domingo, janeiro 11, 2009

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo


Fotos: Elsa

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo.

-Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos

sábado, janeiro 10, 2009

Cesse tudo o que a Musa antiga canta

Que outro valor mais alto se alevanta.



Informações complementares : estavam -2 quando das primeiras fotos, nas últimas já havia um solzinho a aparecer. Nas ruas da terra não havia neve, só nos telhados.Quem viu, viu. Quem não viu, paciência. São estas coisas dos efémeros ...

Fotos e texto: Álvaro Tavares
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Na próxima semana, contamos publicar mais imagens da neve.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Para guardar em local seco-VII

Encontrado no Aldeia de Beirós

Ideias de outros que interessa guardar. Para consumir mais tarde ou para reproduzir em futuras sementeiras.

Para o debate de ideias

O grande problema do município é que a estrutura de receitas e despesas que deu origem ao grande buraco continua a existir e portanto é provável que no final do próximo ano já exista um novo buraco e que cada ano continue a crescer- Clicar na imagem para continuar a ler.



A isto respondeu o Presidente da Câmara que “os encargos da Câmara com a dívida são de 6,99% da despesa global” e que por isso entende “que a edilidade não tem uma situação tão difícil”.- citações retiradas do Notícias de Vouzela de 8 de Janeiro de 2009.

Comboio: a memória

Alguns túneis, algumas trincheiras, e finalmente chegava a Vouzela. Quase a entrar na estação, o comboio atravessava uma bonita ponte de alvenaria, com 15 arcos, sobre a ribeira do Zela.- Mundos incompreendidos

Comboio: os que não desistem

Outros teriam feito talvez o aproveitamento turístico (da linha do Vale do Vouga) se as estratégias não andassem sempre desfasadas do tempo e se não fossem marcadas pela visão egoísta dos grandes centros. Visão essa limitadora se se atender à virtualidade verdadeiramente distintiva que Portugal tem para oferecer face à concorrência de outros países com maior peso turístico: a diversidade em tão curto espaço geográfico- d’aquém e d’além.

Eleições à porta...

Autarquias vão poder adjudicar obras até cinco milhões de euros sem abrir concurso- RTP
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Os dois textos sobre o comboio foram encontrados a partir do Viseu,Senhora da Beira

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Em defesa do direito à água

A partir do ruitavares.net/blog

"É portanto indispensável a definição de uma nova estratégia de longo prazo para a gestão dos recursos hídricos (à escala mundial, à escala nacional e à escala regional e local), que respeite os direitos dos cidadãos e que promova a sustentabilidade dos ecossistemas, a conservação da água, a gestão da procura. Mas o que se constata é que existe actualmente uma falta de consenso em relação aos princípios e aos valores éticos que devem presidir à concepção e implementação das políticas da água".- Manifesto

Não, não é assunto lá para as "áfricas". É mesmo a nós que diz respeito. A nós que, aqui pelas encostas do Caramulo, vemos desperdiçar importantes recursos hídricos, totalmente ignorados por autoridades locais e nacionais.

Calcula-se que seja o "petróleo" do futuro, o "ouro branco". Há quem afirme que pode ser causa de guerras. E há quem esfregue as mãos de contente, antevendo a negociata permitida pela escassez e pressionando a sua privatização. É a água e sobre ela quem se proponha reflectir, entendendo-a como um bem comum, um direito, um património da humanidade. Inalienável. Vale a pena conhecer (ver o Manifesto, aqui) e estar atento.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Vouzela de branco

"Boa amiguinha: Para fazeres uma pequena ideia do que tem sido o frio em Vouzela, envio-te êsse postal tirado no passado dia 12, em que houve aqui um grande nevão." ...

1941

(sem referência ao editor)

Acreditando no que dizia a Celeste Mª, terá caído um nevão no dia 12-01-1941. Se assim foi, despacharam-se a fazer os postais já que este está datado de 25-01-1941.
Quando se falava em neve, sempre me lembro da minha avó dizer: "no ano em que o teu pai nasceu é que foi..."
Como o meu pai nasceu em 1941, até pode ser que estas datas coincidam.

Por outro lado, esta imagem mostra que nesta data a Igreja Matriz já tinha sido restaurada.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

O "fado" de Vouzela

Edição de 1925. Colecção particular- CM

Talvez seja a história do "escrever direito por linhas tortas", mas a verdade é que o ano em que vamos levar forte e feio com as consequências da crise, também é de ajuste de contas. Nas próximas eleições contamos acertá-las, quer a nível nacional, quer local, e não vale a pena vir com a conversa de que não interessa apontar culpados. Claro que interessa. Eles existem, independentemente do que se passou nos Estados Unidos. Muito antes dos bancos americanos começarem com o "ai, Jesus", já nós sentíamos que nos remetiam ao papel de pagadores de impostos e de mão-de-obra barata. E precária. Sem direito a apoios do Estado.

Aliás, esta parece ser a única vantagem dos momentos de crise: serem postas em causa todas as verdades absolutas que a precederam. A infalibilidade da livre concorrência, a dispensa da actividade reguladora do Estado, o dogma da globalização sem limites, tudo está a ser posto em causa, com o prémio Nobel da Economia, Paul Krugman (a partir daqui), a defender um maior protagonismo dos governos, "algo mais parecido com uma nacionalização temporária de uma parte significativa do sistema financeiro". Ao fim e ao cabo, bastava ter recuado 70 anos e aprender com a experiência então vivida. Mas há quem nunca aprenda. E quem esqueça depressa…

O papel da Autarquia

A nível local, sempre defendemos uma maior intervenção da Autarquia na área económica. Os recursos de que dispõe, permitem-lhe desempenhar um importante papel enquanto elemento dinamizador do diálogo, mobilizando vontades, desbravando caminhos. Num meio com as limitações do nosso e em tempo de "vacas magras", é isso que esperamos dela. Obras, só nos interessam as "pequenas".

Como todos os estudos mostram, qualquer estratégia local tem que privilegiar os recursos endógenos. Património natural e edificado, floresta, agricultura, criação de gado, gastronomia, artesanato e até a construção civil, têm que saber trabalhar em equipa, unindo esforços, integrando as diversas ofertas num único produto final: Vouzela/ Lafões. É o único suficientemente resguardado da concorrência para conseguir sobreviver. É o único que tem procura suficiente para ultrapassar os limites do acanhado mercado regional. Mais do que competição, precisamos de cooperação.

O sucesso dos percursos pedestres, hoje organizados por todas as autarquias, parece-nos ser um bom exemplo para se reflectir sobre este assunto. O seu ponto forte tem estado associado à paisagem, ao património edificado e à competência dos guias, áreas que interessa acarinhar. No entanto, o conceito pode ser alargado, quer no que diz respeito aos temas, quer no que diz respeito à oferta de serviços, quer, ainda, no que diz respeito ao público destinatário. É possível divulgar Lafões a partir de pólos de atracção variados e integrados, espalhados ao longo de todo o ano. Temas históricos, festividades religiosas, actividades sazonais (vindimas, por exemplo), feiras, produtos regionais (como o cabrito, a vitela, a doçaria, a tecelagem) são áreas que podem ser exploradas, juntando múltiplas ofertas, orientadas para diversos públicos. Salvaguardadas as devidas proporções, é isso que se tem feito (e bem) nas jornadas micológicas. São iniciativas que, depois de lançadas e convenientemente divulgadas, só precisam de calendário.

No entanto, há dificuldades burocráticas e exigências organizativas que dificilmente estão ao alcance da iniciativa privada que temos. Há uma "matéria-prima" (o território) que necessita ser protegida. É aí que, em nossa opinião, a Autarquia pode e deve intervir. Regulamentação, certificação de produtos e serviços, formação, organização de redes distribuidoras, parcerias, divulgação, discriminação positiva- tudo isso exige um diálogo entre sectores (uns mais organizados do que outros), um planeamento e um nível de conhecimento e de risco que ela tem condições únicas para conseguir.

Silêncio, vai-se cantar... o fado

Basta passar os olhos pela nossa História, para percebermos que a queixa contra a inoperância da iniciativa privada local, sempre foi uma espécie de "fado de Vouzela", usado para explicar todos os fracassos. Insistir na receita, é aceitar a condenação a nada fazer ou a respostas avulsas, desordenadas, que podem ser as delícias de meia-dúzia de poderosos, mas que não têm capacidade para construírem alternativas consistentes, com futuro. Optar por esse caminho, é deitar dinheiro fora. É gastar em "apoios sociais" de reduzida eficácia e nenhuma capacidade de transformação. É arriscarmos a destruição do que resta.

O perigo existe. Aí está o "plano anti-crise" apresentado pelo governo para o provar: uma economia frágil e dependente como a portuguesa, dificilmente resistiria ao canto de sereia da "política do betão"- a história pode repetir-se como farsa. Se, a nível local, voltarmos a cair nessa armadilha, por muito tentadora que seja a curto prazo, as consequências podem ser desastrosas e irreversíveis. Têm a palavra as forças concorrentes à Câmara. Veremos como cantam… o fado.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Fantástica! a velha ESTAÇÃO...



Esta é uma das mais fantásticas relíquias que guardo na colecção!