direito e esquerdo, com o "douto" argumento de que havia que marcar a fronteira entre a ruína e a “modernidade”?

O complexo testamento do Dr. Gil Cabral (último residente e proprietário da casa) explica alguma coisa sobre a situação a que se chegou, mas não explica tudo. Para além da imagem de um espaço central e da importância histórica do edifício, estão em causa questões de segurança que há muito justificavam intervenção. Ora, é nisto que nós, modestos cidadãos, compreendemos que se gaste dinheiro. E até apoiamos, ao contrário do que sucede com inúteis ampliações de ruas. Se é verdade, como foi noticiado, que os herdeiros estão dispostos a ajudar na resolução do problema, menos se compreende que se continue a adiar .

O título deste texto é pouco original, mas corresponde à mais crua verdade. Vem mesmo abaixo, se continuarmos à espera de um D. Sebastião cheio de notas que ali construa “uma unidade hoteleira” (projecto que nos parece pouco provável, mas disso daremos conta noutra oportunidade). Para já, exige-se a intervenção necessária para que a casa se mantenha de pé e, com ela, a esperança de que conseguiremos fazer mais do que discursos no condicional e esperar por milagres saídos de radiosas manhãs de nevoeiro.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Igreja Matriz há 100 anos

Igreja Matriz de Vouzela
(Notícia Histórica)

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Deve datar, portanto, de 1170 (senão um pouco antes ou um pouco depois) a construção da Igreja Matriz de Vouzela. Era então Mestre da Ordem do Templo em Portugal o insigne D. Gualdim Pais, herói de Escalona e Antióquia, terror dos Mouros da Península, fundador de muito castelos, igrejas, mosteiros...
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Foi por certo em volt
a do templo assim construído na antiga terra de Alafun (chefe árabe vencido e convertido por D. Fernando, o Grande, bisavô materno de D. Aforso Henriques) que começou a formar-se apovoação que depois de transformou na vila de Vouzela. ...
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Cumpre também mencionar outra obra não menos indesejável: a que obstruiu a nave com aqueles inestéticos coros que no século XVIII invadiram quase todas as nossas velhas igrejas. Certo, os "rebocadores, estucadores e caiadores", de quem Herculano falou com tanta amargura há mais de 100 anos, também ali deixaram bem visíveis vestígios da sua acção "embelezadora", visto haverem-se encontrado recobertos de cal os parametros de cantaria, interiores e exteriores, de todo o edifício; ...
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1910's

"Edição da Casa da Montanha - Castela"

Descriminação dos trabalhos de restauro:

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XI - Picagem de todos os rebocos interiores e exteriores, completada com a recomposição geral das paredes.
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A listagem completa dos trabalhos de restauro pode ser vista aqui.

Textos: Boletim n.º 56 de Junho de 1949, da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

E o Porto aqui tão perto



À atenção de professores, alunos, mães, pais, filhos, avós e todos aqueles para quem a Escola tem que ser algo mais do que um armazém de crianças. Os organizadores propõem-se falar de poesia, da importância dos clássicos e de bibliotecas. Não consta que queiram falar de "taxas de sucesso" ou de "modelos de avaliação". Ainda bem. Vai ser no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto (27 e 28 de Fevereiro) e podem ser pedidas informações para deriva@derivaeditores.pt. Se quiserem levar pasteis de Vouzela, os participantes agradecem e faz todo o sentido.

Fundos ao fundo

O desentendimento entre duas associações de desenvolvimento rural, quanto ao território que cada uma pretendia administrar para a implementação de projectos financiados por dinheiros comunitários, pode ter feito ir por água abaixo pelo menos 3,5 milhões de euros.

A Associação de Desenvolvimento Regional de Lafões (ADRL) queria gerir a área dos três concelhos lafonenses (Oliveira de Frades, S. Pedro do Sul e Vouzela), e avançou sozinha com uma candidatura para o seu território.

O mesmo fez a Associação de Desenvolvimento Dão, Lafões e Alto Paiva (ADDLAP), que integra também aqueles três municípios, mais Viseu e Vila Nova de Paiva.

Porém, a sobreposição de território foi chumbada pela administração do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER), que já avisou as duas associações que têm de entender-se. Sob pena de uma das candidaturas ficar pelo caminho. E ficando, perde-se 3,5 milhões, valor que cada projecto tem direito à cabeça.

(...)

Para continuar a ler (a partir daqui).