quarta-feira, outubro 15, 2008

Tudo sobre o Orçamento

Estamos em condições de garantir que, deste lado do Caramulo, sentimos a crise como todos os outros. Apenas as vistas são melhores. Por isso, interessa-nos o que por aí vem na forma de Orçamento para 2009, cuja complexidade, pelos vistos, está muito para além da capacidade dos computadores do Governo- já pensaram em comprar um "Magalhães"?

Pastel de Vouzela, habituado a questões delicadas, divulga um espaço (aqui) onde pode acompanhar tudo o que se vai dizer sobre o assunto. É da autoria do jornalista Paulo Querido e... funciona.
___________
Honestamente falando, chegámos lá a partir daqui.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Mira Vouga

1963

Parte de desdobrável publicitário emitido pela Comissão Municipal de Turismo em 1963 (10000 exemplares), impressos pela LITO ALVORADA - PORTO (outras partes do desdobrável serão mostradas oportunamente).


1930's (finais)


Contracapa do "álbum" de vinhetas de turismo publicadas pela LATINA no final dos anos 30. De referir que ando há anos à procura dessas vinhetas (é triste ter o álbum e não ter as vinhetas).

quinta-feira, outubro 09, 2008

Isto é que é meter água

Angel Boligan Corbo-Cuba
Nestas coisas do “Dia de...”, safa-se o de Natal e pelo caminho que as coisas levam, justificam-se os maiores receios. Os restantes, quedam-se pela inutilidade da rotina, naquele jeito de reconfortar consciências, quando nada mais se quer fazer. É o caso do “Dia Nacional da Água”. Comemorou-se a semana passada, sem que ela (a água) tenha motivos para agradecer.

Aproveitando a efeméride, o ministro do Ambiente anunciou uma medida...à sua medida: Portugal vai começar, já a partir de Janeiro, a pagar uma taxa (mais uma) sobre recursos hídricos que os outros países da União Europeia só vão pagar a partir de 2010. Mas, não contente com isso, Nunes Correia, deitando mão àquela inabilidade comunicacional que tem feito escola no actual governo, não arranjou melhor justificação para a coisa do que dizer: “(...) Nós temos que fazer isto. Portugal é penalizado se não fizer isto. E, portanto, como o que tem que ser, tem muita força...” (RDP- Antena 1)

Podia ter dito que se procurava racionalizar o consumo, penalizar o desperdício, podia ter dito tanta coisa e, no entanto, disse apenas o que não devia: que Portugal não tem qualquer estratégia para o sector, limitando-se a aproveitar a boleia de Bruxelas sempre que daí resulte o amealhar de receitas. Enfim, em bom português diz-se que lhe fugiu a boca para a verdade.

Ora, no mesmo dia, foram divulgados resultados (a partir daqui) de 20 amostras recolhidas pela Quercus em 14 dos principais cursos de água portugueses (ver aqui a distribuição nacional). Se o “nosso” Vouga apresentou (surpreendentemente) valores razoáveis, o balanço geral não podia ser pior.

Como disse o dirigente Hélder Spínola, os principais focos de poluição “continuam a ser os esgotos domésticos, que não têm ou têm um tratamento deficiente, o abandono de resíduos que contamina as linhas de água e as escorrências de campos de cultivo por se usarem pesticidas em excesso”. Ou seja, tanta coisa para Nunes Correia dissertar. Tanta coisa para que esperamos ideias de autoridades nacionais e locais, nem que mais não seja para fazerem algum sentido os impostos que pagamos.

Nós por cá...

Bem gostávamos de acreditar que vamos bem. No entanto, os receios são muitos. Na sua edição de 17 de Janeiro de 2008, o Notícias de Vouzela publicava declarações da Delegada de Saúde, Dra. Maria Alexandre Cruz, que não deixavam margem para dúvidas: “(...) há sistemas de tratamento deficientes e deficientes zonas de protecção das origens/ captações, situações estas que, embora não nos tenham originado até hoje grandes preocupações, exigem da parte dos responsáveis solução eficaz e urgente (...)”.

Por outro lado, é antiga a suspeita sobre a qualidade das águas do Vouga, sobretudo a partir das Termas, havendo quem há muito defenda a necessidade de uma nova ETAR. No que à abundância de recursos diz respeito, nos últimos anos houve casos de falta de água em algumas freguesias e, ao mesmo tempo, “desapareceram” nascentes após a realização de algumas obras. O silêncio das autoridades locais sobre tudo isto, não é a melhor forma de recuperar a confiança dos cidadãos. O comércio da água engarrafada, agradece. Nós, não.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Em 24 de Maio de 1939...alguém escrevia neste postal




As voltas que deu este imóvel... Alguém se lembra?

domingo, outubro 05, 2008

Pintem isto em letras gordas nas praças de todo o País

Solos urbanos são propriedade municipal
Mais-valias financiam as políticas da cidade

Comprar um terreno onde não se pode construir, manobrar na câmara para o poder urbanizar e depois arrecadar uma mais-valia milionária - eis um jogo proibido em Amesterdão. O motivo é simples: todos os solos são propriedade municipal, à excepção dos que foram comprados por particulares antes de 1896 e que somam vinte por cento do total. "O terreno é propriedade do povo de Amesterdão e a nossa função é aumentar a riqueza do povo", diz Dirk van der Woude, um dos responsáveis da Development Corporation, o departamento municipal que assegura a gestão dos solos. O sistema baseia-se numa espécie de aluguer de longa duração negociado entre os interesssados em construir num determinado local e o município. O que ali se pode fazer está rigidamente estabelecido na programação do território aprovada previamente e o aluguer, perpétuo ou temporário, está sujeito a revisões periódicas.
Em muitos casos, a cedência dos terrenos é objecto de leilão entre os promotores e estes são obrigados, nas zonas habitacionais, a destinar 30 por cento dos fogos à habitação social. Os objectivos essenciais são três: transferir para a comunidade, através do financiamento das políticas municipais, as mais-valias geradas pelo processo de urbanização; assegurar um maior controlo do uso da terra e um planeamento mais eficaz; e contrariar a especulação imobiliária
(Público, Local, página 22, 05/10/2008)

sábado, outubro 04, 2008

Está tudo dito, Molero

«Diz Molero», disse Austin, «que um homem ama e odeia, ou é simplesmente indiferente, mas que tudo recomeça em cada minuto que passa, disseram-lhe que nasceu uma criança, amanhã vai ao enterro de alguém, laços fazem-se e desfazem-se dentro dele, segue sonhando a luz de um pirilampo ou de um farol, fica uma noite acordado a olhar para trás, há um sótão mágico onde vasculhar entre memórias, embora ele não saiba onde fica o sótão, acontece que ele existe e sobe-se para ele não se sabe como». Mister DeLuxe juntou as mãos em frente do rosto. «O sótão da infância», disse ele, «às vezes vou lá buscar a emoção de roubar ninhos ou então o cheiro da borracha das botas de pescar do meu avô»- O que diz Molero

Era um lisboeta assumido, mas daquela Lisboa que foi as terras todas e hoje já não há. Dinis Machado morreu aos 78 anos.

A notícia correu célere, deu três pancadas nas portas com os nós dos dedos (era assim que corriam as notícias), as putas vieram ver o turista, os chulos quedaram-se, inquietos, a trinta metros, o Franciú pintou os lábios, as gaivotas suspenderam momentaneamente o voo, cristalizadas no ar, e o Pintor aproveitou para fixar na tela o que nunca mais voltaria a acontecer: o homem de preto tirou a harpa do ombro e dedilhou nela sons prateados que deslizaram ao longo da pedra do cais e se espalharam no dorso das ondas, tornando-as mais oleosas. As crianças gostaram muito (nunca tinham visto mar prateado por sons de harpa), os chulos ficaram esverdeados, e até eu, que tenho uma harpa debaixo da cama, e que dedilho nela às vezes para acalmar os nervos, ou ouvir a voz dos anjos, não fazia ideia que se pudesse pratear ondas daquela maneira apenas com a linguagem de uma harpa- Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Márquez.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fatalidades

Estas, foram apanhadas aqui

A coisa é sempre a mesma: somos óptimas pessoas, temos excelentes condições, imensas potencialidades, gostam imenso de nós, mas... a malta está ficar velha e tem pouca formação. Perante isto, batatas. Ou há um surto de iluminados rebentos, ou mais vale fechar para obras.

Agora o problema é com a vitela certificada. Os produtores queixam-se dos preços praticados que não compensam. As tentativas de colocar o produto em grandes superfícies, para aumentar as vendas, fracassaram porque... a produção é pouca. E quando tentamos encontrar a saída do círculo vicioso, lá voltamos nós ao mesmo: quem trabalha no sector anda maioritariamente pelos 60 anos e raramente vem abaixo dos 40, tem pouca instrução, fracos níveis de rendimento. Quase apetece dizer que tudo estaria no melhor dos mundos, se não fôssemos quem somos...

Mas, como nem tudo é o que parece, nem as realidades complexas se resolvem com chavões, os estudos(1) parecem revelar outro tipo de fragilidades: a dificuldade em criar a organização necessária para que os produtores beneficiem, também, com a distribuição do produto; a incapacidade em pensar a região como um todo. A primeira é, de facto, tarefa difícil, a exigir novas mentalidades e dinheiro. Mas, a segunda, só depende da iniciativa daqueles que, com a escola toda e não muita idade, têm dirigido os nossos destinos. Ou, afinal, o problema não é esse?
_______________________________

(1)- Convém esclarecer que os dados de que falamos (retirados do Notícias de Vouzela de 25 de Setembro de 2008), foram apresentados no seminário “Complexidade e território”, onde se debateu um estudo sobre a vitela de Lafões, da responsabilidade do Instituto de Estudos Regionais e Urbanos da Universidade de Coimbra (IERU). Esta entidade já anteriormente se tinha debruçado sobre potencialidades e os pontos fracos da região, chamando a atenção para uma série de recursos que podem constituir alicerces para uma estratégia de desenvolvimento.