sexta-feira, novembro 14, 2008

Lá voltamos nós ao mesmo- a propósito do prolongamento da Avenida João de Melo

Praça da República, antes de serem retirados os separadores arborizados. Foto de Guilherme Figueiredo

Pelos vistos, há quem não sinta que estamos em crise. Pelos vistos, não é só José Sócrates que não gosta de ouvir falar em recessão. Os actuais responsáveis pela Câmara Municipal de Vouzela devem cavalgar a mesma onda, projectando gastar dinheiro numa obra tão inútil quanto prejudicial para o ordenamento da vila: o prolongamento da Avenida João de Melo.

De acordo com o que se lê na página da Câmara, esse é um dos projectos que integram a sua candidatura às verbas do QREN, curiosamente apresentada com o objectivo de "requalificar a imagem urbana da vila". Vamos por partes.

A ideia parece ser ligar a Praça da República à Av. Comendador Correia de Oliveira. Se a ideia inicial se mantiver, isso vai ser feito a partir do espaço do edifício que separa a Igreja da Misericórdia da Biblioteca Municipal. Para quê? "Pretende-se com a obra aliviar a sobrecarga de tráfego a que está sujeito o centro histórico, designadamente a Rua Conselheiro Morais de Carvalho”.

Ora, tal como já aqui escrevemos, é difícil conciliar a obra com a ideia. Na prática, vai surgir mais um cruzamento que, das duas uma: ou permite o acesso à Praça- aumentando, inevitavelmente, a confusão- ou tem sentido único no sentido Praça-Av. Comendador Correia de Oliveira e os objectivos podem ser vários, mas nenhum relacionado com “aliviar a sobrecarga de tráfego a que está sujeito o centro histórico, designadamente a Rua Conselheiro Morais de Carvalho”.

“Requalificar”, significa devolver qualidade a algo que dela foi privado. Infelizmente, bem necessitamos disso por aqui. No entanto, para que tal seja conseguido, é necessário não perder de vista o objectivo primeiro de manter as características de Vouzela, com um equilíbrio ainda invejável entre o natural e o edificado. Ao fim e ao cabo, consolidar aquilo que os de fora continuam a procurar e todos os estudos revelam ser o nosso grande trunfo económico- por muito que custe aos “fazedores de obra”, pouco (muito pouco!) há digno de registo, no centro da vila, produzido nos últimos anos.

Intervir em Vouzela é, por tudo isso, difícil e caro (barato teria sido não estragar). Mas também é urgente. Por exemplo, construir alternativas de estacionamento automóvel, obriga a optar por parques subterrâneos que evitem o desleixo dos carros amontoados em qualquer um dos espaços da vila (nomeadamente no Largo do Convento que o projecto da Câmara parece condenar a esse fim). Há condições para o fazer, mas é preciso engenho, arte e...dinheiro. O mesmo se pode dizer sobre a requalificação da Praça da República, do bairro da Senra, sobre um rigoroso planeamento da nova urbanização de Sampaio, sobre a intervenção urgente em vários edifícios da Rua de São Frei Gil ou da Sidónio Pais, sobre a arborização da envolvente da Zona Industrial do Monte Cavalo...

Tanta coisa para fazer que, estranhamente, se ignora. Tanta necessidade de dinheiro. Resta-nos a esperança de que, no prometido período de discussão pública, seja possível evitar um erro perfeitamente escusado.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Sim, diz-nos respeito

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Uma em cada três mulheres é vítima de violência ou de qualquer outra forma de abuso ao longo da sua vida.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Carvalha da Feira

Voltando ao Largo da Feira, existia aí uma enorme carvalha que, pelo aspecto, terá provavelmente nascido ainda no séc. XVIII.
Podemos ver atrás dela um edifício que deverá ter sido aquele que delimitou o traçado da actual rua que sobe.

1910's

Union Postale Universelle
Edição da Ourivesaria Souto

segunda-feira, novembro 10, 2008

Continuando com a Feira de Vouzela

Outro dos excelentes postais de Vouzela relativos ao Mercado Público (Feira do Gado).

1910's

UNION POSTALE UNIVERSELLE
Edição da Ourivesaria Souto



Agosto de 2007

Foto: Carlos Pereira

sexta-feira, novembro 07, 2008

Pelos caminhos da Educação

Doisneau

A exemplo do que se passa um pouco por todo o país, as escolas de Vouzela suspenderam a aplicação do modelo de avaliação dos professores, "enquanto todas as limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças que enformam este modelo de avaliação não forem corrigidas". O mau ambiente existente entre esses profissionais e o respectivo ministério é, há muito, indisfarçável. Tal como aconteceu com o anterior ministro da Saúde, Correia de Campos, também a equipa da Dra. Maria de Lurdes falhou na comunicação, insistindo numa apreciação dos acontecimentos em que parece acreditar que lhe assiste a razão toda, enquanto o "resto do mundo" está errado.

É curioso recordar, agora, o espalhafato que se fez quando foram publicados os primeiros "rankings" das escolas. Assunto de primeira página, não houve "notável" que resistisse a opinar sobre as desventuras da educação pública em Portugal. depois percebeu-se a fragilidade de tudo aquilo e que, mais do que escolas de "primeira" e de "segunda", é o próprio País que assim se divide. O assunto deixou de interessar...

Esta tendência para mistificar tudo o que diz respeito à Educação, tem caracterizado grande parte das medidas dos diversos governos. Encara-se a Escola como uma entidade isolada, com capacidade, por si só, para eliminar "heranças" familiares, condicionalismos sociais e, até, problemas de saúde. Nada disto é, por sua vez, avaliado ou sequer reconhecido, transmitindo-se a ideia de que o país é todo igual e que uma só receita dá para todas as situações- os governos evitam, assim, fornecer elementos que permitam uma mais rigorosa avaliação do seu trabalho.

O modelo de avaliação de professores que está em "fase experimental" é mais do que um exemplo do que acabamos de dizer- é um monumento à hipocrisia. Querem-nos convencer que, através da assistência a três aulas de professores, alguns com mais de vinte anos de docência, se vão descobrir todos os empecilhos que nos têm empurrado para a cauda da Europa. Para tornar a coisa ainda mais cínica, fez-se depender a classificação desses profissionais, da melhoria dos resultados dos alunos e do contributo de cada professor, isoladamente entendido, para a redução do abandono escolar. Os efeitos perversos são óbvios.

Tenha-se em conta que as escolas não foram previamente avaliadas, nem se fez qualquer estudo prévio de identificação das carências do meio. Por exemplo, a que serviços pode recorrer uma escola do Interior, para diagnosticar problemas de desenvolvimento ou outros problemas de saúde com implicações no rendimento escolar das suas crianças? Que hábitos de colaboração existem, entre escolas e outros serviços como, por exemplo, os da Segurança Social? Que canais de comunicação existem entre os diversos serviços? Que estratégias articuladas são possíveis, para ultrapassar eventuais influências de famílias desestruturadas? Nada disto parece preocupar os responsáveis pela Educação. Em contrapartida, tentam "vender" a ideia de que, com a assistência a três simples aulinhas, os "avaliadores" (professores que, muitas vezes, não têm grande diferença de experiência profissional em relação aos "avaliados") vão descobrir as causas de todos os males do mundo.

Já com o "sucesso administrativo" dos últimos exames do Ensino Básico, os actuais responsáveis pela Educação tinham mostrado que a mais não aspiram do que a "vendedores de ilusões". O problema é que são bem reais as necessidades do País, para estar a perder tempo com truques de ilusionismo e para desperdiçar as energias desses profissionais a quem o Ministério obriga a gastar mais tempo com as exigências das tais três aulinhas, do que com todas as outras. Por isso, ofereçam um "Magalhães" à senhora ministra e aos seus secretários, publiquem-lhes um louvor no "Diário da República", mandem-nos à vidinha e... vamos ao trabalho.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Rios de Vida


Já o devíamos ter dito: o João Cosme editou mais um livro. Chama-se Rios de Vida e junta muito do seu trabalho de fotógrafo da Natureza, apaixonado por rios (sobretudo, os de montanha). A não perder. Poesia em imagens com o que de melhor (ainda) nos rodeia.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Início anos 20...


Os postais antigos relativos a Mercados e Feiras são sempre muito apetecíveis. São imagens que interessam também a quem se dedica a colecções temáticas, independentemente do local. Esta imagem é magnífica; dá-nos um "cheirinho" do que eram as feiras há muitas décadas atrás...Posted by Picasa