sexta-feira, dezembro 12, 2008

Crise "on the road" (*)

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(*)- Com o nosso pedido de desculpas à malta do Maio de 68 e a Jack Kerouac.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Água, esse negócio

Em declarações ao Público (08/12/2008), Pedro Serra, administrador das Águas de Portugal, divulgou a estratégia do grupo para o período 2007-2013. O assunto não teria particular interesse, não fosse estar em causa a água que nos corre nas torneiras e a (des)confiança sobre a qualidade desse serviço.

Por exemplo, ficámos a saber que o grupo vai entrar nos “sistemas em baixa” (ligação à rede doméstica), depois de vários anos limitado aos “sistemas em alta” (desde a captação na fonte, até à entrada nos sistemas de distribuição municipais). E porquê? Porque se concluiu ser necessário “corrigir as ineficiências detectadas nas estratégias anteriores, dando ao mesmo tempo mais sustentabilidade ao negócio. Mas, para que não ficassem dúvidas, a jornalista explicou: “Os grandes obstáculos assentaram na falta de capacidade de investimento das autarquias nos serviços em baixa, muito devido à pequena escala dos sistemas, que desincentivaram o interesse dos privados.

Ou seja, se acreditava ser o acesso à agua de qualidade um direito, o leitor não passa de um ingénuo que ainda julga ver o Pai Natal a entrar pela chaminé. A água que a "Mãe Natureza" põe à nossa disposição, é uma mercadoria que alguns “iluminados” decidem quando e como deve chegar a nossa casa. O problema não está em eliminar o desperdício ou discriminar formas de consumo. Está no mais básico dos argumentos: há ou não há dinheiro para pagar. Por isso mesmo, o administrador Pedro Serra anuncia que o aumento das tarifas é uma hipótese para 2010-2011. E quem tiver dificuldade em pagar? Também está previsto: “há casos onde terá de haver apoio social (…). O problema é que há dezenas de operadores no sector da água, o que dificulta a aplicação desta solução”. Estamos totalmente esclarecidos…

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Percursos

Todos sabem que caminhar faz bem e é de graça. Todos sabem as vantagens que uma caminhada tem para o coração, para a circulação, ... e para um infindável rol de doenças. Claro que se a uma boa caminhada juntarmos uma boa paisagem... Quanto a isso meus amigos, Vouzela... só vendo.



2008


Câmara Municipal de Vouzela


1963

Comissão Municipal de Turismo

domingo, dezembro 07, 2008

Tiraste-me as palavras da boca...

Em Portugal, dizem-nos, não há dinheiro para os grandes projectos. Então e os pequenos projectos- arranjar calçadas, cuidar dos jardins, melhorar o transporte urbano, pintar prédios, cuidar de aldeias, criar bibliotecas, manter museus abertos, fazer desporto amador, pôr creches no local de trabalho? Sim, eu sei. É tudo poesia. Peço desculpa por falar nisto.
- Rui Tavares, A infelicidade dos portugueses conta?, Público, 3 de Dezembro de 2008

sábado, dezembro 06, 2008

E vão dois


Foi há dois anos que iniciámos esta aventura. No dia 6 de Dezembro de 2006, estava um mau tempo danado, o nosso Manel Vaca abria as hostilidades, prometendo cortar a direito nas histórias desta terra onde "a sabedoria das pedras é tanta que dos homens pouca história reza, mas reza". Por aqui tem "rezado", com o jeito disponível e com a vossa ajuda que muito agradecemos. O Pastel de Vouzela, reflecte as características deste (ainda belo) recanto de Portugal. Talvez mais os defeitos do que as virtudes, mas não desistimos. Ao fim e ao cabo, se a variante para as Termas demorou mais de quarenta anos a ser pensada e, mesmo assim, deixa muito a desejar, temos o direito de reclamar algum tempo mais, para alcançar os objectivos a que nos propusemos: dinamizar o debate com a elegância do nosso folhado, mas com a firmeza de dentada necessária para apreciar os nossos pasteis. Os tais que "só os eleitos sabem fazer e poucos sabem comer". Muito obrigado por nos acompanharem.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O dia em que as escolas pararam

A greve dos professores teve uma adesão nunca vista por estas paragens. Sem pretendermos entrar na ridícula guerra dos números, apresentamos valores publicados aqui (onde chegámos a partir daqui):

Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades - O. Frades - Fechado
Escola dos 2º e 3º Ciclos Ens. Básico e Sec. - O. Frades - Fechada

Agrupamento de Escolas de Vouzela - Vouzela - Fechado
Agrupamento de Escolas de Campia - Vouzela - Fechado
Escola Secundária de Vouzela - Vouzela - 91%

Agrupamento de Escolas de Stª Cruz da Trapa - S. P. Sul - 70%
Agrupamento de Escolas de S. Pedro do Sul - S. P. Sul - Fechado
Escola Secundária de S. Pedro do Sul - S. P. Sul - 98%

Pelo que nos diz respeito, trocamos: mantenham-se abertas as escolas e feche-se, de vez, o Ministério. Adeus senhora ministra.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Um sinal de derrota

Foto retirada daqui

“Esse património é e continuará a ser património municipal. Ponto Final.”

Foi assim que o presidente da Câmara de Vouzela respondeu a um texto nosso (ver comentários) onde, entre outras coisas, manifestávamos preocupação sobre a alienação dos edifícios das antigas escolas primárias. Receávamos que isso fosse feito na sequência do empréstimo contraído pela autarquia. Enganámo-nos. Foi feito (está a ser) independentemente disso. Mas a verdade é que do tal património que “é e continuará a ser municipal”, só resta o que ainda não conseguiu ser vendido. Ponto final.

A reestruturação da rede escolar e a consequente venda de património é medida que está a ser aplicada a nível nacional. Se limitarmos a análise ao número de crianças que frequentava os antigos edifícios e à sua necessidade de socialização, a opção é justificável. Se a avaliarmos numa perspectiva de ordenamento do território, é preocupante.

De facto, impressiona concluir que nenhum dos actuais responsáveis põe, por um segundo, a hipótese da actual situação demográfica ser reversível. Referimo-nos não apenas ao número, mas, sobretudo, à sua distribuição territorial. Tudo se passa como se fosse possível continuar a empurrar a população para os grandes centros, sem que daí resultem consequências sociais, económicas e ambientais.

Num país tão pequeno como o nosso, onde tanto se tem investido em vias de comunicação, mais incompreensível é persistir no erro. Momentos de crise como o que estamos a viver, onde a intervenção do Estado ganha uma maior margem de manobra, devia ser a altura para pôr cobro a estas perversões. Salvo melhor opinião, este seria o contexto ideal para proceder a algumas reformas ao nível da agricultura, pecuária e floresta, que mobilizassem franjas mais jovens, construindo uma alternativa à pouca oferta de emprego noutros sectores. Esta seria a altura certa para “arrumar a casa”.

Nada disto está a ser feito. Uma autarquia de finanças limitadas, como a de Vouzela, define como prioridade gastar dinheiro numa obra inútil (prolongamento da Avenida João de Melo), em vez de o fazer em planos estruturantes. O governo insiste em manter na agenda a construção de mais auto-estradas, em vez de racionalizar o sistema interno de transportes; apoia as espécies de crescimento rápido, em vez de reordenar a floresta; centraliza serviços na educação, saúde e justiça, em vez de repensar o ordenamento do território.

A venda dos edifícios das antigas escolas, é um símbolo desta incapacidade de pensar o futuro. É um sinal de resignação, de cair de braços, de reconhecimento da derrota. Derrota que não aceitamos.