sábado, janeiro 17, 2009

Quando a neve caiu

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Por aqui, a crise tem melhores vistas

Foto: António Figueiredo

Mal se abre a porta é como se uma lâmina de aço nos cortasse a cara, enquanto pequenas nuvens se vão formando ao ritmo da respiração. São lindos estes dias frios, sobretudo com céu azul e horizontes límpidos. Do alto do Monte Castelo vê-se o mundo.

Para os que ainda têm a memória da terra, o Inverno é um tempo de expectativa, de preparação- "lavoura das terras e preparação das culturas de Inverno", manda o Borda d'Água. Não tarda, há que podar as videiras. Idealizar o seu crescimento, orientá-lo e ajudar a planta a consegui-lo. Exige-se uma perfeita noção de medida no corte- nem a mais, nem a menos.

"Em Janeiro sobe ao outeiro"- manda o ditado. "Se vires verdejar, põe-te a chorar. Se vires terrear, põe-te a cantar". Bem cantávamos este ano, valesse de alguma coisa vermos terrear. A terra aí está, ao abandono, respondendo com indiferença à indiferença de quem manda. O défice externo deve-se, muito, à importação de energia-diz o nosso primeiro-ministro. Pois deve. Mas também se deve à importação de tudo o resto que não produzimos e devíamos, como… produtos agrícolas.

"Para quê salvar uma actividade que fica mais cara do que comprar ao estrangeiro?"- perguntam por uns teóricos de contas curtas (também aqui). É pena não dizerem se preferem gastar em apoios sociais e em medidas de compensação do desordenamento do território. É a tal história da noção de medida. Deviam aprender a podar videiras.

A agricultura tem uma importância social e ambiental que está muito para além do preço do molho de grelos- já nem vale a pena falar da qualidade do que se come. Viabilizá-la, depende, sobretudo, de incluir essa parcela nas contas, de a entendermos como uma peça fundamental de qualquer projecto de economia sustentada para o Interior e de furar o monopólio da distribuição. Não desperdiçar apoios europeus também ajuda.

Sopra uma brisa gelada de Norte. À nossa frente impõem-se amplos horizontes só limitados pela Gralheira. Lá em baixo o Vouga. E terra que já foi de cultivo e hoje não é. Resta a compensação de ainda o ser- só terra. É como se uma lâmina de aço nos cortasse a cara e a alma. Por aqui, doi muito a crise. Mas tem melhores vistas.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Gosto muito deste postal...




Para quem não colecciona postais talvez este postal seja igual a tantos outros...
O toque "animal" dado à paisagem pelos transeuntes da época faz TODA a diferença!

domingo, janeiro 11, 2009

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo


Fotos: Elsa

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo.

-Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos

sábado, janeiro 10, 2009

Cesse tudo o que a Musa antiga canta

Que outro valor mais alto se alevanta.



Informações complementares : estavam -2 quando das primeiras fotos, nas últimas já havia um solzinho a aparecer. Nas ruas da terra não havia neve, só nos telhados.Quem viu, viu. Quem não viu, paciência. São estas coisas dos efémeros ...

Fotos e texto: Álvaro Tavares
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Na próxima semana, contamos publicar mais imagens da neve.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Para guardar em local seco-VII

Encontrado no Aldeia de Beirós

Ideias de outros que interessa guardar. Para consumir mais tarde ou para reproduzir em futuras sementeiras.

Para o debate de ideias

O grande problema do município é que a estrutura de receitas e despesas que deu origem ao grande buraco continua a existir e portanto é provável que no final do próximo ano já exista um novo buraco e que cada ano continue a crescer- Clicar na imagem para continuar a ler.



A isto respondeu o Presidente da Câmara que “os encargos da Câmara com a dívida são de 6,99% da despesa global” e que por isso entende “que a edilidade não tem uma situação tão difícil”.- citações retiradas do Notícias de Vouzela de 8 de Janeiro de 2009.

Comboio: a memória

Alguns túneis, algumas trincheiras, e finalmente chegava a Vouzela. Quase a entrar na estação, o comboio atravessava uma bonita ponte de alvenaria, com 15 arcos, sobre a ribeira do Zela.- Mundos incompreendidos

Comboio: os que não desistem

Outros teriam feito talvez o aproveitamento turístico (da linha do Vale do Vouga) se as estratégias não andassem sempre desfasadas do tempo e se não fossem marcadas pela visão egoísta dos grandes centros. Visão essa limitadora se se atender à virtualidade verdadeiramente distintiva que Portugal tem para oferecer face à concorrência de outros países com maior peso turístico: a diversidade em tão curto espaço geográfico- d’aquém e d’além.

Eleições à porta...

Autarquias vão poder adjudicar obras até cinco milhões de euros sem abrir concurso- RTP
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Os dois textos sobre o comboio foram encontrados a partir do Viseu,Senhora da Beira

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Em defesa do direito à água

A partir do ruitavares.net/blog

"É portanto indispensável a definição de uma nova estratégia de longo prazo para a gestão dos recursos hídricos (à escala mundial, à escala nacional e à escala regional e local), que respeite os direitos dos cidadãos e que promova a sustentabilidade dos ecossistemas, a conservação da água, a gestão da procura. Mas o que se constata é que existe actualmente uma falta de consenso em relação aos princípios e aos valores éticos que devem presidir à concepção e implementação das políticas da água".- Manifesto

Não, não é assunto lá para as "áfricas". É mesmo a nós que diz respeito. A nós que, aqui pelas encostas do Caramulo, vemos desperdiçar importantes recursos hídricos, totalmente ignorados por autoridades locais e nacionais.

Calcula-se que seja o "petróleo" do futuro, o "ouro branco". Há quem afirme que pode ser causa de guerras. E há quem esfregue as mãos de contente, antevendo a negociata permitida pela escassez e pressionando a sua privatização. É a água e sobre ela quem se proponha reflectir, entendendo-a como um bem comum, um direito, um património da humanidade. Inalienável. Vale a pena conhecer (ver o Manifesto, aqui) e estar atento.